{"id":69458,"date":"2015-04-23T18:48:20","date_gmt":"2015-04-23T21:48:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=69458"},"modified":"2015-04-23T18:48:20","modified_gmt":"2015-04-23T21:48:20","slug":"universidades-privadas-expandem-atuacao-em-paises-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/universidades-privadas-expandem-atuacao-em-paises-da-america-latina\/69458","title":{"rendered":"Universidades privadas expandem atua\u00e7\u00e3o em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>Elton Alisson, de Buenos Aires | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O n\u00famero de estudantes matriculados no <strong><em>ensino superior<\/em><\/strong> no Brasil mais que triplicou em um per\u00edodo de 13 anos, saltando de pouco mais de 2 milh\u00f5es em 2000 para quase 9,5 milh\u00f5es em 2013.<\/p>\n<p>Apesar do esfor\u00e7o para expandir o ensino superior p\u00fablico no pa\u00eds nesse mesmo per\u00edodo \u2013 em que o n\u00famero de vagas nas universidades p\u00fablicas saltou de menos de 1 milh\u00e3o para 1,9 milh\u00e3o \u2013, o setor privado acompanhou esse crescimento e continua tendo os mesmos 76% de participa\u00e7\u00e3o no total de estudantes matriculados que possu\u00eda em 2000.<\/p>\n<p>\u201cEmbora, principalmente, as universidades federais tenham expandido o n\u00famero de vagas nesse per\u00edodo, as institui\u00e7\u00f5es privadas tamb\u00e9m cresceram bastante e continuam com a mesma propor\u00e7\u00e3o no total de alunos matriculados no ensino superior no pa\u00eds\u201d, disse Elisabeth Balbachevsky, pesquisadora do N\u00facleo de Pesquisa de Pol\u00edticas P\u00fablicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), em uma mesa-redonda sobre os desafios da educa\u00e7\u00e3o superior no Brasil e na Argentina durante a , realizada na capital argentina, entre os dias 7 e 10 de abril.<\/p>\n<p>O mesmo avan\u00e7o das institui\u00e7\u00f5es privadas no ensino superior no Brasil tamb\u00e9m \u00e9 observado na Argentina, apontaram pesquisadores do pa\u00eds que participaram da mesa-redonda.<\/p>\n<p>O n\u00famero de estudantes matriculados em cursos superiores argentinos entre 2000 e 2012 aumentou 75,4% em institui\u00e7\u00f5es privadas, enquanto no setor p\u00fablico a taxa de crescimento no per\u00edodo foi de 4,8%.<\/p>\n<p>J\u00e1 o n\u00famero de estudantes egressos de cursos superiores aumentou 127,5% no setor privado no mesmo per\u00edodo contra 56,2% do setor p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cA Am\u00e9rica Latina, juntamente com o Leste Asi\u00e1tico, s\u00e3o as duas regi\u00f5es do mundo onde as institui\u00e7\u00f5es privadas de ensino superior expandiram muito e dominaram o ensino superior\u201d, disse Marcelo Alberto Rabossi, professor da Universidade Torcuato di Tella.<\/p>\n<p>No Brasil, a primeira universidade privada foi aberta em 1933. J\u00e1 na Argentina, que junto com Uruguai foram os dois pa\u00edses na Am\u00e9rica do Sul que mais resistiram \u00e0s institui\u00e7\u00f5es privadas, a primeira universidade particular foi aberta 25 anos depois, em 1958.<\/p>\n<p>\u201cNo caso argentino, a expans\u00e3o do ensino superior foi r\u00e1pida durante a d\u00e9cada de 1960 e, logo em seguida, ficou estagnada em 20% do total de estudantes matriculados no pa\u00eds\u201d, disse Rabossi.<\/p>\n<p>\u201cNo caso brasileiro, j\u00e1 na d\u00e9cada de 1930 o setor de ensino superior privado absorvia mais de 30% do total das matr\u00edculas. Atualmente, tr\u00eas de cada quatro graduandos no Brasil estudam em institui\u00e7\u00f5es particulares\u201d, comparou.<\/p>\n<p>Converg\u00eancia dos setores<\/p>\n<p>De acordo com Rabossi, na Argentina a expans\u00e3o do setor privado universit\u00e1rio tem sido mais tolerada do que estimulada.