{"id":55374,"date":"2014-05-27T13:44:18","date_gmt":"2014-05-27T16:44:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=55374"},"modified":"2014-05-27T13:44:18","modified_gmt":"2014-05-27T16:44:18","slug":"empresarios-e-pesquisadores-apontam-desafios-para-a-inovacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/empresarios-e-pesquisadores-apontam-desafios-para-a-inovacao\/55374","title":{"rendered":"Empres\u00e1rios e pesquisadores apontam desafios para a inova\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A ideia de que a<em><strong> inova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em> \u00e9 um fen\u00f4meno econ\u00f4mico fundamental para o desenvolvimento parece ser consenso entre os empres\u00e1rios brasileiros. Mas como criar no Brasil um ambiente favor\u00e1vel para isso? A quest\u00e3o foi discutida na reuni\u00e3o magna 2014 da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC), no Rio de Janeiro, em uma mesa que reuniu o industrial Hor\u00e1cio Lafer Piva (membro do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias Klabin e membro do Conselho Superior da FAPESP), o bi\u00f3logo Fernando Reinach (administrador do Fundo Pitanga), o qu\u00edmico Gerson Valen\u00e7a Pinto (vice-presidente de Inova\u00e7\u00e3o da Natura) e o empres\u00e1rio Ricardo Felizzola (presidente do Conselho Administrativo da empresa Altus Sistemas de Automa\u00e7\u00e3o, com sede no Rio Grande do Sul).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cA inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um objetivo por si s\u00f3. O objetivo \u00e9 a prosperidade e fazer com que o l\u00f3cus empresarial seja mais competitivo\u201d, afirmou Felizzola, que tamb\u00e9m \u00e9 presidente da HT Micron e coordenador do Conselho de Inova\u00e7\u00e3o e Tecnologia da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Segundo os empres\u00e1rios ali reunidos, diversos obst\u00e1culos impedem que esse objetivo seja alcan\u00e7ado no Brasil. \u201cEm um ambiente inovador tem de haver financiamento\u201d, disse Felizzola que ainda listou como entraves a elevada carga tribut\u00e1ria \u2013 principalmente no investimento em P&amp;D \u2013, a burocracia (nos registros de empresas e nas ag\u00eancias que as regulam) e a pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o brasileira, referindo-se a leis e decretos que regulamentam registros e o tratamento tribut\u00e1rio dos incentivos fiscais para est\u00edmulo\u00a0a P&amp;D de empresas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Para Lafer Piva, da Klabin, l\u00edder no setor de celulose e papel no pa\u00eds, outro problema \u00e9 o componente educacional, que prejudica especialmente a inova\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria na \u00e1rea de Engenharia.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cPrecisamos melhorar o curr\u00edculo dos cursos de Engenharia, inserir conhecimentos mais t\u00e9cnicos e problemas mais complexos. Estamos colocando na escola menos gente do que a demanda do mercado. E faltam atributos espec\u00edficos a muitos que concluem o curso\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cTemos que melhorar esse profissional e enfrentar essa car\u00eancia qualitativa e quantitativa, estimulando o estudo da Engenharia e a rela\u00e7\u00e3o universidade-empresa. As empresas precisam cada vez mais de inova\u00e7\u00e3o e pesquisa. Ou a pesquisa \u00e9 incorporada, ou n\u00e3o vamos chegar a lugar algum\u201d, afirmou Lafer Piva.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Para Felizzola, embora o d\u00e9ficit na educa\u00e7\u00e3o e a dificuldade na interface universidade-empresa sejam aspectos importantes a serem levados em conta, n\u00e3o s\u00e3o preponderantes.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cA inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 na empresa nem na universidade, mas sim no mercado. Ela \u00e9 um elemento econ\u00f4mico absolutamente ligado ao capitalismo. Para ela existir, tem que haver mercado. No Brasil se produz muito conhecimento, mas esse conhecimento \u00e9 competitivo? Ele se transforma em PIB?\u201d, indagou.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">De acordo com Felizzola, o pa\u00eds precisa desenvolver uma cultura empreendedora, a exemplo das\u00a0startups, termo que designa empresas rec\u00e9m-criadas e inovadoras, popularizadas a partir dos anos de 1990 com a explos\u00e3o de empresas associadas \u00e0 tecnologia no Vale do Sil\u00edcio (Calif\u00f3rnia), como Google, Apple, Microsoft, Yahoo e Facebook, entre outras.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cQuanto mais inovadora uma empresa, maior ser\u00e1 a possibilidade econ\u00f4mica de ela virar sucesso e gerar produtividade e riqueza\u201d, destacou, citando o WhatsApp, o Twitter e o Instagram, nos Estados Unidos, a sueca Skype e as brasileiras Buscap\u00e9 e Bematech.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cPrecisamos lapidar o conhecimento em torno da inova\u00e7\u00e3o\u201d, disse ele, lembrando que Israel, pa\u00eds com 7,9 milh\u00f5es de habitantes, tem hoje 4.800\u00a0startups, enquanto o Brasil, com uma popula\u00e7\u00e3o de 203 milh\u00f5es, tem apenas 2.580.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Para Reinach, do Fundo Pitanga, al\u00e9m de uma cultura empreendedora, falta no pa\u00eds a cultura do risco.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cEm um projeto bom, a maior preocupa\u00e7\u00e3o deve ser se a probabilidade de sucesso (sua utilidade p\u00fablica) ser\u00e1 menor que o esperado e n\u00e3o se o retorno financeiro da nova ideia ser\u00e1 menor ou se o projeto levar\u00e1 mais tempo ou custar\u00e1 mais que o esperado. Na \u00e9poca dos descobrimentos, D. Manuel, rei de Portugal, investia em dezenas de caravelas, mas sabia o risco que corria e que a grande minoria delas poderia retornar com lucros. Para o fundo de capital de risco, cada empresa \u00e9 uma caravela\u201d, comparou.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Valen\u00e7a Pinto, da Natura, lembrou que, quando a empresa come\u00e7ou suas atividades em 1969, enfrentou um mercado competitivo com outras empresas do ramo, como a tradicional norte-americana Avon. Hoje, a empresa brasileira tem uma receita l\u00edquida de R$ 7,01 bilh\u00f5es, chega a quase 60% dos lares brasileiros, tornou-se uma multinacional e \u00e9 a empresa l\u00edder do setor de cosm\u00e9ticos e higiene no Brasil.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">No encontro, foram lembrados como exemplos de investimento iniciativas como o Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/pipe\" target=\"_blank\">PIPE<\/a>), criado em 1997 para apoiar a execu\u00e7\u00e3o de pesquisa cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica em pequenas empresas do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A ideia de que a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno econ\u00f4mico fundamental para o desenvolvimento parece ser consenso entre os empres\u00e1rios brasileiros. 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