{"id":52003,"date":"2014-02-07T20:23:57","date_gmt":"2014-02-07T22:23:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=52003"},"modified":"2014-02-07T20:23:57","modified_gmt":"2014-02-07T22:23:57","slug":"falta-de-chuva-afeta-a-capacidade-da-amazonia-de-absorver-carbono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/falta-de-chuva-afeta-a-capacidade-da-amazonia-de-absorver-carbono\/52003","title":{"rendered":"Falta de chuva afeta a capacidade da Amaz\u00f4nia de absorver carbono"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A seca que atingiu a Bacia Amaz\u00f4nica em 2010 foi t\u00e3o severa que comprometeu at\u00e9 mesmo a <em><strong>capacidade da floresta de absorver o excesso de di\u00f3xido de carbono<\/strong><\/em> (CO2), considerado o principal g\u00e1s de efeito estufa. No ano seguinte, com chuva acima da m\u00e9dia, a vegeta\u00e7\u00e3o conseguiu n\u00e3o apenas absorver toda a emiss\u00e3o oriunda de processos naturais como tamb\u00e9m a resultante de atividades humanas, entre elas as queimadas.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o de uma pesquisa financiada pelo Natural Environment Research Council (Nerc), do Reino Unido, e\u00a0\u00a0(no \u00e2mbito do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais)\u00a0e foram divulgados na capa da edi\u00e7\u00e3o desta quinta-feira (06\/02) da revista\u00a0.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o dois cen\u00e1rios extremos que mostram como a falta de chuva modifica a din\u00e2mica da floresta e o balan\u00e7o de carbono na regi\u00e3o. A precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica, portanto, \u00e9 um fator que os cientistas que trabalham com previs\u00e3o clim\u00e1tica ter\u00e3o de levar em considera\u00e7\u00e3o em seus modelos. Caso contr\u00e1rio, os resultados ficar\u00e3o muito distantes da realidade\u201d, disse Luciana Vanni Gatti, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares (Ipen).<\/p>\n<p>Gatti \u00e9 autora principal do estudo ao lado de Emanuel Gloor, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, e de John B. Miller, do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), uma das principais ag\u00eancias cient\u00edficas norte-americanas focada em quest\u00f5es ambientais. O estudo contou com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores do Ipen, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto de Astronomia e Geofisica da Universidade de Sao Paulo.<\/p>\n<p>Para chegar a tal conclus\u00e3o, o grupo realizou, ao longo de 2010 e 2011, 160 medi\u00e7\u00f5es a\u00e9reas em quatro locais da Bacia Amaz\u00f4nica: Santar\u00e9m, Alta Floresta, Rio Branco e Tabatinga. Em cada perfil de avi\u00e3o foram coletadas 17 amostras de ar atmosf\u00e9rico em alturas que variavam at\u00e9 4,4 quil\u00f4metros acima do n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>\u201cFazemos um plano de voo indicando para o piloto em quais alturas devem ser feitas as coletas. Ele come\u00e7a do ponto mais alto e desce em um trajet\u00f3ria helicoidal de aproximadamente 5 quil\u00f4metros de di\u00e2metro\u201d, explicou Gatti.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, a representatividade do dado obtido cresce na medida em que aumenta a altura das medi\u00e7\u00f5es, pois as amostras trazem informa\u00e7\u00f5es de toda a regi\u00e3o que aquela massa de ar passou desde a entrada no continente.<\/p>\n<p>\u201cMedi\u00e7\u00f5es feitas no n\u00edvel do solo, por meio de c\u00e2meras ou torres, representam apenas a realidade daquele local. Estudos anteriores mostraram que n\u00e3o d\u00e1 simplesmente para pegar dados de diferentes locais e tirar uma m\u00e9dia, pois a Amaz\u00f4nia tem uma diversidade de habitats gigantesca em seus 6 mil quil\u00f4metros quadrados de extens\u00e3o\u201d, disse Gatti.<\/p>\n<p>\u201cPor outro lado, perfis de avi\u00e3o mostram a resultante de todos os processos que ocorreram desde a costa at\u00e9 o local de coleta e n\u00e3o permitem entendermos todas as fontes e seus sumidouros e suas din\u00e2micas. S\u00e3o trabalhos complementares. O primeiro chama-se estudo\u00a0top-down\u00a0(de cima para baixo) e o outro,\u00a0botton-up\u00a0(de baixo para cima). Com um entendemos o macro, a Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica como um todo, e com o outro entendemos o micro, cada compartimento da floresta e suas din\u00e2micas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Com aux\u00edlio de um equipamento port\u00e1til, a bordo de avi\u00f5es comuns (t\u00e1xis a\u00e9reos), os pesquisadores coletaram o ar e analisaram, no Laborat\u00f3rio de Qu\u00edmica Atmosf\u00e9rica do Ipen, as concentra\u00e7\u00f5es de cinco diferentes gases: CO2, metano (CH4), \u00f3xido nitroso (N2O), mon\u00f3xido de carbono (CO) e hexafluoreto de enxofre (SF6).