{"id":45210,"date":"2013-07-15T23:50:46","date_gmt":"2013-07-16T02:50:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=45210"},"modified":"2013-07-15T23:50:46","modified_gmt":"2013-07-16T02:50:46","slug":"estudos-indicam-que-e-importante-perder-peso-gradativamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/estudos-indicam-que-e-importante-perder-peso-gradativamente\/45210","title":{"rendered":"Estudos indicam que \u00e9 importante perder peso gradativamente"},"content":{"rendered":"<p>Por Carlos Fioravanti Revista Pesquisa FAPESP\u00a0\u2013 Em adolescentes, perder apenas 8% do <em><strong>excesso de peso<\/strong><\/em>, o equivalente a uma redu\u00e7\u00e3o de 6 a 11 quilogramas (kg) da massa corporal, pode ser o bastante para desfazer as altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas causadas pela obesidade, manter a fome sob controle e sair da faixa de risco para diabetes, hipertens\u00e3o e doen\u00e7as cardiovasculares, que normalmente acompanham a obesidade. \u201cN\u00e3o \u00e9 preciso perder 20 kg em pouco tempo, como normalmente se procura fazer, para evitar os problemas de sa\u00fade que se agravam com o excesso de peso\u201d, diz Ana D\u00e2maso, professora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e coordenadora do estudo interdisciplinar que levou a essas conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>Durante um ano, m\u00e9dicos, nutricionistas, psic\u00f3logos, educadores f\u00edsicos e fisioterapeutas acompanharam 77 adolescentes de 14 a 19 anos e peso entre 101 e 120 kg, motivando-os a perderem peso gradativamente, por meio de exerc\u00edcios f\u00edsicos e da incorpora\u00e7\u00e3o de uma dieta mais rica em verduras e frutas e de h\u00e1bitos de vida mais saud\u00e1veis, como dormir mais cedo e pelo menos oito horas, em vez de passar a noite na internet comendo batatinhas fritas.<\/p>\n<p>Outros estudos j\u00e1 haviam associado a obesidade a riscos crescentes de diabetes tipo 2, hipertens\u00e3o, c\u00e2ncer, problemas nos rins, no p\u00e2ncreas e no f\u00edgado, al\u00e9m de dificuldade para dormir, e detectado que uma perda de 5 kg de peso reduzia \u00e0 metade o risco de diabetes. Agora, com esses novos estudos, come\u00e7a a ser definido um valor de redu\u00e7\u00e3o de peso \u2013 a ser confirmado ou ajustado por outros estudos \u2013 necess\u00e1rio para recolocar o organismo em ordem. Os avan\u00e7os s\u00e3o relevantes porque os adolescentes representam um grupo de risco para problemas de sa\u00fade: estima-se que a preval\u00eancia de sobrepeso entre adolescentes no Brasil tenha triplicado \u2013 passou de 4% para 13% \u2013 na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 20% dos adolescentes e 48% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e3o acima do peso recomendado para a idade e a altura. \u201cQuanto mais cedo trabalharmos com adolescentes obesos e propusermos mudan\u00e7as no estilo de vida, menor ser\u00e1 a carga de doen\u00e7as cr\u00f4nicas entre adultos e menores os gastos do sistema p\u00fablico de sa\u00fade\u201d, diz Danielle Caranti, que durante o doutorado trabalhou com adolescentes obesos em um hospital de doen\u00e7as metab\u00f3licas da It\u00e1lia antes de come\u00e7ar com adultos na Unifesp em Santos em 2010.<\/p>\n<p>Adultos obesos provavelmente ter\u00e3o de perder mais peso do que os adolescentes para desfazer as altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas causadas pela obesidade. De acordo com um estudo em andamento com 43 pessoas com idade entre 21 e 60 anos na Unifesp de Santos, os n\u00edveis de horm\u00f4nios que controlam o apetite e os processos inflamat\u00f3rios decorrentes do excesso de peso podem estar at\u00e9 tr\u00eas vezes acima do normal, desse modo exigindo mais esfor\u00e7o e tempo para voltarem aos n\u00edveis considerados saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Segundo Danielle Caranti, coordenadora dessa pesquisa, os resultados preliminares indicaram que, em adultos, a redu\u00e7\u00e3o m\u00ednima de massa corporal necess\u00e1ria para normalizar os n\u00edveis dos principais horm\u00f4nios ligados \u00e0 obesidade parece ser da ordem de 10% a 20% \u2013 e s\u00f3 se chega a esse valor ap\u00f3s pelo menos um ano de exerc\u00edcios f\u00edsicos e ajustes na dieta e no estilo de vida.