{"id":57731,"date":"2014-07-29T18:22:10","date_gmt":"2014-07-29T21:22:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=57731"},"modified":"2014-07-29T18:22:10","modified_gmt":"2014-07-29T21:22:10","slug":"desmatamento-da-amazonia-aumenta-poluicao-em-paises-da-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/desmatamento-da-amazonia-aumenta-poluicao-em-paises-da-america-do-sul\/57731","title":{"rendered":"Desmatamento da Amaz\u00f4nia aumenta polui\u00e7\u00e3o em pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson, de Rio Branco (AC) Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Os estados amaz\u00f4nicos do Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Amazonas e Acre t\u00eam &#8220;exportado&#8221; a fuma\u00e7a produzida pelo <em><strong>desmatamento por fogo<\/strong><\/em> para Bol\u00edvia, Peru e Paraguai e contribu\u00eddo para aumentar os n\u00edveis de polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica nesses pa\u00edses vizinhos. Ao lado do Mato Grosso, esses quatro estados tamb\u00e9m registram o maior n\u00famero de focos de queimadas na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de um estudo feito por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que utilizou o supercomputador Tup\u00e3, instalado na institui\u00e7\u00e3o com recursos da FAPESP e do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Alguns resultados do estudo foram apresentados em uma palestra sobre o impacto trinacional da queima da biomassa e da fuma\u00e7a na Amaz\u00f4nia Sul-Ocidental, realizada durante a 66\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), que terminou no domingo (27\/07), no campus da Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cA maior produ\u00e7\u00e3o de fuma\u00e7a resultante da queima de floresta na Am\u00e9rica do Sul \u00e9 brasileira. O Brasil realmente exporta fuma\u00e7a de queimadas e contamina os demais pa\u00edses da regi\u00e3o\u201d, disse\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/2376\/saulo-ribeiro-de-freitas\/\" target=\"_blank\">Saulo Ribeiro de Freitas<\/a>, pesquisador do Inpe, \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">De acordo com Freitas, as queimadas florestais ocorrem em escala global. Na Am\u00e9rica do Sul, contudo, podem ser registrados mais de 5 mil focos de queimadas em um \u00fanico dia.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Durante um m\u00eas, o ac\u00famulo de v\u00e1rios focos de queimadas gera plumas de fuma\u00e7a. Ao serem transportadas por massas de ar produzidas na regi\u00e3o Norte e no centro do Brasil, essas plumas de fuma\u00e7a chegam \u00e0 regi\u00e3o sul da Am\u00e9rica do Sul e podem cobrir \u00e1reas de at\u00e9 5 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, como se observou em imagens de sat\u00e9lite.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cO tipo de circula\u00e7\u00e3o de ar predominante na esta\u00e7\u00e3o seca na regi\u00e3o Norte do Brasil faz com que exista um corredor de exporta\u00e7\u00e3o que canaliza a fuma\u00e7a produzida pelas queimadas nessa regi\u00e3o para o oeste da Am\u00e9rica do Sul, invadindo a \u00e1rea do Peru, Bol\u00edvia e Paraguai\u201d, disse Freitas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cEsse corredor muitas vezes tamb\u00e9m alcan\u00e7a a Argentina e s\u00f3 \u00e9 bloqueado quando h\u00e1 a entrada de uma frente fria, que pega a fuma\u00e7a vinda do norte do Brasil e a devolve para o pa\u00eds. Quando essa invers\u00e3o ocorre \u00e9 poss\u00edvel observar colunas de fuma\u00e7a passando sobre a cidade de S\u00e3o Paulo, por exemplo\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A fim de estimar as fontes de emiss\u00e3o de fuma\u00e7a por queimada na Amaz\u00f4nia e indicar a contribui\u00e7\u00e3o relativa de cada estado amaz\u00f4nico e pa\u00eds da regi\u00e3o, os pesquisadores desenvolveram nos \u00faltimos dois anos um sistema baseado em dados de sat\u00e9lites e em modelagem num\u00e9rica (computacional).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O sistema \u00e9 capaz de identificar onde h\u00e1 focos de queimadas na Am\u00e9rica do Sul e estimar a quantidade de fuma\u00e7a e, consequentemente, de poluentes do ar emitidos isoladamente em cada um dos estados brasileiros ou pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Emiss\u00f5es no Acre<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O sistema foi utilizado para identificar as fontes de emiss\u00f5es de poluentes por fuma\u00e7a de queimadas \u2013 como part\u00edculas em suspens\u00e3o na atmosfera ou aeross\u00f3is atmosf\u00e9ricos \u2013 nos anos de 2005, 2008, 2009 e 2010 no Estado do Acre.