{"id":53101,"date":"2014-03-18T14:54:18","date_gmt":"2014-03-18T17:54:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=53101"},"modified":"2014-03-18T15:23:48","modified_gmt":"2014-03-18T18:23:48","slug":"treino-de-curta-duracao-melhora-destreza-manual-de-bebes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/treino-de-curta-duracao-melhora-destreza-manual-de-bebes\/53101","title":{"rendered":"Treino de curta dura\u00e7\u00e3o melhora destreza manual de beb\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo* Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Um protocolo de treino simples e de curta dura\u00e7\u00e3o criado na Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) pode ajudar a desenvolver em beb\u00eas t\u00edpicos e at\u00edpicos, de 3 a 5 meses de idade, a habilidade de alcan\u00e7ar (estender o bra\u00e7o at\u00e9 a m\u00e3o tocar um objeto), podendo ou n\u00e3o apreend\u00ea-lo. De acordo com as pesquisadoras, esse tipo de interven\u00e7\u00e3o pode prevenir problemas no <em><strong>desenvolvimento motor e cognitivo de crian\u00e7as<\/strong><\/em> prematuras, com s\u00edndrome de Down, paralisia cerebral e mielomeningocele (espinha b\u00edfida).<\/p>\n<p>\u201cO alcance manual \u00e9 fundamental para que o beb\u00ea adquira habilidades manipulativas, como pegar e explorar um brinquedo ou um alimento, e para se apoiar nos m\u00f3veis e ficar em p\u00e9. \u00c9 por meio da explora\u00e7\u00e3o dos objetos e do espa\u00e7o, da percep\u00e7\u00e3o da textura, do peso e da maleabilidade ou rigidez do objeto que o beb\u00ea vai formando conceitos. O atraso no desenvolvimento da destreza manual pode resultar em problemas na idade pr\u00e9-escolar, como dificuldades para segurar o l\u00e1pis, compreender ou desenhar formas, calcular a for\u00e7a para manusear um objeto\u201d, explicou Eloisa Tudella, pesquisadora do Centro de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e da Sa\u00fade (CCBS) da UFSCar.<\/p>\n<p>Tudella coordena o projeto \u201c\u201d, apoiado pela FAPESP e pela Funda\u00e7\u00e3o Maria Cec\u00edlia Souto Vidigal (FMCSV) no \u00e2mbito de um\u00a0\u00a0de coopera\u00e7\u00e3o entre as duas institui\u00e7\u00f5es. Resultados parciais foram apresentados no dia 13 de mar\u00e7o, no 1\u00ba Semin\u00e1rio de Pesquisas sobre Desenvolvimento Infantil, na FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cA t\u00e9cnica usada no estudo foi desenvolvida na pr\u00e1tica, durante os atendimentos que realizamos no programa de interven\u00e7\u00e3o precoce oferecido pelo N\u00facleo de Estudos em Neuropediatria e Motricidade (Nenem), da UFSCar. Decidimos levar essa metodologia ao laborat\u00f3rio, para constatar a efetividade daquilo que era observado clinicamente\u201d, contou Tudella.<\/p>\n<p>O trabalho de investiga\u00e7\u00e3o foi, at\u00e9 o momento, realizado por tr\u00eas estudantes de doutorado. Andr\u00e9a Baraldi Cunha avaliou, com apoio\u00a0de\u00a0, o efeito do treino em condi\u00e7\u00e3o de pr\u00e1tica variada seriada em 30 beb\u00eas nascidos a termo, ou seja, entre 37 e 41 semanas e 6 dias.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m com\u00a0\u00a0da FAPESP, Daniele de Almeida Soares avaliou o efeito do treino em condi\u00e7\u00e3o de pr\u00e1tica variada seriada em bloco em 36 prematuros tardios, nascidos entre 34 e 36 semanas e 6 dias.<\/p>\n<p>Os efeitos do treino tamb\u00e9m foram verificados em 18 prematuros extremos, com 33 semanas de vida ou menos, durante o doutorado de Elaine Leonezi Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>As pesquisadoras explicaram para as m\u00e3es o que era o alcance manual e pediram para ficarem atentas e avisarem quando os beb\u00eas come\u00e7assem a manifestar esse tipo de movimento. \u201cEntr\u00e1vamos em contato via telefone com os pais dos beb\u00eas quando eles estavam com cerca de 2 meses. Al\u00e9m do contato telef\u00f4nico com os pais, faz\u00edamos visitas semanais, de uma a duas vezes por semana, para checar o in\u00edcio do alcance. Quando confirmado que o beb\u00ea iniciava o alcance manual, ele era trazido ao laborat\u00f3rio\u201d, contou Tudella.