{"id":56828,"date":"2014-07-04T19:22:25","date_gmt":"2014-07-04T22:22:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=56828"},"modified":"2014-07-04T19:22:25","modified_gmt":"2014-07-04T22:22:25","slug":"mudanca-do-clima-e-acao-humana-alteram-litoral-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/mudanca-do-clima-e-acao-humana-alteram-litoral-no-brasil\/56828","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a do clima e a\u00e7\u00e3o humana alteram litoral no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Por Fabio Reynol Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 As zonas costeiras costumam sofrer altera\u00e7\u00f5es provocadas por elementos naturais, como <em><strong>eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar<\/strong><\/em> e o regime de ondas a que s\u00e3o submetidas. Com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, os elementos naturais que influenciam nas altera\u00e7\u00f5es das praias, chamados de condi\u00e7\u00f5es for\u00e7antes, devem se intensificar e modificar o desenho das terras costeiras.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Pesquisa conduzida em S\u00e3o Paulo e Pernambuco, que investigou os impactos sofridos por quatro praias nos dois estados, concluiu, no entanto, que os efeitos da a\u00e7\u00e3o humana podem ser ainda mais fortes do que os da natureza.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Executado com apoio da FAPESP e da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Ci\u00eancia e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), o trabalho \u00e9 resultado de uma chamada de propostas lan\u00e7ada no \u00e2mbito de um acordo de coopera\u00e7\u00e3o entre as institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A pesquisa \u201c<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/26325\/vulnerabilidade-da-zona-costeira-dos-estados-de-sao-paulo-e-pernambuco-situacao-atual-e-projecoes-pa\/\" target=\"_blank\">Vulnerabilidade da zona costeira dos estados de S\u00e3o Paulo e Pernambuco: situa\u00e7\u00e3o atual e proje\u00e7\u00f5es para cen\u00e1rios de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a>\u201d\u00a0durou tr\u00eas anos, per\u00edodo em que foram estudadas as praias paulistas de Ilha Comprida, no munic\u00edpio de mesmo nome, e de Massagua\u00e7u, em Caraguatatuba, e as pernambucanas praia da Piedade, em Jaboat\u00e3o dos Guararapes, e praia do Paiva, em Cabo de Santo Agostinho.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cEscolhemos praias com caracter\u00edsticas diferentes para fazer as compara\u00e7\u00f5es. Massagua\u00e7u, no litoral norte paulista, e Jaboat\u00e3o, na regi\u00e3o metropolitana do Recife, s\u00e3o praias urbanas, enquanto Ilha Comprida e Paiva ficam em regi\u00f5es menos habitadas\u201d, disse o coordenador do projeto, Eduardo Siegle, professor do Instituto Oceanogr\u00e1fico da Universidade de S\u00e3o Paulo (IO\/USP), que dividiu a lideran\u00e7a dos trabalhos com a professora Tereza Ara\u00fajo, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A pesquisa analisou como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais provocam altera\u00e7\u00f5es na costa. Uma das condi\u00e7\u00f5es for\u00e7antes \u00e9 o clima de ondas. Segundo Siegle, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas provocam altera\u00e7\u00f5es nos regimes de ventos, principais influenciadores na forma\u00e7\u00e3o das ondas. Com dire\u00e7\u00e3o e for\u00e7a alteradas, as ondas podem redesenhar o contorno das praias, refazendo sua morfologia.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cAs ondas redefinem os dep\u00f3sitos de sedimentos e as praias atingem um equil\u00edbrio din\u00e2mico mediante as condi\u00e7\u00f5es a que est\u00e3o sujeitas; pode ocorrer eros\u00e3o em alguns pontos e deposi\u00e7\u00e3o de material em outros\u201d, disse Siegle, acrescentando que uma praia pode encolher, mudar de formato e at\u00e9 aumentar de tamanho.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Outro fator decorrente das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, que leva as ondas a ter maior alcance e atingir novos pontos da costa. Essa condi\u00e7\u00e3o costuma aumentar eros\u00f5es e provocar inunda\u00e7\u00f5es de \u00e1reas pr\u00f3ximas \u00e0 costa.