{"id":51251,"date":"2014-01-06T15:53:53","date_gmt":"2014-01-06T17:53:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=51251"},"modified":"2014-01-06T15:53:53","modified_gmt":"2014-01-06T17:53:53","slug":"prevencao-precoce-das-doencas-cronicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/prevencao-precoce-das-doencas-cronicas\/51251","title":{"rendered":"Preven\u00e7\u00e3o precoce das doen\u00e7as cr\u00f4nicas"},"content":{"rendered":"<p>Por Carlos Fioravanti e Neldson Marcolin\u00a0\u00a0\u2013 Magda Carneiro Sampaio \u00e9 uma pediatra que assume suas prefer\u00eancias com tranquilidade: \u201cS\u00f3 tenho olhos para os beb\u00eas. Ainda bem que temos bastante gente aqui no hospital para tratar das crian\u00e7as maiores e adolescentes\u201d, ela diz.\u00a0<span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Ao gosto pessoal soma-se uma raz\u00e3o cient\u00edfica. Desde os primeiros passos como pesquisadora, ela quis entender o <em><strong>desenvolvimento imunol\u00f3gico da crian\u00e7a<\/strong> <\/em>a partir dos primeiros dias de vida. Junte a pediatria com a imunologia e tem-se a\u00ed uma profissional capaz de conciliar bem a atividade cl\u00ednica intensa com a investiga\u00e7\u00e3o experimental de laborat\u00f3rio.<\/span><\/p>\n<p>Magda veio do Recife em 1973, depois de se formar na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), para fazer resid\u00eancia no Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (HC-FMUSP), e tr\u00eas anos depois come\u00e7ou o doutorado, orientada pelo veterano imunologista Charles Naspitz, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), para se aprofundar em imunologia aplicada \u00e0 pediatria. Lotada no in\u00edcio da carreira no Instituto da Crian\u00e7a (ICr) do HC-FMUSP, ela passou 15 anos no Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB) trabalhando em colabora\u00e7\u00e3o com Luiz Trabulsi em pesquisas pioneiras sobre imunologia do leite materno, antes de voltar para o ICr, em 2005. Hoje \u00e9 a presidente do Conselho Diretor do instituto.<\/p>\n<p>Uma das primeiras no Brasil a trabalhar na \u00e1rea de imunodefici\u00eancias prim\u00e1rias, Magda \u00e9 uma das criadoras de um projeto que procura tornar o diagn\u00f3stico das crian\u00e7as mais humano e seguro, recomendando aos m\u00e9dicos aten\u00e7\u00e3o redobrada nos exames cl\u00ednicos e f\u00edsicos dos pacientes em vez da habitual longa lista de testes laboratoriais. Ela foi tamb\u00e9m uma das coordenadoras de um projeto que defende uma nova pr\u00e1tica de pediatria para as crian\u00e7as que poder\u00e3o viver at\u00e9 100 anos ou mais, visando \u00e0 preven\u00e7\u00e3o precoce das doen\u00e7as cr\u00f4nicas do adulto e do idoso.<\/p>\n<p>Pesquisa FAPESP\u00a0\u2013 A senhora sempre tem algum projeto ambicioso \u00e0 vista. Qual o mais recente?<br \/>\nCarneiro Sampaio\u00a0\u2013 Um dos mais recentes, de cunho educativo e social, \u00e9 o \u201cDiagn\u00f3stico amigo da crian\u00e7a\u201d. Ele consiste em reduzir o impacto negativo dos procedimentos diagn\u00f3sticos para a crian\u00e7a, principalmente nas menores. Esse projeto tem tr\u00eas vertentes. A primeira, em que me envolvi mais, visa reduzir a quantidade de sangue que se colhe da crian\u00e7a. \u00c9 comum tirar v\u00e1rios tubos de sangue e a crian\u00e7a n\u00e3o aguenta. Um beb\u00ea de 2 quilos tem uma quantidade muito pequena de sangue, menos de 200 mililitros (ml), aproximadamente um copo de tamanho m\u00e9dio. O volume de sangue a ser coletado \u00e9 determinado pelo tipo de an\u00e1lise, independentemente da idade e do peso do paciente. Para se fazer a an\u00e1lise propriamente dita, \u00e9 necess\u00e1ria uma quantidade diminuta de sangue. O problema \u00e9 a chamada fase pr\u00e9-anal\u00edtica, de coleta e preparo do material, que ainda requer que se colha muito sangue. A principal causa de transfus\u00e3o de sangue em crian\u00e7as pequenas que ficam internadas se d\u00e1 em raz\u00e3o do excesso de sangue retirado. Tira-se tanto que \u00e9 preciso repor. No ICr, passamos a usar sistematicamente tubos muito menores do que os utilizados normalmente [mostra o tubo comum e outro bem menor]. \u00c9 uma economia