{"id":47973,"date":"2013-09-27T16:55:07","date_gmt":"2013-09-27T19:55:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=47973"},"modified":"2013-09-27T16:55:07","modified_gmt":"2013-09-27T19:55:07","slug":"quinto-relatorio-do-ipcc-mostra-intensificacao-das-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/quinto-relatorio-do-ipcc-mostra-intensificacao-das-mudancas-climaticas\/47973","title":{"rendered":"Quinto relat\u00f3rio do IPCC mostra intensifica\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Londres Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 caso as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa continuem crescendo \u00e0s atuais taxas ao longo dos pr\u00f3ximos anos, a <em><strong>temperatura do planeta<\/strong><\/em> poder\u00e1 aumentar at\u00e9 4,8 graus Celsius neste s\u00e9culo \u2013 o que poder\u00e1 resultar em uma eleva\u00e7\u00e3o de at\u00e9 82 cent\u00edmetros no n\u00edvel do mar e causar danos importantes na maior parte das regi\u00f5es costeiras do globo.<\/p>\n<p>O alerta foi feito pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC, na sigla em ingl\u00eas), da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), que divulgaram no dia 27 de setembro, em Estocolmo, na Su\u00e9cia, a primeira parte de seu quinto relat\u00f3rio de avalia\u00e7\u00e3o (AR5). Com base na revis\u00e3o de milhares de pesquisas realizadas nos \u00faltimos cinco anos, o documento apresenta as bases cient\u00edficas da mudan\u00e7a clim\u00e1tica global.<\/p>\n<p>De acordo com Paulo Artaxo, professor do Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e um dos seis brasileiros que participaram da elabora\u00e7\u00e3o desse relat\u00f3rio, foram simulados quatro diferentes cen\u00e1rios de concentra\u00e7\u00f5es de gases de efeito estufa, poss\u00edveis de acontecer at\u00e9 o ano de 2100 \u2013 os chamados \u201cRepresentative Concentration Pathways (RCPs)\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPara fazer a previs\u00e3o do aumento da temperatura s\u00e3o necess\u00e1rios dois ingredientes b\u00e1sicos: um modelo clim\u00e1tico e um cen\u00e1rio de emiss\u00f5es. No quarto relat\u00f3rio (divulgado em 2007) tamb\u00e9m foram simulados quatro cen\u00e1rios, mas se levou em conta apenas a quantidade de gases de efeito estufa emitida. Neste quinto relat\u00f3rio, n\u00f3s usamos um sistema mais completo, que leva em conta os impactos dessas emiss\u00f5es, ou seja, o quanto haver\u00e1 de altera\u00e7\u00e3o no balan\u00e7o de radia\u00e7\u00e3o do sistema terrestre\u201d, explicou Artaxo, que est\u00e1 em Londres para a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/week2013\/london\/\" target=\"_blank\">FAPESP Week London<\/a>, onde participou de um\u00a0<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/17945\" target=\"_blank\">painel sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica<\/a>.<\/p>\n<p>O balan\u00e7o de radia\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 raz\u00e3o entre a quantidade de energia solar que entra e que sai de nosso planeta, indicando o quanto ficou armazenada no sistema terrestre de acordo com as concentra\u00e7\u00f5es de gases de efeito estufa, part\u00edculas de aeross\u00f3is emitidas e outros agentes clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio mais otimista prev\u00ea que o sistema terrestre armazenar\u00e1 2,6 watts por metro quadrado (W\/m2) adicionais. Nesse caso, o aumento da temperatura terrestre poderia variar entre 0,3 \u00b0C e 1,7 \u00b0C de 2010 at\u00e9 2100 e o n\u00edvel do mar poderia subir entre 26 e 55 cent\u00edmetros ao longo deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>\u201cPara que esse cen\u00e1rio acontecesse, seria preciso estabilizar as concentra\u00e7\u00f5es de gases do efeito estufa nos pr\u00f3ximos 10 anos e atuar para sua remo\u00e7\u00e3o da atmosfera. Ainda assim, os modelos indicam um aumento adicional de quase 2 \u00b0C na temperatura \u2013 al\u00e9m do 0,9 \u00b0C que nosso planeta j\u00e1 aqueceu desde o ano 1750\u201d, avaliou Artaxo.