{"id":49515,"date":"2013-11-06T21:45:54","date_gmt":"2013-11-06T23:45:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=49515"},"modified":"2013-11-06T21:45:54","modified_gmt":"2013-11-06T23:45:54","slug":"expansao-das-redes-de-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/expansao-das-redes-de-comunicacao\/49515","title":{"rendered":"Expans\u00e3o das redes de comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por Claudia Izique Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A tecnologia atualmente utilizada nas <em><strong>redes de comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em> \u00f3ptica n\u00e3o dar\u00e1 conta de atender \u00e0 expans\u00e3o da internet, dos dispositivos m\u00f3veis, da TV de alta defini\u00e7\u00e3o e das demandas das telecomunica\u00e7\u00f5es nos pr\u00f3ximos 20 anos. Ser\u00e1 necess\u00e1rio multiplicar a capacidade atual de opera\u00e7\u00e3o \u2013 de um terabyte por segundo \u2013 por um fator entre 100 e 1.000 para atender a um n\u00famero cada vez maior de usu\u00e1rios \u2013 que representar\u00e1 quase metade da popula\u00e7\u00e3o mundial j\u00e1 em 2017 \u2013 e ao tr\u00e1fego corporativo global.<\/p>\n<p>Num mundo conectado em rede, o colapso das comunica\u00e7\u00f5es seria um apocalipse virtual e a busca de solu\u00e7\u00f5es mobiliza empresas e institui\u00e7\u00f5es de pesquisas \u2013 entre elas, o Centro de Pesquisa em \u00d3ptica e Fot\u00f4nica (<a href=\"http:\/\/cepof.ifi.unicamp.br\/index.php\/br\" target=\"_blank\">CePOF<\/a>), em Campinas, um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (<a href=\"http:\/\/cepid.fapesp.br\/\" target=\"_blank\">CEPID<\/a>) apoiados pela FAPESP. \u201cFazemos todos os tipos de estudos com comunica\u00e7\u00f5es \u00f3pticas, desde caracterizar fibras at\u00e9 testar os sistemas mais avan\u00e7ados, com equipamentos de primeiro mundo\u201d, resume Hugo Fragnito, coordenador do CePOF, que tem sede na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>O CEPID ganhou posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a na corrida mundial de pesquisas relacionadas \u00e0 tecnologia de amplificadores param\u00e9tricos de fibra \u00f3ptica (Fopa, do ingl\u00eas\u00a0Fiber Optic Parametric Amplifier). Os amplificadores t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de manter a pot\u00eancia do sinal de luz que percorre o interior das fibras ao longo do percurso e, no caso dos amplificadores param\u00e9tricos, poder\u00e3o ser a resposta ao desafio de ampliar a largura da banda e, consequentemente, o tr\u00e1fego na rede. \u201cConseguimos um recorde: j\u00e1 atingimos uma largura de banda de 115 nan\u00f4metros [um nan\u00f4metro equivale a um milion\u00e9simo do mil\u00edmetro]\u201d, ele explica.<\/p>\n<p>Foi, de fato, um grande feito. Os sistemas dispon\u00edveis garantem uma largura m\u00e1xima de banda de 30 nan\u00f4metros na regi\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es \u00f3pticas, podendo comportar at\u00e9 80 lasers \u2013 o que limita a transmiss\u00e3o a uns poucos terabytes por segundo. Quanto maior a largura da banda, maior o n\u00famero de lasers colocados numa \u00fanica fibra e maior a capacidade de tr\u00e1fego. De acordo com Fragnito, \u201cutilizando os Fopas, ser\u00e1 poss\u00edvel transmitir dez vezes mais\u201d.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 problemas a serem solucionados antes de levar os Fopas ao mercado. O primeiro \u00e9 controlar a dispers\u00e3o da luz na fibra \u00f3ptica, decorrente de varia\u00e7\u00f5es de di\u00e2metro ao longo do percurso e que pode comprometer os ganhos da nova tecnologia, j\u00e1 que limita a efici\u00eancia dos Fopas. \u201cEstamos estudando como desenvolver fibras e guias de onda extremamente uniformes, de forma a reduzir a dispers\u00e3o ao longo da fibra\u201d, afirma Fragnito.<\/p>\n<p>O segundo problema, ainda sem solu\u00e7\u00e3o, \u00e9 a dimens\u00e3o dos equipamentos, levando-se em conta que, no mundo da alta tecnologia, espa\u00e7o \u00e9 custo. O ideal seria colocar \u201ctudo dentro de um chip\u201d, diz Fragnito. \u201cA \u00f3ptica integrada foi impulsionada pela necessidade da ind\u00fastria microeletr\u00f4nica em vencer os limites de espa\u00e7o f\u00edsico, aumentando as taxas de desempenho. Hoje, estamos apostando na miniaturiza\u00e7\u00e3o de componentes de fibras \u00f3pticas \u2013 ou seja, em fazer tudo menor e mais barato.