de cerca de 90%. Para quase todos os tipos de an\u00e1lises automatizadas [o tubo grande], o volume retirado \u00e9 muito mais alto do que a quantidade de sangue ou outro material requerida pelo equipamento. O tubo convencional de hemograma, por exemplo, requer 4,5 ml de sangue. Estamos colhendo agora 0,5 ml e mesmo assim \u00e9 muito, porque usamos 5 microlitros para o exame! Alguns hospitais diferenciados j\u00e1 usam esse sistema, mas os hospitais gerais que t\u00eam pediatria ainda n\u00e3o. Estamos come\u00e7ando a disseminar a ideia de que se desperdi\u00e7a sangue, o que pode representar um agravo para a evolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica do paciente pedi\u00e1trico.<\/p>\n<p>Pesquisa FAPESP\u00a0\u2013 Quais as outras vertentes desse projeto?<br \/>\nCarneiro Sampaio\u00a0\u2013 A segunda delas \u00e9 reduzir a radia\u00e7\u00e3o a que a crian\u00e7a \u00e9 exposta nos exames de imagem. Falo da patologia cl\u00ednica, dos exames de imagem, que s\u00e3o muito importantes. Existem algumas radia\u00e7\u00f5es in\u00f3cuas e outras potencialmente muito perigosas, as chamadas radia\u00e7\u00f5es ionizantes. A principal \u00e9 o raio X. Um trabalho ingl\u00eas e outro australiano demonstram o risco do raio X e da tomografia, que usa grandes quantidades de raio X para gerar as imagens. Os dois estudos, feitos com grandes n\u00fameros de crian\u00e7as e adolescentes, mostram maior risco para o desenvolvimento de leucemia, linfomas e tumores cerebrais nas pessoas expostas \u00e0 radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pesquisa FAPESP\u00a0\u2013 \u00c9 poss\u00edvel diminuir essa exposi\u00e7\u00e3o?<br \/>\nCarneiro Sampaio\u00a0\u2013 Sim. Primeiro, deve-se usar a ultrassonografia em todos os exames que forem poss\u00edveis porque essa \u00e9 uma radia\u00e7\u00e3o in\u00f3cua. H\u00e1 mais de 30 anos \u00e9 usada em fetos, durante a gesta\u00e7\u00e3o, sem relatos de problemas. Mas temos algumas situa\u00e7\u00f5es, por exemplo, a explora\u00e7\u00e3o do t\u00f3rax, em que o ultrassom n\u00e3o \u00e9 bom, sendo a radiografia convencional e a tomografia os melhores meios explorat\u00f3rios. No entanto, \u00e9 preciso que fique muito claro que uma tomografia s\u00f3 deve ser solicitada para uma crian\u00e7a em uma situa\u00e7\u00e3o excepcional, dada a enorme quantidade de radia\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a gera\u00e7\u00e3o das imagens. Outro meio para investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, que usa ondas de r\u00e1dio, consideradas n\u00e3o ionizantes. Mas a m\u00e1quina \u00e9 car\u00edssima e \u00e9 enorme o tempo necess\u00e1rio para a obten\u00e7\u00e3o das imagens, exigindo que a crian\u00e7a fique im\u00f3vel por muito tempo, o que \u00e9 dif\u00edcil, da\u00ed a necessidade de seda\u00e7\u00e3o e mesmo de anestesia em alguns casos. Vem ent\u00e3o a nossa terceira vertente, que \u00e9 humanizar o atendimento para acolher o paciente e reduzir ao m\u00e1ximo os procedimentos anest\u00e9sicos e de seda\u00e7\u00e3o, que t\u00eam obviamente riscos, mesmo que pequenos. O princ\u00edpio de tudo \u00e9 que os m\u00e9dicos resgatem a import\u00e2ncia da cl\u00ednica. Hoje, o que era exame complementar virou principal! H\u00e1 uma verdadeira invers\u00e3o da l\u00f3gica do diagn\u00f3stico m\u00e9dico, que se baseia na formula\u00e7\u00e3o de uma hip\u00f3tese diagn\u00f3stica com base nos dados cl\u00ednicos, obtidos na anamnese [entrevista com o paciente] e no exame f\u00edsico. Os exames complementares, laboratoriais ou de imagem, s\u00e3o solicitados se forem necess\u00e1rios para confirmar ou afastar as hip\u00f3teses levantadas.<\/p>\n<p>Leia a entrevista completa em:\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Fioravanti e Neldson Marcolin\u00a0\u00a0\u2013 Magda Carneiro Sampaio \u00e9 uma pediatra que assume suas prefer\u00eancias com tranquilidade: \u201cS\u00f3 tenho olhos para os beb\u00eas. Ainda bem que temos bastante gente aqui no hospital para tratar das crian\u00e7as maiores e adolescentes\u201d, ela diz.\u00a0Ao gosto pessoal soma-se uma raz\u00e3o cient\u00edfica. 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