{"id":50500,"date":"2013-12-09T14:31:26","date_gmt":"2013-12-09T16:31:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=50500"},"modified":"2013-12-09T14:31:26","modified_gmt":"2013-12-09T16:31:26","slug":"pesquisa-detecta-perdas-visuais-em-frentistas-de-postos-de-gasolina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/pesquisa-detecta-perdas-visuais-em-frentistas-de-postos-de-gasolina\/50500","title":{"rendered":"Pesquisa detecta perdas visuais em frentistas de postos de gasolina"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Os frentistas de postos de combust\u00edvel podem estar com a vis\u00e3o em risco pela exposi\u00e7\u00e3o aos solventes existentes na gasolina. Uma pesquisa da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) observou <em><strong>perdas visuais<\/strong><\/em> significativas \u2013 principalmente relacionadas \u00e0 capacidade de discriminar cores \u2013 em um grupo de 25 trabalhadores. Eles foram avaliados por meio de uma nova metodologia capaz de detectar problemas que passam despercebidos em exames oftalmol\u00f3gicos convencionais.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado no \u00e2mbito de um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/6600\/a-visao-como-indicador-de-processos-lesivos-na-retina-e-no-sistema-nervoso-central\/\" target=\"_blank\">Projeto Tem\u00e1tico<\/a>\u00a0coordenado pela professora Dora Selma Fix Ventura, do Instituto de Psicologia da USP.<\/p>\n<p>\u201cAvaliamos a capacidade de discriminar cores e contrastes e fazemos medidas de campo visual por meio de testes psicof\u00edsicos computadorizados. A atividade el\u00e9trica da retina tamb\u00e9m \u00e9 medida com um exame n\u00e3o invasivo, o eletrorretinograma, que consiste na coloca\u00e7\u00e3o de um eletrodo no olho para medir a resposta el\u00e9trica da retina a um determinado est\u00edmulo visual\u201d, contou Ventura.<\/p>\n<p>Os testes tamb\u00e9m j\u00e1 foram aplicados em pacientes que sofreram exposi\u00e7\u00e3o ao merc\u00fario e em portadores de doen\u00e7as como diabetes, glaucoma, Parkinson, esclerose m\u00faltipla, autismo, distrofia muscular de Duchenne e neuropatia \u00f3ptica heredit\u00e1ria de Leber \u2013 uma patologia gen\u00e9tica que costuma causar perda s\u00fabita de vis\u00e3o.<\/p>\n<p>A pesquisa com o grupo de frentistas da capital foi realizada durante o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/111485\/repercussoes-visuais-da-exposicao-ocupacional-a-solventes\/\" target=\"_blank\">mestrado<\/a>\u00a0de Thiago Leiros Costa, bolsista da FAPESP, e os\u00a0<a href=\"http:\/\/www.plosone.org\/article\/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0042961\" target=\"_blank\">resultados foram publicados<\/a>\u00a0na revista\u00a0PLoS One.<\/p>\n<p>\u201cEsses trabalhadores t\u00eam contato di\u00e1rio com solventes da gasolina, como benzeno, tolueno e xileno, e n\u00e3o h\u00e1 um controle normativo forte. H\u00e1 estudos que estabelecem limites de seguran\u00e7a para a exposi\u00e7\u00e3o a solventes, mas de forma isolada. N\u00e3o h\u00e1 par\u00e2metros de seguran\u00e7a para a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 mistura de subst\u00e2ncias presentes na gasolina e praticamente ningu\u00e9m faz uso de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual\u201d, disse Costa.<\/p>\n<p>Os volunt\u00e1rios passaram por exames oftalmol\u00f3gicos que descartaram qualquer altera\u00e7\u00e3o estrutural na c\u00f3rnea, no cristalino ou no fundo do olho. Ainda assim, o desempenho dos frentistas nos testes psicof\u00edsicos foi significativamente inferior quando comparado ao do grupo controle. A hip\u00f3tese dos pesquisadores \u00e9 que o impacto na vis\u00e3o seja decorrente do dano neurol\u00f3gico causado pelas subst\u00e2ncias t\u00f3xicas do combust\u00edvel, absorvidas principalmente pelas mucosas da boca e do nariz.<\/p>\n<p>\u201cEncontramos altera\u00e7\u00f5es em todos os testes de vis\u00e3o de cores e de contrastes. Foi uma perda difusa de sensibilidade visual e isso sugere que foram afetados diferentes n\u00edveis de processamento do c\u00f3rtex visual\u201d, contou Costa.