<\/p>\n<p>\u201cO CH4 e o N2O tamb\u00e9m s\u00e3o importantes gases de efeito estufa, que estudamos no momento. J\u00e1 a concentra\u00e7\u00e3o de CO permite estimar o quanto daquela emiss\u00e3o resulta da queima de biomassa. O SF6 permite calcular qual era a concentra\u00e7\u00e3o de carbono quando aquela massa de ar entrou no continente\u201d, explicou Gatti.<\/p>\n<p>Cruzando dados<\/p>\n<p>Para entender o balan\u00e7o de carbono no per\u00edodo, os pesquisadores cruzaram os resultados obtidos nas medi\u00e7\u00f5es a\u00e9reas com informa\u00e7\u00f5es sobre a precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica dos anos de 2010 e 2011 e dados de monitoramento de queimadas do sat\u00e9lite Aqua Tarde.<\/p>\n<p>\u201cEm 2010, a esta\u00e7\u00e3o chuvosa foi bem menos chuvosa do que a m\u00e9dia dos 30 anos anteriores. O estresse h\u00eddrico foi t\u00e3o grande para a vegeta\u00e7\u00e3o que aumentou a mortalidade e a taxa de decomposi\u00e7\u00e3o e modificou o balan\u00e7o entre fotoss\u00edntese e respira\u00e7\u00e3o. Tudo isso comprometeu a capacidade da floresta de absorver carbono\u201d, afirmou Gatti.<\/p>\n<p>Para piorar, acrescentou a pesquisadora, o n\u00famero de focos de queimada detectados em 2010 foi bem maior do que nos anos anteriores. Segundo os c\u00e1lculos do grupo, a queima de biomassa lan\u00e7ou na atmosfera naquele ano cerca de 510 bilh\u00f5es de quilos de carbono.<\/p>\n<p>A floresta praticamente s\u00f3 absorveu a quantidade de carbono equivalente ao que naturalmente foi emitido (al\u00e9m de outros processos, desconsiderando a queima de biomassa) \u2013 algo em torno de 30 bilh\u00f5es de quilos de carbono \u2013, sendo que o balan\u00e7o final foi de 480 bilh\u00f5es de quilos de carbono emitidos para a atmosfera no ano de 2010.<\/p>\n<p>Em 2011, por outro lado, as queimadas lan\u00e7aram na atmosfera cerca de 300 bilh\u00f5es de quilos de carbono e o balan\u00e7o final da bacia (o que restou na atmosfera das emiss\u00f5es) foi pr\u00f3ximo de 60 bilh\u00f5es de quilos de carbono.<\/p>\n<p>\u201cFoi um ano em que a floresta compensou praticamente tudo que o fogo emitiu. A maioria dos modelos de previs\u00e3o clim\u00e1tica est\u00e1 baseada na temperatura. E vimos que tanto 2010 como 2011 foram anos com temperatura acima da m\u00e9dia. A diferen\u00e7a principal foi a chuva\u201d, ressaltou Gatti.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, os resultados alertam para os poss\u00edveis impactos nefastos que as altera\u00e7\u00f5es no ciclo de chuva causadas pelas queimadas, pelo desmatamento e pela constru\u00e7\u00e3o de represas poder\u00e3o causar no ambiente.<\/p>\n<p>Inc\u00f3gnita amaz\u00f4nica<\/p>\n<p>H\u00e1 pelo menos duas d\u00e9cadas, cientistas de todo o mundo t\u00eam se esfor\u00e7ado para entender o balan\u00e7o de carbono da Bacia Amaz\u00f4nica e descobrir se a floresta \u00e9, de fato, o sumidouro de carbono que se imagina. \u201cA Amaz\u00f4nia concentra 50% da floresta tropical do planeta e isso faz muita diferen\u00e7a no balan\u00e7o global de carbono. \u00c9 uma inc\u00f3gnita importante nos modelos clim\u00e1ticos\u201d, contou Gatti.<\/p>\n<p>Embora medi\u00e7\u00f5es a\u00e9reas ofere\u00e7am dados com maior representatividade regional, avaliou a pesquisadora, \u00e9 preciso tamb\u00e9m que o estudo tenha representatividade temporal, ou seja, tenha longa dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma variabilidade muito grande de ano para ano. Se nos base\u00e1ssemos apenas nas medi\u00e7\u00f5es feitas em 2010, que foi um ano completamente an\u00f4malo, n\u00e3o ter\u00edamos uma ideia precisa do balan\u00e7o de carbono da Amaz\u00f4nia. Por isso o projeto continua e nossa meta \u00e9 completar dez anos de medi\u00e7\u00f5es para ter um dado que realmente represente o balan\u00e7o de carbono da Bacia Amaz\u00f4nica\u201d, afirmou Gatti.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Atmospheric science: Drought and fire change sink to source\u00a0(doi:10.1038\/nature12957), de Gatti L.V., M. Gloor, J. B. Miller, C. E. Doughty, Y. Malhi, L. G. Domingues, \u00a0L. S. Basso, \u00a0A. Martinewski, C. S. C. Correia, V. F. Borges, S. Freitas, R. Braz, L. O. Anderson, H. Rocha, J. Grace, O. L. Phillips e J. Lloyd, pode ser lido por assinantes da Nature em\u00a0<span style=\"color: #0000ee;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><\/span><\/span>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A seca que atingiu a Bacia Amaz\u00f4nica em 2010 foi t\u00e3o severa que comprometeu at\u00e9 mesmo a capacidade da floresta de absorver o excesso de di\u00f3xido de carbono (CO2), considerado o principal g\u00e1s de efeito estufa. 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