{"id":55347,"date":"2014-05-26T14:39:33","date_gmt":"2014-05-26T17:39:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=55347"},"modified":"2014-05-26T14:39:33","modified_gmt":"2014-05-26T17:39:33","slug":"busca-por-novas-bacterias-leva-pesquisadores-a-ambientes-extremos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/busca-por-novas-bacterias-leva-pesquisadores-a-ambientes-extremos\/55347","title":{"rendered":"Busca por novas bact\u00e9rias leva pesquisadores a ambientes extremos"},"content":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Coletar bact\u00e9rias em um abismo marinho, a mais de 10 mil metros de profundidade, ou em desertos extremamente \u00e1ridos, a at\u00e9 5 mil metros de altitude, \u00e9 a estrat\u00e9gia de campo adotada por pesquisadores da Escola de Bioci\u00eancias da University of Kent, no Reino Unido, para descobrir <em><strong>novas esp\u00e9cies de microrganismos<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cAcreditamos que, em locais como esses, \u00e9 poss\u00edvel encontrar novos organismos, com novas propriedades qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas que, por sua vez, possam dar origem a medicamentos antibi\u00f3ticos, antic\u00e2ncer, antioxidantes, entre outros. At\u00e9 agora, nossos resultados confirmam essa hip\u00f3tese\u201d, disse \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0o pesquisador Alan Bull, integrante da equipe, com 20 anos de experi\u00eancia na \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Bull foi um dos participantes do\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/8490\" target=\"_blank\">Simp\u00f3sio Internacional BIOTA Microrganismos<\/a>\u00a0realizado na FAPESP entre os dias 28 e 30 de abril.\u00a0Em sua\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/eventos\/2014\/05\/Biota\/Alan_Bull.pdf\" target=\"_blank\">palestra<\/a>, apresentou o trabalho de busca, coleta, isolamento e an\u00e1lise fenot\u00edpica e genot\u00edpica das bact\u00e9rias, pertencentes ao filo Actinobact\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cDesde o surgimento, no final dos anos 1940, dos primeiros antibi\u00f3ticos com aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica \u2013 penicilina e estreptomicina, produzidos a partir de um fungo e de uma actinobact\u00e9ria, respectivamente \u2013, existem pesquisas para descobrir novas esp\u00e9cies desses grupos. Quanto mais procuramos, mais organismos e propriedades qu\u00edmicas interessantes achamos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Tradicionalmente consideradas bact\u00e9rias de solo e de \u00e1gua fresca, as actinobact\u00e9rias tamb\u00e9m foram encontradas nos ambientes extremos visitados por Bull e seus colegas. E provaram ter uma capacidade excepcional de produzir compostos com ampla gama de bioatividades.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Das profundezas do mar do Jap\u00e3o, a esp\u00e9cie\u00a0Verrucosispora maris\u00a0se mostrou bastante promissora. Seu composto atrop-Abyssomicin C desempenha a\u00e7\u00f5es antituberculose e antibacteriana, inclusive anti-MRSA (sigla em ingl\u00eas para a bact\u00e9ria Sarm ou\u00a0Staphylococcus aureus\u00a0resistente \u00e0 meticilina).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A esp\u00e9cie\u00a0Verrucosispora fiedleri\u00a0foi coletada nas \u00e1guas profundas do fiorde Raune, na Noruega, e demonstrou ter compostos com atividades antitumorais.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">J\u00e1 das fossas das Marianas, no Oceano Pac\u00edfico, 10.894 metros abaixo do n\u00edvel do mar, veio a actinobact\u00e9ria\u00a0Dermacoccus abyssi. As an\u00e1lises de seus compostos resultaram na comprova\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es antic\u00e2ncer, antitripanossoma e de elimina\u00e7\u00e3o de radicais.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Os pesquisadores coletaram amostras em regi\u00f5es secas e extremamente secas, como o deserto do Atacama, no norte do Chile. \u201cEm certas \u00e1reas de desertos como esse n\u00e3o h\u00e1 vegeta\u00e7\u00e3o, existem bem poucos animais e quase nenhum p\u00e1ssaro. H\u00e1 bact\u00e9rias? A resposta \u00e9 sim. Em n\u00fameros pequenos, mas com uma diversidade significativa\u201d, disse Bull.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A\u00a0Streptomyces leeuwenhoekii, actinobact\u00e9ria encontrada em solos do salar do Atacama, \u00e9 um dos exemplos dessa diversidade. Seu composto Chaxamycins tamb\u00e9m exerce atividades antibacterianas e antic\u00e2ncer.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Houve ainda coletas na Austr\u00e1lia (c\u00e2nion do Rei), no continente africano (deserto da Nam\u00edbia), no Oceano Atl\u00e2ntico, no Oceano \u00cdndico, em outros pontos do Oceano Pac\u00edfico (ba\u00eda de Sagami, ba\u00eda de Suruga, fossa Ryukyu, fossa Izu-Ogasawara) e mesmo na Ant\u00e1rtica.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Os pesquisadores da University of Kent tiveram a colabora\u00e7\u00e3o de equipes de diferentes pa\u00edses, como Jap\u00e3o, Chile, Alemanha e Holanda, e institui\u00e7\u00f5es, como as brit\u00e2nicas\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"https:\/\/royalsociety.org\/\" target=\"_blank\">The Royal Society<\/a>\u00a0e\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/www.leverhulme.ac.uk%20target=\">The Leverhulme Trust<\/a>.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cEncontramos grandes novidades, muitas esp\u00e9cies antes desconhecidas, e algumas delas com novas propriedades qu\u00edmicas que, esperamos, possam levar ao desenvolvimento de novas drogas. O desafio est\u00e1 nessa \u00faltima etapa, que requer milh\u00f5es de d\u00f3lares em investimentos, por longos per\u00edodos. Mas os compostos s\u00e3o muito promissores. Estamos otimistas de que um dia venham a se tornar drogas terap\u00eauticas e deem origem a outras investiga\u00e7\u00f5es na \u00e1rea\u201d, disse Bull.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Coletar bact\u00e9rias em um abismo marinho, a mais de 10 mil metros de profundidade, ou em desertos extremamente \u00e1ridos, a at\u00e9 5 mil metros de altitude, \u00e9 a estrat\u00e9gia de campo adotada por pesquisadores da Escola de Bioci\u00eancias da University of Kent, no Reino Unido, para descobrir novas esp\u00e9cies de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34864,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-55347","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55347","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55347"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55347\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34864"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55347"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55347"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55347"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}