<\/p>\n<p>Em quatro dos frentistas testados, a perda de sensibilidade para cores foi t\u00e3o significativa que os pesquisadores precisaram realizar um exame gen\u00e9tico para descartar a possibilidade de daltonismo cong\u00eanito.<\/p>\n<p>\u201cTodos os volunt\u00e1rios trabalhavam em postos controlados pela Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo (ANP) e, em princ\u00edpio, deveriam estar de acordo com as normas de seguran\u00e7a. Isso sugere que, atualmente, o trabalho de frentista n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o seguro quanto o proposto. Se os solventes est\u00e3o de fato afetando o c\u00e9rebro, n\u00e3o \u00e9 apenas a vis\u00e3o que est\u00e1 sendo comprometida\u201d, avaliou Costa.<\/p>\n<p>O pesquisador destacou ainda outras categorias de trabalhadores que podem sofrer perdas visuais pela exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica a solventes org\u00e2nicos, como funcion\u00e1rios da ind\u00fastria gr\u00e1fica e de tintas.<\/p>\n<p>Merc\u00fario<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o conduzida por Costa foi um desdobramento de um trabalho anterior feito com trabalhadores expostos ao merc\u00fario durante o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/100899\/estudo-eletrofisiologico-e-psicofisico-em-individuos-intoxicados-por-vapor-de-mercurio\/\" target=\"_blank\">mestrado<\/a>\u00a0de Mirella Telles Salgueiro Barboni, tamb\u00e9m com Bolsa da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cExiste um grupo de pacientes acompanhado no Hospital das Cl\u00ednicas da USP que sofreu exposi\u00e7\u00e3o ocupacional ao vapor de merc\u00fario, a maioria em f\u00e1bricas de l\u00e2mpadas fluorescentes. Eles apresentam diversos preju\u00edzos neuropsicol\u00f3gicos e problemas de mem\u00f3ria e aten\u00e7\u00e3o. N\u00f3s quer\u00edamos saber se a vis\u00e3o tamb\u00e9m havia sido afetada\u201d, contou Barboni.<\/p>\n<p>Estudos anteriores feitos no Jap\u00e3o, disse a pesquisadora, haviam mostrado que a intoxica\u00e7\u00e3o por merc\u00fario pode causar uma constri\u00e7\u00e3o no campo visual, ou seja, diminuir a vis\u00e3o perif\u00e9rica. O grupo da USP decidiu ent\u00e3o usar a nova metodologia para descobrir se poderia haver danos tamb\u00e9m na regi\u00e3o central da retina.<\/p>\n<p>\u201cApresent\u00e1vamos pequenos discos de luz cada vez mais fracos sobre um fundo iluminado. Quer\u00edamos medir qual era a menor intensidade de luz que o volunt\u00e1rio conseguia enxergar nas diferentes regi\u00f5es do campo visual. Em seguida, faz\u00edamos o eletrorretinograma\u201d, contou Barboni.<\/p>\n<p>Os resultados mostraram que a vis\u00e3o central tamb\u00e9m estava bastante prejudicada no grupo de 35 pacientes estudados. Segundo a pesquisadora, todos tiveram desempenho significativamente inferior ao do grupo controle em todos os testes.<\/p>\n<p>\u201cCom base nos resultados do grupo controle, composto por pessoas saud\u00e1veis, n\u00f3s criamos faixas de normalidade. Nas regi\u00f5es mais perif\u00e9ricas do campo visual, 71% dos expostos ao merc\u00fario tiveram resultado abaixo do limite inferior normal, ou seja, de cada dez volunt\u00e1rios, sete n\u00e3o tinham nem sequer o pior desempenho do grupo controle. Na regi\u00e3o central, o \u00edndice ficou em torno de 25%\u201d, explicou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa foram divulgados em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0013935107001442\" target=\"_blank\">artigo<\/a>\u00a0publicado na revista\u00a0Environmental Research.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o de cores e de contrastes foi avaliada durante os projetos de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/99796\/espaco-perceptual-de-cores-em-individuos-com-discromatopsia-diabeticos-e-contaminados-por-mercurio\/\" target=\"_blank\">mestrado de Claudia Feitosa-Santana<\/a>\u00a0e Marcos Lago, respectivamente, que tamb\u00e9m observaram perdas significativas.