<\/p>\n<p>O segundo cen\u00e1rio (RCP4.5) prev\u00ea um armazenamento de 4,5 W\/m2. Nesse caso, o aumento da temperatura terrestre seria entre 1,1 \u00b0C e 2,6 \u00b0C e o n\u00edvel do mar subiria entre 32 e 63 cent\u00edmetros. No terceiro cen\u00e1rio, de 6,0 W\/m2, o aumento da temperatura varia de 1,4 \u00b0C at\u00e9 3,1 \u00b0C e o n\u00edvel do mar subiria entre 33 e 63 cent\u00edmetros.<\/p>\n<p>J\u00e1 o pior cen\u00e1rio, no qual as emiss\u00f5es continuam a crescer em ritmo acelerado, prev\u00ea um armazenamento adicional de 8,5 W\/m2. Em tal situa\u00e7\u00e3o, segundo o IPCC, a superf\u00edcie da Terra poderia aquecer entre 2,6 \u00b0C e 4,8 \u00b0C ao longo deste s\u00e9culo, fazendo com que o n\u00edvel dos oceanos aumente entre 45 e 82 cent\u00edmetros.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00edvel dos oceanos j\u00e1 subiu em m\u00e9dia 20 cent\u00edmetros entre 1900 e 2012. Se subir outros 60 cent\u00edmetros, com as mar\u00e9s, o resultado ser\u00e1 uma forte eros\u00e3o nas \u00e1reas costeiras de todo o mundo. Rios como o Amazonas, por exemplo, sofrer\u00e3o forte refluxo de \u00e1gua salgada, o que afeta todo o ecossistema local\u201d, disse Artaxo.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio AR5 do IPCC, em todos os cen\u00e1rios, \u00e9 muito prov\u00e1vel (90% de probabilidade) que a taxa de eleva\u00e7\u00e3o dos oceanos durante o s\u00e9culo 21 exceda a observada entre 1971 e 2010. A expans\u00e3o t\u00e9rmica resultante do aumento da temperatura e o derretimento das geleiras seriam as principais causas.<\/p>\n<p>O aquecimento dos oceanos, diz o relat\u00f3rio, continuar\u00e1 ocorrendo durante s\u00e9culos, mesmo se as emiss\u00f5es de gases-estufa diminu\u00edrem ou permanecerem constantes. A regi\u00e3o do \u00c1rtico \u00e9 a que vai aquecer mais fortemente, de acordo com o IPCC.<\/p>\n<p>Segundo Artaxo, o aquecimento das \u00e1guas marinhas tem ainda outras consequ\u00eancias relevantes, que n\u00e3o eram propriamente consideradas nos modelos clim\u00e1ticos anteriores. Conforme o oceano esquenta, ele perde a capacidade de absorver di\u00f3xido de carbono (CO2) da atmosfera. Se a emiss\u00e3o atual for mantida, portanto, poder\u00e1 haver uma acelera\u00e7\u00e3o nas concentra\u00e7\u00f5es desse g\u00e1s na atmosfera.<\/p>\n<p>\u201cNo relat\u00f3rio anterior, os cap\u00edtulos dedicados ao papel dos oceanos nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas careciam de dados experimentais. Mas nos \u00faltimos anos houve um enorme avan\u00e7o na ci\u00eancia do clima. Neste quinto relat\u00f3rio, por causa de medi\u00e7\u00f5es feitas por sat\u00e9lites e de observa\u00e7\u00f5es feitas com redes de boias \u2013 como as do<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/17864\" target=\"_blank\">Projeto Pirata<\/a>\u00a0que a FAPESP financia no Atl\u00e2ntico Sul \u2013, a confian\u00e7a sobre o impacto dos oceanos no clima melhorou muito\u201d, afirmou Artaxo.<\/p>\n<p>Acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos<\/p>\n<p>Em todos os cen\u00e1rios previstos no quinto relat\u00f3rio do IPCC, as concentra\u00e7\u00f5es de CO2 ser\u00e3o maiores em 2100 em compara\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis atuais, como resultado do aumento cumulativo das emiss\u00f5es ocorrido durante os s\u00e9culos 20 e 21. Parte do CO2 emitido pela atividade humana continuar\u00e1 a ser absorvida pelos oceanos e, portanto, \u00e9 \u201cvirtualmente certo\u201d (99% de probabilidade) que a acidifica\u00e7\u00e3o dos mares vai aumentar. No melhor dos cen\u00e1rios \u2013 o RCP2,6 \u2013, a queda no pH ser\u00e1 entre 0,06 e 0,07. Na pior das hip\u00f3teses \u2013 o RCP8,5 \u2013, entre 0,30 e 0,32.<\/p>\n<p>\u201cA \u00e1gua do mar \u00e9 alcalina, com pH em torno de 8,12. Mas quando absorve CO2 ocorre a forma\u00e7\u00e3o de compostos \u00e1cidos. Esses \u00e1cidos dissolvem a carca\u00e7a de parte dos microrganismos marinhos, que \u00e9 feita geralmente de carbonato de c\u00e1lcio. A maioria da biota marinha sofrer\u00e1 altera\u00e7\u00f5es profundas, o que afeta tamb\u00e9m toda a cadeia alimentar\u201d, afirmou Artaxo.