{"id":53622,"date":"2014-04-02T17:14:56","date_gmt":"2014-04-02T20:14:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=53622"},"modified":"2014-04-02T17:14:56","modified_gmt":"2014-04-02T20:14:56","slug":"relatorio-ipcc-sobre-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/relatorio-ipcc-sobre-mudancas-climaticas\/53622","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio IPCC sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson, do Rio de Janeiro Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Os efeitos das <em><strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/em> j\u00e1 s\u00e3o percebidos e sentidos em diversos pa\u00edses e regi\u00f5es do mundo, inclusive no Brasil. \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, que os governos comecem a implementar de forma urgente medidas de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o para diminuir a vulnerabilidade de suas popula\u00e7\u00f5es e de setores econ\u00f4micos \u00e0s varia\u00e7\u00f5es do clima.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es s\u00e3o do\u00a0\u00a0(SPM) do\u00a0\u00a0do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC, na sigla em ingl\u00eas), apresentado nesta ter\u00e7a-feira (1\u00ba de abril) na sede da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC), no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O documento, com 44 p\u00e1ginas, \u00e9 um resumo do relat\u00f3rio de cerca de mil p\u00e1ginas sobre impactos, adapta\u00e7\u00e3o e vulnerabilidades clim\u00e1ticas preparado pelo IPCC e apresentado no domingo em Yokohama, no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO SPM foi escrito especialmente para os tomadores de decis\u00e3o dos pa\u00edses\u201d, disse Jos\u00e9 Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um dos 1.719 autores do relat\u00f3rio geral. Marengo \u00e9 o \u00fanico representante brasileiro que redigiu a conclus\u00e3o do sum\u00e1rio para formuladores de pol\u00edticas.<\/p>\n<p>\u201cUma das principais mensagens do documento \u00e9 que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 est\u00e3o acontecendo e afetando as popula\u00e7\u00f5es. N\u00e3o vamos precisar esperar mais 20 ou 30 anos para ver a ocorr\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos, como inunda\u00e7\u00f5es ou secas intensas e ondas de calor, como as que temos observado no Brasil nos \u00faltimos anos\u201d, afirmou Marengo, durante o evento.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, esses fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos vivenciados neste e em outros pa\u00edses t\u00eam ajudado a entender a magnitude das varia\u00e7\u00f5es do clima e estimulado as na\u00e7\u00f5es a adotarem medidas de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil implantou um programa de agricultura de subsist\u00eancia no Nordeste de melhoramento de plantas adaptadas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e tem se dedicado a conservar seus principais ecossistemas, como a Amaz\u00f4nia e a Mata Atl\u00e2ntica, por meio do estabelecimento de corredores biol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>O pa\u00eds, contudo, precisa implementar a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o permanentes, que solucionem, de forma definitiva, problemas relacionados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que afetam a popula\u00e7\u00e3o, segundo Marengo.<\/p>\n<p>\u201cA primeira etapa para a adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzir a vulnerabilidade \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o ao clima no presente e isso est\u00e1 acontecendo no Brasil de forma lenta\u201d, avaliou. \u201cA popula\u00e7\u00e3o no Nordeste \u00e9 afetada frequentemente pela seca, um problema que sempre ocorreu na regi\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Algumas medidas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 seca que t\u00eam sido implementadas no Nordeste s\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o de cisternas para acumular a \u00e1gua de chuvas, exemplificou o pesquisador.<\/p>\n<p>O problema, no entanto, \u00e9 que, quando a seca perdura muito tempo, como tem acontecido na regi\u00e3o nos \u00faltimos anos, n\u00e3o h\u00e1 como acumular \u00e1gua porque quase n\u00e3o h\u00e1 esta\u00e7\u00e3o chuvosa, avaliou.<\/p>\n<p>\u201cA adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas t\u00eam de ser uma medida permanente. N\u00e3o \u00e9 algo que se resolve agora, sobre um determinado problema clim\u00e1tico que afeta uma popula\u00e7\u00e3o, e depois, no pr\u00f3ximo ano, se avalia o que pode ser feito caso o problema volte a surgir\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Diminui\u00e7\u00e3o da pobreza<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores autores do relat\u00f3rio, a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas dos pa\u00edses das Am\u00e9ricas do Sul e Central nos \u00faltimos anos melhorou, em parte em raz\u00e3o de iniciativas implantadas por algumas na\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m por causa da redu\u00e7\u00e3o da pobreza.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas nas Am\u00e9ricas do Sul e Central melhoraram, ainda que em um ritmo lento, desde a publica\u00e7\u00e3o, em 2007, do Quarto Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o (AR4) do IPCC, apontaram os pesquisadores.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda, contudo, um elevado e persistente n\u00edvel de pobreza e de desigualdade socioecon\u00f4mica na maioria dos pa\u00edses das duas regi\u00f5es, que resulta em dificuldades de acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, saneamento e habita\u00e7\u00e3o adequada, especialmente para os grupos mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Esse conjunto de fatores contribui para a baixa capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas dessas popula\u00e7\u00f5es, indica o relat\u00f3rio. \u201cAs mudan\u00e7as clim\u00e1ticas dever\u00e3o afetar, em maior parte, as popula\u00e7\u00f5es mais pobres e situadas nas regi\u00f5es mais tropicais do planeta\u201d, disse Marengo.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio ressalta que as proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas realizadas ap\u00f3s o AR4 preveem aumento de temperatura de 1,7 \u00baC a 6,7 \u00baC na Am\u00e9rica do Sul e entre 1,6 \u00baC a 4 \u00baC na Am\u00e9rica Central em 2100.