{"id":66032,"date":"2015-02-06T15:53:32","date_gmt":"2015-02-06T17:53:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=66032"},"modified":"2015-02-06T15:53:32","modified_gmt":"2015-02-06T17:53:32","slug":"sensor-detecta-dengue-antes-dos-primeiros-sintomas-da-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/sensor-detecta-dengue-antes-dos-primeiros-sintomas-da-doenca\/66032","title":{"rendered":"Sensor detecta dengue antes dos primeiros sintomas da doen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores do Instituto de F\u00edsica de S\u00e3o Carlos da Universidade de S\u00e3o Paulo (IFSC-USP) e da empresa DNApta Biotecnologia, de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (SP), desenvolveram um biossensor capaz de detectar <strong><em>dengue<\/em><\/strong> antes de surgirem os primeiros sintomas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O dispositivo, criado durante um projeto de mestrado da estudante Alessandra Figueiredo e de um p\u00f3s-doutorado realizado por Nirton Cristi Silva Vieira com , no \u00e2mbito do Instituto Nacional de Eletr\u00f4nica Org\u00e2nica () \u2013 um dos Institutos Nacionais de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCTs) financiados pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) \u2013, foi descrito em um artigo publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.<\/p>\n<p>\u201cO biossensor \u00e9 capaz de diagnosticar dengue com maior rapidez, menor custo e facilidade do que os testes laboratoriais existentes hoje\u201d, disse Vieira, p\u00f3s-doutorando no IFSC-USP e um dos autores do projeto, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>A tecnologia do biossensor \u00e9 baseada na detec\u00e7\u00e3o el\u00e9trica da prote\u00edna n\u00e3o-estrutural NS1. Esse tipo de prote\u00edna \u00e9 secretado pelos quatro tipos de v\u00edrus da dengue (DEN1, DEN2, DEN3 e DEN4) e encontrado em concentra\u00e7\u00f5es detect\u00e1veis no sangue de pessoas tanto com infec\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria (que contra\u00edram a doen\u00e7a pela primeira vez) quanto secund\u00e1ria (a partir da segunda vez), do segundo at\u00e9 o nono dia ap\u00f3s o in\u00edcio da doen\u00e7a. Por isso, \u00e9 considerada um excelente biomarcador de infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus da dengue, de acordo com Vieira.<\/p>\n<p>\u201cA vantagem de utilizar a prote\u00edna NS1 para detectar dengue \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel diagnosticar a doen\u00e7a mais precocemente, j\u00e1 no segundo ou terceiro dia ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o, uma vez que os sintomas da dengue s\u00f3 come\u00e7am a aparecer, em m\u00e9dia, a partir do sexto dia ap\u00f3s a picada do mosquito\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>Uma das formas usadas para detectar a prote\u00edna NS1 do v\u00edrus da dengue \u00e9 por meio de anticorpos como a imunoglobulina G (IgG), obtidos por meio da fus\u00e3o de linf\u00f3citos B provenientes do ba\u00e7o de animais imunizados com c\u00e9lulas de mieloma (linhagem tumoral de linf\u00f3citos B) ou extra\u00eddas do sangue de mam\u00edferos inoculados com NS1.<\/p>\n<p>O problema, contudo, \u00e9 que o custo desse processo de fus\u00e3o de linf\u00f3citos B \u00e9 muito alto. J\u00e1 a quantidade de anticorpos obtida por meio do sangue de mam\u00edferos inoculados com NS1 \u00e9 muito pequena, ressalvou Vieira. \u201cO rendimento desse processo \u00e9 muito baixo\u201d, disse.