{"id":6678,"date":"2009-07-27T22:45:41","date_gmt":"2009-07-28T02:45:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=6678"},"modified":"2009-07-27T22:45:41","modified_gmt":"2009-07-28T02:45:41","slug":"mec-novo-enem-por-joao-luis-de-almeida-machado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/mec-novo-enem-por-joao-luis-de-almeida-machado\/6678","title":{"rendered":"MEC &#8211; Novo Enem por Jo\u00e3o Lu\u00eds de Almeida Machado"},"content":{"rendered":"<p>A mais famosa Reforma da hist\u00f3ria, ocorrida no s\u00e9culo XVI, levou ao surgimento do Protestantismo e das igrejas Luterana, Calvinista e Anglicana. Consolidou-se a partir da a\u00e7\u00e3o de homens que, movidos por ideais e interesses, uniram-se em torno de propostas que j\u00e1 eram discutidas e divulgadas na Europa h\u00e1 pelo menos 200 anos. A insatisfa\u00e7\u00e3o era com o Catolicismo &#8211; em especial com a incoer\u00eancia percebida quanto ao discurso e pr\u00e1tica.\u00a0E por que inicio este artigo sobre o novo Enem, o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio, prova adotada pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) em pleno s\u00e9culo XXI, falando sobre o Protestantismo de 500 anos atr\u00e1s? Porque h\u00e1 semelhan\u00e7as entre os acontecimentos de outrora e os de hoje. Para uma melhor compreens\u00e3o cabe, por\u00e9m, examinar as diretrizes b\u00e1sicas do MEC quanto ao novo Enem.\u00a0<br \/>\nO Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o apresentou uma proposta de reformula\u00e7\u00e3o do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio e sua utiliza\u00e7\u00e3o como forma de sele\u00e7\u00e3o unificada nos processos seletivos das universidades p\u00fablicas federais. A proposta tem como principais objetivos democratizar as oportunidades de acesso \u00e0s vagas federais de ensino superior, possibilitar a mobilidade acad\u00eamica e induzir a reestrutura\u00e7\u00e3o dos curr\u00edculos do ensino m\u00e9dio. As universidades possuem autonomia e poder\u00e3o optar entre quatro possibilidades de utiliza\u00e7\u00e3o do novo exame como processo seletivo.<\/p>\n<p>O primeiro aspecto a destacar refere-se, \u00e9 claro, \u00e0 ideia de Reforma, apresentada no documento do MEC atrav\u00e9s da palavra Reformula\u00e7\u00e3o &#8211; modificar ou construir novamente algo com diferente formato ou f\u00f3rmula. Tanto na Idade Moderna, quando da ebuli\u00e7\u00e3o do Protestantismo, quanto no que tange \u00e0 educa\u00e7\u00e3o brasileira no 3\u00ba Mil\u00eanio, existem estruturas anteriores em vig\u00eancia, em plena execu\u00e7\u00e3o, que demandam &#8211; a partir de an\u00e1lise cr\u00edtica, proposi\u00e7\u00e3o construtiva, exame de alternativas, estudo de pr\u00e1ticas e a\u00e7\u00f5es bem-sucedidas, coragem pol\u00edtica para agir e capacidade de investimento &#8211; altera\u00e7\u00f5es a serem implementadas de imediato.<\/p>\n<p>E n\u00e3o nos referimos aqui somente \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as superficiais, que n\u00e3o signifiquem modifica\u00e7\u00f5es concretas que representem &#8220;virar a mesa&#8221; e modificar a cultura vigente. Reformas ou Reformula\u00e7\u00f5es demandam a ideia de que paredes ser\u00e3o derrubadas, novos c\u00f4modos ser\u00e3o criados e de que o que foi concebido originalmente ser\u00e1 reestilizado. Apesar disso, essas a\u00e7\u00f5es preveem tamb\u00e9m que a estrutura de apoio das edifica\u00e7\u00f5es ou institui\u00e7\u00f5es em reforma ser\u00e1 mantida. Em ambos os casos, n\u00e3o se constituem revolu\u00e7\u00f5es a partir de reformas ou reformula\u00e7\u00f5es, pois as bases do sistema s\u00e3o preservadas, mantidas intactas.<\/p>\n<p>Outro ponto de aproxima\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 explicitado no documento contido no portal do MEC, mas \u00e9 igualmente relevante, pois se refere \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de contexto favor\u00e1vel \u00e0s mudan\u00e7as colocadas em discuss\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o. A Reforma Protestante, por exemplo, s\u00f3 consolidou-se no s\u00e9culo XVI e n\u00e3o antes disto porque foi neste per\u00edodo que surgiram elementos sociais, culturais e econ\u00f4micos que a patrocinaram.<\/p>\n<p>No Brasil de hoje tamb\u00e9m h\u00e1 uma convers\u00e3o de fatores internos e externos que nos conduz a altera\u00e7\u00f5es em variados segmentos, entre os quais a Educa\u00e7\u00e3o. A globaliza\u00e7\u00e3o e a crise s\u00e3o significativos vetores econ\u00f4micos que indicam os caminhos e alternativas de futuro que se revelam a todos os pa\u00edses, inclusive ao Brasil. E n\u00e3o h\u00e1 perspectivas favor\u00e1veis no horizonte para aqueles que n\u00e3o investirem fortemente em suas escolas &#8211; da educa\u00e7\u00e3o infantil a universidade. Este indicativo externo influencia as pol\u00edticas internas &#8211; das discuss\u00f5es no Congresso \u00e0s conversas de botequim. Estudar significa empregabilidade, produtividade, capacidade de gerar recursos, provimento de divisas, possibilidade de novos investimentos.