{"id":47912,"date":"2013-09-25T22:03:00","date_gmt":"2013-09-26T01:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=47912"},"modified":"2013-09-25T22:03:00","modified_gmt":"2013-09-26T01:03:00","slug":"avaliacao-da-dor-em-bovinos-equinos-e-suinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/avaliacao-da-dor-em-bovinos-equinos-e-suinos\/47912","title":{"rendered":"Avalia\u00e7\u00e3o da dor em bovinos, equinos e su\u00ednos"},"content":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Apesar da crescente preocupa\u00e7\u00e3o nacional e internacional com o <em><strong>bem-estar dos animais<\/strong><\/em>, esp\u00e9cies pecu\u00e1rias ainda s\u00e3o negligenciadas quando o assunto \u00e9 dor. \u201cA aus\u00eancia de escalas cientificamente validadas que auxiliem produtores, veterin\u00e1rios e pesquisadores a reconhecer e a mensurar a dor nesses animais contribui para o tratamento inapropriado ou insuficiente da dor\u201d, afirmou St\u00e9lio Pacca Loureiro Luna, professor da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista (FMVZ\/Unesp) de Botucatu (SP), \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Luna coordena um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/24295\/avaliacao-da-dor-clinica-e-experimental-em-animais\/\" target=\"_blank\">Projeto Tem\u00e1tico<\/a>\u00a0que, desde 2010, busca propor e validar escalas que indiquem se, para determinado quadro cl\u00ednico, \u00e9 recomend\u00e1vel ou n\u00e3o aplicar analg\u00e9sicos. O foco principal \u00e9 a dor aguda p\u00f3s-operat\u00f3ria em bovinos, equinos e su\u00ednos.<\/p>\n<p>As escalas s\u00e3o criadas a partir da an\u00e1lise de altera\u00e7\u00f5es comportamentais relacionadas a fatores como postura, posi\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a, locomo\u00e7\u00e3o, intera\u00e7\u00e3o com o ambiente, ingest\u00e3o de alimentos, aten\u00e7\u00e3o \u00e0 ferida cir\u00fargica, entre outras.<\/p>\n<p>Para identificar e analisar as altera\u00e7\u00f5es, os pesquisadores gravam v\u00eddeos em momentos distintos: antes do procedimento, quando os animais est\u00e3o sem dor; logo ap\u00f3s a cirurgia, quando h\u00e1 um pico de dor; e depois da aplica\u00e7\u00e3o de analg\u00e9sicos, quando se espera que j\u00e1 n\u00e3o haja dor.<\/p>\n<p>\u201cO procedimento que adotamos para as tr\u00eas esp\u00e9cies estudadas foi a castra\u00e7\u00e3o, por ser relativamente invasivo, atingir tecidos de alta sensibilidade, gerar uma inflama\u00e7\u00e3o grande e estar entre as cirurgias mais realizadas nesses animais\u201d, explicou Luna.<\/p>\n<p>A etapa de filmagens, com cerca de 700 horas, j\u00e1 foi conclu\u00edda. Os v\u00eddeos dos su\u00ednos, captados a partir de c\u00e2meras instaladas nas baias, est\u00e3o em an\u00e1lise pela FMVZ\/Unesp. As imagens dos equinos (tamb\u00e9m feitas a partir das baias) e dos bovinos (gravadas em pastos, com anteparos separando observador e boi, a fim de que a presen\u00e7a do primeiro n\u00e3o afetasse o comportamento do segundo) j\u00e1 passaram \u00e0s fases seguintes: valida\u00e7\u00e3o externa e c\u00e1lculos estat\u00edsticos.<\/p>\n<p>A valida\u00e7\u00e3o do conte\u00fado que dar\u00e1 forma \u00e0s escalas \u00e9 feita por especialistas e pesquisadores vinculados a institui\u00e7\u00f5es parceiras no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Espanha e em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, como Uruguai e Argentina.<\/p>\n<p>Cada avaliador recebe trechos de v\u00eddeos sem ordem cronol\u00f3gica, ou seja, sem saber se o animal em quest\u00e3o foi filmado antes ou logo ap\u00f3s a cirurgia ou ainda depois da medica\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, assinala em uma tabela se recomendaria a aplica\u00e7\u00e3o de analg\u00e9sicos; classifica a dor de acordo com uma escala descritiva simples (sem dor = 0; dor leve = 1; dor moderada = 2, dor intensa =3); e indica quais altera\u00e7\u00f5es comportamentais consegue perceber a partir das imagens.