<\/p>\n<p>A fim de aumentar a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos da prote\u00edna NS1, a empresa DNApta Biotecnologia desenvolveu uma t\u00e9cnica na qual s\u00e3o produzidas em bact\u00e9rias Escherichia coli (E. Coli) prote\u00ednas recombinantes (feitas artificialmente, a partir de genes clonados) de NS1 dos quatro tipos de v\u00edrus da dengue, que s\u00e3o inoculadas em galinhas poedeiras.<\/p>\n<p>Com isso, ela consegue obter, da gema dos ovos das galinhas inoculadas com prote\u00ednas recombinantes NS1, grandes quantidades de imunoglobulina do tipo IgY \u2013 alternativa \u00e0 imunoglobulina IgG, obtida a partir do sangue de mam\u00edferos.<\/p>\n<p>\u201cAs galinhas s\u00e3o grandes produtoras de anticorpos. Conseguimos obter uma quantidade muito grande de IgY da gema do ovo de poedeiras inoculadas com NS1\u201d, contou S\u00e9rgio Moraes Aoki, diretor cient\u00edfico da DNApta.<\/p>\n<p>A empresa forneceu prote\u00ednas recombinantes de dengue NS1 e imunoglobulina IgY da gema de ovo para os pesquisadores do IFSC-USP desenvolverem o biossensor de dengue e divide com a Ag\u00eancia USP de Inova\u00e7\u00e3o a patente do dispositivo.<\/p>\n<p>\u201cFoi a primeira vez que se utilizou imunoglobulina IgY de galinha como elemento de reconhecimento biol\u00f3gico em um biossensor voltado ao reconhecimento da prote\u00edna NS1\u201d, disse Aoki.<\/p>\n<p>Composi\u00e7\u00e3o do sensor<\/p>\n<p>O biossensor desenvolvido pelo grupo de pesquisadores \u00e9 composto por um eletrodo de ouro em escala nanom\u00e9trica (da bilion\u00e9sima parte do metro) com uma amostra de imunoglobulina IgY imobilizada sobre ele e um eletrodo de refer\u00eancia com potencial el\u00e9trico constante.<\/p>\n<p>Ao entrar em contato com a prote\u00edna NS1, o potencial el\u00e9trico do eletrodo com a imunoglobulina IgY imobilizada muda em rela\u00e7\u00e3o ao do eletrodo de refer\u00eancia, em raz\u00e3o da liga\u00e7\u00e3o da prote\u00edna com o anticorpo, produzindo um sinal el\u00e9trico.<\/p>\n<p>Um software \u201cl\u00ea\u201d esse sinal el\u00e9trico e indica em, no m\u00e1ximo, 30 minutos o resultado da an\u00e1lise, que pode ser acessado em tempo real pelo celular ou notebook.<\/p>\n<p>\u201cQuanto maior for a concentra\u00e7\u00e3o da prote\u00edna NS1 em contato com o eletrodo com a imunoglobulina IgY imobilizada, maior tamb\u00e9m ser\u00e1 a diferen\u00e7a do potencial el\u00e9trico\u201d, explicou Vieira.<\/p>\n<p>A fim de avaliar a efic\u00e1cia do biossensor, os pesquisadores realizaram testes com amostras da prote\u00edna NS1 em concentra\u00e7\u00f5es que variaram de 0,01 a 10 microgramas por mililitro (?g.mL) \u2013 a faixa limite de concentra\u00e7\u00e3o de NS1 encontrada no sangue de pacientes diagnosticados com dengue.<\/p>\n<p>Os resultados dos testes indicaram que o dispositivo foi capaz de detectar a presen\u00e7a da prote\u00edna NS1 em uma concentra\u00e7\u00e3o m\u00ednima de 0,09 ?g.mL.<\/p>\n<p>\u201cA m\u00e9dia de concentra\u00e7\u00e3o da prote\u00edna NS1 no sangue de pessoas infectadas pelo v\u00edrus da dengue \u00e9 de 2 microgramas por mililitro. O biossensor conseguiu detectar concentra\u00e7\u00f5es muito menores do que essa\u201d, disse Vieira.<\/p>\n<p>Os pesquisadores obtiveram a aprova\u00e7\u00e3o inicial do comit\u00ea de \u00e9tica da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) para realizar, nos pr\u00f3ximos meses, ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o final, testes do biossensor diretamente em amostras de sangue de pessoas infectadas com o v\u00edrus da dengue.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 chegamos a desenvolver um prot\u00f3tipo do sensor\u201d, disse Vieira. \u201cA vantagem \u00e9 que a imunoglobulina IgY obtida de gema de ovo usada nele \u00e9 muito barata em compara\u00e7\u00e3o com outros anticorpos. Por isso, o dispositivo poderia ser produzido em larga escala.