{"id":47832,"date":"2013-09-24T16:08:47","date_gmt":"2013-09-24T19:08:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=47832"},"modified":"2013-09-24T16:08:47","modified_gmt":"2013-09-24T19:08:47","slug":"mudancas-na-dinamica-populacional-paulista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/mudancas-na-dinamica-populacional-paulista\/47832","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as na din\u00e2mica populacional paulista"},"content":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Na d\u00e9cada de 1980, os <em><strong>estrangeiros<\/strong><\/em> que chegavam ao Estado de S\u00e3o Paulo se concentravam na regi\u00e3o metropolitana da capital paulista. Hoje, h\u00e1 um movimento significativo de grupos como bolivianos, paraguaios, chineses e coreanos partindo em dire\u00e7\u00e3o a diferentes regi\u00f5es do interior, para o trabalho em setores agr\u00edcolas, industriais e do com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios paulistanos j\u00e1 v\u00eam engrossando o movimento de interioriza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o desde os anos 1980, movimento que agora ganha impulso por conta de fatores como satura\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho na cidade de S\u00e3o Paulo, aquecimento de segmentos variados no interior e busca por melhor qualidade de vida. Os mesmos motivos fazem crescer a migra\u00e7\u00e3o de retorno aos estados de Minas Gerais e Paran\u00e1, bem como a movimenta\u00e7\u00e3o de brasileiros entre outros estados que n\u00e3o o de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o algumas das conclus\u00f5es do Projeto Tem\u00e1tico\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/6601\/observatorio-das-migracoes-em-sao-paulo-fases-e-faces-do-fenomeno-migratorio-no-estado-de-sao-paulo\" target=\"_blank\">Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Paulo<\/a>, apoiado pela FAPESP e coordenado por Rosana Baeninger, professora do Departamento de Demografia e pesquisadora do N\u00facleo de Estudos de Popula\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas (Nepo\/Unicamp).<\/p>\n<p>O conjunto dos dados levantados, desde 2009, por Baeninger, 16 pesquisadores e 38 alunos de mestrado, de doutorado e de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica deu forma \u00e0 cole\u00e7\u00e3o de 12 volumes\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nepo.unicamp.br\/publicacoes\/_colecao.html\" target=\"_blank\">Por Dentro do Estado de S\u00e3o Paulo<\/a>, lan\u00e7ada em agosto.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo foi analisar a configura\u00e7\u00e3o dos movimentos migrat\u00f3rios atuais a partir das ra\u00edzes hist\u00f3ricas desses processos. Para tanto, investigamos a forma\u00e7\u00e3o social paulista desde o s\u00e9culo 19, na passagem para o s\u00e9culo 20 e ao longo dele, chegando ao in\u00edcio do s\u00e9culo 21\u201d, afirmou Baeninger, \u00e0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es at\u00e9 1950 foram obtidas a partir da naturalidade registrada em certid\u00f5es de casamento, de anu\u00e1rios demogr\u00e1ficos sanit\u00e1rios e de arquivos da Hospedaria dos Imigrantes, na cidade de S\u00e3o Paulo. A partir de ent\u00e3o, foram analisadas s\u00e9ries hist\u00f3ricas dos censos demogr\u00e1ficos e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad).<\/p>\n<p>\u201cContudo, como o censo demogr\u00e1fico mais recente cont\u00e9m informa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o somente at\u00e9 2010, entender as migra\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas, inclusive as ocorridas nos tr\u00eas \u00faltimos anos, exigiu uma s\u00e9rie de visitas a campo, tanto nas regi\u00f5es de origem quando na de destino das migra\u00e7\u00f5es\u201d, contou Baeninger.<\/p>\n<p>Dois exemplos de viagens como essas foram investiga\u00e7\u00f5es sobre piauienses que deixam o Piau\u00ed para trabalhar em planta\u00e7\u00f5es paulistas de cana-de-a\u00e7\u00facar e de laranja e bolivianos que partiram de seu pa\u00eds em dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas \u00e0 regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, como era de costume, mas tamb\u00e9m a polos t\u00eaxteis como Indaiatuba e Americana.<\/p>\n<p>Durante as visitas, os pesquisadores do Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es fizeram entrevistas qualitativas nas prefeituras e em \u00f3rg\u00e3os vinculados \u00e0 assist\u00eancia social, questionando os profissionais sobre como percebem a chegada ou a partida de moradores.<\/p>\n<p>De acordo com Baeninger, tais dados foram complementados com entrevistas biogr\u00e1ficas feitas com os pr\u00f3prios migrantes internos e internacionais. \u201cPed\u00edamos que nos contassem suas trajet\u00f3rias, come\u00e7ando sempre com relatos mais recentes e contando quando e com quem migraram, onde moraram, entre outros aspectos.