{"id":51653,"date":"2014-01-23T02:02:21","date_gmt":"2014-01-23T04:02:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=51653"},"modified":"2014-01-23T02:02:21","modified_gmt":"2014-01-23T04:02:21","slug":"problemas-no-ensino-de-literatura-ja-duram-quatro-decadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/problemas-no-ensino-de-literatura-ja-duram-quatro-decadas\/51653","title":{"rendered":"Problemas no ensino de literatura j\u00e1 duram quatro d\u00e9cadas"},"content":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Por meio da an\u00e1lise de trabalhos acad\u00eamicos realizados entre 1975 e 2004 e de estudos quantitativos e qualitativos com professores de portugu\u00eas que lecionam no Ensino M\u00e9dio da rede p\u00fablica da cidade de S\u00e3o Paulo, a pesquisadora Gabriella Rodella de Oliveira, mestre em Linguagem e Educa\u00e7\u00e3o pela Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (FE\/USP), constatou que os principais <em><strong>entraves para a forma\u00e7\u00e3o de alunos leitores<\/strong> <\/em>j\u00e1 duram pelo menos quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A pesquisa, orientada por Neide Luzia Rezende, professora da FE\/USP, e relatada no livro\u00a0, publicado com apoio da FAPESP, revela a persist\u00eancia de um ensino calcado em per\u00edodos hist\u00f3ricos liter\u00e1rios e em caracter\u00edsticas de \u00e9poca, resultando na homogeneiza\u00e7\u00e3o das obras liter\u00e1rias e das constru\u00e7\u00f5es de cada autor \u2013 e em t\u00e9dio e desinteresse por parte dos alunos.<\/p>\n<p>De acordo com a autora, tal panorama esteve e continua relacionado com a precariedade na forma\u00e7\u00e3o dos professores, que n\u00e3o se identificam como produtores de conhecimento capazes de definir e selecionar o que deve ser estudado, debatido e produzido com os estudantes.<\/p>\n<p>Entre as consequ\u00eancias, Oliveira aponta dificuldades em manejar a an\u00e1lise dos textos liter\u00e1rios, a escolha de obras consideradas mais tradicionais e a depend\u00eancia de livros e programas de exames vestibulares.<\/p>\n<p>Em um momento em que a escola enfrenta desafios particulares no ensino da literatura \u2013 com a demanda por novas ideias, modos de ler, textos e suportes, advinda com a cultura digital \u2013, a autora identificou a necessidade de conhecer a forma\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos leitores pelos pr\u00f3prios docentes de portugu\u00eas, investigar como enxergam a leitura e se relacionam com ela e estudar as concep\u00e7\u00f5es que eles t\u00eam sobre o que e como ler no Ensino M\u00e9dio (etapa em que a literatura se constitui oficialmente como disciplina).<\/p>\n<p>Com esses objetivos, Oliveira dedicou a primeira etapa da pesquisa a um estudo quantitativo com 87 professores, que responderam um question\u00e1rio sobre h\u00e1bitos de leitura e pr\u00e1ticas docentes.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do material , de acordo com a autora, descreve um professor com o seguinte perfil m\u00e9dio: origem em fam\u00edlia com baixa escolariza\u00e7\u00e3o; pouco contato com a leitura na inf\u00e2ncia; integrante da primeira gera\u00e7\u00e3o familiar a conquistar uma escolariza\u00e7\u00e3o de longa dura\u00e7\u00e3o (embora prec\u00e1ria); ensino b\u00e1sico conclu\u00eddo na rede p\u00fablica e superior, em institui\u00e7\u00e3o particular; sal\u00e1rio baixo e longa jornada de trabalho; participa\u00e7\u00e3o em forma\u00e7\u00f5es continuadas muitas vezes ineficazes; leitor restrito a\u00a0best-sellers\u00a0e cl\u00e1ssicos escolares.<\/p>\n<p>Nas respostas, TV e internet apareceram como \u201cfatores desestimulantes a um modo de leitura que os alunos, supostamente, deveriam ser capazes de realizar, tipo de leitura que os pr\u00f3prios professores n\u00e3o costumam praticar\u201d, relata a autora no cap\u00edtulo de conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das tend\u00eancias de ensinar literatura a partir de um modelo historicista e de atribuir a responsabilidade pelo fracasso do ensino ao aluno, Oliveira tamb\u00e9m aponta que os professores \u201ctendem a n\u00e3o enxergar no estudante os alunos que eles mesmos foram\u201d.<\/p>\n<p>As demais etapas do trabalho envolveram an\u00e1lises mais detalhadas das respostas de 16 professores \u2013 sendo que 12 deles correspondiam ao perfil m\u00e9dio identificado e quatro desviavam do mesmo \u2013 e entrevistas individuais em profundidade com esses quatro docentes que fugiram do padr\u00e3o mediano.<\/p>\n<p>O conjunto de dados oferecido pelas investiga\u00e7\u00f5es, somado aos estudos relacionados a trabalhos acad\u00eamicos desenvolvidos na \u00e1rea a partir de 1975, aponta, segundo Oliveira, para o fato de que, mesmo cobrindo um longo intervalo de tempo e utilizando diferentes aparatos te\u00f3ricos e metodol\u00f3gicos, as pesquisas terminaram por chegar a conclus\u00f5es bastante semelhantes.<\/p>\n<p>O Professor de Portugu\u00eas e a Literatura<br \/>\nAutora: Gabriela Rodella de Oliveira<br \/>\nEditora: Alameda<br \/>\nPre\u00e7o: R$ 42,00<br \/>\nP\u00e1ginas: 296<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es:\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Por meio da an\u00e1lise de trabalhos acad\u00eamicos realizados entre 1975 e 2004 e de estudos quantitativos e qualitativos com professores de portugu\u00eas que lecionam no Ensino M\u00e9dio da rede p\u00fablica da cidade de S\u00e3o Paulo, a pesquisadora Gabriella Rodella de Oliveira, mestre em Linguagem e Educa\u00e7\u00e3o pela Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34821,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-51653","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51653","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51653"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51653\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34821"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}