{"id":44708,"date":"2013-06-14T09:37:24","date_gmt":"2013-06-14T12:37:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=44708"},"modified":"2013-06-14T16:38:15","modified_gmt":"2013-06-14T19:38:15","slug":"consorcio-para-pesquisa-de-anemia-falciforme","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/consorcio-para-pesquisa-de-anemia-falciforme\/44708","title":{"rendered":"Cons\u00f3rcio para pesquisa de anemia falciforme"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013\u00a0Cientistas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e da Universidade Paris-Diderot, da Fran\u00e7a, criaram o Cons\u00f3rcio Internacional em Hematologia (International Network in Hematology) com o objetivo de promover a colabora\u00e7\u00e3o em pesquisas voltadas a melhorar o diagn\u00f3stico e o tratamento da <em><strong>anemia falciforme<\/strong><\/em> e outras doen\u00e7as do sangue.<\/p>\n<p>De acordo com Belinda Sim\u00f5es, professora da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP-USP) e uma das coordenadoras do grupo,\u00a0a\u00a0inten\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9 promover o interc\u00e2mbio de pesquisadores e estudantes das institui\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de facilitar a obten\u00e7\u00e3o de verba das ag\u00eancias de fomento para pesquisas em conjunto.<\/p>\n<p>\u201cA anemia falciforme \u00e9 a doen\u00e7a heredit\u00e1ria mais prevalente no Brasil e estima-se que existam mais de 50 mil afetados. \u00c9 uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica no pa\u00eds e, por isso, vamos nos centrar nesse tema inicialmente. O cons\u00f3rcio tamb\u00e9m trabalhar\u00e1 com fal\u00eancias medulares, como \u00e9 o caso da anemia apl\u00e1stica, e doen\u00e7as autoimunes, como diabetes e esclerodermia\u201d, contou Sim\u00f5es, pesquisadora do\u00a0<a href=\"http:\/\/ctc.fmrp.usp.br\/ctc\/\" target=\"_blank\">Centro de Terapia Celular<\/a>\u00a0(CTC) \u2013 um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPIDs) da FAPESP.<\/p>\n<p>Mais comum em popula\u00e7\u00f5es afrodescendentes, a anemia falciforme \u00e9 causada por uma altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica na hemoglobina, prote\u00edna que d\u00e1 a colora\u00e7\u00e3o avermelhada ao sangue e ajuda no transporte do oxig\u00eanio pelo sistema circulat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Essa altera\u00e7\u00e3o faz com que as hem\u00e1cias \u2013 gl\u00f3bulos vermelhos do sangue \u2013 assumam a forma de foice ou meia-lua depois que o oxig\u00eanio \u00e9 liberado. As c\u00e9lulas deformadas se tornam r\u00edgidas e propensas a se polimerizar, ou seja, a formar grupos que aderem ao endot\u00e9lio e dificultam a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de inflama\u00e7\u00e3o constante, esse processo vaso-oclusivo pode causar necrose em v\u00e1rios tecidos e crises de dor intensa. \u00c9 comum o aparecimento de \u00falceras nas pernas, descolamento de retina, priapismo (ere\u00e7\u00f5es prolongadas e dolorosas), acidente vascular cerebral, infartos, insufici\u00eancia renal e pulmonar. A doen\u00e7a tamb\u00e9m compromete os ossos, as articula\u00e7\u00f5es e tende a se agravar com o passar dos anos, reduzindo em cerca de 25 a 30 anos a expectativa de vida.<\/p>\n<p>\u201cEstamos tentando identificar centros de excel\u00eancia em todo o mundo para estabelecer protocolos comuns de pesquisa e, com base nos resultados, criar diretrizes para a doen\u00e7a. O CTC de Ribeir\u00e3o Preto \u00e9 um desses centros. Estamos oficializando uma parceria que j\u00e1 vem de longo tempo\u201d, afirmou Eliane Gluckman, professora de Medicina na Universidade Paris-Diderot e respons\u00e1vel pelo primeiro transplante de c\u00e9lulas-tronco de sangue de cord\u00e3o umbilical do mundo.<\/p>\n<p>O objetivo da colabora\u00e7\u00e3o, segundo Gluckman, \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 buscar bons m\u00e9todos para diagn\u00f3stico e tratamento da anemia falciforme como adapt\u00e1-los para pa\u00edses em desenvolvimento. \u201cA maioria dos pacientes est\u00e1 na \u00c1frica ou na \u00cdndia e n\u00e3o tem acesso a cuidados b\u00e1sicos. Mas isso n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, pois nem em nossos pa\u00edses [Fran\u00e7a e Brasil] estamos diagnosticando e tratando da forma mais adequada\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo Gluckman, o \u00fanico tratamento capaz de curar a anemia falciforme \u00e9 o transplante de c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas, que podem ser obtidas da medula \u00f3ssea de um doador compat\u00edvel ou de bancos p\u00fablicos de sangue do cord\u00e3o umbilical.