\u201d<\/p>\n<p>Raz\u00f5es das mudan\u00e7as<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 migra\u00e7\u00e3o internacional, Baeninger afirmou que as novidades se explicam por conta da inser\u00e7\u00e3o de novas regi\u00f5es paulistas na l\u00f3gica do capital internacional \u2013 ou seja, mais investimento externo, mais demanda por m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>\u201cProfissionais bem qualificados continuam chegando a polos de alta tecnologia como Campinas, vindos de pa\u00edses como Alemanha e Fran\u00e7a. Mas agora h\u00e1 tamb\u00e9m uma interioriza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra n\u00e3o qualificada que antes se concentrava na capital\u201d, explicou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, enquadram-se bolivianos e paraguaios na ind\u00fastria t\u00eaxtil de Indaiatuba e Americana; chineses no com\u00e9rcio de Campinas, Ribeir\u00e3o Preto e S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto; coreanos na ind\u00fastria de semijoias e bijuterias de Limeira; e haitianos na constru\u00e7\u00e3o civil de diferentes regi\u00f5es.<\/p>\n<p>A interioriza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m cresce entre brasileiros, que continuam partindo da regi\u00e3o metropolitana. \u201cAs oportunidades v\u00eam florescendo no interior desde os anos 1970. Agora, outros fatores entram em jogo, como o aumento da viol\u00eancia na capital e a busca por uma melhor qualidade de vida\u201d, disse Baeninger.<\/p>\n<p>Tais motivadores tamb\u00e9m levam ao aumento da migra\u00e7\u00e3o de retorno aos estados de Minas Gerais e Paran\u00e1, bem como \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o dos demais estados para S\u00e3o Paulo. Sobre esse \u00faltimo aspecto, a pesquisadora afirmou que \u201ctrabalhadores que potencialmente migrariam ficam em suas regi\u00f5es, quando aquecidas, ou seguem o capital internacional por diferentes estados do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Novas agendas<\/p>\n<p>De acordo com Baeninger, os dados coletados abrem novas agendas para os estudos populacionais. \u201cA migra\u00e7\u00e3o interna (entre estados) e a externa (de estrangeiros) est\u00e3o cada vez mais inter-relacionadas e precisamos estud\u00e1-las concomitantemente. A forma\u00e7\u00e3o social paulista \u2013 primeiro, trazendo imigrantes e, depois, buscando brasileiros em outros estados \u2013 contribuiu para que separ\u00e1ssemos os dois tipos de movimenta\u00e7\u00e3o. Mas somente uma vis\u00e3o global nos permitir\u00e1 entender as novas territorialidades e regionaliza\u00e7\u00f5es no s\u00e9culo 21.\u201d<\/p>\n<p>Ainda segundo Baeninger, essa compreens\u00e3o \u00e9 fundamental para subsidiar pol\u00edticas p\u00fablicas. O Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es j\u00e1 promoveu, nesse sentido, quatro edi\u00e7\u00f5es do Programa de Capacita\u00e7\u00e3o: Popula\u00e7\u00e3o, Cidades e Pol\u00edticas Sociais, destinado a gestores municipais de diferentes secretarias, paulistas ou n\u00e3o. \u201cPublicamos editais e convidamos os participantes a pensar sobre a import\u00e2ncia das din\u00e2micas populacionais para a gest\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>Um dos aspectos que Baeninger e seus parceiros consideram relevante do ponto de vista social \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas contra posturas e atitudes preconceituosas. Segundo a pesquisadora, \u201cos volumes migrat\u00f3rios s\u00e3o muito menores do que j\u00e1 foram no passado. Mas, por se destinarem em grande parte a \u00e1reas urbanas, s\u00e3o alvo de mais aten\u00e7\u00e3o e, infelizmente, de certo preconceito\u201d.<\/p>\n<p>Esse e outros temas devem seguir na pauta dos \u00f3rg\u00e3os da Unicamp envolvidos no Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es \u2013 o pr\u00f3prio N\u00facleo de Estudos de Popula\u00e7\u00e3o, o N\u00facleo de Estudos de Pol\u00edticas P\u00fablicas, o Instituto de Economia, a Faculdade de Ci\u00eancias Aplicadas e o Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas \u2013 e de colaboradores externos vinculados \u00e0 Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus Mar\u00edlia, \u00e0 Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), \u00e0 Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) e \u00e0 Faculdade Anhembi Morumbi.<\/p>\n<p>Os t\u00edtulos dos 12 volumes\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nepo.unicamp.br\/publicacoes\/_colecao.html\" target=\"_blank\">publicados<\/a>\u00a0s\u00e3o: Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 Regi\u00f5es Metropolitanas e Polos Regionais; Regi\u00f5es Metropolitanas; Polos Regionais \u2013 S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, Sorocaba e Ribeir\u00e3o Preto; Polos Regionais \u2013 Bauru, S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, Ara\u00e7atuba e Presidente Prudente; Regi\u00e3o de Limeira; Regi\u00f5es Canavieiras; Retrato Paulista do Censo Demogr\u00e1fico de 2010; Povos Ind\u00edgenas \u2013 Mobilidade Espacial; Migra\u00e7\u00f5es Internacionais; Processos Migrat\u00f3rios no Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 Estudos Tem\u00e1ticos; Imigrantes Internacionais no P\u00f3s-Segunda Guerra Mundial; e Regi\u00e3o Central.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Na d\u00e9cada de 1980, os estrangeiros que chegavam ao Estado de S\u00e3o Paulo se concentravam na regi\u00e3o metropolitana da capital paulista. 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