{"id":53795,"date":"2014-04-08T15:21:59","date_gmt":"2014-04-08T18:21:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=53795"},"modified":"2014-04-08T15:21:59","modified_gmt":"2014-04-08T18:21:59","slug":"estudo-avalia-sensibilidade-de-protocolo-na-deteccao-de-autismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/estudo-avalia-sensibilidade-de-protocolo-na-deteccao-de-autismo\/53795","title":{"rendered":"Estudo avalia sensibilidade de protocolo na detec\u00e7\u00e3o de autismo"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Um estudo em andamento no Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (IP-USP) busca avaliar se um instrumento conhecido como Indicadores Cl\u00ednicos de Risco para o Desenvolvimento Infantil (IRDI) pode ajudar profissionais de sa\u00fade da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica a identificar <em><strong>sinais iniciais associados a transtornos do espectro do autismo<\/strong><\/em> (TEA).<\/p>\n<p>Resultados preliminares da\u00a0, coordenada pelo professor do IP-USP Rogerio Lerner no \u00e2mbito de um\u00a0\u00a0entre a FAPESP e a Funda\u00e7\u00e3o Maria Cec\u00edlia Souto Vidigal (FMCSV), foram\u00a0durante o I Semin\u00e1rio de Pesquisas sobre Desenvolvimento Infantil, realizado em mar\u00e7o na FAPESP .<\/p>\n<p>\u201cOs resultados s\u00e3o bastante promissores no sentido de indicar a sensibilidade do IRDI a quadros de autismo. Nossa amostra ainda \u00e9 pequena, mas estamos trabalhando para aument\u00e1-la\u201d, afirmou Lerner.<\/p>\n<p>O protocolo IRDI foi desenvolvido entre os anos de 2000 e 2008 pela equipe multic\u00eantrica de especialistas que integraram o Grupo Nacional de Pesquisa (GNP). Coordenada pela professora do IP-USP Maria Cristina Machado Kupfer, a pesquisa foi realizada a pedido do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e contou com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e da\u00a0.<\/p>\n<p>Com base em pressupostos te\u00f3ricos psicanal\u00edticos sobre a constitui\u00e7\u00e3o ps\u00edquica de crian\u00e7as com at\u00e9 36 meses, o grupo desenvolveu e validou 31 indicadores cl\u00ednicos para a detec\u00e7\u00e3o de sinais iniciais de problemas ps\u00edquicos do desenvolvimento infantil observ\u00e1veis nos primeiros 18 meses de vida.<\/p>\n<p>\u201cO IRDI foi requerido pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para ser incorporado na caderneta da crian\u00e7a e servir de apoio a pediatras e demais profissionais da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica nas consultas de puericultura. Foram listados 31 indicadores de sa\u00fade, que expressam situa\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao desenvolvimento do beb\u00ea. A aus\u00eancia de um ou mais indicadores pode sinalizar problemas de desenvolvimento\u201d, explicou Lerner.<\/p>\n<p>O protocolo \u00e9 um dos instrumentos presentes nas Diretrizes de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Reabilita\u00e7\u00e3o da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, acess\u00edvel pelo link.<\/p>\n<p>O instrumento \u00e9 composto por itens que podem ser observados e obtidos por meio de perguntas como: \u201cA crian\u00e7a procura ativamente o olhar da m\u00e3e?\u201d, \u201cA crian\u00e7a reage (sorri, vocaliza) quando a m\u00e3e ou outra pessoa se dirige a ela?&#8221; e \u201cDurante os cuidados corporais, a crian\u00e7a busca ativamente jogos e brincadeiras amorosas com a m\u00e3e?\u201d.<\/p>\n<p>Embora o IRDI tenha sido concebido visando ao contexto de promo\u00e7\u00e3o universal da sa\u00fade e n\u00e3o tenha a finalidade de diagnosticar uma doen\u00e7a espec\u00edfica, esta pesquisa do IP-USP (uma dentre v\u00e1rias envolvendo o instrumento) busca verificar se ele teria sensibilidade para discriminar quadros de autismo, o que seria vantajoso do ponto de vista de sa\u00fade p\u00fablica, afirmou Lerner.