{"id":55108,"date":"2014-05-20T14:14:07","date_gmt":"2014-05-20T17:14:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=55108"},"modified":"2014-05-20T14:14:07","modified_gmt":"2014-05-20T17:14:07","slug":"ferramenta-permite-analise-integrada-de-dados-sobre-clima-ambiente-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/ferramenta-permite-analise-integrada-de-dados-sobre-clima-ambiente-e-saude\/55108","title":{"rendered":"Ferramenta permite an\u00e1lise integrada de dados sobre clima, ambiente e sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Fortaleza Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma ferramenta capaz de fazer <em><strong>an\u00e1lises integradas de dados sobre clima, ambiente e sa\u00fade<\/strong><\/em> p\u00fablica e de fornecer cen\u00e1rios clim\u00e1ticos futuros para orientar a tomada de decis\u00e3o relacionada a eventos extremos j\u00e1 est\u00e1\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.pulse-brasil.org\/tool\" target=\"_blank\">dispon\u00edvel gratuitamente<\/a>\u00a0na internet.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Denominada PULSE-Brasil (Platform for Understanding Long-term Sustainability of Ecosystems), a plataforma foi desenvolvida por pesquisadores brasileiros e brit\u00e2nicos no \u00e2mbito do projeto \u201c<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/46911\/impact-of-climate-extremes-on-ecosystem-and-human-health-in-brazil-pulse-brazil\/)\" target=\"_blank\">Impact of climate extremes on ecosystem and human health in Brazil<\/a>\u201d, apoiado pela FAPESP e pelo Natural Environment Research Council (NERC), do Reino Unido.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A pesquisa \u00e9 coordenada por Jose Antonio Marengo Orsini, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e por Peter Michael Cox, da University of Exeter (Reino Unido). Resultados parciais foram apresentados no dia 13 de maio, em Fortaleza, durante a confer\u00eancia internacional Adaptations Futures 2014.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">&#8220;O projeto nasceu de uma colabora\u00e7\u00e3o existente h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada entre pesquisadores do Inpe e de Exeter para estudos sobre a Amaz\u00f4nia. O apoio do NERC e da FAPESP foi fundamental para garantir a continuidade das pesquisas, que t\u00eam como objetivo democratizar o conhecimento sobre o clima e informar decisores pol\u00edticos e a sociedade em geral, uma vez que a Amaz\u00f4nia \u00e9 um tema que interessa a todo o mundo&#8221;, afirmou Marengo.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">De acordo com Cox, a Amaz\u00f4nia representa uma pe\u00e7a-chave no sistema clim\u00e1tico mundial e \u00e9 potencialmente vulner\u00e1vel ao aquecimento global \u2013 por esse motivo precisa ser mais bem estudada. &#8220;\u00c9 importante que os formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas tenham acesso a informa\u00e7\u00f5es mais atualizadas para orientar a tomada de decis\u00f5es. N\u00f3s desejamos ajudar a fornecer essas informa\u00e7\u00f5es&#8221;, disse.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">No momento, a ferramenta j\u00e1 permite visualizar dados de clima observado entre 1950 e 2012 e proje\u00e7\u00f5es de clima futuro baseado nos modelos mais recentes do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas].<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O pr\u00f3ximo passo, j\u00e1 iniciado, \u00e9 usar essas informa\u00e7\u00f5es para fazer avalia\u00e7\u00e3o de impactos, ou seja, investigar como um determinado evento clim\u00e1tico resultou em uma enchente ou uma epidemia, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Entre as informa\u00e7\u00f5es de clima dispon\u00edveis na plataforma est\u00e3o temperatura m\u00e1xima, m\u00ednima e m\u00e9dia, cuja variabilidade em cada estado brasileiro ou em todo o territ\u00f3rio nacional pode ser visualizada por m\u00eas ou por ano.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Tamb\u00e9m h\u00e1 dados sobre precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica, sobre a vaz\u00e3o dos rios e sobre casos de dengue, mal\u00e1ria, diarreia, leptospirose e doen\u00e7as respirat\u00f3rias \u2013 doen\u00e7as consideradas sens\u00edveis \u00e0 varia\u00e7\u00e3o de temperatura e de chuva.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A fonte usada foi o Climatic Research Unit (CRU), da University of East Anglia, no Reino Unido, refer\u00eancia mundial para dados observados. Para se conseguir informa\u00e7\u00e3o desde 1950, \u00e9poca em que praticamente n\u00e3o havia esta\u00e7\u00f5es de medi\u00e7\u00e3o, os dados foram calculados por modelos matem\u00e1ticos, como explicou Duarte Costa, gerente do projeto pelo lado brit\u00e2nico e pesquisador da Faculdade de Engenharia, Matem\u00e1tica e Ci\u00eancias F\u00edsicas da University of Exeter.