{"id":72246,"date":"2015-07-06T06:41:33","date_gmt":"2015-07-06T09:41:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=72246"},"modified":"2015-07-06T06:41:33","modified_gmt":"2015-07-06T09:41:33","slug":"estudo-deve-tornar-mais-precisa-a-previsao-de-tempestades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/estudo-deve-tornar-mais-precisa-a-previsao-de-tempestades\/72246","title":{"rendered":"Estudo deve tornar mais precisa a previs\u00e3o de tempestades"},"content":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em um \u00a0recentemente na revista Monthly Weather Review, uma equipe de pesquisadores franco-brasileira identificou e corrigiu uma falha existente em modelos matem\u00e1ticos usados para simular os processos de forma\u00e7\u00e3o de nuvens e de <em><strong>chuva<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>De acordo com os autores, o trabalho dever\u00e1 tornar mais precisa a previs\u00e3o de tempestades. \u201cComparamos uma simula\u00e7\u00e3o feita com um modelo de alta resolu\u00e7\u00e3o com dados observacionais coletados em 2012, na cidade de Santa Maria (RS), situada em uma regi\u00e3o considerada ber\u00e7o das maiores tempestades do planeta\u201d, disse Luiz Augusto Toledo Machado, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n<p>\u201cNotamos que, no modelo, apareciam muitas nuvens pequenas que n\u00e3o haviam sido observadas na realidade por meio de sat\u00e9lites e radares de chuva e decidimos investigar por que isso ocorria\u201d, disse Machado. O estudo integra um  apoiado pela FAPESP e coordenado pelo pesquisador.<\/p>\n<p>A coleta de dados em Santa Maria integrou uma grande campanha cient\u00edfica realizada entre os anos de 2010 e 2014 no \u00e2mbito do\u00a0, cujo objetivo \u00e9 desvendar os processos f\u00edsicos que ocorrem no interior das nuvens, descobrir a varia\u00e7\u00e3o de par\u00e2metros como o tamanho das gotas de chuva, a propor\u00e7\u00e3o das camadas de \u00e1gua e de gelo e o funcionamento das descargas el\u00e9tricas para, desta forma, aprimorar a previs\u00e3o de eventos extremos (leia mais em: ).<\/p>\n<p>Conforme explicou Machado, o tipo de tempestade que costuma se formar nessa regi\u00e3o do Sul do Brasil \u00e9 conhecido como complexo convectivo de mesoescala (CCM) e para simul\u00e1-lo foi usado um modelo desenvolvido na Fran\u00e7a conhecido como Meso-NH (modelo atmosf\u00e9rico de mesoescala n\u00e3o hidrost\u00e1tica).<\/p>\n<p>O trabalho foi feito em parceria com Jean-Pierre Chaboureau, do Laboratoire d\u2019A\u00e9rologie, vinculado ao Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS).<\/p>\n<p>\u201cComumente, os modelos regionais que simulam a forma\u00e7\u00e3o de nuvens trabalham com uma escala da ordem de 10 quil\u00f4metros (km), ou seja, s\u00e3o capazes de gerar uma informa\u00e7\u00e3o a cada 10 km. O Meso-NH gera uma informa\u00e7\u00e3o a cada 2 km e por isso \u00e9 considerado de alta resolu\u00e7\u00e3o, resolvendo de forma mais expl\u00edcita a nuvem. Essa \u00e9 a tend\u00eancia para o futuro, que nos permitir\u00e1 prever, por exemplo, a ocorr\u00eancia de chuva em cada bairro de uma cidade\u201d, disse Machado.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o entre os dados reais e simulados foi feita com uma t\u00e9cnica inovadora de rastreamento capaz de calcular a distribui\u00e7\u00e3o do tamanho e do tempo de vida das nuvens e da chuva e produzir histogramas que permitem comparar o tamanho e a altura das nuvens simuladas e observadas por sat\u00e9lite e radar.<\/p>\n<p>Ao investigar por que os dados simulados n\u00e3o condiziam com os reais, os pesquisadores descobriram que o modelo n\u00e3o representava com exatid\u00e3o como ocorria a mistura do ar existente dentro e fora da nuvem \u2013 processo conhecido como entranhamento.<\/p>\n<p>\u201cO entranhamento \u00e9 uma medida determinada pela turbul\u00eancia [ mistura do ar de dentro e de fora]. No modelo, a turbul\u00eancia era parametrizada em uma dimens\u00e3o. N\u00f3s ent\u00e3o fizemos uma parametriza\u00e7\u00e3o tridimensional e alteramos o comprimento de mistura [dist\u00e2ncia entre a parcela de ar que vai entrar na nuvem e a parcela que j\u00e1 est\u00e1 dentro] para torn\u00e1-lo um pouco maior\u201d, disse Machado.<\/p>\n<p>Com as modifica\u00e7\u00f5es, contou o pesquisador, foi poss\u00edvel tornar mais similar a distribui\u00e7\u00e3o de tamanho e altura das nuvens simuladas e reais.<\/p>\n<p>\u201cIsso sem d\u00favida ter\u00e1 impacto na qualidade da previs\u00e3o de chuva. Em um estudo de caso, demonstramos que o grau de acerto melhora com a corre\u00e7\u00e3o da turbul\u00eancia\u201d, disse Machado.<\/p>\n<p>Estudos anteriores, contou o pesquisador, haviam sugerido a exist\u00eancia de problemas semelhantes em outros modelos matem\u00e1ticos de forma\u00e7\u00e3o de nuvens, que poder\u00e3o ser corrigidos usando abordagem semelhante.<\/p>\n<p>O artigo \u00e9 um dos primeiros desdobramentos do Projeto Chuva, que incluiu, al\u00e9m de Santa Maria, campanhas de coleta de dados nas cidades de Alc\u00e2ntara (MA), Fortaleza (CE), Bel\u00e9m (PA), S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP) e Manaus (AM). As regi\u00f5es escolhidas para a pesquisa de campo representam os diferentes regimes de precipita\u00e7\u00e3o existentes no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em um \u00a0recentemente na revista Monthly Weather Review, uma equipe de pesquisadores franco-brasileira identificou e corrigiu uma falha existente em modelos matem\u00e1ticos usados para simular os processos de forma\u00e7\u00e3o de nuvens e de chuva. De acordo com os autores, o trabalho dever\u00e1 tornar mais precisa a previs\u00e3o de tempestades. 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