<\/p>\n<p>Por fim, a equipe da FMVZ\/Unesp recebe a devolutiva dos materiais, faz compara\u00e7\u00f5es com as suas conclus\u00f5es iniciais e realiza an\u00e1lises estat\u00edsticas para compor escalas validadas em tr\u00eas idiomas (portugu\u00eas, ingl\u00eas e espanhol). S\u00e3o tabelas com a descri\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es comportamentais mais relevantes, acompanhadas de v\u00eddeos e classificadas com notas que, somadas, resultam em um escore total. \u201cA partir de ao redor de um ter\u00e7o da pontua\u00e7\u00e3o m\u00e1xima, por meio de c\u00e1lculos matem\u00e1ticos, considera-se que o animal \u00e9 merit\u00f3rio de receber analg\u00e9sicos\u201d, afirmou Luna.<\/p>\n<p>\u201cQuando estiverem finalizados, os produtos finais do estudo ser\u00e3o pioneiros para dor aguda em bovinos e su\u00ednos, que ainda n\u00e3o contam com escalas validadas nacional ou internacionalmente\u201d, disse o pesquisador. \u201cEntre equinos, at\u00e9 ent\u00e3o havia somente uma escala ortop\u00e9dica, mas nada a respeito de tecidos moles, atingidos, por exemplo, pela castra\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>As novas ferramentas ser\u00e3o disponibilizadas gratuitamente no site\u00a0<a href=\"http:\/\/www.animalpain.com.br\/\" target=\"_blank\">Animal Pain<\/a>, no qual a FMVZ\/Unesp j\u00e1 publicou uma escala de dor aguda em gatos, resultado de um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/46448\/caracterizacao-validacao-e-confiabilidade-de-uma-escala-para-avaliacao-da-dor-aguda-pos-operatoria-e\/\" target=\"_blank\">projeto de p\u00f3s-doutorado<\/a>supervisionado por Luna e apoiado pela FAPESP. Dois dos artigos relacionados a esse estudo podem ser lidos em\u00a0<a href=\"http:\/\/jfm.sagepub.com\/content\/11\/6\/420.long\" target=\"_blank\">Journal of Feline Medicine and Surgery<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.biomedcentral.com\/1746-6148\/9\/143\" target=\"_blank\">BMC Veterinary Research<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cAmpliar os conhecimentos sobre a dor e, assim, aplicar analg\u00e9sicos com mais propriedade \u00e9 importante para o bem-estar dos animais e do ponto de vista pr\u00e1tico. Isso porque pode haver ganhos [para o produtor], como menor tempo de recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-operat\u00f3ria e redu\u00e7\u00e3o de inflama\u00e7\u00f5es\u201d, disse Luna.<\/p>\n<p>Anestesia em su\u00ednos<\/p>\n<p>Ainda no \u00e2mbito do Projeto Tem\u00e1tico, Luna orientou uma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/128693\/avaliacao-do-desempenho-produtivo-de-leitoes-na-maternidade-submetidos-a-orquiectomia-com-ou-sem-o-u\/\" target=\"_blank\">inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/a>\u00a0sobre os efeitos da castra\u00e7\u00e3o de leit\u00f5es com e sem o uso de anest\u00e9sico local.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o concluiu que o ganho de peso nos animais castrados com anestesia \u00e9 superior ao dos animais que n\u00e3o recebem anest\u00e9sicos.<\/p>\n<p>\u201cEm termos financeiros, h\u00e1 um ganho significativo para propriedades com milhares de animais. O procedimento cir\u00fargico fica um minuto mais lento, mas a rela\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio \u00e9 promissora. Sem contar que a medida colabora com o bem-estar animal e agrega valor ao produto perante o mercado consumidor\u201d, disse Luna.<\/p>\n<p>A partir de tal comprova\u00e7\u00e3o, os pesquisadores esperam inspirar o uso de anest\u00e9sicos em su\u00ednos durante outros procedimentos que em geral s\u00e3o feitos sem anestesia, como o corte da cauda e a extra\u00e7\u00e3o de dentes.<\/p>\n<p>Dor cr\u00f4nica em c\u00e3es<\/p>\n<p>Por meio de um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/132655\/correlacao-do-indice-de-dor-cronica-de-helsinki-com-a-avaliacao-cinetica-e-goniometrica-em-caes-port\/\" target=\"_blank\">projeto de p\u00f3s-doutorado<\/a>, a equipe de Luna tamb\u00e9m busca estabelecer correla\u00e7\u00f5es entre o \u00cdndice de Dor Cr\u00f4nica de Helsinki (IDCH) \u2013 criado pela Universidade de Helsinque, na Finl\u00e2ndia, para avaliar a dor em c\u00e3es \u2013 e experimentos realizados na pr\u00f3pria FMVZ\/Unesp.