{"id":54845,"date":"2014-05-12T13:58:26","date_gmt":"2014-05-12T16:58:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=54845"},"modified":"2014-05-12T13:58:26","modified_gmt":"2014-05-12T16:58:26","slug":"brasil-podera-ter-centro-de-pesquisa-com-modelo-open-science","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/brasil-podera-ter-centro-de-pesquisa-com-modelo-open-science\/54845","title":{"rendered":"Brasil poder\u00e1 ter centro de pesquisa com modelo &#8220;open science&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Campinas Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A cria\u00e7\u00e3o de um centro de pesquisa b\u00e1sica no Brasil, em um modelo\u00a0<em><strong>open science<\/strong><\/em>\u00a0(de acesso aberto ao conhecimento), voltado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos relevantes para a descoberta de novos f\u00e1rmacos e para o avan\u00e7o da agricultura foi debatida em um\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.nature.com\/natureconferences\/sgc2014\/index.html\" target=\"_blank\">evento<\/a>\u00a0realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A proposta foi apresentada a pesquisadores, estudantes e ag\u00eancias de fomento brasileiras \u2013 entre elas a FAPESP \u2013 por representantes do Structural Genomics Consortium (SGC), uma parceria p\u00fablico-privada que re\u00fane cientistas, ind\u00fastrias farmac\u00eauticas e entidades sem fins lucrativos de apoio \u00e0 pesquisa.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cO SGC tem hoje sede na University of Toronto (Canad\u00e1) e na University of Oxford (Reino Unido). Nosso sonho \u00e9 criar um terceiro centro na Unicamp e expandir nosso campo de pesquisa \u2013 hoje focado em biomedicina \u2013 para a ci\u00eancia de plantas\u201d, disse Aled Edwards, fundador e presidente do grupo, \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O cons\u00f3rcio foi criado em 1999 com o objetivo de promover pesquisa b\u00e1sica em \u00e1reas consideradas de alto risco, como epigen\u00e9tica, para as quais seria dif\u00edcil obter financiamento pelos m\u00e9todos tradicionais. O foco inicial era investigar as diferen\u00e7as gen\u00e9ticas entre os seres humanos. Em seguida, o grupo se voltou ao estudo da estrutura tridimensional de prote\u00ednas de relev\u00e2ncia biom\u00e9dica, que poderiam servir de alvos para novos medicamentos.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cNa \u00e9poca, todas as empresas farmac\u00eauticas estavam fazendo exatamente as mesmas pesquisas sobre prote\u00ednas e, ent\u00e3o, pensamos: por que n\u00e3o unir os investimentos em uma \u00fanica empreitada e compartilhar os resultados? Concordamos que nada seria patenteado e todos os dados seriam de acesso p\u00fablico. A propriedade intelectual n\u00e3o \u00e9 algo ruim, mas quando voc\u00ea declara uma zona livre de patentes o conhecimento flui\u201d, disse Edwards.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Nos \u00faltimos anos, pesquisadores ligados ao SGC descreveram a estrutura de mais de 1.200 prote\u00ednas, com implica\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento de terapias contra c\u00e2ncer, diabetes, obesidade e transtornos psiqui\u00e1tricos. Estima-se que o custo das pesquisas necess\u00e1rias para desvendar cada uma das prote\u00ednas seja de aproximadamente US$ 1 milh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cDecidimos ent\u00e3o usar esse conhecimento para desenhar compostos sint\u00e9ticos \u2013 os chamados\u00a0chemical probes\u00a0(sondas qu\u00edmicas) \u2013 que funcionam como inibidores de enzimas. S\u00e3o mol\u00e9culas capazes de se ligar de forma bastante seletiva a prote\u00ednas sinalizadoras, como as quinases, que controlam importantes fun\u00e7\u00f5es, tanto no organismo humano como nos animais e nas plantas\u201d, explicou Edwards.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">As sondas qu\u00edmicas s\u00e3o ferramentas de pesquisa usadas para desvendar o papel biol\u00f3gico das quinases e os mecanismos de sinaliza\u00e7\u00e3o celular. Mais de 500 quinases diferentes foram identificadas no genoma humano, mas apenas cerca de 40 foram bem estudadas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cEssas sondas qu\u00edmicas s\u00e3o caras e dif\u00edceis de criar. Apenas as grandes ind\u00fastrias farmac\u00eauticas t\u00eam a estrutura necess\u00e1ria. Se tratarmos essas ferramentas como produtos comerciais, a academia n\u00e3o ter\u00e1 acesso a elas e n\u00e3o conseguiremos desvendar os mist\u00e9rios da biologia. Por outro lado, se as fornecermos aos acad\u00eamicos gratuitamente, isso beneficiar\u00e1 a ind\u00fastria no longo prazo\u201d, disse Edwards.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A GlaxoSmithKline (GSK), uma das empresas farmac\u00eauticas que integram o SGC, colocou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de pesquisadores de todo o mundo uma biblioteca de 376 sondas qu\u00edmicas desenvolvida por sua equipe. A\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"https:\/\/www.ebi.ac.uk\/chembldb\/extra\/PKIS\/\" target=\"_blank\">cole\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0\u00e9 conhecida como PKIS (The Published Kinase Inhibitor Set).