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Um ponto confirmado pelos resultados obtidos foi o fato de que, em algumas regi\u00f5es, as a\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas no litoral exerceram mais influ\u00eancia nessas altera\u00e7\u00f5es que as for\u00e7as da natureza. \u201cAcompanhamos imagens de d\u00e9cadas. Nesse per\u00edodo, os impactos de uma ocupa\u00e7\u00e3o mal feita do litoral podem ser muito maiores do que aqueles provocados por mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Processos de urbaniza\u00e7\u00e3o que impermeabilizam \u00e1reas praianas necess\u00e1rias ao movimento de sedimentos, por exemplo, costumam provocar eros\u00f5es de forma mais acentuada. No estudo, a a\u00e7\u00e3o humana figurou entre os principais influenciadores da vulnerabilidade costeira.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Observa\u00e7\u00e3o dos processos costeiros<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O trabalho tamb\u00e9m se debru\u00e7ou sobre as mudan\u00e7as hist\u00f3ricas nas condi\u00e7\u00f5es for\u00e7antes naturais. Para isso, a equipe lan\u00e7ou m\u00e3o de modelos computacionais que simularam essas for\u00e7as e seus efeitos ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. Outro m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o foi a coleta de dados em campo. Os pesquisadores fizeram levantamentos morfol\u00f3gicos, que analisam o formato das praias e mediram par\u00e2metros de suas ondas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A medi\u00e7\u00e3o de vari\u00e1veis f\u00edsicas na regi\u00e3o costeira exigiu a aplica\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos inovadores para colocar instrumentos nas zonas de arrebenta\u00e7\u00e3o, relatou Siegle. A equipe acoplou um perfilador ac\u00fastico de correntes marinhas Doppler (ADCP) em uma moto aqu\u00e1tica com um tren\u00f3.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O equipamento fornece par\u00e2metros como velocidade das correntes na coluna d\u2019\u00e1gua, altura, dire\u00e7\u00e3o e per\u00edodo das ondas. A moto aqu\u00e1tica foi usada para levantamentos batim\u00e9tricos e hidrodin\u00e2micos em \u00e1reas rasas sujeitas \u00e0 arrebenta\u00e7\u00e3o de ondas, nas quais embarca\u00e7\u00f5es convencionais n\u00e3o conseguem navegar.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Uma s\u00e9rie de imagens a\u00e9reas registradas ao longo de aproximadamente 40 anos foi outra importante fonte de dados para a pesquisa. Foram acessados arquivos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do pr\u00f3prio Instituto Oceanogr\u00e1fico da USP. Por meio de pontos georreferenciados marcados sobre as imagens, foi poss\u00edvel acompanhar as altera\u00e7\u00f5es na faixa costeira ao longo do tempo.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Com os dados coletados pelos diferentes m\u00e9todos, o grupo estabeleceu nove indicadores de vulnerabilidade: posi\u00e7\u00e3o da linha de costa, largura da praia, eleva\u00e7\u00e3o do terreno, obras de engenharia costeira, permeabilidade do solo, vegeta\u00e7\u00e3o, presen\u00e7a de rios ou desembocaduras, taxa de ocupa\u00e7\u00e3o e configura\u00e7\u00f5es ao largo. Este \u00faltimo diz respeito \u00e0 \u00e1rea de mar aberto adjacente \u00e0 regi\u00e3o costeira em estudo.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Sistemas praiais mais largos tendem a ser mais est\u00e1veis que faixas estreitas, portanto menos vulner\u00e1veis. A presen\u00e7a de vegeta\u00e7\u00e3o bem desenvolvida na zona p\u00f3s-praia sugere um cen\u00e1rio de baixa eros\u00e3o e rara intrus\u00e3o de \u00e1gua salina.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A vulnerabilidade \u00e0 inunda\u00e7\u00e3o pode ser estimada, entre outros fatores, pela permeabilidade do solo. Quanto menos perme\u00e1vel for o solo, mais sujeita \u00e0 inunda\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a \u00e1rea. E por alterar simultaneamente v\u00e1rios desses fatores, a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o da costa \u00e9 um dos mais preponderantes indicadores de vulnerabilidade de uma \u00e1rea costeira.