<\/p>\n<p>\u201cNo Brasil, esse procedimento ainda n\u00e3o \u00e9 reconhecido. Nos Estados Unidos, por exemplo, foram transplantados pouco mais de 600 pacientes, quando a estimativa \u00e9 de que aproximadamente 100 mil tenham indica\u00e7\u00e3o para o tratamento. Na Europa, tamb\u00e9m s\u00e3o pouco mais de 600 transplantados\u201d, afirmou Gluckman.<\/p>\n<p>Panorama brasileiro<\/p>\n<p>De acordo com Sim\u00f5es, 21 portadores de anemia falciforme j\u00e1 foram submetidos ao transplante de c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas no Brasil \u2013 14 deles no CTC. \u201cDesses, apenas tr\u00eas morreram (apenas uma em Ribeir\u00e3o Preto) e n\u00e3o por causa do transplante, mas por complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade causadas pela doen\u00e7a em est\u00e1gio avan\u00e7ado\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mas o procedimento ainda \u00e9 considerado experimental pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e, portanto, n\u00e3o \u00e9 ressarcido pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). \u201cAguardamos h\u00e1 muito tempo a revis\u00e3o dessa portaria. Eles argumentam que ainda n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias cient\u00edficas suficientes para aprovar o tratamento, mas j\u00e1 h\u00e1 mais de 1.200 transplantados no mundo e o \u00edndice de sobrevida \u00e9 de 94%. Os pacientes ficam completamente curados. Nem leucemia nem nenhuma outra doen\u00e7a em que h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o para esse tipo de procedimento tem \u00edndice de sucesso t\u00e3o alto\u201d, disse Sim\u00f5es.<\/p>\n<p>A pesquisadora\u00a0acredita que a aprova\u00e7\u00e3o do transplante para tratar anemia falciforme seria uma op\u00e7\u00e3o mais barata para a rede p\u00fablica do que o tratamento das complica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a ao longo de toda a vida dos pacientes. Segundo Sim\u00f5es, uma das metas do cons\u00f3rcio ser\u00e1 justamente fazer essa compara\u00e7\u00e3o de custos.<\/p>\n<p>\u201cNo caso dos pacientes em regime de exsanguineotransfus\u00e3o (troca lenta e sucessiva de pequenas fra\u00e7\u00f5es de sangue), por exemplo, um m\u00eas e meio de tratamento j\u00e1 cobre o custo do transplante. Temos o caso de um paciente de 38 anos que a cada 15 dias fazia esse procedimento, n\u00e3o trabalhava e n\u00e3o pagava impostos. Depois do transplante, ele conseguiu estudar e hoje tem um emprego e n\u00e3o custa mais nada para o governo\u201d, exemplificou a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, acrescentou Sim\u00f5es, apenas 20% dos portadores de anemia falciforme t\u00eam indica\u00e7\u00e3o para transplante de acordo com o protocolo usado nas pesquisas brasileiras, que exige, entre outras coisas, que o doador seja um irm\u00e3o compat\u00edvel. \u201cS\u00f3 com esse pr\u00e9-requisito o n\u00famero de pacientes eleg\u00edveis cai muito. H\u00e1 pa\u00edses que aceitam que a m\u00e3e seja doadora ou usam sangue de cord\u00e3o umbilical. Mas, como no Brasil h\u00e1 esse problema de verba, preferimos come\u00e7ar apenas com irm\u00e3os e depois expandir\u201d, disse.<\/p>\n<p>Procurado pela reportagem, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou que \u201ca indica\u00e7\u00e3o do transplante de medula \u00f3ssea alog\u00eanico foi inclu\u00edda na discuss\u00e3o da atualiza\u00e7\u00e3o do regulamento t\u00e9cnico de transplantes do pa\u00eds, com previs\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o no segundo semestre deste ano\u201d.<\/p>\n<p>Acordo<\/p>\n<p>Os 11 pesquisadores que integrar\u00e3o o Cons\u00f3rcio Internacional em Hematologia estiveram reunidos nos dias 9 e 10 de maio, durante o Simp\u00f3sio em Hematologia e Imunologia USP-Paris-Diderot. O evento foi realizado no \u00e2mbito de um acordo de colabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica entre a USP e a Universidade Paris-Diderot assinado no m\u00eas de maio, que abranger\u00e1 tamb\u00e9m outras \u00e1reas da ci\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013\u00a0Cientistas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e da Universidade Paris-Diderot, da Fran\u00e7a, criaram o Cons\u00f3rcio Internacional em Hematologia (International Network in Hematology) com o objetivo de promover a colabora\u00e7\u00e3o em pesquisas voltadas a melhorar o diagn\u00f3stico e o tratamento da anemia falciforme e outras doen\u00e7as do sangue. 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