<\/p>\n<p>Ao analisar as mudan\u00e7as j\u00e1 ocorridas at\u00e9 o momento, os cientistas do IPCC afirmam que as tr\u00eas \u00faltimas d\u00e9cadas foram as mais quentes em compara\u00e7\u00e3o com todas as anteriores desde 1850. A primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo 21 foi a mais quente de todas. O per\u00edodo entre 1983 e 2012 foi \u201cmuito provavelmente\u201d (90% de probabilidade) o mais quente dos \u00faltimos 800 anos. H\u00e1 ainda cerca de 60% de probabilidade de que tenha sido o mais quente dos \u00faltimos 1.400 anos.<\/p>\n<p>No entanto, o IPCC reconhece ter havido uma queda na taxa de aquecimento do planeta nos \u00faltimos 15 anos \u2013 passando de 0,12 \u00b0C por d\u00e9cada (quando considerado o per\u00edodo entre 1951 e 2012) para 0,05\u00b0C (quando considerado apenas o per\u00edodo entre 1998 e 2012).<\/p>\n<p>De acordo com Artaxo, o fen\u00f4meno se deve a dois fatores principais: a maior absor\u00e7\u00e3o de calor em \u00e1guas profundas (mais de 700 metros) e a maior frequ\u00eancia de fen\u00f4menos La Ni\u00f1a, que alteram a taxa de transfer\u00eancia de calor da atmosfera aos oceanos. \u201cO processo \u00e9 bem claro e documentado em revistas cient\u00edficas de prest\u00edgio. Ainda assim, o planeta continua aquecendo de forma significativa\u201d, disse.<\/p>\n<p>H\u00e1 90% de certeza de que o n\u00famero de dias e noites frios diminu\u00edram, enquanto os dias e noites quentes aumentaram na escala global. E cerca de 60% de certeza de que as ondas de calor tamb\u00e9m aumentaram. O relat\u00f3rio diz haver fortes evid\u00eancias de degelo, principalmente na regi\u00e3o do \u00c1rtico. H\u00e1 90% de certeza de que a taxa de redu\u00e7\u00e3o da camada de gelo tenha sido entre 3,5% e 4,1% por d\u00e9cada entre 1979 e 2012.<\/p>\n<p>As concentra\u00e7\u00f5es de CO2 na atmosfera j\u00e1 aumentaram mais de 20% desde 1958, quando medi\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas come\u00e7aram a ser feitas, e cerca de 40% desde 1750. De acordo com o IPCC, o aumento \u00e9 resultado da atividade humana, principalmente da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e do desmatamento, havendo uma pequena participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cimenteira.<\/p>\n<p>Para os cientistas h\u00e1 uma \u201cconfian\u00e7a muito alta\u201d (nove chances em dez) de que as taxas m\u00e9dias de CO2, metano e \u00f3xido nitroso do \u00faltimo s\u00e9culo sejam as mais altas dos \u00faltimos 22 mil anos. J\u00e1 mudan\u00e7as na irradia\u00e7\u00e3o solar e a atividade vulc\u00e2nica contribu\u00edram com uma pequena fra\u00e7\u00e3o da altera\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. \u00c9 \u201cextremamente prov\u00e1vel\u201d (95% de certeza) de que a influ\u00eancia humana sobre o clima causou mais da metade do aumento da temperatura observado entre 1951 e 2010.<\/p>\n<p>\u201cOs efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica j\u00e1 est\u00e3o sendo sentidos, n\u00e3o \u00e9 algo para o futuro. O aumento de ondas de calor, da frequ\u00eancia de furac\u00f5es, das inunda\u00e7\u00f5es e tempestades severas, das varia\u00e7\u00f5es bruscas entre dias quentes e frios provavelmente est\u00e1 relacionado ao fato de que o sistema clim\u00e1tico est\u00e1 sendo alterado\u201d, disse Artaxo.<\/p>\n<p>Impacto persistente<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do IPCC, muitos aspectos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica v\u00e3o persistir durante muitos s\u00e9culos mesmo se as emiss\u00f5es de gases-estufa cessarem. \u00c9 \u201cmuito prov\u00e1vel\u201d (90% de certeza) que mais de 20% do CO2 emitido permanecer\u00e1 na atmosfera por mais de mil anos ap\u00f3s as emiss\u00f5es cessarem, afirma o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cO que estamos alterando n\u00e3o \u00e9 o clima da pr\u00f3xima d\u00e9cada ou at\u00e9 o fim deste s\u00e9culo. Existem v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es com simula\u00e7\u00f5es que mostram concentra\u00e7\u00f5es altas de CO2 at\u00e9 o ano 3000, pois os processos de remo\u00e7\u00e3o do CO2 atmosf\u00e9rico s\u00e3o muito lentos\u201d, contou Artaxo.