<\/p>\n<p>\u201cTemos instrumentos espec\u00edficos para o diagn\u00f3stico de autismo, mas, se pensarmos em escala populacional, \u00e9 melhor ter instrumentos inespec\u00edficos com sensibilidades conhecidas. Imagine a dificuldade de aplicar em uma popula\u00e7\u00e3o de 200 milh\u00f5es de habitantes um instrumento diferente para cada condi\u00e7\u00e3o que pode acometer a crian\u00e7a\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>Grupo de risco<\/p>\n<p>At\u00e9 agora os pesquisadores da USP aplicaram o protocolo em um grupo de 40 crian\u00e7as de at\u00e9 18 meses \u2013 sete consideradas com risco de autismo em decorr\u00eancia de aplica\u00e7\u00e3o de um instrumento para tal rastreamento e 33, do grupo controle.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 verificar se o instrumento \u00e9 capaz de destacar as crian\u00e7as com risco de autismo das demais. N\u00f3s buscamos avaliar irm\u00e3os de crian\u00e7as que j\u00e1 t\u00eam o diagn\u00f3stico, pois a doen\u00e7a \u00e9 de alta herdabilidade. A chance de nascer um beb\u00ea com o transtorno em uma fam\u00edlia que j\u00e1 tem uma crian\u00e7a com autismo pode chegar a 20 vezes \u00e0 de uma fam\u00edlia sem casos anteriores\u201d, explicou Lerner.<\/p>\n<p>A pesquisa vem sendo realizada em unidades da Secretaria Municipal de Sa\u00fade de Embu, no Hospital Universit\u00e1rio da USP, no Ambulat\u00f3rio de Autismo do Instituto de Psiquiatria (IPq) da USP, no Centro de Refer\u00eancia da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Cria-Unifesp) e em 13 Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial \u00e0 Inf\u00e2ncia (Capsi) do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados s\u00e3o ainda preliminares, mas muito promissores. Temos observado que, quando a crian\u00e7a apresenta um risco que n\u00e3o \u00e9 relacionado ao desenvolvimento de autismo no futuro, ela tem pouco indicadores ausentes. Quando o risco est\u00e1 associado a um quadro de autismo, o n\u00famero de indicadores ausentes \u00e9 muito maior\u201d, contou Lerner.<\/p>\n<p>O pesquisador ressaltou, no entanto, que a amostra avaliada ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para mensurar em termos estat\u00edsticos um \u00edndice de sensibilidade do instrumento. O objetivo do grupo \u00e9 aplicar o IRDI em pelo menos 30 crian\u00e7as com risco de autismo.<\/p>\n<p>Ainda segundo Lerner, a pesquisa tamb\u00e9m teve o objetivo de usar o IRDI para sistematizar uma proposta de educa\u00e7\u00e3o permanente de profissionais de enfermagem de unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade e agentes comunit\u00e1rios do ent\u00e3o Programa de Sa\u00fade da Fam\u00edlia (PSF) \u2013 atualmente Estrat\u00e9gia Sa\u00fade da Fam\u00edlia (ESF) \u2013 para a detec\u00e7\u00e3o, em consultas de rotina, de sinais iniciais de problemas do desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cA rea\u00e7\u00e3o desses profissionais de sa\u00fade ao IRDI tem sido muito boa. Eles referem que o protocolo ajudou a entender sinais que j\u00e1 observavam, mas n\u00e3o conseguiam dar significado, pois n\u00e3o compreendiam a import\u00e2ncia deles para o desenvolvimento infantil. Quando o profissional tem esse conhecimento, adquire condi\u00e7\u00f5es de fazer uma orienta\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento do beb\u00ea\u201d, disse Lerner.<\/p>\n<p>A ideia, segundo o pesquisador, \u00e9 que, caso seja detectado um sinal inicial de problema, uma avalia\u00e7\u00e3o mais aprofundada seja feita pelo profissional da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Se for observada uma condi\u00e7\u00e3o adversa ao desenvolvimento do beb\u00ea, a fam\u00edlia deve ser encaminhada para uma interven\u00e7\u00e3o precoce. \u201cN\u00e3o \u00e9 preciso chegar a um diagn\u00f3stico consolidado para iniciar a interven\u00e7\u00e3o\u201d, defendeu Lerner.<\/p>\n<p>Parte dos dados levantados at\u00e9 o momento foi divulgada em artigos publicados nas revistas\u00a0\u00a0e\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Um estudo em andamento no Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (IP-USP) busca avaliar se um instrumento conhecido como Indicadores Cl\u00ednicos de Risco para o Desenvolvimento Infantil (IRDI) pode ajudar profissionais de sa\u00fade da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica a identificar sinais iniciais associados a transtornos do espectro do autismo (TEA). 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