<\/p>\n<p>\u201cEsse tipo de escala, referente a problemas cr\u00f4nicos, \u00e9 feita a partir de relatos dos propriet\u00e1rios de c\u00e3es, que, por conviverem diretamente com os animais, podem opinar sobre o humor, a disposi\u00e7\u00e3o para brincar, entre outros fatores. Buscamos incorporar elementos mais objetivos a esse tipo de ferramenta, usando a an\u00e1lise de movimento (cin\u00e9tica) dos animais e plataforma de press\u00e3o (baropodometria)\u201d, afirmou Luna.<\/p>\n<p>Para tanto, foram observados animais com displasia coxofemoral (um problema no assentamento da articula\u00e7\u00e3o entre o f\u00eamur e a coxa), enquanto caminhavam sobre a plataforma de press\u00e3o. Os pesquisadores coletaram dados sobre a movimenta\u00e7\u00e3o, a angula\u00e7\u00e3o das patas, a press\u00e3o exercida sobre o dispositivo e a distribui\u00e7\u00e3o do peso em cada membro.<\/p>\n<p>\u201cPretendemos correlacionar as medidas objetivas da locomo\u00e7\u00e3o com o IDCH a fim de aprimorar a mensura\u00e7\u00e3o da dor e indicar poss\u00edveis tratamentos\u201d, disse Luna.<\/p>\n<p>Est\u00edmulos nociceptivos em equinos<\/p>\n<p>Dois outros projetos, ambos de doutorado, est\u00e3o vinculados ao Tem\u00e1tico e interligados: uma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/132116\/validacao-de-metodos-nociceptivos-eletrico-mecanico-e-termico-para-avaliacao-de-dor-de-equinos-trata\/\" target=\"_blank\">tese<\/a>\u00a0busca padronizar e validar diferentes m\u00e9todos de nocicep\u00e7\u00e3o \u2013 est\u00edmulos t\u00e9rmicos, mec\u00e2nicos e el\u00e9tricos capazes de provocar certo desconforto \u2013 em equinos e um segundo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/117265\/metadona-nanoencapsulada-farmacocinetica-e-efeitos-antinociceptivos-em-equinos\/\" target=\"_blank\">projeto<\/a>\u00a0visa avaliar o efeito de diferentes vias de administra\u00e7\u00e3o de analg\u00e9sicos, tamb\u00e9m em cavalos.<\/p>\n<p>\u201cO objetivo \u00e9 conhecer a efic\u00e1cia e a dura\u00e7\u00e3o de analg\u00e9sicos frente aos est\u00edmulos que provocamos \u2013 primeiramente testados em n\u00f3s mesmos, como forma de assegurar que n\u00e3o causam les\u00f5es, apenas inc\u00f4modos\u201d, explicou Luna.<\/p>\n<p>Para tanto, animais saud\u00e1veis e conscientes recebem analgesia. Em seguida, s\u00e3o estimulados termicamente (com sensores que esquentam via controle remoto), mecanicamente (com um dispositivo semelhante ao que mede a press\u00e3o arterial em humanos) ou eletricamente (por meio de pequenos choques).<\/p>\n<p>\u201cSe h\u00e1 desconforto, o animal levanta a pata, quando ent\u00e3o interrompemos o est\u00edmulo. Assim, conseguimos avaliar se o analg\u00e9sico faz efeito, se influencia no limiar do inc\u00f4modo \u2013 em vez de o cavalo puxar a pata quando o sensor acusa 45 graus Celsius, ele o faz a 48 graus Celsius, por exemplo \u2013 e por quanto tempo a medica\u00e7\u00e3o faz efeito\u201d, completou o professor da FMVZ\/Unesp.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Apesar da crescente preocupa\u00e7\u00e3o nacional e internacional com o bem-estar dos animais, esp\u00e9cies pecu\u00e1rias ainda s\u00e3o negligenciadas quando o assunto \u00e9 dor. \u201cA aus\u00eancia de escalas cientificamente validadas que auxiliem produtores, veterin\u00e1rios e pesquisadores a reconhecer e a mensurar a dor nesses animais contribui para o tratamento inapropriado ou insuficiente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34747,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-47912","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47912","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47912"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47912\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}