<\/p>\n<p>\u201cSe considerarmos os v\u00e1rios par\u00e2metros da nossa imagem visual \u2013 cor, discrimina\u00e7\u00e3o de bordas, de contrastes de claro escuro ou de cores \u2013, todos estavam prejudicados nos pacientes expostos ao merc\u00fario. A imagem para esses sujeitos n\u00e3o \u00e9 a mesma que para uma pessoa n\u00e3o contaminada\u201d, disse Barboni.<\/p>\n<p>No entanto, todos os 35 pacientes foram considerados normais do ponto de vista cl\u00ednico oftalmol\u00f3gico e apenas aqueles com os piores resultados apresentavam alguma queixa visual pr\u00e9via. \u201cAcreditamos que, ao longo de 10 ou 15 anos de exposi\u00e7\u00e3o, a perda foi acontecendo de forma gradativa e o organismo foi se acostumando\u201d, disse Barboni.<\/p>\n<p>Retinopatia diab\u00e9tica<\/p>\n<p>O mesmo foi observado no grupo de volunt\u00e1rios diab\u00e9ticos avaliados durante o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/82285\/estudo-da-visao-de-cores-em-individuos-portadores-de-diabetes-mellitus-avaliacao-psicofisica-e-eletr\/\" target=\"_blank\">mestrado<\/a>\u00a0e o<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/99981\/avaliacao-visual-longitudinal-de-pacientes-diabeticos-em-estados-pre-e-pos-retinopatia-diabetica\/\" target=\"_blank\">doutorado<\/a>\u00a0de Mirella Gualtieri \u2013 ambos com Bolsa da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cAvaliamos cerca de 40 diab\u00e9ticos que estavam com a doen\u00e7a sob controle e sem qualquer diagn\u00f3stico de problema oftalmol\u00f3gico. Era aquele tipo de paciente que deixa o m\u00e9dico feliz, achando que sua vis\u00e3o est\u00e1 normal, mas, ao medir a vis\u00e3o de cores, de contraste e a resposta el\u00e9trica da retina, encontramos altera\u00e7\u00f5es s\u00e9rias em cerca de metade deles\u201d, contou Gualtieri.<\/p>\n<p>Durante seu mestrado, Gualtieri tentou verificar se as perdas visuais poderiam estar ligadas \u00e0 idade, ao tempo de doen\u00e7a, ou ao tipo de controle da glicemia realizado, mas n\u00e3o encontrou correla\u00e7\u00e3o. J\u00e1 no doutorado, verificou que os pacientes com pior desempenho nos testes psicof\u00edsicos tamb\u00e9m apresentavam fatores de risco gen\u00e9ticos para desenvolver retinopatia diab\u00e9tica \u2013 doen\u00e7a que causa prolifera\u00e7\u00e3o anormal de vasos na retina e pode levar \u00e0 cegueira.<\/p>\n<p>\u201cTrabalhos anteriores haviam mostrado que portadores de determinados polimorfismos em um gene chamado de eritropoietina ou EPO\u00a0[respons\u00e1vel pela fabrica\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio de mesmo nome]apresentam maior propens\u00e3o a desenvolver retinopatia diab\u00e9tica\u201d, contou Gualtieri.<\/p>\n<p>Se a rela\u00e7\u00e3o ficar comprovada, avaliou a pesquisadora, a realiza\u00e7\u00e3o dos testes psicof\u00edsicos e eletrofisiol\u00f3gicos na fase inicial da diabetes poder\u00e1 ajudar a triar os pacientes com maior risco de desenvolver retinopatia. \u201cEstudos epidemiol\u00f3gicos indicam que nesses casos, mais do que nunca, \u00e9 preciso um controle muito r\u00edgido da glicemia\u201d, disse Gualtieri.<\/p>\n<p>\u201cO que estamos buscando s\u00e3o indicadores precoces que auxiliem no monitoramento da doen\u00e7a. A avalia\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es visuais com esses testes tamb\u00e9m poderia ser \u00fatil para a detec\u00e7\u00e3o precoce de perdas neurais em diversas enfermidades neurol\u00f3gicas ou que afetam a retina\u201d, afirmou Ventura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Os frentistas de postos de combust\u00edvel podem estar com a vis\u00e3o em risco pela exposi\u00e7\u00e3o aos solventes existentes na gasolina. Uma pesquisa da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) observou perdas visuais significativas \u2013 principalmente relacionadas \u00e0 capacidade de discriminar cores \u2013 em um grupo de 25 trabalhadores. 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