{"id":51441,"date":"2014-01-15T16:35:00","date_gmt":"2014-01-15T18:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=51441"},"modified":"2014-01-15T16:35:00","modified_gmt":"2014-01-15T18:35:00","slug":"sobrepeso-pode-contribuir-para-aumento-da-inflamacao-durante-a-gravidez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/sobrepeso-pode-contribuir-para-aumento-da-inflamacao-durante-a-gravidez\/51441","title":{"rendered":"Sobrepeso pode contribuir para aumento da inflama\u00e7\u00e3o durante a gravidez"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo\u00a0<span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Ag\u00eancia FAPESP<\/span><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\u00a0\u2013 Ao engravidar, mulheres obesas ou com sobrepeso apresentam maior risco de desenvolver complica\u00e7\u00f5es como <em><strong>pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia e diabetes gestacional<\/strong><\/em>. Uma pesquisa recentemente conclu\u00edda na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), com<\/span><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">, oferece pistas para entender por que isso ocorre.<\/span><\/p>\n<p>Por meio da an\u00e1lise de amostras sangu\u00edneas de quase 200 gestantes, os pesquisadores conclu\u00edram que o sobrepeso est\u00e1 associado a altera\u00e7\u00f5es significativas nos n\u00edveis de duas subst\u00e2ncias secretadas pelo tecido adiposo \u2013 adiponectina e leptina \u2013 que podem contribuir para o aumento do grau de inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica.<\/p>\n<p>\u201cDurante a gravidez, existe um grau de inflama\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gico resultante da intera\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e feto. Por outro lado, a obesidade, a diabetes e a hipertens\u00e3o s\u00e3o doen\u00e7as com forte componente inflamat\u00f3rio. Avaliar a combina\u00e7\u00e3o entre gesta\u00e7\u00e3o e obesidade com foco em inflama\u00e7\u00e3o, portanto, parece importante para entender os riscos e os mecanismos envolvidos nessas patologias obst\u00e9tricas\u201d, disse Silvia Daher, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Obstetr\u00edcia Fisiol\u00f3gica e Experimental da Unifesp.<\/p>\n<p>A coleta do sangue foi feita no terceiro trimestre de gesta\u00e7\u00e3o uma vez que, de acordo com Daher, o diabetes gestacional \u00e9 uma doen\u00e7a que geralmente s\u00f3 se instala a partir da segunda metade da gravidez. Com base no \u00cdndice de Massa corporal (IMC) pr\u00e9-gestacional, as volunt\u00e1rias foram divididas em quatro diferentes grupos: as com sobrepeso saud\u00e1veis (IMC igual ou maior que 25), as com sobrepeso e diabetes gestacional, as com peso ideal (IMC entre 18,5 e 24,9) saud\u00e1veis e as com peso ideal, mas com diabetes gestacional.<\/p>\n<p>\u201cFizemos essa separa\u00e7\u00e3o para que pud\u00e9ssemos verificar com precis\u00e3o se as altera\u00e7\u00f5es encontradas estavam associadas ao diabetes ou seriam de fato decorrentes do sobrepeso\u201d, disse Daher.<\/p>\n<p>Tr\u00eas diferentes par\u00e2metros capazes de mensurar o grau de inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica foram analisados nas amostras sangu\u00edneas. O primeiro passo foi medir os n\u00edveis s\u00e9ricos de tr\u00eas diferentes citocinas \u2013 o fator de necrose tumoral alfa (TNF-?) e as interleucinas (IL) 6 e 10 \u2013, que s\u00e3o mol\u00e9culas produzidas por c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico e t\u00eam um papel importante na modula\u00e7\u00e3o da resposta inflamat\u00f3ria no combate a infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cNo caso da IL10, cuja a\u00e7\u00e3o \u00e9 anti-inflamat\u00f3ria, notamos uma queda associada apenas ao diabetes, mas n\u00e3o houve diferen\u00e7a relacionada ao sobrepeso. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 IL6 e ao TNF-? \u2013 citocinas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias \u2013, n\u00e3o notamos diferen\u00e7as significativas nos grupos\u201d, contou Daher.