{"id":49052,"date":"2013-10-25T16:21:37","date_gmt":"2013-10-25T18:21:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=49052"},"modified":"2013-10-25T16:21:37","modified_gmt":"2013-10-25T18:21:37","slug":"atividade-fisica-ajuda-a-prevenir-hipertensao-na-menopausa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/atividade-fisica-ajuda-a-prevenir-hipertensao-na-menopausa\/49052","title":{"rendered":"Atividade f\u00edsica ajuda a prevenir hipertens\u00e3o na menopausa"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Especialistas em cardiologia estimam que at\u00e9 80% das mulheres podem se tornar hipertensas ap\u00f3s a <em><strong>menopausa<\/strong><\/em>. Para prevenir o problema, a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos precisa ser inclu\u00edda na rotina por volta dos 40 anos de idade, muito antes da \u00faltima menstrua\u00e7\u00e3o acontecer.<\/span><\/p>\n<p>O alerta foi feito pela pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Angelina Zanesco, que coordena uma pesquisa cujo objetivo \u00e9 desvendar os mecanismos biol\u00f3gicos respons\u00e1veis pelo aumento da press\u00e3o arterial feminina nessa faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os primeiros resultados do estudo, que tem apoio da Fapesp, foram apresentados durante a 28\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Federa\u00e7\u00e3o de Sociedades de Biologia experimental (FeSBE), realizada entre os dias 21 e 24 de agosto em Caxambu, Minas Gerais.<\/p>\n<p>&#8216;Muitas mulheres come\u00e7am a se preocupar com a atividade f\u00edsica somente ap\u00f3s os 50 anos, quando a barriga come\u00e7a a crescer. Mas nossos resultados mostram que, para evitar o desenvolvimento da doen\u00e7a, a interven\u00e7\u00e3o precisa ser feita antes que ocorram as mudan\u00e7as metab\u00f3licas e hormonais da menopausa&#8217;, afirmou Zanesco.<\/p>\n<p>Para chegar a tal conclus\u00e3o, a equipe do Laborat\u00f3rio de Fisiologia Cardiovascular e Atividade F\u00edsica da Unesp em Rio Claro (SP) avaliou em dois grupos de mulheres &#8211; pr\u00e9 e p\u00f3s menopausa &#8211; o funcionamento do chamado sistema renina-angiotensina, um conjunto de pept\u00eddeos, enzimas e receptores envolvidos no controle da press\u00e3o arterial.<\/p>\n<p>&#8216;O sistema renina-angiotensina \u00e9 respons\u00e1vel por elevar a press\u00e3o arterial, principalmente por meio da constri\u00e7\u00e3o dos vasos sangu\u00edneos, e isso tem uma import\u00e2ncia fisiol\u00f3gica. No caso de um acidente com hemorragia ou de uma infec\u00e7\u00e3o generalizada, por exemplo, esse sistema impede que a press\u00e3o arterial caia demais e o indiv\u00edduo desmaie. Mas quando o mecanismo \u00e9 ativado sem necessidade, acaba levando \u00e0 hipertens\u00e3o&#8217;, explicou Zanesco.<\/p>\n<p>Os pesquisadores coletaram amostras de sangue de 42 mulheres com mais de 40 anos que ainda n\u00e3o estavam na menopausa e de outras 32 que j\u00e1 estavam havia pelo menos 12 meses sem menstruar.<\/p>\n<p>&#8216;Para ter certeza de que a volunt\u00e1ria estava de fato na menopausa, medimos os n\u00edveis dos horm\u00f4nios LH (horm\u00f4nio luteinizante) e FSH (horm\u00f4nio fol\u00edculo estimulante), que s\u00e3o marcadores da fal\u00eancia ovariana&#8217;, explicou Zanesco.<\/p>\n<p>Em seguida, mediram nos dois grupos os n\u00edveis plasm\u00e1ticos da enzima conversora de angiotensina e de diversos pept\u00eddeos, como angiotensina 1, angiotensina II e a angiotensina 1-7. Os resultados mostraram que, de maneira geral, o sistema renina-angiotensina estava at\u00e9 80% mais ativo no grupo de mulheres p\u00f3s-menopausa quando comparados \u00e0s mulheres na perimenopausa.<\/p>\n<p>&#8216;Quando comparamos apenas as mulheres normotensas, pr\u00e9 e p\u00f3s menopausa, n\u00e3o vemos grandes diferen\u00e7as. Mas, quando comparamos as hipertensas, o aumento na atividade do sistema renina-angiotensina chega a 150%. Esses dados mostram que, se a mulher esperar a menopausa para mudar seu estilo de vida, pode ser um pouco tarde e esse sistema j\u00e1 estar\u00e1 ativado para causar uma patologia&#8217;, avaliou Zanesco.<\/p>\n<p>Benef\u00edcios<\/p>\n<p>Desde meados da d\u00e9cada de 1990, diversos estudos t\u00eam mostrado os benef\u00edcios de exerc\u00edcios aer\u00f3bicos no controle da press\u00e3o arterial. O efeito tamb\u00e9m foi comprovado no experimento feito com 40 mulheres ? 29 normotensas e 21 hipertensas no Laborat\u00f3rio de Fisiologia Cardiovascular e Atividade F\u00edsica da Unesp.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s dois meses de treinamento na esteira, que inclu\u00eda tr\u00eas sess\u00f5es de 40 minutos por semana, em ritmo moderado, houve redu\u00e7\u00e3o da gordura abdominal de aproximadamente tr\u00eas cent\u00edmetros. Al\u00e9m disso, a press\u00e3o arterial das normotensas caiu 4 mil\u00edmetros de merc\u00fario e a das hipertensas, 7 mil\u00edmetros de merc\u00fario.