{"id":53070,"date":"2014-03-17T18:35:59","date_gmt":"2014-03-17T21:35:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=53070"},"modified":"2014-03-17T18:35:59","modified_gmt":"2014-03-17T21:35:59","slug":"estudo-avalia-uso-da-tomografia-na-deteccao-de-doenca-coronariana-em-diabeticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/estudo-avalia-uso-da-tomografia-na-deteccao-de-doenca-coronariana-em-diabeticos\/53070","title":{"rendered":"Estudo avalia uso da tomografia na detec\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a coronariana em diab\u00e9ticos"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Ao avaliar por meio do exame de tomografia computadorizada um grupo de 90 diab\u00e9ticos sem hist\u00f3rico e sem sintoma de doen\u00e7a cardiovascular, pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) verificaram que 42,2% (38) dos pacientes apresentavam algum n\u00edvel de obstru\u00e7\u00e3o nas art\u00e9rias coronarianas. Em 15,5% (14) dos casos, a <em><strong>doen\u00e7a arterial coronariana<\/strong><\/em> foi considerada significativa, ou seja, j\u00e1 havia vasos com mais de 50% de obstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Comparando os exames de diab\u00e9ticos com a glicemia sob controle com os de pacientes com diabetes descompensada, os cientistas observaram que neste segundo grupo foi mais frequente a presen\u00e7a de placas ateromatosas consideradas \u201cvulner\u00e1veis\u201d (n\u00e3o calcificadas e que causam remodelamento local no vaso), cuja ruptura seria respons\u00e1vel por cerca de dois ter\u00e7os dos infartos.<\/p>\n<p>O projeto \u201c\u201d\u00a0foi coordenado pelo m\u00e9dico Antonio Carlos Lerario, do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP, e contou com apoio da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo era avaliar se esse m\u00e9todo de diagn\u00f3stico por imagem n\u00e3o invasivo seria t\u00e3o eficaz quanto o m\u00e9todo padr\u00e3o para detectar precocemente a doen\u00e7a arterial coronariana em pacientes diab\u00e9ticos. Nesse grupo, o infarto agudo do mioc\u00e1rdio e o acidente vascular cerebral s\u00e3o a principal causa de morte. Al\u00e9m disso, a incid\u00eancia desses problemas \u00e9 maior que na popula\u00e7\u00e3o em geral\u201d, afirmou Lerario.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, estudos anteriores j\u00e1 haviam mostrado que a diabetes favorece o surgimento de fatores de risco cardiovascular, como dislipidemia e hipertens\u00e3o. Al\u00e9m disso, a doen\u00e7a est\u00e1 relacionada a maior inflama\u00e7\u00e3o e maior estresse oxidativo nas c\u00e9lulas do endot\u00e9lio, o que causa uma esp\u00e9cie de envelhecimento precoce dos vasos sangu\u00edneos.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, atualmente a t\u00e9cnica mais comum para avalia\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a coronariana \u00e9 o cateterismo, que consiste em inserir um tubo longo, fino e flex\u00edvel por um vaso do bra\u00e7o, da coxa ou do pesco\u00e7o, at\u00e9 o cora\u00e7\u00e3o. O exame \u00e9 invasivo, requer anestesia e aplica\u00e7\u00e3o de contraste para que as placas ateromatosas sejam visualizadas.<\/p>\n<p>J\u00e1 a angiografia por tomografia computadorizada permite obter de forma n\u00e3o invasiva imagens tridimensionais detalhadas do cora\u00e7\u00e3o e dos vasos sangu\u00edneos por meio de raios X e uma aparelhagem complexa acionada por computadores de alta tecnologia. Entre as desvantagens est\u00e3o o alto custo e a demora do procedimento.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos m\u00e9todos de diagn\u00f3stico para doen\u00e7a arterial coronariana n\u00e3o consegue avaliar a presen\u00e7a de placas vulner\u00e1veis. Com a tomografia seria poss\u00edvel detectar os processos ateroscler\u00f3ticos, mensurar o grau de estenose (estreitamento do vaso) e estimar a quantidade de c\u00e1lcio nas placas\u201d, explicou Lerario.<\/p>\n<p>Outra possibilidade seria realizar um ultrassom intravascular \u2013 um tipo de cateterismo em que se coloca um equipamento ultrassom na ponta do cateter. Mas, segundo Lerario, esse m\u00e9todo \u00e9 ainda mais caro que a tomografia e exige muita habilidade do examinador.<\/p>\n<p>Avalia\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O estudo foi feito com diab\u00e9ticos de ambos os sexos que j\u00e1 faziam acompanhamento ambulatorial do HC-USP \u2013 sendo que apenas metade estava com a glicemia sob controle. A idade variou entre 40 e 65 anos, mas todos haviam sido diagnosticados diab\u00e9ticos h\u00e1 menos de dez anos.<\/p>\n<p>Todos passaram por um exame cl\u00ednico e por um teste de esfor\u00e7o com eletrocardiograma que n\u00e3o revelaram problemas cardiovasculares. J\u00e1 a angiografia por tomografia computadorizada mostrou que 42,2% dos 90 pacientes tinham algum grau de obstru\u00e7\u00e3o. Quando se considerou apenas o grupo com a glicemia descompensada, o \u00edndice subiu para 60%.<\/p>\n<p>J\u00e1 o \u00edndice de pacientes com obstru\u00e7\u00e3o significativa foi de 15,5% quando considerado todo o conjunto de diab\u00e9ticos e saltou para 24,4% quando considerados apenas aqueles com a glicemia descompensada. Tamb\u00e9m nesse grupo foi maior o n\u00famero de segmentos coronarianos afetados e de placas n\u00e3o calcificadas consideradas de maior risco.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Lerario, a pesquisa n\u00e3o apresenta evid\u00eancias robustas o suficiente para indicar a tomografia computadorizada como exame diagn\u00f3stico de rotina nesses casos \u2013 para isso seriam necess\u00e1rios novos estudos com casu\u00edstica maior.<\/p>\n<p>No entanto, afirmou o pesquisador, os resultados comprovam que a tomografia consegue, de fato, diagnosticar a doen\u00e7a arterial coronariana de forma t\u00e3o sens\u00edvel quanto o cateterismo, por\u00e9m menos invasiva. \u201cAl\u00e9m disso, os resultados mostram que uma placa pequena pode, \u00e0s vezes, ser mais perigosa do que uma grande. Creio que a principal mensagem \u00e9 que n\u00e3o apenas o n\u00edvel de obstru\u00e7\u00e3o deve ser levado em conta na avalia\u00e7\u00e3o do risco, mas tamb\u00e9m o tipo de placa\u201d, afirmou Lerario.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Ao avaliar por meio do exame de tomografia computadorizada um grupo de 90 diab\u00e9ticos sem hist\u00f3rico e sem sintoma de doen\u00e7a cardiovascular, pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) verificaram que 42,2% (38) dos pacientes apresentavam algum n\u00edvel de obstru\u00e7\u00e3o nas art\u00e9rias coronarianas. 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