{"id":52201,"date":"2014-02-14T14:44:27","date_gmt":"2014-02-14T16:44:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=52201"},"modified":"2014-02-14T14:44:27","modified_gmt":"2014-02-14T16:44:27","slug":"energia-para-os-neuronios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/energia-para-os-neuronios\/52201","title":{"rendered":"Energia para os neur\u00f4nios"},"content":{"rendered":"<p>Por Carlos Fioravanti \u00a0\u2013 Em um final de tarde de janeiro, o psiquiatra Leandro Valiengo abriu um dos arm\u00e1rios do j\u00e1 quase deserto quarto andar do Hospital Universit\u00e1rio (HU) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), retirou uma mala preta, colocou-a sobre o colchonete azul de uma maca e apresentou o equipamento que est\u00e1 sendo visto como uma nova forma de<em><strong> tratamento contra depress\u00e3o<\/strong><\/em> e outros dist\u00farbios neuropsiqui\u00e1tricos: \u00e9 um aparelho de estimula\u00e7\u00e3o transcraniana de corrente cont\u00ednua (ETCC). \u201c\u00c9 muito simples\u201d, ele diz.<\/p>\n<p>O aparelho \u00e9 uma caixa de tamanho aproximado ao de um\u00a0laptop, com um teclado para se registrar o c\u00f3digo de cada paciente em tratamento e alguns bot\u00f5es para regular o fornecimento de energia. De uma das laterais saem dois fios em cujas pontas h\u00e1 dois eletrodos \u2013 um positivo e um negativo \u2013 que s\u00e3o fixados nas t\u00eamporas por meio de uma bandana. Os eletrodos geram uma corrente el\u00e9trica de baixa intensidade que atravessa o c\u00f3rtex, a regi\u00e3o mais superficial do c\u00e9rebro, durante 20 a 30 minutos seguidos, e desse modo ajuda a restabelecer o funcionamento normal dos neur\u00f4nios.<\/p>\n<p>Por meio de estudos realizados em v\u00e1rios pa\u00edses, milhares de pessoas \u2013 cerca de 250 delas no Brasil \u2013 j\u00e1 foram tratadas por meio da ETCC, uma t\u00e9cnica experimental que amadurece a passos firmes, aparentemente com efeitos colaterais m\u00ednimos, e ganha consist\u00eancia como alternativa ou complementa\u00e7\u00e3o ao uso de medicamentos, principalmente contra depress\u00e3o, o mais disseminado dos dist\u00farbios ps\u00edquicos.<\/p>\n<p>Um levantamento coordenado por pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) detectou os sintomas da depress\u00e3o em quase um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Novas t\u00e9cnicas de tratamento s\u00e3o a princ\u00edpio bem-vindas porque 30% das pessoas com depress\u00e3o n\u00e3o respondem aos medicamentos atuais, que, quando aceitos, podem causar efeitos colaterais indesejados, como ganho de peso, perda de libido ou ins\u00f4nia, que limitam a ades\u00e3o ao tratamento.<\/p>\n<p>Em outubro de 2013, o psiquiatra\u00a0\u00a0e sua equipe do Hospital Universit\u00e1rio da USP iniciaram um teste amplo em que 240 participantes com depress\u00e3o grave, divididos em tr\u00eas grupos, deviam receber diariamente, durante 10 semanas, estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica real ou simulada, um antidepressivo conhecido como escitalopram (Lexapro) ou placebo.<\/p>\n<p>Realizado no Centro de Pesquisas Cl\u00ednicas e Epidemiol\u00f3gicas do HU-USP em colabora\u00e7\u00e3o com o Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, esse estudo \u00e9 chamado de duplo-cego porque os participantes e os pesquisadores s\u00f3 sabem no final se o que foi aplicado era um tratamento efetivo ou simulado (a enfermeira coloca os eletrodos na t\u00eampora dos participantes, mas n\u00e3o sabe se de fato se formou uma corrente el\u00e9trica entre os eletrodos).<\/p>\n<p>Se tudo correr bem, esse teste deve indicar se o efeito da estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica poderia ser equivalente ou superior ao do medicamento e, al\u00e9m disso, qual o perfil das pessoas com depress\u00e3o que poderiam responder melhor a um tipo ou outro de tratamento, de acordo com seu perfil gen\u00e9tico e comportamental, que ser\u00e3o avaliados por meio de exames de sangue, tomografias e entrevistas ao longo de quatro anos.<\/p>\n<p>Em um estudo anterior, com 103 participantes com depress\u00e3o grave acompanhados durante seis semanas, Brunoni e sua equipe verificaram que a estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica poderia ampliar o efeito de um antidepressivo de uso amplo, a sertralina), que, assim como o escitalopram, apresenta o mesmo mecanismo de a\u00e7\u00e3o da fluoxetina \u2013 todos prolongam a a\u00e7\u00e3o de neurotransmissores como a serotonina, essenciais para o funcionamento dos neur\u00f4nios.<\/p>\n<p>De acordo com o artigo que detalha os resultados, publicado em 2013 no\u00a0JAMA\u00a0Psyquiatry, o efeito do tratamento combinado \u2013 estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica e sertralina \u2013 foi n\u00e3o s\u00f3 mais intenso, mas tamb\u00e9m mais r\u00e1pido, j\u00e1 que os participantes desse grupo relataram remiss\u00e3o dos sintomas a partir da segunda semana de tratamento, enquanto os de outros grupos, que haviam tomado apenas medica\u00e7\u00e3o, estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica ou placebo, relataram melhoras no bem-estar seis semanas ap\u00f3s o in\u00edcio da terapia.<\/p>\n<p>Leia a reportagem completa em:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Fioravanti \u00a0\u2013 Em um final de tarde de janeiro, o psiquiatra Leandro Valiengo abriu um dos arm\u00e1rios do j\u00e1 quase deserto quarto andar do Hospital Universit\u00e1rio (HU) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), retirou uma mala preta, colocou-a sobre o colchonete azul de uma maca e apresentou o equipamento que est\u00e1 sendo visto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37376,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-52201","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52201","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52201"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52201\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}