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Os indicadores foram depois tabulados e classificados de acordo com tr\u00eas graus de vulnerabilidade: alta, m\u00e9dia ou baixa, para cada ano analisado. Registrou-se a evolu\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade de cada praia estudada e os pesquisadores chegaram a v\u00e1rias conclus\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cEntre elas eu destacaria a import\u00e2ncia da ocupa\u00e7\u00e3o humana no litoral na eleva\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade da praia\u201d, disse Siegle. As praias urbanas nos dois estados apresentaram situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade maior que aquelas com taxa de ocupa\u00e7\u00e3o menor.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A aplica\u00e7\u00e3o desse m\u00e9todo foi detalhada na tese de doutorado de Paulo Henrique Gomes de Oliveira Sousa, intitulada \u201cVulnerabilidade \u00e0 eros\u00e3o costeira no litoral de S\u00e3o Paulo: intera\u00e7\u00e3o entre processos costeiros e atividades antr\u00f3picas\u201d, defendida em 2013 no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Oceanografia do IOUSP.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O projeto de pesquisa resultou em cinco trabalhos de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, quatro disserta\u00e7\u00f5es de mestrado e duas teses de doutorado, uma com bolsa FAPESP \u2013 C\u00e1ssia Pianca Barroso desenvolveu o trabalho \u201c<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/114482\/uso-de-imagens-de-video-para-a-extracao-de-variaveis-costeiras-processos-de-curto-a-medio-termo\/\" target=\"_blank\">Uso de imagens de v\u00eddeo para a extra\u00e7\u00e3o de vari\u00e1veis costeiras: processos de curto a m\u00e9dio termo<\/a>\u201d.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">De acordo com Siegle, v\u00e1rios artigos est\u00e3o em fase de reda\u00e7\u00e3o e quatro j\u00e1 foram publicados, entre eles<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.5894\/rgci377\" target=\"_blank\">Evolu\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade \u00e0 eros\u00e3o costeira na Praia de Massagua\u00e7\u00fa (SP), Brasil<\/a>\u00a0noJournal of Integrated Coastal Management\u00a0e\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/j.ocecoaman.2012.03.003\" target=\"_blank\">Vulnerability assessment of Massagua\u00e7\u00fa Beach (SE Brazil)<\/a>\u00a0na\u00a0Ocean &amp; Coastal Management.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Parceria S\u00e3o Paulo-Pernambuco<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Al\u00e9m dos resultados cient\u00edficos, o projeto apresentou como fruto a aproxima\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es de pesquisa paulistas e pernambucanas. \u201cA intera\u00e7\u00e3o foi muito grande e pesquisadores pernambucanos participaram das pesquisas em campo em S\u00e3o Paulo e vice-versa\u201d, contou Siegle.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A aproxima\u00e7\u00e3o dos grupos levou a outro trabalho conjunto FAPESP-FACEPE, o projeto \u201c<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisa\/?q=%22Bacias%20Hidrogr%C3%A1ficas%22&amp;count=10&amp;format=detailed_with_publications&amp;index=&amp;q2=&amp;selected_facets=Rubens%20C.L.%20Figueira\" target=\"_blank\">Suscetibilidade e resist\u00eancia de sistemas estuarinos urbanos a mudan\u00e7as globais: balan\u00e7o hidro-sedimentar, eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, resposta a eventos extremos<\/a>\u201d,\u00a0coordenado pelos professores Carlos Schettini (UFPE) e Rubens Cesar Lopes Ferreira (IO\/USP).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A execu\u00e7\u00e3o do projeto coordenado por Siegle e Tereza Ara\u00fajo ainda levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Grupo de Trabalho \u201cRespostas da Linha de Costa\u201d que incorpora o Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia Ambientes Tropicais Marinhos (AmbTropic) , sediado no Instituto de Geoci\u00eancias da Universidade Federal da Bahia e apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fabio Reynol Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 As zonas costeiras costumam sofrer altera\u00e7\u00f5es provocadas por elementos naturais, como eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar e o regime de ondas a que s\u00e3o submetidas. 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