{"id":52154,"date":"2014-02-13T15:05:08","date_gmt":"2014-02-13T17:05:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=52154"},"modified":"2014-02-13T15:05:08","modified_gmt":"2014-02-13T17:05:08","slug":"pesquisadores-patenteiam-composto-contra-bacteria-da-febre-reumatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/pesquisadores-patenteiam-composto-contra-bacteria-da-febre-reumatica\/52154","title":{"rendered":"Pesquisadores patenteiam composto contra bact\u00e9ria da febre reum\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p>Por Thereza Venturoli Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Depois de cerca de 20 anos estudando a Streptococcus pyogenes, capaz de provocar condi\u00e7\u00f5es como <em><strong>febre reum\u00e1tica<\/strong><\/em> e doen\u00e7a reum\u00e1tica card\u00edaca, pesquisadores brasileiros obtiveram o deferimento da patente nos Estados Unidos de um composto eficaz contra a bact\u00e9ria, que poder\u00e1 se transformar em vacina.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora Luiza Guilherme, respons\u00e1vel pela pesquisa \u201cVacina contra oStreptococcus pyogenes: avalia\u00e7\u00e3o da modula\u00e7\u00e3o da resposta imune em amostras de sangue perif\u00e9rico de indiv\u00edduos saud\u00e1veis e em pacientes portadores de febre reum\u00e1tica\u201d, que contou com\u00a0, o documento oficial da patente norte-americana se encontra em fase final de elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 temos patentes concedidas e emitidas na Rep\u00fablica Popular da China, na Coreia do Sul e no Jap\u00e3o\u201d, disse Luiza Guilherme, do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (InCor) do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo. De acordo com ela, h\u00e1 um processo em andamento tamb\u00e9m na \u00cdndia para a obten\u00e7\u00e3o da patente do composto. O pedido foi depositado no Sistema Internacional de Patentes (PCT) no Brasil em 2007.<\/p>\n<p>O interesse em uma vacina contra a\u00a0S. pyogenes\u00a0\u00e9 grande, uma vez que se trata de um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica. A bact\u00e9ria \u00e9 respons\u00e1vel pelo surgimento de infec\u00e7\u00f5es comuns em crian\u00e7as e jovens, como faringite e escarlatina. Em indiv\u00edduos com predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, no entanto, essas infec\u00e7\u00f5es podem levar \u00e0 febre reum\u00e1tica e \u00e0 doen\u00e7a reum\u00e1tica card\u00edaca \u2013 doen\u00e7as autoimunes que provocam les\u00f5es permanentes e progressivas nas v\u00e1lvulas card\u00edacas.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a cada ano s\u00e3o registrados no mundo 600 milh\u00f5es de casos de infec\u00e7\u00e3o por\u00a0S. pyogenes\u00a0e 15,6 milh\u00f5es de casos de doen\u00e7a reum\u00e1tica card\u00edaca, com 233 mil mortes.<\/p>\n<p>O desenvolvimento da vacina tamb\u00e9m integra uma linha de pesquisa do Instituto de Investiga\u00e7\u00e3o em Imunologia \u2013 Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (), que tem apoio da FAPESP e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq).<\/p>\n<p>Denominado StreptInCor, o composto desenvolvido no Laborat\u00f3rio de Imunologia do InCor se mostrou eficaz na indu\u00e7\u00e3o de resposta imune e seguro quando ministrado em animais sadios. Isso significa que a subst\u00e2ncia desencadeou anticorpos capazes de combater a infec\u00e7\u00e3o, sem causar rea\u00e7\u00f5es autoimunes. Os testes de laborat\u00f3rio para o desenvolvimento de uma vacina j\u00e1 foram conclu\u00eddos e o grupo do InCor se prepara para iniciar ensaios em humanos.<\/p>\n<p>A formula\u00e7\u00e3o final do StreptInCor \u2013 a combina\u00e7\u00e3o do agente vacinal com hidr\u00f3xido de alum\u00ednio, o composto adjuvante que potencializa a vacina \u2013 ser\u00e1 realizada em parceria com o Instituto Butantan, dirigido por Jorge Kalil, que tamb\u00e9m \u00e9 diretor do Laborat\u00f3rio de Imunologia do InCor e coordenador do iii-INCT.<\/p>\n<p>Potencial terap\u00eautico<\/p>\n<p>Recentemente, as pesquisas indicaram que o composto tamb\u00e9m tem potencial para uso terap\u00eautico e poder\u00e1 ser usado no tratamento de indiv\u00edduos que desenvolvam doen\u00e7as s\u00e9rias como consequ\u00eancia da infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estudos\u00a0in vitro\u00a0com leuc\u00f3citos de pessoas que manifestaram a doen\u00e7a reum\u00e1tica card\u00edaca mostraram que o mesmo composto, em dosagem diferente, ativa as c\u00e9lulas T reguladoras (que controlam a resposta imune, ou seja, a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos e de c\u00e9lulas T).<\/p>\n<p>\u201cO efeito terap\u00eautico foi avaliado em c\u00e9lulas de sangue perif\u00e9rico de pacientes com doen\u00e7a reum\u00e1tica card\u00edaca, e n\u00e3o em modelo animal, por causa da dificuldade de reproduzir a doen\u00e7a em camundongos ou ratos Lewis\u201d, disse Luiza Guilherme.