{"id":70763,"date":"2015-05-29T11:31:23","date_gmt":"2015-05-29T14:31:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=70763"},"modified":"2015-05-29T11:31:23","modified_gmt":"2015-05-29T14:31:23","slug":"especialistas-discutem-desafios-para-acelerar-transferencia-de-tecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/especialistas-discutem-desafios-para-acelerar-transferencia-de-tecnologia\/70763","title":{"rendered":"Especialistas discutem desafios para acelerar transfer\u00eancia de tecnologia"},"content":{"rendered":"<p>Diego Freire, de Barcelona | Ag\u00eancia FAPESP &#8211; A experi\u00eancia de incentivo \u00e0 <em><strong>transfer\u00eancia de tecnologia<\/strong><\/em> ao longo da constru\u00e7\u00e3o da nova fonte brasileira de luz s\u00edncrotron, em Campinas (SP), foi um dos casos de intera\u00e7\u00e3o bem-sucedida entre institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e empresas compartilhados durante a programa\u00e7\u00e3o da .<\/p>\n<p>Realizado pela FAPESP em parceria com os Centres de Recerca de Catalunya (Cerca), o evento reuniu pesquisadores de S\u00e3o Paulo e da comunidade aut\u00f4noma da Catalunha.<\/p>\n<p>Em 2014, a FAPESP e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) abriram a primeira sele\u00e7\u00e3o p\u00fablica para o desenvolvimento do novo s\u00edncrotron brasileiro, batizado com o nome de Sirius, que est\u00e1 sendo constru\u00eddo pelo Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. O objetivo \u00e9 apoiar o desenvolvimento de produtos, processos e servi\u00e7os inovadores oferecidos por empresas no Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>De acordo com Harry Westfahl J\u00fanior, do LNLS, um dos participantes da mesa-redonda que discutiu a transfer\u00eancia de tecnologia na pesquisa brasileira e na Catalunha, a iniciativa busca desenvolver tanto a institui\u00e7\u00e3o, por meio do provimento de parte da tecnologia necess\u00e1ria para o funcionamento do Sirius, como as empresas que atuam em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cTodo o projeto de desenvolvimento do Sirius foi estruturado de forma que o investimento n\u00e3o ocorresse somente na ci\u00eancia em torno do acelerador, mas tamb\u00e9m se revertesse para a economia local. Quando voc\u00ea precisa que companhias se envolvam no projeto e produzam tecnologia, \u00e9 importante criar meios para que elas tamb\u00e9m se desenvolvam\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para o pesquisador, a parceria melhora a institui\u00e7\u00e3o, que se beneficia da tecnologia produzida, e as empresas, que aprendem e absorvem t\u00e9cnicas e processos novos.<\/p>\n<p>Uma das primeiras fontes de luz s\u00edncrotron de 4\u00aa gera\u00e7\u00e3o em todo o mundo, o Sirius ser\u00e1 composto por um acelerador s\u00edncrotron de 3 GeV e 0.28 nm radiano de emit\u00e2ncia, permitindo que o Brasil se mantenha competitivo na \u00e1rea pelas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas, o que exige novas tecnologias.<\/p>\n<p>\u201cAs centenas de magnetos que comp\u00f5em o acelerador se parecem com partes de motores ou geradores, mas possuem algumas especificidades. A empresa que est\u00e1 trabalhando nisso logo percebeu que essas especificidades estavam al\u00e9m do que ela fazia at\u00e9 ent\u00e3o e chegou a montar um laborat\u00f3rio em meio \u00e0s suas instala\u00e7\u00f5es dedicadas ao Sirius. Foi um investimento que n\u00e3o s\u00f3 permitir\u00e1 atender \u00e0s necessidade do acelerador, mas que tamb\u00e9m fez com que a empresa crescesse e ampliasse seu core business\u201d, exemplificou Westfahl Jr.<\/p>\n<p>Os recursos da chamada da FAPESP com a Finep, j\u00e1 em fase de sele\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o de R$ 40 milh\u00f5es, divididos igualmente entre as duas institui\u00e7\u00f5es. Foram submetidas 22 propostas e cada uma das selecionadas poder\u00e1 receber at\u00e9 R$ 1,5 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>Vale do Sil\u00edcio brasileiro<\/p>\n<p>Em julho do ano 2000, a revista norte-americana de tecnologia Wired definiu a cidade paulista de Campinas, onde est\u00e1 sendo constru\u00eddo o Sirius, como \u201ca l\u00edder na revolu\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es no Brasil\u201d e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) como \u201ca resposta do Brasil ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)\u201d.\u00a0Para Hugo Luis Fragnito, do Instituto de F\u00edsica Gleb Wataghin da Unicamp, o reconhecimento se deve ao modelo de transfer\u00eancia de tecnologia adotado pela institui\u00e7\u00e3o desde a d\u00e9cada de 1970, que levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um programa na \u00e1rea de comunica\u00e7\u00f5es \u00f3pticas e, em seguida, ao desenvolvimento da primeira fibra \u00f3ptica brasileira.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de um modelo simples, que passa da universidade para as ind\u00fastrias por meio de centros de pesquisa e desenvolvimento, mas que contempla tamb\u00e9m a transfer\u00eancia de \u2018c\u00e9rebros\u2019 \u2013 os pesquisadores s\u00e3o transferidos junto com a tecnologia, contribuindo para que n\u00e3o s\u00f3 ela avance, mas tamb\u00e9m o conhecimento\u201d, disse na mesa-redonda.<\/p>\n<p>Fragnito chamou a aten\u00e7\u00e3o para o papel da universidade no processo. \u201c\u00c9 preciso que as institui\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de boas ideias, tenham pessoal adequadamente treinado para dar suporte ao pesquisador, criando um ambiente favor\u00e1vel \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de oportunidades. A Catalunha tem experi\u00eancias positivas nesse sentido, especialmente em \u00e1reas ligadas \u00e0 biotecnologia\u201d, comentou.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso do Vall d&#8217;Hebron Institut d\u2019Oncologia (VHIO), em Barcelona, que atua na identifica\u00e7\u00e3o de novos fundos de pesquisa e de patrocinadores externos e institui\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas para financiamento de inova\u00e7\u00f5es e fornece suporte administrativo, t\u00e9cnico e cient\u00edfico cont\u00ednuo a pesquisadores, incluindo supervis\u00e3o de procedimentos de patentes.<\/p>\n<p>Para Laura Soucek, do VHIO, que tamb\u00e9m participou das discuss\u00f5es, o maior desafio \u00e9 lidar com a dificuldade dos pesquisadores em tratar de desenvolvimento de neg\u00f3cios em suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso ter na equipe algu\u00e9m especializado em neg\u00f3cios e a universidade deve dar esse suporte aos pesquisadores. O Brasil, em termos de gerenciamento da transfer\u00eancia de tecnologia em projetos de grandes propor\u00e7\u00f5es, como o Sirius e outras iniciativas na Unicamp e nas demais universidades de S\u00e3o Paulo, est\u00e1 \u00e0 frente e tem muito a ensinar com as pontes que est\u00e3o sendo constru\u00eddas entre institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e empresas\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Freire, de Barcelona | Ag\u00eancia FAPESP &#8211; A experi\u00eancia de incentivo \u00e0 transfer\u00eancia de tecnologia ao longo da constru\u00e7\u00e3o da nova fonte brasileira de luz s\u00edncrotron, em Campinas (SP), foi um dos casos de intera\u00e7\u00e3o bem-sucedida entre institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e empresas compartilhados durante a programa\u00e7\u00e3o da . 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