<\/p>\n<p>&#8216;Seria o equivalente a descer de uma press\u00e3o de 13.2 para 12.5, por exemplo. \u00c9 uma redu\u00e7\u00e3o importante para um per\u00edodo t\u00e3o curto e o suficiente para reduzir em 40% o risco de infarto do mioc\u00e1rdio e acidente vascular cerebral&#8217;, afirmou Zanesco.<\/p>\n<p>No momento, os pesquisadores tentam descobrir por meio de quais mecanismos biol\u00f3gicos a atividade f\u00edsica ajuda a regular a press\u00e3o. A primeira suspeita, que n\u00e3o se confirmou, estava relacionada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis de cortisol e de testosterona.<\/p>\n<p>&#8216;Sabemos que o cortisol, o horm\u00f4nio do estresse, \u00e9 produzido e liberado pelo tecido adiposo visceral. Ach\u00e1vamos que reduzindo a gordura da barriga haveria redu\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de cortisol, mas n\u00e3o foi o que observamos&#8217;, contou Zanesco.<\/p>\n<p>Os n\u00edveis plasm\u00e1ticos de testosterona &#8211; que j\u00e1 foi relacionada em estudos anteriores ao aumento da press\u00e3o arterial na menopausa &#8211; tamb\u00e9m ficaram inalterados ap\u00f3s o per\u00edodo de treinamento f\u00edsico.<\/p>\n<p>&#8216;Agora vamos iniciar uma nova leva de experimentos e medir outros biomarcadores, como \u00f3xido n\u00edtrico e GMP (guanosina monofosfato) c\u00edclico, que s\u00e3o agentes vasodilatadores&#8217;, contou.<\/p>\n<p>Outra hip\u00f3tese a ser investigada \u00e9 a de que a atividade f\u00edsica estimula a libera\u00e7\u00e3o de enzimas antioxidantes, como super\u00f3xido dismutase (SOD) e catalase (CAT), o que promoveria a redu\u00e7\u00e3o do estresse oxidativo e ajudaria a reduzir a press\u00e3o arterial.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, ser\u00e3o avaliados mediadores inflamat\u00f3rios &#8211; como a prote\u00edna C reativa, produzida pelo f\u00edgado, e interleucinas produzidas pelo tecido adiposo visceral, que podem ser a g\u00eanese do problema.<\/p>\n<p>&#8216;Se conseguirmos entender os mecanismos da hipertens\u00e3o nessa faixa et\u00e1ria poderemos encontrar meios para prevenir mais eficazmente o problema. Al\u00e9m de melhorar a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, isso reduziria muito os gastos do sistema de sa\u00fade&#8217;, avaliou Zanesco.<\/p>\n<p>Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a hipertens\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por 40% dos infartos, 80% dos derrames e 25% dos casos de insufici\u00eancia renal terminal.<\/p>\n<p>De acordo com a Diretriz Brasileira sobre Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as Cardiovasculares em Mulheres Climat\u00e9ricas e a Influ\u00eancia da Terapia de Reposi\u00e7\u00e3o Hormonal (TRH) da SBC e da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Climat\u00e9rio (Sobrac), at\u00e9 os 55 anos h\u00e1 um maior percentual de homens com hipertens\u00e3o.<\/p>\n<p>Dos 55 aos 74 anos, o percentual de mulheres \u00e9 discretamente maior. Acima dos 75 anos, o predom\u00ednio no sexo feminino \u00e9 significativamente superior. Os especialistas que formularam a diretriz estimam que cerca de 80% das mulheres, eventualmente, desenvolver\u00e3o hipertens\u00e3o na fase de menopausa.<\/p>\n<p>De acordo com o levantamento Vigitel 2011 (Vigil\u00e2ncia de Fatores de Risco e Prote\u00e7\u00e3o para Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas por Inqu\u00e9rito Telef\u00f4nico), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a hipertens\u00e3o arterial atinge 22,7% da popula\u00e7\u00e3o adulta brasileira. A frequ\u00eancia da doen\u00e7a avan\u00e7a com o passar dos anos. Se entre 18 e 24 anos apenas 5,4% da popula\u00e7\u00e3o relatou ter sido diagnosticada hipertensa, aos 55 anos a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 10 vezes maior, atingindo mais da metade da popula\u00e7\u00e3o (50,5%) estudada. A partir dos 65 anos, a mesma condi\u00e7\u00e3o \u00e9 observada em 59,7% dos brasileiros. Diferentemente dos dados apontados pela diretriz da SBC e da Sobrac, o Vigitel indica que a maior frequ\u00eancia de diagn\u00f3stico em mulheres ocorre em todas as faixas et\u00e1rias.<\/p>\n<p>Karina Toledo, da Ag\u00eancia Fapesp<\/p>\n<p>Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o e Imprensa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas em cardiologia estimam que at\u00e9 80% das mulheres podem se tornar hipertensas ap\u00f3s a menopausa. Para prevenir o problema, a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos precisa ser inclu\u00edda na rotina por volta dos 40 anos de idade, muito antes da \u00faltima menstrua\u00e7\u00e3o acontecer. 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