<\/p>\n<p>O segundo par\u00e2metro avaliado foi a presen\u00e7a de c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas ativas no sangue das volunt\u00e1rias, entre elas as c\u00e9lulas exterminadoras naturais ou NK (Natural Killers na sigla em ingl\u00eas) e as c\u00e9lulas TCD8 \u2013 dois tipos de linf\u00f3citos capazes de liberar subst\u00e2ncias t\u00f3xicas para matar, por exemplo, c\u00e9lulas tumorais ou infectadas por v\u00edrus.<\/p>\n<p>\u201cA essa altura da gravidez, essas c\u00e9lulas de defesa teriam de estar diminu\u00eddas, pois podem ser agressivas para o feto. Verificamos uma maior ativa\u00e7\u00e3o dos linf\u00f3citos relacionada ao diabetes, mas n\u00e3o ao IMC\u201d, disse Daher.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, foram medidas nas amostras de sangue os n\u00edveis de algumas adipocinas \u2013 pept\u00eddeos secretados pelas c\u00e9lulas adiposas com diversas fun\u00e7\u00f5es, entre elas a regula\u00e7\u00e3o da resposta imunol\u00f3gica.<\/p>\n<p>\u201cA adiponectina \u00e9 uma adipocina com a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria e anti-hiperglic\u00eamica. Normalmente, ela diminui durante a gesta\u00e7\u00e3o porque \u00e9 preciso aumentar a quantidade de glicose circulante para suprir as necessidades do feto. J\u00e1 a leptina e a resistina s\u00e3o adipocinas que induzem a produ\u00e7\u00e3o de citocinas inflamat\u00f3rias, como a IL6 e o TNF-?, podendo agravar a resist\u00eancia \u00e0 insulina t\u00edpica da gesta\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m a inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica\u201d, explicou Daher.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises mostraram uma redu\u00e7\u00e3o significativa nos n\u00edveis de adiponectina associada ao sobrepeso, bem como aumento nos n\u00edveis de leptina. \u201c\u00c9 um fator que pode estar contribuindo para a inflama\u00e7\u00e3o e para uma maior resist\u00eancia \u00e0 insulina nas gestantes com sobrepeso\u201d, avaliou Daher.<\/p>\n<p>Obesidade e dist\u00farbios metab\u00f3licos<\/p>\n<p>Segundo Daher, o fato de os resultados mostrarem altera\u00e7\u00f5es nas c\u00e9lulas imunes e nas citocinas apenas associadas ao diabetes e n\u00e3o ao IMC deve-se, possivelmente, ao pequeno n\u00famero de obesas na amostra avaliada.<\/p>\n<p>\u201cPretendemos agora estudar um grupo de mulheres com IMC maior ou igual a 30 para ver se h\u00e1 altera\u00e7\u00f5es mais intensas nesses e em outros mediadores inflamat\u00f3rios\u201d, contou.<\/p>\n<p>A crescente epidemia de obesidade no mundo, ressaltou Daher, afeta tamb\u00e9m mulheres em idade reprodutiva. Dados da literatura apontam que a gestante obesa tem quatro vezes mais risco de desenvolver diabetes gestacional e o dobro de chance de desenvolver pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia.<\/p>\n<p>\u201cQuem sofre de diabetes gestacional, por sua vez, tem risco aumentado de sofrer de diabetes do tipo 2 no futuro e a crian\u00e7a tamb\u00e9m fica mais propensa a dist\u00farbios metab\u00f3licos. O mesmo ocorre no caso da pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia. \u00c9 um risco para a gera\u00e7\u00e3o atual e a futura\u201d, disse Daher.<\/p>\n<p>Parte dos dados levantados durante a pesquisa e tamb\u00e9m em estudos anteriores do grupo\u00a0\u00a0foram divulgados em duas revis\u00f5es publicadas no\u00a0\u00a0e no\u00a0.<\/p>\n<p>Atualmente, a equipe avalia o perfil lip\u00eddico de gestantes com sobrepeso para descobrir como as altera\u00e7\u00f5es nos n\u00edveis de colesterol se relacionam com os mediadores inflamat\u00f3rios j\u00e1 estudados.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m estamos investigando alguns polimorfismos gen\u00e9ticos para saber, por exemplo, se algu\u00e9m pode ser geneticamente propenso a produzir n\u00edveis maiores adiponectina ou menores de leptina. Isso nos ajudar\u00e1 a entender por que algumas pessoas com sobrepeso adoecem e outras, n\u00e3o\u201d, disse Daher.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Ao engravidar, mulheres obesas ou com sobrepeso apresentam maior risco de desenvolver complica\u00e7\u00f5es como pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia e diabetes gestacional. Uma pesquisa recentemente conclu\u00edda na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), com, oferece pistas para entender por que isso ocorre. 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