<\/p>\n<p>Os beb\u00eas nascidos a termo manifestaram os primeiros movimentos com, em m\u00e9dia, 14 semanas de vida. A m\u00e9dia dos prematuros foi de 16 semanas. \u201cEmbora os prematuros n\u00e3o demonstrassem atraso nas habilidades motoras grossas, como controlar a cabe\u00e7a e o tronco, percebia-se um atraso nas habilidades motoras finas. Pode acontecer de esse beb\u00ea tentar pegar um objeto, n\u00e3o conseguir, se frustrar e desistir. Com o tempo, esse d\u00e9ficit no desenvolvimento vai se acumulando e, com mais idade, pode apresentar uma dificuldade maior que a observada aos 4 meses. Queremos prevenir que isso ocorra\u201d, disse Tudella.<\/p>\n<p>De acordo com Guimar\u00e3es, quando se calcula a idade dos prematuros de acordo com a data prevista de nascimento, observa-se que esses beb\u00eas iniciam o alcance no per\u00edodo adequado, mas a qualidade do movimento \u00e9 inferior. \u201cOs movimentos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o fluentes, a posi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os n\u00e3o \u00e9 a mais adequada. N\u00e3o sabemos se eles v\u00e3o se recuperar sozinhos pelo est\u00edmulo ambiental, mas por que esperar para ver o que acontece, se podemos prevenir e estimular um alcance mais habilidoso?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>O treinamento<\/p>\n<p>Nos estudos, os beb\u00eas eram divididos em dois ou tr\u00eas grupos. Um ou dois grupos eram submetidos \u00e0 interven\u00e7\u00e3o e outro grupo recebia apenas um \u201ctreino social\u201d, ou seja, interagiam com as pesquisadoras sem estimula\u00e7\u00e3o dos membros superiores.<\/p>\n<p>O treino pode ser realizado por um terapeuta ou pela m\u00e3e. O beb\u00ea dever\u00e1 estar posicionado reclinado a 45\u00b0, em um beb\u00ea conforto ou no colo, para favorecer o alcance manual e a visualiza\u00e7\u00e3o dos objetos. \u00c9 importante que o objeto seja leve e male\u00e1vel para facilitar a apreens\u00e3o. Ele deve ser colocado no campo visual do beb\u00ea. Deve-se ent\u00e3o esperar que o beb\u00ea tenha percep\u00e7\u00e3o do objeto e tente praticar a a\u00e7\u00e3o de alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p>O protocolo de treino apresentado pelas pesquisadoras inclui tr\u00eas atividades. A primeira consiste em levar o objeto no campo visual e conduzir a m\u00e3o dele at\u00e9 o objeto.<\/p>\n<p>A segunda atividade consiste em posicionar a m\u00e3o do beb\u00ea no campo visual, a fim de que ele toque o objeto. Caso o beb\u00ea n\u00e3o o toque, devem ser realizados est\u00edmulos t\u00e1teis com o pr\u00f3prio objeto na m\u00e3o do beb\u00ea a fim de estimular a a\u00e7\u00e3o de tocar e apreender o objeto.<\/p>\n<p>Na terceira atividade, os membros superiores do beb\u00ea devem ser posicionados ao longo do corpo. A seguir, s\u00e3o realizados est\u00edmulos t\u00e1teis com o brinquedo no bra\u00e7o, no antebra\u00e7o e na m\u00e3o do beb\u00ea. Deve-se apresentar o brinquedo em sua linha m\u00e9dia para que a crian\u00e7a possa alcan\u00e7\u00e1-lo. Espera-se que o beb\u00ea estenda o bra\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o ao objeto e o toque.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso colocar o objeto a uma dist\u00e2ncia que o beb\u00ea possa alcan\u00e7ar e na linha m\u00e9dia de seu corpo. O treino deve ser curto, pois crian\u00e7as nessa faixa et\u00e1ria se cansam facilmente das atividades. Dessa forma, pode ser repetido v\u00e1rias vezes ao dia. O tempo de treino em nossos estudos foi de quatro e de cinco minutos de dura\u00e7\u00e3o e com diferentes n\u00fameros de repeti\u00e7\u00f5es. Ainda estamos estudando qual \u00e9 a intensidade ideal para obter o melhor resultado, mas parece que o treino com maior n\u00famero de repeti\u00e7\u00f5es apresentou o maior efeito\u201d, contou Tudella.<\/p>\n<p>Os beb\u00eas eram avaliados antes e depois do treino. No grupo nascido a termo foram feitas, em dois dias, tr\u00eas sess\u00f5es de treinamento de quatro minutos cada. Os prematuros tardios passaram por uma sess\u00e3o de quatro minutos e os prematuros extremos, por uma sess\u00e3o de cinco minutos.