{"id":47011,"date":"2013-09-05T20:28:38","date_gmt":"2013-09-05T23:28:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=47011"},"modified":"2013-09-05T20:28:38","modified_gmt":"2013-09-05T23:28:38","slug":"probiotico-em-goma-de-mascar-pode-ajudar-a-combater-caries","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/probiotico-em-goma-de-mascar-pode-ajudar-a-combater-caries\/47011","title":{"rendered":"Probi\u00f3tico em goma de mascar pode ajudar a combater c\u00e1ries"},"content":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma goma de mascar feita com <em><strong>probi\u00f3ticos<\/strong><\/em> microencapsulados, que s\u00e3o liberados com a mastiga\u00e7\u00e3o, produz compostos que inibem a a\u00e7\u00e3o de microrganismos cariog\u00eanicos. A descoberta \u00e9 resultado de pesquisas desenvolvidas ao longo dos \u00faltimos tr\u00eas anos na Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas (FCFAR) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara.<\/p>\n<p>Experimentos\u00a0in vitro\u00a0apontaram a esp\u00e9cie\u00a0Lactobacillus acidophilus\u00a0como a mais apropriada para o desenvolvimento desse novo chiclete. Em consequ\u00eancia da tecnologia aplicada, o probi\u00f3tico \u00e9 capaz de sobreviver \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de processamento, permanecer vivo dentro da goma (sem refrigera\u00e7\u00e3o), resistir ao maior per\u00edodo poss\u00edvel de estocagem, atender a certas exig\u00eancias de percep\u00e7\u00e3o sensorial (gosto, textura, cor e odor) e, enfim, ser liberado pela mastiga\u00e7\u00e3o na cavidade oral, produzindo compostos que combatem oStreptococcus mutans, um dos principais pat\u00f3genos causadores da c\u00e1rie.<\/p>\n<p>Estudos\u00a0in vivo\u00a0realizados com 65 volunt\u00e1rios mostraram que mascar a goma feita com microrganismos probi\u00f3ticos aumenta em at\u00e9 mil vezes a presen\u00e7a do\u00a0Lactobacillus acidophilus\u00a0na saliva. \u201cIsso indica que a sua utiliza\u00e7\u00e3o pode beneficiar o tratamento da c\u00e1rie\u201d, afirmou Elizeu Antonio Rossi, professor da FCFAR \u00e0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Rossi orientou a farmac\u00eautica Nadi\u00e9ge Dourado Pauly-Silveira na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/112642\/desenvolvimento-de-uma-goma-de-mascar-anticariogenica-contendo-microrganismo-probiotico-microencapsu\" target=\"_blank\">tese de doutorado<\/a>\u00a0que deu origem \u00e0 nova goma e coordenou um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/24594\/desenvolvimento-de-uma-goma-de-mascar-anticariogenica-contendo-microrganismo-probiotico-microencapsu\" target=\"_blank\">Aux\u00edlio Regular<\/a>\u00a0vinculado ao estudo.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, a equipe da FCFAR\/Unesp j\u00e1 estudou e desenvolveu produtos com microrganismos probi\u00f3ticos em busca de benef\u00edcios espec\u00edficos para doen\u00e7as coronarianas, c\u00e2ncer de c\u00f3lon e de mama, osteoporose e diabetes.<\/p>\n<p>\u201cUm diferencial interessante dessa nova pesquisa na cavidade oral \u00e9 que a a\u00e7\u00e3o probi\u00f3tica \u00e9 local. Ou seja, provavelmente n\u00e3o se trata de uma a\u00e7\u00e3o sist\u00eamica, que necessariamente envolva efeitos a partir da ades\u00e3o do microrganismo probi\u00f3tico no intestino\u201d, contou.<\/p>\n<p>Pesquisas cient\u00edficas anteriores j\u00e1 haviam apontado que o uso de probi\u00f3ticos de fato se mostrava vi\u00e1vel para a altera\u00e7\u00e3o da microbiota oral: probi\u00f3ticos e pat\u00f3genos como o\u00a0Streptococcus mutans\u00a0podem competir por receptores de ades\u00e3o e nutrientes \u2013 sem contar que os primeiros produzem compostos capazes de inibir o desenvolvimento dos segundos, aspecto sobre o qual Rossi e Pauly-Silveira se debru\u00e7aram.