<\/p>\n<p>J\u00e1 as chuvas devem diminuir em 22% no Nordeste do Brasil e entre 22% a 7% na Am\u00e9rica Central tamb\u00e9m em 2100. Por sua vez, aumentar\u00e3o os per\u00edodos de seca na regi\u00e3o tropical da Am\u00e9rica do Sul e leste dos Andes, e a frequ\u00eancia de dias e noites quentes na maioria das regi\u00f5es da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o relat\u00f3rio, dever\u00e1 aumentar a frequ\u00eancia e a intensidade de eventos clim\u00e1ticos extremos, como secas persistentes, chuvas fortes e inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Alguns poss\u00edveis impactos dessas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas nas duas regi\u00f5es ser\u00e3o a extin\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitats e de esp\u00e9cies significativas, principalmente na regi\u00e3o tropical da Am\u00e9rica Latina; substitui\u00e7\u00e3o de florestas tropicais por savanas e vegeta\u00e7\u00e3o semi\u00e1rida por \u00e1rida; aumento do n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de estresse h\u00eddrico (com falta de \u00e1gua); e aumento de pragas em culturas agr\u00edcolas e de doen\u00e7as, como a dengue e mal\u00e1ria nas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cOs maiores impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na Am\u00e9rica do Sul dever\u00e3o ser na seguran\u00e7a h\u00eddrica e alimentar e na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o\u201d, avaliou Marengo.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as no uso da terra<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores autores do relat\u00f3rio, as mudan\u00e7as no uso da terra nas duas regi\u00f5es \u2013 como o desmatamento e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental \u2013 contribuem significativamente para a piora ambiental e dever\u00e3o agravar os impactos negativos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Apesar das taxas de desmatamento na Amaz\u00f4nia terem diminu\u00eddo substancialmente desde 2004 para uma m\u00e9dia de 4.656 quil\u00f4metros quadrados em 2012, regi\u00f5es como o Cerrado brasileiro ainda apresentam altos \u00edndices de desmatamento, com taxas m\u00e9dias de 14.179 quil\u00f4metros quadrados por ano no per\u00edodo de 2002 a 2008, aponta o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cOs riscos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem aumentar com a eleva\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de g\u00e1s carb\u00f4nico geradas pela queima de combust\u00edvel f\u00f3ssil&#8221;, disse Marengo.<\/p>\n<p>Os altos n\u00edveis de desmatamento e degrada\u00e7\u00e3o do solo observados na maioria dos pa\u00edses da regi\u00e3o s\u00e3o atribu\u00eddos, principalmente, \u00e0 expans\u00e3o da agricultura extensiva e intensiva para atender a crescente demanda mundial por alimentos.<\/p>\n<p>As duas atividades que tradicionalmente dominam a expans\u00e3o agropecu\u00e1ria da Am\u00e9rica do Sul s\u00e3o a soja e a carne, no Brasil, e algumas das \u00e1reas mais afetadas pela expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola no pa\u00eds est\u00e3o nas bordas da Floresta Amaz\u00f4nica, no Brasil, Col\u00f4mbia, Equador, Peru e nos Andes tropicais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante considerar as necessidades pol\u00edticas e legais para manter esse processo de mudan\u00e7a de terra em grande escala sob controle tanto quanto for poss\u00edvel\u201d, destaca o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Foco em adapta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos pesquisadores brasileiros, autores do relat\u00f3rio, uma das mudan\u00e7as sens\u00edveis do Quinto Relat\u00f3rio do IPCC em rela\u00e7\u00e3o ao AR4 \u00e9 o foco em adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para cada proje\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para diversas partes do mundo feita no relat\u00f3rio h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o, destacou Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e um dos autores do cap\u00edtulo 27 do relat\u00f3rio, sobre os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nas Am\u00e9ricas do Sul e Central.<\/p>\n<p>\u201cO relat\u00f3rio deixa muito claro que o problema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 irrevers\u00edvel e, portanto, \u00e9 necess\u00e1rio adotar e implementar medidas adaptativas\u201d, disse Buckeridge, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cA fase de mitiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 diminuindo e a de adaptar est\u00e1 chegando, porque os pa\u00edses n\u00e3o conseguiram fazer mitiga\u00e7\u00e3o dentro do que era necess\u00e1rio para que os impactos diminu\u00edssem\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Buckeridge e Marengo, outros pesquisadores brasileiros que participaram da elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio do IPCC foram Carlos Afonso Nobre, secret\u00e1rio de Pol\u00edticas e Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI); Maria Assun\u00e7\u00e3o Silva Dias, da USP; Carolina Dubeux, da Universidade Federal do Rio de Janeiro; F\u00e1bio Scarano, da Conserva\u00e7\u00e3o Internacional; Jean Pierre Ometto, do Inpe, e Daniel Nepstad, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson, do Rio de Janeiro Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 s\u00e3o percebidos e sentidos em diversos pa\u00edses e regi\u00f5es do mundo, inclusive no Brasil. \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, que os governos comecem a implementar de forma urgente medidas de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o para diminuir a vulnerabilidade de suas popula\u00e7\u00f5es e de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21786,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-53622","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53622","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53622"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53622\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21786"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53622"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53622"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53622"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}