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">&#8220;Os dados locais observados nas esta\u00e7\u00f5es existentes s\u00e3o interpolados por algoritmos num\u00e9ricos e, assim, s\u00e3o geradas informa\u00e7\u00f5es para onde n\u00e3o existe medi\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma forma cientificamente v\u00e1lida de compensar as \u00e1reas em que faltam dados de s\u00e9ries temporais. Quanto mais recentes s\u00e3o os dados, mais fidedignos, pois h\u00e1 mais esta\u00e7\u00f5es de medi\u00e7\u00e3o que contribuem para a valida\u00e7\u00e3o dos dados interpolados\u201d, explicou Costa.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">J\u00e1 as proje\u00e7\u00f5es de clima futuro s\u00e3o baseadas no segundo cen\u00e1rio (RCP4.5) apresentado no \u00faltimo relat\u00f3rio do IPCC, que prev\u00ea at\u00e9 2100 um aumento da temperatura m\u00e9dia global entre 1,1 \u00b0C e 2,6 \u00b0C e uma eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar entre 32 e 63 cent\u00edmetros.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201c\u00c9 um cen\u00e1rio mediano, n\u00e3o \u00e9 dos mais pessimistas. Mas, em vez de consultar v\u00e1rios cen\u00e1rios, a ferramenta permite consultar a proje\u00e7\u00e3o de cerca de 25 diferentes modelos \u2013 desenvolvidos pelos principais centros mundiais de pesquisa sobre o tema \u2013 dentro de um mesmo cen\u00e1rio\u201d, disse Costa.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cPermite tamb\u00e9m ao usu\u00e1rio selecionar o modelo que quer analisar escolhendo entre o que mais subestima, sobrestima ou se aproxima da mediana da proje\u00e7\u00e3o de uma determinada vari\u00e1vel e entre um conjunto de modelos\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">De acordo com os pesquisadores, a ferramenta PULSE-Brasil pode mostrar com toda a clareza aos t\u00e9cnicos ambientais e aos gestores pol\u00edticos se um determinado evento, como uma seca mais intensa e prolongada, est\u00e1 realmente fora do padr\u00e3o dos \u00faltimos 60 anos e pode ser considerado um evento extremo associado \u00e0 instabilidade do sistema clim\u00e1tico global.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">No caso da sa\u00fade p\u00fablica, por exemplo, permite ver, com base no registro de notifica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de doen\u00e7as da base de dados do Datasus, se um surto de dengue ou de mal\u00e1ria est\u00e1 dentro do padr\u00e3o de um determinado estado em uma determinada \u00e9poca do ano.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Impactos<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O trabalho de avalia\u00e7\u00e3o de impactos integrados de clima, sa\u00fade e ambiente come\u00e7ou h\u00e1 cerca de dois anos com uma an\u00e1lise explorat\u00f3ria sobre o impacto de secas sobre a ocorr\u00eancia de doen\u00e7as respirat\u00f3rias realizada para a Amaz\u00f4nia. A\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.nature.com\/srep\/2014\/140116\/srep03726\/full\/srep03726.html\" target=\"_blank\">an\u00e1lise\u00a0<\/a>foi publicada no peri\u00f3dico\u00a0Scientific Reports, da\u00a0Nature.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Atualmente, est\u00e3o sendo feitos de forma piloto no Estado do Acre estudos visando ao entendimento de outras doen\u00e7as. O grupo integra pesquisadores do Inpe, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica Sergio Arouca (Ensp), do governo do Acre, da Secretaria Estadual de Sa\u00fade, da Funda\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancia e Tecnologia do Acre (Funtac), da Defesa Civil estadual e municipal (Rio Branco), da Universidade Federal do Acre (Ufac) e do Instituto de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">&#8220;Escolhemos o Acre como modelo de estudo por ser um dos estados mais afetados pelos eventos extremos recentes, como as secas de 2005 e de 2010 e as enchentes de 2009, 2012, 2013 e 2014. Os impactos foram graves na sa\u00fade e na infraestrutura f\u00edsica e acreditamos ser importante para a popula\u00e7\u00e3o conhecer esses impactos&#8221;, afirmou Marengo.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Outro motivo que levou os pesquisadores a escolher o Acre, segundo Cox, foi o engajamento de agentes locais no desenvolvimento da plataforma PULSE-Brasil, especialmente Vera Reis, assessora t\u00e9cnica da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, e Foster Brown, pesquisador da Ufac.