<\/p>\n<p>Para o professor da USP, os impactos s\u00e3o significativos e fortes, mas n\u00e3o s\u00e3o catastr\u00f3ficos. \u201c\u00c9 certo que muitas regi\u00f5es costeiras v\u00e3o sofrer forte eros\u00e3o e milh\u00f5es de pessoas ter\u00e3o de ser removidas de onde vivem hoje. Mas claro que n\u00e3o \u00e9 o fim do mundo. A quest\u00e3o \u00e9: como vamos nos adaptar, quem vai controlar a governabilidade desse sistema global e de onde sair\u00e3o recursos para que pa\u00edses em desenvolvimento possam construir barreiras de conten\u00e7\u00e3o contra as \u00e1guas do mar, como as que j\u00e1 est\u00e3o sendo ampliadas na Holanda. Quanto mais cedo isso for planejado, menores ser\u00e3o os impactos socioecon\u00f4micos\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Os impactos e as formas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 nova realidade clim\u00e1tica ser\u00e3o o tema da segunda parte do quinto relat\u00f3rio do IPCC, previsto para ser divulgado em janeiro de 2014. O documento contou com a colabora\u00e7\u00e3o de sete cientistas brasileiros. Outros 13 brasileiros participaram da elabora\u00e7\u00e3o da terceira parte do AR5, que discute formas de mitigar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e deve sair em mar\u00e7o.<\/p>\n<p>De maneira geral, cresceu o n\u00famero de cientistas vindos de pa\u00edses em desenvolvimento, particularmente do Brasil, dentro do IPCC. \u201cO Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses l\u00edderes em pesquisas sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica atualmente. Al\u00e9m disso, o IPCC percebeu que, se o foco ficasse apenas nos pa\u00edses desenvolvidos, informa\u00e7\u00f5es importantes sobre o que est\u00e1 acontecendo nos tr\u00f3picos poderiam deixar de ser inclu\u00eddas. E \u00e9 onde fica a Amaz\u00f4nia, um ecossistema-chave para o planeta\u201d, disse Artaxo.<\/p>\n<p>No dia 9 de setembro, o Painel Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (PBMC) divulgou o\u00a0<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/17840\" target=\"_blank\">sum\u00e1rio executivo de seu primeiro Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o Nacional<\/a>\u00a0(RAN1). O documento, feito nos mesmos moldes do relat\u00f3rio do IPCC, indica que no Brasil o aumento de temperatura at\u00e9 2100 ser\u00e1 entre 1 \u00b0 e 6 \u00b0C, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 registrada no fim do s\u00e9culo 20. Como consequ\u00eancia, dever\u00e1 diminuir significativamente a ocorr\u00eancia de chuvas em grande parte das regi\u00f5es central, Norte e Nordeste do pa\u00eds. Nas regi\u00f5es Sul e Sudeste, por outro lado, haver\u00e1 um aumento do n\u00famero de precipita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA humanidade nunca enfrentou um problema cuja relev\u00e2ncia chegasse perto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que vai afetar absolutamente todos os seres vivos do planeta. N\u00e3o temos um sistema de governan\u00e7a global para implementar medidas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es e verifica\u00e7\u00e3o. Por isso, vai demorar ainda pelo menos algumas d\u00e9cadas para que o problema comece a ser resolvido\u201d, opinou Artaxo.<\/p>\n<p>Para o pesquisador, a medida mais urgente \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa \u2013 compromisso que tem de ser assumido por todas as na\u00e7\u00f5es. \u201cA consci\u00eancia de que todos habitamos o mesmo barco \u00e9 muito forte hoje, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 mecanismos de governabilidade global para fazer esse barco andar na dire\u00e7\u00e3o certa. Isso ter\u00e1 que ser constru\u00eddo pela nossa gera\u00e7\u00e3o\u201d, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Londres Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 caso as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa continuem crescendo \u00e0s atuais taxas ao longo dos pr\u00f3ximos anos, a temperatura do planeta poder\u00e1 aumentar at\u00e9 4,8 graus Celsius neste s\u00e9culo \u2013 o que poder\u00e1 resultar em uma eleva\u00e7\u00e3o de at\u00e9 82 cent\u00edmetros no n\u00edvel do mar e causar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":28409,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-47973","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47973"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47973\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28409"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}