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Algumas das constata\u00e7\u00f5es das simula\u00e7\u00f5es foram que entre 5 e 10 dias por ano o ar do estado apresenta uma concentra\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de aeross\u00f3is atmosf\u00e9ricos com di\u00e2metro acima de 2,5 m\u00edcrons (\u00b5g) \u2013 considerado o mais relevante em termos de impactos \u00e0 sa\u00fade \u2013 na faixa entre 40 e 80 m\u00edcrons por metro c\u00fabico (\u00b5g\/m\u00b3), acima dos limites considerados toler\u00e1veis pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Durante a esta\u00e7\u00e3o seca \u2013 entre julho e novembro \u2013, o ar no Acre permanece por per\u00edodos de at\u00e9 30 dias com n\u00edveis de concentra\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de part\u00edculas em suspens\u00e3o com 2,5 \u00b5g nesta mesma faixa.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">No per\u00edodo de seca de 2005, por exemplo, em que as emiss\u00f5es por queimadas no Acre foram muito altas, a m\u00e9dia mensal de emiss\u00f5es de particulados pela queima de biomassa no estado atingiu 90 \u00b5g\/m\u00b3. \u201cConstatamos essas mesmas varia\u00e7\u00f5es na qualidade do ar do estado nos quatro anos simulados no estudo\u201d, contou Freitas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Os pesquisadores tamb\u00e9m calcularam o percentual de polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica produzida pela fuma\u00e7a da queima de biomassa proveniente do pr\u00f3prio Acre e dos estados e pa\u00edses vizinhos.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Os resultados dos c\u00e1lculos indicaram que em agosto de 2005, por exemplo, os maiores contribuintes de emiss\u00f5es de fuma\u00e7a da queima de biomassa foram o pr\u00f3prio Acre, seguido do Estado do Amazonas. J\u00e1 em novembro do mesmo ano a maior parte das emiss\u00f5es foi proveniente do Amazonas e do Par\u00e1.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O mesmo padr\u00e3o de fontes de emiss\u00e3o de fuma\u00e7a por queimada na regi\u00e3o foi observado nos quatro anos de simula\u00e7\u00f5es, segundo Freitas. \u201cO maior foco de emiss\u00f5es de fuma\u00e7a registrada no Acre est\u00e1 no pr\u00f3prio pa\u00eds. Os resultados das nossas simula\u00e7\u00f5es mostram claramente isso\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Legisla\u00e7\u00e3o trinacional<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O estudo foi realizado pelos pesquisadores do Inpe em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da UFAC, a pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Acre.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Em raz\u00e3o dos problemas \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o causados pelo aumento dos focos de queimadas no estado em 2005, o \u00f3rg\u00e3o impetrou uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica em 2007 determinando a proibi\u00e7\u00e3o do uso de fogo para o desmatamento na regi\u00e3o e solicitou \u00e0s duas institui\u00e7\u00f5es um estudo t\u00e9cnico para identificar as fontes de polui\u00e7\u00e3o por queimadas no estado.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cUma das alega\u00e7\u00f5es era que a maior parte da fuma\u00e7a resultante de queimada n\u00e3o era emitida aqui no estado, mas nos pa\u00edses vizinhos, especificamente, a Bol\u00edvia e o Peru. Recorremos ao Inpe e \u00e0 UFAC para saber se era poss\u00edvel determinar a origem da fuma\u00e7a de queimada no estado\u201d, disse Patricia Rego, procuradora de justi\u00e7a do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Acre.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Os resultados do estudo indicaram que a possibilidade de a fuma\u00e7a produzida por queima de biomassa na Bol\u00edvia invadir o Acre era muito remota.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cUma das \u00fanicas hip\u00f3teses para isso seria as frentes frias do sul da Am\u00e9rica do Sul transportarem o ar polu\u00eddo dessa regi\u00e3o para o norte do Brasil. Mas esse tipo de ocorr\u00eancia \u00e9 muito rara\u201d, afirmou Freitas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O professor Jos\u00e9 Montanez Monta\u00f1o, da Universidad Aut\u00f3noma Gabriel Ren\u00e9 Moreno (UAGRM), em Santa Cruz de La Sierra, na Bol\u00edvia, destacou durante a confer\u00eancia que, como o problema da queima de biomassa e da fuma\u00e7a na Amaz\u00f4nia Sul-Ocidental \u00e9 transfronteiri\u00e7o, \u00e9 preciso que Brasil, Bol\u00edvia e Peru elaborem uma legisla\u00e7\u00e3o trinacional para identificar e eliminar as causas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cO Brasil \u00e9 o maior emissor de fuma\u00e7a, mas os problemas causados pela queima de biomassa s\u00e3o sentidos de igual forma pelos tr\u00eas pa\u00edses. Como somos receptores dessa fuma\u00e7a \u2013 e n\u00e3o os emissores \u2013, obviamente somos os mais afetados\u201d, afirmou Monta\u00f1o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson, de Rio Branco (AC) Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Os estados amaz\u00f4nicos do Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Amazonas e Acre t\u00eam &#8220;exportado&#8221; a fuma\u00e7a produzida pelo desmatamento por fogo para Bol\u00edvia, Peru e Paraguai e contribu\u00eddo para aumentar os n\u00edveis de polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica nesses pa\u00edses vizinhos. 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