<\/p>\n<p>\u201cEm \u00e9pocas de restri\u00e7\u00e3o fiscal, o governo preferiu expandir o setor p\u00fablico e manter a hegemonia e o controle absoluto do sistema, ao custo de manter baixo os sal\u00e1rios dos docentes e n\u00e3o poder controlar a qualidade de todo o sistema, do que estimular o aumento das institui\u00e7\u00f5es privadas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>No Brasil est\u00e1 ocorrendo uma certa converg\u00eancia entre os setores privado e p\u00fablico do ponto de vista da oferta de cursos, apontou Balbachevsky. \u201cO setor privado universit\u00e1rio parece estar saindo do confinamento de oferecer cursos que exigem menos investimentos \u2013 que n\u00e3o necessitam de laborat\u00f3rios e de toda uma infraestrutura mais complexa \u2013 e come\u00e7a a avan\u00e7ar para cursos como os de Engenharia e Medicina, por exemplo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Quase a metade dos estudantes de gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia no pa\u00eds hoje est\u00e1 matriculada em institui\u00e7\u00f5es com fins lucrativos, apontou Renato Pedrosa, professor do Departamento de Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica (DPCT) do Instituto de Geoci\u00eancias (IG) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos cinco anos, o setor privado universit\u00e1rio no Brasil come\u00e7ou a graduar mais engenheiros do que o sistema p\u00fablico\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cAs diferen\u00e7as entre os dois setores, contudo, continuam sendo imensas\u201d, ponderou. No setor p\u00fablico, a maior parte dos professores tem contrato de trabalho em tempo integral e uma carga hor\u00e1ria de aulas menor para se dedicar \u00e0 pesquisa\u201d, disse Balbachevsky.<\/p>\n<p>Outra diferen\u00e7a entre os dois setores est\u00e1 na oferta de cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, que \u00e9 maior no setor p\u00fablico, comparou a pesquisadora. \u201c\u00c9 na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o que o setor p\u00fablico universit\u00e1rio se destaca, particularmente por meio das universidades federais\u201d, disse.<\/p>\n<p>O n\u00famero de alunos matriculados em cursos de mestrado em universidades federais no Brasil saltou de 25 mil em 2000 para quase 150 mil em 2012. J\u00e1 o de doutorado aumentou de 10 mil para 30 mil no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Nas universidades estaduais, o n\u00famero de alunos matriculados em cursos de mestrado avan\u00e7ou de 20 mil para 50 mil e de doutorado de 10 mil para 20 mil.<\/p>\n<p>\u201cAs tr\u00eas universidades estaduais paulistas [USP, Unicamp e Unesp] respondem por 88% das matr\u00edculas de mestrado e doutorado entre as universidades estaduais de todo o pa\u00eds\u201d, comparou Balbachevsky.<\/p>\n<p>Algumas poucas universidades privadas tamb\u00e9m t\u00eam programas de mestrado e de doutorado, ainda que o principal foco sejam os cursos de gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das modalidades de cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em que t\u00eam maior participa\u00e7\u00e3o, segundo Balbachevsky, \u00e9 no mestrado profissional \u2013 modalidade de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o voltada para a capacita\u00e7\u00e3o de profissionais para atender \u00e0 demanda do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cEmbora o mestrado acad\u00eamico v\u00e1 completar 20 anos de regulamenta\u00e7\u00e3o, as universidades p\u00fablicas n\u00e3o aceitam muito bem essa modalidade de curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e eles passaram a ser oferecidos, em maior parte, pelo setor privado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Apresenta\u00e7\u00f5es feitas na FAPESP Week Buenos Aires e mais informa\u00e7\u00f5es sobre o simp\u00f3sio est\u00e3o em:.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson, de Buenos Aires | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O n\u00famero de estudantes matriculados no ensino superior no Brasil mais que triplicou em um per\u00edodo de 13 anos, saltando de pouco mais de 2 milh\u00f5es em 2000 para quase 9,5 milh\u00f5es em 2013. 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