<\/p>\n<p>As sess\u00f5es de treino eram gravadas e, posteriormente, as pesquisadoras avaliavam vari\u00e1veis qualitativas (alcance com uma ou com as duas m\u00e3os e se a m\u00e3o estava na posi\u00e7\u00e3o horizontal, obl\u00edqua ou vertical, se estava aberta ou fechada e se o toque do objeto era feito com o dorso ou a palma da m\u00e3o).<\/p>\n<p>Avaliavam-se tamb\u00e9m as vari\u00e1veis cinem\u00e1ticas (dura\u00e7\u00e3o do movimento, velocidade de movimento, \u00edndice de retid\u00e3o, \u00edndice de desacelera\u00e7\u00e3o e n\u00famero de corre\u00e7\u00f5es no movimento feitas pelo beb\u00ea).<\/p>\n<p>\u201cA posi\u00e7\u00e3o da m\u00e3o deve variar de acordo com o objeto e a forma como este \u00e9 apresentado. O beb\u00ea tem de aprender a moldar sobre o objeto de forma funcional. O beb\u00ea tamb\u00e9m precisa desacelerar o movimento quando a m\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3xima ao objeto para n\u00e3o derrub\u00e1-lo. Essas vari\u00e1veis n\u00f3s comparamos antes e ap\u00f3s o treinamento\u201d, explicou Tudella.<\/p>\n<p>De maneira geral, contou a pesquisadora, o treino aumentou a frequ\u00eancia do alcance manual e o n\u00famero de alcances bimanuais. Tamb\u00e9m aumentou o n\u00famero de vezes que o beb\u00ea levava a m\u00e3o ao objeto na posi\u00e7\u00e3o vertical, considerada uma forma mais madura e efetiva de alcance por facilitar a apreens\u00e3o do objeto. \u201cAl\u00e9m disso, os beb\u00eas ficaram mais r\u00e1pidos e com movimentos mais direcionados e precisos, com menor necessidade de corre\u00e7\u00f5es\u201d, contou Tudella. Entretanto, estudos futuros devem ser realizados para verificar a reten\u00e7\u00e3o dessa aprendizagem.<\/p>\n<p>Segundo Cunha, um dos objetivos da pesquisa era mostrar que, com apenas uma sess\u00e3o de treino, era poss\u00edvel obter resultados. \u201c\u00c9 um per\u00edodo de grande plasticidade no sistema nervoso central dos beb\u00eas, no qual a aprendizagem ocorre de forma muito r\u00e1pida. \u00c9 um m\u00e9todo simples e que pode ser feito em casa sem gastos\u201d, comentou.<\/p>\n<p>De acordo com Tudella, a ideia \u00e9 alertar e capacitar os profissionais de sa\u00fade e educadores para que eles possam detectar precocemente atrasos do desenvolvimento do alcance manual e, ent\u00e3o, orientar os familiares a fazer o treinamento. \u201cEstamos disseminando esses dados por meio de artigos, congressos, palestras, cursos e cap\u00edtulos de livros\u201d, contou.<\/p>\n<p>Resultados parciais j\u00e1 foram divulgados em tr\u00eas artigos na revista\u00a0Motor Control\u00a0e um na\u00a0Research in Developmental Disabilities. No momento, o grupo investiga o efeito do treino em beb\u00eas abrigados.<\/p>\n<p>\u201cPretendemos ainda realizar novos estudos com beb\u00eas com s\u00edndrome de Down, paralisia cerebral e mielomeningocele\u201d, contou Tudella.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Effect of training at different body positions on proximal and distal reaching adjustments at the onset of goal-directed reaching: a controlled clinical trial\u00a0pode ser lido em.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0The effect of a short bout of practice on reaching behavior in late preterm infants at the onset of reaching: A randomized controlled trial (doi: 10.1016\/j.ridd.2013.09.028)\u00a0pode ser lido em.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Reaching Behavior in Preterm Infants During the First Year of Life: A Systematic Review\u00a0pode ser lido em\u00a0.<\/p>\n<p>* Com Fernando Cunha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo* Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Um protocolo de treino simples e de curta dura\u00e7\u00e3o criado na Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) pode ajudar a desenvolver em beb\u00eas t\u00edpicos e at\u00edpicos, de 3 a 5 meses de idade, a habilidade de alcan\u00e7ar (estender o bra\u00e7o at\u00e9 a m\u00e3o tocar um objeto), podendo ou n\u00e3o apreend\u00ea-lo. 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