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cTudo que pedimos em troca \u00e9 que o conhecimento gerado com o uso dos nossos inibidores seja de acesso p\u00fablico. A ideia \u00e9 que mais cientistas fa\u00e7am experimentos para avan\u00e7ar o conhecimento sobre biologia b\u00e1sica. Isso nos ajudar\u00e1 a tomar melhores decis\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a quais alvos investir nos projetos de desenvolvimento de f\u00e1rmacos e a otimizar recursos\u201d, disse David Drewry, diretor de Biologia Qu\u00edmica da GSK e um dos palestrantes do evento.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Segundo Drewry, cerca de 75% das mol\u00e9culas pesquisadas pelas farmac\u00eauticas atualmente n\u00e3o chegam \u00e0 terceira fase de desenvolvimento de drogas, quando come\u00e7am os ensaios cl\u00ednicos. \u201c\u00c9 uma falha de alto custo. Mesmo que outras empresas possam se beneficiar com as oportunidades criadas por esse modeloopen science, ainda \u00e9 melhor para n\u00f3s\u201d, avaliou.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Tetsuyuki Meruyama, vice-presidente e chefe da Divis\u00e3o de Pesquisa da Takeda Pharmaceutical Company \u2013 laborat\u00f3rio japon\u00eas que tamb\u00e9m integra o SGC \u2013, relatou em sua palestra que o desenvolvimento de novas drogas torna-se a cada dia mais caro e dif\u00edcil para as empresas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cNa d\u00e9cada de 1950, era poss\u00edvel colocar 50 novas drogas no mercado a cada bilh\u00e3o de d\u00f3lares investido. Em 2010, j\u00e1 considerando a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, esse n\u00famero n\u00e3o chega a uma. Tudo que era f\u00e1cil j\u00e1 foi feito. Precisamos ampliar nosso alvo por meio de alian\u00e7as e por um sistema de inova\u00e7\u00e3o aberta\u201d, defendeu Meruyama.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Financiamento<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">As quinases humanas ainda inexploradas foram identificadas pelo SGC como uma nova \u00e1rea que precisa de inje\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de investimentos, disse o brasileiro Wen Hwa Lee, gerente de alian\u00e7as estrat\u00e9gicas do cons\u00f3rcio.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201c\u00c9 uma nova vertente que vai trazer grande impacto para as ci\u00eancias biol\u00f3gicas. Mas nosso modelo de financiamento j\u00e1 est\u00e1 saturado, por isso decidimos criar um novo n\u00facleo e buscar pa\u00edses com vontade e vis\u00e3o para serem parceiros nessa empreitada. Visitamos v\u00e1rios locais, como Irlanda e Qatar, mas o Brasil foi o que mostrou as condi\u00e7\u00f5es ideais. E foi um pesquisador brasileiro que sugeriu ampliar as pesquisas para biologia de plantas\u201d, disse Lee referindo-se a Paulo Arruda, professor da Unicamp e organizador do evento.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cJ\u00e1 come\u00e7amos as discuss\u00f5es com a ind\u00fastria farmac\u00eautica no Brasil, mas sabemos como funciona quando se quer abrir uma nova \u00e1rea de inova\u00e7\u00e3o. Quando o SGC come\u00e7ou, 95% do financiamento veio de entidades governamentais ou particulares sem fins lucrativos \u2013 basicamente a Wellcome Trust (do Reino Unido) e o governo canadense. Por isso convidamos as ag\u00eancias de fomento. Trazer essa rede para o Brasil significaria colocar os pesquisadores brasileiros em contato com 300 grupos de pesquisa de v\u00e1rias partes do mundo\u201d, disse Lee.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Para Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor cient\u00edfico da FAPESP, a possibilidade de aumentar a intera\u00e7\u00e3o dos pesquisadores brasileiros com importantes grupos internacionais \u00e9 muito positiva. Segundo ele, \u00e9 desej\u00e1vel abertura para que os resultados das investiga\u00e7\u00f5es beneficiem tamb\u00e9m as empresas brasileiras, n\u00e3o apenas os grandes laborat\u00f3rios multinacionais.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cA ideia dos pesquisadores paulistas para se usar o mesmo esquema de descobertas em acesso aberto para a \u00e1rea agr\u00edcola \u00e9 muito boa e interessa bastante \u00e0 FAPESP\u201d, disse Brito Cruz.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O diretor cient\u00edfico da FAPESP participou da mesa-redonda intitulada \u201cOpen Access Science and Chemical Biology for Medical\/Plant Biology: how can Brazil lead a scientific revolution?\u201d, que tamb\u00e9m reuniu o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), Glaucius Oliva, o diretor de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico da Financiadora de Estudos Projetos (Finep), Fernando Ribeiro, o gerente de Qu\u00edmica Medicinal da GSK, Bill Zuercher, o chefe da Divis\u00e3o de Qu\u00edmica Medicinal da Pfizer, Mark Bunnage, e o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Bayer CropScience (divis\u00e3o da empresa voltada \u00e0 agricultura), Philippe Herv\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Campinas Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A cria\u00e7\u00e3o de um centro de pesquisa b\u00e1sica no Brasil, em um modelo\u00a0open science\u00a0(de acesso aberto ao conhecimento), voltado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos relevantes para a descoberta de novos f\u00e1rmacos e para o avan\u00e7o da agricultura foi debatida em um\u00a0evento\u00a0realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 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