<\/p>\n<p>\u201cUma vez confirmados esses resultados, poderemos ter um novo tratamento para quem sofre da doen\u00e7a reum\u00e1tica card\u00edaca\u201d, explicou. A pesquisadora apresentar\u00e1 os resultados dessa etapa da investiga\u00e7\u00e3o em maio no Congresso da Federa\u00e7\u00e3o Mundial de Cardiologia, em Melbourne, Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m pretendem estender os estudos em amostras de sangue perif\u00e9rico de pacientes portadores de outras doen\u00e7as autoimunes, como por exemplo artrite reumatoide.<\/p>\n<p>Caminhos da pesquisa<\/p>\n<p>Os estudos no InCor com a bact\u00e9ria come\u00e7aram com a an\u00e1lise dos mecanismos de desenvolvimento dessas doen\u00e7as e se concentraram na busca de epitopos \u2013 fragmentos m\u00ednimos da bact\u00e9ria capazes de induzir uma resposta imunol\u00f3gica ao se ligar aos receptores de uma c\u00e9lula.<\/p>\n<p>A equipe identificou um epitopo com elevado potencial de prote\u00e7\u00e3o na prote\u00edna M, o principal ant\u00edgeno daS. pyogenes, localizada na parede externa da bact\u00e9ria. Parte dos cerca de 450 amino\u00e1cidos que constituem essa prote\u00edna se organiza de maneira distinta, definindo 250 cepas da bact\u00e9ria.<\/p>\n<p>Outra parte dos amino\u00e1cidos, nos trechos conservados em todas as cepas, permitiu que os pesquisadores encontrassem o epitopo na regi\u00e3o chamada C terminal e sintetizassem a sequ\u00eancia de amino\u00e1cidos selecionada.<\/p>\n<p>Injetado em diversos animais \u2013 entre eles, camundongos transg\u00eanicos, que expressam mol\u00e9culas do sistema leucocit\u00e1rio humano (HLA) de defesa \u2013, o StreptInCor induziu a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos e levou a cria\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria imunol\u00f3gica contra qualquer cepa da bact\u00e9ria. Depois de um ano de acompanhamento, os animais n\u00e3o apresentaram nenhum efeito delet\u00e9rio no cora\u00e7\u00e3o nem em qualquer outro \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Seguindo as exig\u00eancias da legisla\u00e7\u00e3o brasileira, a vacina ter\u00e1 sua seguran\u00e7a certificada por uma empresa especializada antes do in\u00edcio do teste com humanos. E a equipe dever\u00e1 ter autoriza\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de \u00c9tica em Pesquisa (Conep), do Conselho Nacional de Sa\u00fade (CNS) e da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) para realizar os ensaios. \u201cConclu\u00edda essa etapa, testaremos o StreptInCor em volunt\u00e1rios sadios, que ser\u00e3o acompanhados por equipes m\u00e9dica e laboratorial\u201d, disse Luiza Guilherme.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, a busca por uma vacina contra a infec\u00e7\u00e3o pela\u00a0S. pyogenes\u00a0\u00e9 feita em apenas dois outros pa\u00edses: Estados Unidos e Austr\u00e1lia. Mas a abordagem da pesquisa brasileira \u00e9 \u00fanica.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, o modelo de vacina cobre cerca de 30 cepas da bact\u00e9ria. Os australianos tamb\u00e9m trabalham com uma sequ\u00eancia similar da bact\u00e9ria, por\u00e9m menor.<\/p>\n<p>\u201cQuando trabalhamos com uma regi\u00e3o maior, desenvolvemos um composto com potencial mais amplo, o que nos leva a grande possibilidade de desenvolver uma vacina universal, efetiva para qualquer cepa e que proteja indiv\u00edduos com quaisquer caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas\u201d, disse Luiza Guilherme.<\/p>\n<p>A pesquisa rendeu publica\u00e7\u00f5es em diversos peri\u00f3dicos cient\u00edficos. O artigo\u00a0Analysis of the coverage capacity of the StreptInCor candidate vaccine against Streptococcus pyogenes\u00a0(doi: 10.1016\/j.vaccine.2013.08.043), publicado em 2013 na\u00a0Vaccine, pode ser lido em.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0StreptInCor: A candidate vaccine epitope against S. pyogenes infections induces protection in outbred mice\u00a0(doi 10.1371\/journal.pone.0060969v), publicado em 2013 na\u00a0PLoS One, pode ser lido em.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Anti-group A streptococcal vaccine epitope\u00a0(doi: 10.1074\/jbc.M110.132118), publicado em 2011 no\u00a0Journal of Biological Chemistry, pode ser lido em\u00a0.<\/p>\n<p>Leia mais sobre a pesquisa em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Thereza Venturoli Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Depois de cerca de 20 anos estudando a Streptococcus pyogenes, capaz de provocar condi\u00e7\u00f5es como febre reum\u00e1tica e doen\u00e7a reum\u00e1tica card\u00edaca, pesquisadores brasileiros obtiveram o deferimento da patente nos Estados Unidos de um composto eficaz contra a bact\u00e9ria, que poder\u00e1 se transformar em vacina. 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