<\/p>\n<p>Os governos (federal, estaduais e municipais) aparentemente j\u00e1 entenderam a mensagem. A sociedade civil tamb\u00e9m est\u00e1 atenta. Os \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o acenderam a luz vermelha e j\u00e1 tornaram a educa\u00e7\u00e3o pauta de suas reportagens e editoriais. As empresas privadas est\u00e3o preocupadas com a qualidade da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, pois temem que no futuro possam sofrer com um verdadeiro apag\u00e3o da m\u00e3o-de-obra (escassez de profissionais qualificados para realizar os trabalhos dispon\u00edveis e necess\u00e1rios \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o de seus neg\u00f3cios). H\u00e1 o risco de at\u00e9 mesmo investidores externos migrarem as aplica\u00e7\u00f5es nos setores produtivos que aqui fariam para pa\u00edses em que a educa\u00e7\u00e3o seja de alto padr\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante dessas perspectivas, com a faca no pesco\u00e7o, creio que todos sabem que qualquer perda de tempo quanto \u00e0s necess\u00e1rias e prementes reformas educacionais significar\u00e1 pen\u00faria, desemprego, mais gente passando necessidade, menor arrecada\u00e7\u00e3o para os governos, menos divisas para as empresas.Podemos ainda destacar que as mudan\u00e7as no Enem, ao definirem como objetivos a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao ensino universit\u00e1rio, a mobilidade acad\u00eamica e a reestrutura\u00e7\u00e3o do Ensino M\u00e9dio no pa\u00eds, tamb\u00e9m por isso se aproximam da Reforma Protestante, ao menos em sua ess\u00eancia.<\/p>\n<p>E, certamente, entre os nobres prop\u00f3sitos explicitados quanto ao Enem, todos valios\u00edssimos enquanto ideias propostas, temos que assinalar como o mais importante a reestrutura\u00e7\u00e3o do Ensino M\u00e9dio, transformado durante tantos anos apenas numa ponte para se chegar \u00e0 universidade. At\u00e9 agora, o que vemos (ainda) \u00e9 uma etapa decisiva da forma\u00e7\u00e3o educacional &#8211; durante a qual se realizam trabalhos com adolescentes em ebuli\u00e7\u00e3o e efervesc\u00eancia hormonal, f\u00edsica, emocional e cultural &#8211; sendo utilizada apenas como reposit\u00f3rio de informa\u00e7\u00f5es e dados. Seria como se pass\u00e1ssemos os tr\u00eas anos no Ensino M\u00e9dio a ensinar a esses alunos as senhas necess\u00e1rias para que eles, ao final da travessia, possam utilizar-se delas no momento de um &#8220;ped\u00e1gio&#8221; para entrar na universidade, sem que depois tenham que se preocupar com tais saberes porque eles teriam se tornado desnecess\u00e1rios, sup\u00e9rfluos e pouco significativos para suas experi\u00eancias posteriores.<\/p>\n<p>Neste sentido, outra reforma anunciada pelo MEC, atrav\u00e9s do Conselho de Educa\u00e7\u00e3o, na estrutura do Ensino M\u00e9dio &#8211; com a proposi\u00e7\u00e3o de quatro eixos de trabalho ao redor do qual funcionar\u00e3o os curr\u00edculos (Trabalho, Cultura, Ci\u00eancia e Tecnologia) e a amplia\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria para 3 mil horas -, constitui importante parte do esfor\u00e7o de consolida\u00e7\u00e3o de uma nova etapa de vida para este momento da forma\u00e7\u00e3o de nossos estudantes. Esfor\u00e7o este que somente tem valor quando percebido, assim como as mudan\u00e7as do ENEM, enquanto parte de um conglomerado de a\u00e7\u00f5es que, conjuntamente, ir\u00e3o reformular n\u00e3o apenas o Ensino M\u00e9dio ou o acesso \u00e0 universidade, mas a educa\u00e7\u00e3o e, como consequ\u00eancia, a pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n<p>Somente assim nossos jovens deixar\u00e3o de ingressar nas universidades sem os essenciais subs\u00eddios culturais, emocionais, humanit\u00e1rios, cient\u00edficos e t\u00e9cnicos demandados pela sociedade para a constitui\u00e7\u00e3o de um futuro melhor para todos e para o pa\u00eds. A\u00ed sim poder\u00edamos ter uma clara vis\u00e3o daquilo que surgiu com a efetiva\u00e7\u00e3o de Reformas ou Reformula\u00e7\u00f5es na educa\u00e7\u00e3o brasileira, com a escola que esperamos finalmente de p\u00e9, reconstru\u00edda e modernizada.<\/p>\n<p>* Jo\u00e3o Lu\u00eds de Almeida Machado \u00e9 Editor do Portal Planeta Educa\u00e7\u00e3o; Doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela PUC-SP; Autor do livro &#8220;Na Sala de Aula com a S\u00e9tima Arte &#8211; Aprendendo com o Cinema&#8221; (Editora Intersubjetiva)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mais famosa Reforma da hist\u00f3ria, ocorrida no s\u00e9culo XVI, levou ao surgimento do Protestantismo e das igrejas Luterana, Calvinista e Anglicana. Consolidou-se a partir da a\u00e7\u00e3o de homens que, movidos por ideais e interesses, uniram-se em torno de propostas que j\u00e1 eram discutidas e divulgadas na Europa h\u00e1 pelo menos 200 anos. 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