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Entre as an\u00e1lises feitas est\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o entre o \u00edndice de precipita\u00e7\u00e3o e a ocorr\u00eancia de enchentes na cidade de Rio Branco. Os cientistas pretendem descobrir em quais \u00e1reas da bacia hidrogr\u00e1fica as chuvas intensas representam maior risco de alagamento. Outra meta \u00e9 descobrir com qual anteced\u00eancia \u00e9 poss\u00edvel prever a ocorr\u00eancia da enchente, uma vez que o tempo varia de acordo com condi\u00e7\u00f5es geomorfol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Os resultados da an\u00e1lise da rela\u00e7\u00e3o entre chuva e enchentes ser\u00e3o cruzados com as proje\u00e7\u00f5es do modelo clim\u00e1tico regional ETA, do Inpe, para a elabora\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios futuros.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cO que aconteceria com o n\u00edvel do Rio Branco, por exemplo, se tivermos uma condi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica como a prevista no modelo. Ser\u00e1 que o rio pode alagar uma \u00e1rea ainda maior que a atual? Poder\u00e3o ocorrer alagamentos em per\u00edodos diferentes do ano? Com o envolvimento de atores locais, como a Defesa Civil, a ferramenta pode servir para a elabora\u00e7\u00e3o de um plano de longo prazo, para mostrar onde h\u00e1 maior risco de alagamento e a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel se o n\u00edvel do rio alcan\u00e7ar uma nova cota\u201d, afirmou Costa.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Outra avali\u00e7\u00e3o em andamento liderada por Luiz Arag\u00e3o, pesquisador do Inpe e coordenador da coopera\u00e7\u00e3o internacional, \u00e9 a de risco de fogo. A an\u00e1lise leva em conta fatores como uso da terra, desmatamento, umidade, temperatura no continente e at\u00e9 mesmo temperatura do oceano.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Isso porque estudos mostraram que a temperatura em determinadas \u00e1reas do Atl\u00e2ntico Tropical pode causar ondas de calor no continente e modificar a umidade e o risco de fogo no sul e no sudoeste da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Outra vertente da investiga\u00e7\u00e3o s\u00e3o os impactos na \u00e1rea da sa\u00fade p\u00fablica, cujo objetivo \u00e9 verificar como as popula\u00e7\u00f5es reagir\u00e3o ao clima futuro e quais as \u00e1reas mais vulner\u00e1veis a, por exemplo, surtos de dengue ou mal\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">De acordo com os cientistas, a informa\u00e7\u00e3o poder\u00e1 contribuir para a organiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade e a previs\u00e3o de custos com a doen\u00e7a \u2013 possibilitando um planejamento de longo prazo.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Marengo conta que o pr\u00f3ximo trabalho a ser feito ainda no \u00e2mbito do projeto financiado pela FAPESP e pelo NERC ser\u00e1 a avalia\u00e7\u00e3o de impacto de extremos clim\u00e1ticos para S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">&#8220;O trabalho desenvolvido no estado do Acre nos fornece a metodologia e dados para estudos de sa\u00fade e, no longo prazo, pretendemos replicar para todo o Brasil. Mas at\u00e9 o fim deste projeto, que termina em 2015, ser\u00e1 poss\u00edvel aplicar somente em S\u00e3o Paulo. Pretendemos estudar os setores de sa\u00fade e de recursos h\u00eddricos\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Segundo Marengo, os resultados dos estudos desenvolvidos no Acre tamb\u00e9m ser\u00e3o de grande utilidade para outro\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/81993\/uma-estrutura-intecgrada-para-analisar-tomada-de-decisao-local-e-capacidade-adaptativa-para-mudanca-a\/\" target=\"_blank\">Projeto Tem\u00e1tico<\/a>\u00a0que est\u00e1 sendo desenvolvido no \u00e2mbito de um\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/332\/belmont-forum\/\" target=\"_blank\">conv\u00eanio<\/a>\u00a0da FAPESP com o Belmont Forum, grupo de institui\u00e7\u00f5es de fomento \u00e0 pesquisa sobre mudan\u00e7as globais.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">&#8220;O objetivo, nesse caso, \u00e9 avaliar a vulnerabilidade em quatro regi\u00f5es costeiras do mundo. No Brasil, o s\u00edtio de estudo ser\u00e1 a cidade de Santos, no litoral paulista&#8221;, disse Marengo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Fortaleza Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma ferramenta capaz de fazer an\u00e1lises integradas de dados sobre clima, ambiente e sa\u00fade p\u00fablica e de fornecer cen\u00e1rios clim\u00e1ticos futuros para orientar a tomada de decis\u00e3o relacionada a eventos extremos j\u00e1 est\u00e1\u00a0dispon\u00edvel gratuitamente\u00a0na internet. 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