<\/p>\n<p>Um estudo recente do grupo de Mario Saad na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicou que, em camundongos, a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos, al\u00e9m de queimar calorias, como j\u00e1 se sabia, ajuda a reduzir a inflama\u00e7\u00e3o nos neur\u00f4nios do hipot\u00e1lamo, a regi\u00e3o do c\u00e9rebro que regula a fome, e a restabelecer a saciedade (ver Pesquisa FAPESP n\u00ba 173).<\/p>\n<p>Esses trabalhos indicam que \u00e9 importante perder peso gradativamente, para dar tempo para o organismo restabelecer o equil\u00edbrio perdido, em vez de emagrecer muito de um f\u00f4lego s\u00f3. \u201cQuando se emagrece muito rapidamente, a gordura do abd\u00f4men tende a ir para o f\u00edgado e para o cora\u00e7\u00e3o\u201d, diz Ana D\u00e2maso. Para evitar a euforia de perder peso rapidamente e recuperar tudo em seguida, os pesquisadores propunham aos adolescentes a meta de perder 0,5 a 1,5 kg por semana \u2013 alguns, ap\u00f3s um ano de tratamento, perderam at\u00e9 22 kg.<\/p>\n<p>Outra conclus\u00e3o, j\u00e1 adotada por outros grupos de pesquisa, \u00e9 que a obesidade deve ser vista como uma doen\u00e7a cr\u00f4nica multicausal e, portanto, precisa ser tratada de modo integrado. Tanto os adolescentes quanto os adultos submeteram-se a uma terapia interdisciplinar de redu\u00e7\u00e3o de peso que Ana D\u00e2maso conheceu na Alemanha em 2002 e implantou na Unifesp dois anos depois.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, essa abordagem tem sido aplicada e avaliada por outros grupos de pesquisa do Paran\u00e1, Pernambuco e S\u00e3o Paulo, com dura\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel de 3 a 12 meses. Por meio dessa estrat\u00e9gia, m\u00e9dicos, educadores f\u00edsicos, fisioterapeutas, psic\u00f3logos e nutricionistas adotam os mesmos objetivos e prop\u00f5em mudan\u00e7as no estilo de vida para adolescentes e adultos.<\/p>\n<p>\u201cTemos de atacar a obesidade em v\u00e1rias frentes, ao mesmo tempo\u201d, diz Danielle Caranti. Em princ\u00edpio, \u00e9 mais f\u00e1cil emagrecer quando adolescente, embora adultos obesos tamb\u00e9m consigam mudar de h\u00e1bitos. Joana Ferreira, do grupo da Unifesp, verificou que o consumo m\u00e9dio di\u00e1rio de calorias em um grupo de 49 adultos obesos passou de 2.195 quilocalorias (kcal) para 1.603 kcal, e a compuls\u00e3o alimentar caiu de 23,8% para 4,8% entre os obesos moderados e de 9,5% para 0% entre os obesos severos, do in\u00edcio ao fim de um tratamento de seis meses.<\/p>\n<p>Leia a reportagem completa em\u00a0<a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2013\/07\/12\/grandes-ganhos-com-pequena-perda-de-peso\/\" target=\"_blank\">http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2013\/07\/12\/grandes-ganhos-com-pequena-perda-de-peso\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Fioravanti Revista Pesquisa FAPESP\u00a0\u2013 Em adolescentes, perder apenas 8% do excesso de peso, o equivalente a uma redu\u00e7\u00e3o de 6 a 11 quilogramas (kg) da massa corporal, pode ser o bastante para desfazer as altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas causadas pela obesidade, manter a fome sob controle e sair da faixa de risco para diabetes, hipertens\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37376,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-45210","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45210"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45210\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}