\u201d<\/p>\n<p>Com recursos da FAPESP, o CePOF criou uma infraestrutura de ponta para a fabrica\u00e7\u00e3o de dispositivos de \u00f3ptica integrada a base de sil\u00edcio e outros materiais semicondutores. Essa tecnologia permitir\u00e1 integrar dezenas de lasers, filtros, detectores e outros dispositivos fot\u00f4nicos interconectados por guias de onda de dimens\u00f5es nanom\u00eatricas, tudo em um \u00fanico chip do tamanho de uma moeda de R$ 0,25.<\/p>\n<p>Vidro telurito<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o comercial dos amplificadores param\u00e9tricos promete promover uma nova revolu\u00e7\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o \u00f3ptica, compar\u00e1vel \u00e0 tecnologia de fibras \u00f3pticas dopadas com \u00e9rbio, adotada em meados dos anos 1990. \u201cO \u00e9rbio viabilizou a internet\u201d, enfatiza Fragnito.<\/p>\n<p>Antes do \u00e9rbio, ele conta, a comunica\u00e7\u00e3o entre S\u00e3o Paulo e Campinas por meio de fibra \u00f3ptica, por exemplo, funcionava com capacidade m\u00e1xima de 1 gigabyte por segundo. Em cada fibra, um laser. Se a demanda crescesse, era necess\u00e1rio instalar mais fibras. E, a cada 20 quil\u00f4metros, era preciso colocar um repetidor de circuito eletr\u00f4nico para que a luz continuasse a sua viagem. Al\u00e9m de caro, o sistema era lento.<\/p>\n<p>O \u00e9rbio, elemento qu\u00edmico do grupo terras raras, tem a propriedade de emitir f\u00f3tons que aumentam a intensidade da luz e, com a tecnologia WDM, possibilita que uma mesma fibra se transforme numa esp\u00e9cie de ramalhete de lasers operando em frequ\u00eancias diferentes e com sinais mais intensos.<\/p>\n<p>Tal tecnologia viabilizou os servi\u00e7os de banda larga e permitiu substituir repetidores por amplificadores, instalados a cada 50 quil\u00f4metros ao longo do percurso da fibra, acelerando o tr\u00e1fego de dados. Ante o risco de congestionamento na rede, no entanto, h\u00e1 que se garantir mais efici\u00eancia n\u00e3o apenas para os amplificadores, mas para todos os componentes da rede \u00f3ptica, inclusive para as fibras.<\/p>\n<p>As fibras \u00f3pticas s\u00e3o fabricadas com s\u00edlica, um \u00f3xido abundante e barato. O problema \u00e9 que um amplificador \u00f3ptico carrega de 20 a 30 metros de fibras de s\u00edlica enroladas, o que aumenta as dimens\u00f5es do equipamento. Os pesquisadores do CePOF investigam alternativas para esse material e t\u00eam conseguido resultados interessantes substituindo a s\u00edlica por \u00f3xido de tel\u00fario \u2013 tecnologia j\u00e1 patenteada pela equipe.<\/p>\n<p>\u201cA vantagem \u00e9 que o telurito permite dissolver o \u00e9rbio em concentra\u00e7\u00e3o 70 vezes maior do que a s\u00edlica\u201d, compara Fragnito. Quanto mais \u00e9rbio, mais f\u00f3tons e mais luz. Com o telurito, talvez seja poss\u00edvel reduzir o comprimento e o volume das fibras e, consequentemente, a dimens\u00e3o dos amplificadores. \u201cA palavra de ordem \u00e9 miniaturizar, reduzir de 20 metros para cent\u00edmetros\u201d, ele diz.<\/p>\n<p>Para saber mais sobre o CePOF de Campinas leia tamb\u00e9m:\u00a0<a href=\"http:\/\/cepid.fapesp.br\/materia\/107\" target=\"_blank\">A versatilidade da luz<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/cepid.fapesp.br\/materia\/108\" target=\"_blank\">KyaTera, uma plataforma de testes \u00f3pticos<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/cepid.fapesp.br\/materia\/109\" target=\"_blank\">Conhecimento para a sociedade<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Claudia Izique Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A tecnologia atualmente utilizada nas redes de comunica\u00e7\u00e3o \u00f3ptica n\u00e3o dar\u00e1 conta de atender \u00e0 expans\u00e3o da internet, dos dispositivos m\u00f3veis, da TV de alta defini\u00e7\u00e3o e das demandas das telecomunica\u00e7\u00f5es nos pr\u00f3ximos 20 anos. 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