<\/p>\n<p>Etapas e desafios<\/p>\n<p>Uma vez que os experimentos\u00a0in vitro\u00a0comprovaram a efic\u00e1cia do\u00a0Lactobacillus acidophilus\u00a0na inibi\u00e7\u00e3o doStreptococcus mutans, os pesquisadores testaram metodologias conhecidas e variadas de microencapsula\u00e7\u00e3o dos probi\u00f3ticos. O estudo envolveu adapta\u00e7\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es de t\u00e9cnicas que resultaram em um pedido de patente, atualmente em fase de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>\u201cRevestir os probi\u00f3ticos adequadamente permitiu superar uma s\u00e9rie de obst\u00e1culos, como manter esses microrganismos vivos dentro da goma \u2013 tanto no que se refere ao calor empregado no processamento do produto quanto na temperatura ambiente em que seria armazenado \u2013 pelo maior tempo poss\u00edvel de estocagem e sem prejudicar gosto, textura, cor e odor\u201d, explicou Rossi.<\/p>\n<p>Os desafios seguintes foram assegurar que o microencapsulamento n\u00e3o estivesse herm\u00e9tico demais a ponto de impedir a libera\u00e7\u00e3o dos probi\u00f3ticos durante a mastiga\u00e7\u00e3o, bem como analisar a aceita\u00e7\u00e3o do produto. Para tanto, 65 volunt\u00e1rios experimentaram a nova goma.<\/p>\n<p>A quantifica\u00e7\u00e3o dos probi\u00f3ticos disponibilizados pela goma exigiu coletas de saliva e contagens em meio de cultivo, antes e depois de dez minutos de mastiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cConstatamos que a quantidade de\u00a0Lactobacillus acidophilus\u00a0presente na saliva aumentou em at\u00e9 mil vezes. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o, a nova goma recebeu m\u00e9dia em torno de sete em uma escala at\u00e9 nove \u2013 resultado semelhante ao alcan\u00e7ado pelo produto padr\u00e3o, o que nos leva a crer que a introdu\u00e7\u00e3o dos probi\u00f3ticos n\u00e3o afeta negativamente a percep\u00e7\u00e3o sensorial \u201d, afirmou Rossi.<\/p>\n<p>O\u00a0Lactobacillus acidophilus\u00a0permaneceu vi\u00e1vel dentro da goma por 154 dias, sem refrigera\u00e7\u00e3o. De acordo com o pesquisador, \u201cfoi a melhor marca entre os demais probi\u00f3ticos testados, que chegavam a per\u00edodos em torno de 56 dias\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 a escolha da goma de mascar como meio para a introdu\u00e7\u00e3o dos probi\u00f3ticos se deu por conta da boa aceita\u00e7\u00e3o que se pode obter entre crian\u00e7as e adultos. Solu\u00e7\u00f5es para bochecho e comprimidos mastig\u00e1veis tamb\u00e9m foram cogitados, mas fugiam do escopo de trabalho do grupo, que atua na \u00e1rea de alimentos.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 o in\u00edcio de testes cl\u00ednicos, para os quais a equipe de Rossi j\u00e1 contatou odontologistas que possam acompanhar dois grupos de crian\u00e7as por pelo menos um ano: um grupo sob orienta\u00e7\u00e3o para consumo di\u00e1rio da goma com probi\u00f3ticos e outro grupo de controle, que receber\u00e1 uma goma com efeito placebo.<\/p>\n<p>\u201cTudo indica que teremos resultados ben\u00e9ficos. Al\u00e9m disso, a goma que desenvolvemos \u00e9 isenta de a\u00e7\u00facar, ou seja, assim como algumas que est\u00e3o no mercado, ela tamb\u00e9m n\u00e3o propicia o desenvolvimento de c\u00e1ries \u2013 a diferen\u00e7a \u00e9 que, al\u00e9m de n\u00e3o propiciar, o produto tamb\u00e9m atacar\u00e1 o problema.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma goma de mascar feita com probi\u00f3ticos microencapsulados, que s\u00e3o liberados com a mastiga\u00e7\u00e3o, produz compostos que inibem a a\u00e7\u00e3o de microrganismos cariog\u00eanicos. A descoberta \u00e9 resultado de pesquisas desenvolvidas ao longo dos \u00faltimos tr\u00eas anos na Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas (FCFAR) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara. 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