\u201d<\/p>\n<p>Novos biossensores<\/p>\n<p>Al\u00e9m do biossensor para dengue, desenvolvido em parceria com o grupo de pesquisadores do IFSC-USP, a empresa DNApta pretende desenvolver por meio do projeto \u201cDesenvolvimento de biossensores eletroqu\u00edmicos para detec\u00e7\u00e3o da prote\u00edna NS1 do v\u00edrus da dengue\u201d , realizado com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas () da FAPESP, novos biossensores para detec\u00e7\u00e3o da prote\u00edna NS1 do v\u00edrus da dengue baseados em outras plataformas tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>\u201cAgora, nossa ideia \u00e9 desenvolver biossensores eletroqu\u00edmicos com imunoglobulina IgY obtida da gema de ovo de galinhas poedeiras inoculadas com a prote\u00edna NS1 em eletrodos de carbono\u201d, contou Aoki.<\/p>\n<p>A meta da empresa \u00e9 desenvolver dispositivos port\u00e1teis de detec\u00e7\u00e3o de dengue semelhantes aos medidores de glicemia utilizados pelos diab\u00e9ticos, que possam ser acoplados a dispositivos de comunica\u00e7\u00e3o m\u00f3veis, como um aparelho de celular ou um notebook, e transmitir os dados, em tempo real, para uma central. Desse modo, poder\u00e1 ser feito um monitoramento epidemiol\u00f3gico da doen\u00e7a, indicou Aoki.<\/p>\n<p>\u201cPretendemos estender essa ideia para detectar outras doen\u00e7as, al\u00e9m da dengue\u201d, disse Aoki.<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, os testes de diagn\u00f3stico de dengue mais empregados hoje n\u00e3o s\u00e3o eficazes para detectar a doen\u00e7a principalmente nos primeiros dias de infec\u00e7\u00e3o, quando os sintomas s\u00e3o comumente confundidos com outras doen\u00e7as infecciosas.<\/p>\n<p>O hemograma, o teste de velocidade de hemossedimenta\u00e7\u00e3o (VHS) e a contagem de plaquetas, por exemplo, s\u00e3o insuficientes para confirmar o diagn\u00f3stico de dengue.<\/p>\n<p>J\u00e1 os exames mais comuns realizados nos postos de sa\u00fade, baseados na detec\u00e7\u00e3o sorol\u00f3gica de anticorpos do tipo IgG e IgM, s\u00f3 podem ser realizados a partir do sexto dia da infec\u00e7\u00e3o, uma vez que o corpo humano produz anticorpos espec\u00edficos que combatem a NS1 ap\u00f3s o quinto dia de infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, os m\u00e9todos moleculares para detectar dengue baseados na detec\u00e7\u00e3o da prote\u00edna NS1 j\u00e1 existentes no mercado, como o ELISA e o de Rea\u00e7\u00e3o em Cadeia de Polimerase (PCR), ainda s\u00e3o caros, feitos em muitas etapas e requerem pessoas treinadas para realiz\u00e1-los, apontam os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cEstimamos que o tipo de teste de dengue que estamos desenvolvendo ter\u00e1 algumas vantagens em rela\u00e7\u00e3o aos testes convencionais da doen\u00e7a realizados hoje\u201d, afirmou Aoki.<\/p>\n<p>Resultados da pesquisa foram descritos no artigo Electrical detection of dengue biomarker using egg yolk immunoglobulin as the biological recognition element (doi: 10.1038\/srep07865), de Figueiredo e outros, que pode ser lido, na revista Scientific Reports,em\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores do Instituto de F\u00edsica de S\u00e3o Carlos da Universidade de S\u00e3o Paulo (IFSC-USP) e da empresa DNApta Biotecnologia, de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (SP), desenvolveram um biossensor capaz de detectar dengue antes de surgirem os primeiros sintomas da doen\u00e7a. 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