{"id":72587,"date":"2015-07-13T16:27:31","date_gmt":"2015-07-13T19:27:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=72587"},"modified":"2015-07-13T16:27:31","modified_gmt":"2015-07-13T19:27:31","slug":"uma-ponte-entre-ensino-e-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/uma-ponte-entre-ensino-e-pesquisa\/72587","title":{"rendered":"Uma ponte entre ensino e pesquisa"},"content":{"rendered":"<p>No\u00eamia Lopes, de Ribeir\u00e3o Preto, Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em 2001, \u00c1damo Davi Di\u00f3genes Siena tinha 12 anos e queria ser goleiro de futebol. Ele estudava na rede p\u00fablica de ensino de Ribeir\u00e3o Preto, no interior de S\u00e3o Paulo, e n\u00e3o imaginava que participar de um <em><strong>programa sobre pesquisa cient\u00edfica<\/strong><\/em> daria um novo rumo aos seus sonhos de crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Foi naquele ano que Siena conheceu a , ent\u00e3o rec\u00e9m-criada no Hemocentro de Ribeir\u00e3o Preto como bra\u00e7o educacional do  (CTC), um dos  (CEPIDs) financiados pela FAPESP.<\/p>\n<p>Ali, pesquisadores, professores de ensino b\u00e1sico e estudantes t\u00eam um ponto de encontro e de troca de conhecimentos \u2013 que toma forma principalmente por meio da orienta\u00e7\u00e3o para a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, com apoio de palestras tem\u00e1ticas, pr\u00e1ticas de laborat\u00f3rio, observa\u00e7\u00f5es e coletas em campo, registros de processos e resultados e avalia\u00e7\u00e3o de projetos.<\/p>\n<p>O contato com essa atmosfera fez Siena trocar a bola pela biologia molecular. \u201cGostei tanto de estudar microrganismos que n\u00e3o parei mais\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Foram poucos anos entre os primeiros experimentos e a gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal. Tamb\u00e9m n\u00e3o demorou para Siena voltar \u00e0 Casa da Ci\u00eancia, onde trabalhou como integrante da equipe at\u00e9 2013. Hoje, ele \u00e9 mestrando na Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMRP\/USP) e colaborador da Casa.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias como a de Siena fazem com que Marisa Ramos Barbieri, coordenadora de Educa\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o do Conhecimento do CTC e professora aposentada do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras de Ribeir\u00e3o Preto (FFCLRP\/USP), comemore a consolida\u00e7\u00e3o de um m\u00e9todo de trabalho que, h\u00e1 14 anos, vem aproximando ensino e pesquisa.<\/p>\n<p>\u201cHoje, funcionamos como uma ponte entre a escola e a universidade. Mas foi uma conquista lenta, que requer uma permanente renova\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos. Isso porque a forma\u00e7\u00e3o dos professores de ensino b\u00e1sico falha ao afast\u00e1-los da pesquisa e a forma\u00e7\u00e3o dos p\u00f3s-graduandos falha ao distanci\u00e1-los do ensino. Precisamos investir em parcerias duradoras, capazes de ir muito al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es como visitas ao campus\u201d, disse.<\/p>\n<p>Um exemplo desse investimento era o que se via em um dos p\u00e1tios do Hemocentro de Ribeir\u00e3o Preto no dia 25 de junho, quando mais de 80 alunos, com idade a partir de 12 anos, apresentavam os resultados de investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas conduzidas ao longo de um semestre com apoio de seus professores de escola e sob a orienta\u00e7\u00e3o de p\u00f3s-graduandos e pesquisadores da USP e do Hemocentro.<\/p>\n<p>O evento, batizado como Mural da Casa da Ci\u00eancia, est\u00e1 em sua 21\u00aa edi\u00e7\u00e3o e \u00e9 a culmin\u00e2ncia bianual dos programas Adote um Cientista e Pequeno Cientista, mantidos pela Casa da Ci\u00eancia. O primeiro deles, criado em 2004, realiza encontros semanais no contraturno das aulas regulares e consiste em palestras e grupos de estudos sobre temas ligados a \u00e1reas como terapia celular, neuroci\u00eancia, gen\u00e9tica, epidemiologia e parasitologia.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 em 2012, foi implantado, como um desdobramento, o Pequeno Cientista: os alunos participantes do Adote um Cientista s\u00e3o convidados a integrar projetos mais pr\u00f3ximos da inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, planejados previamente pelos palestrantes, p\u00f3s-graduandos que atuam tamb\u00e9m como orientadores\u201d, explicou Barbieri.<\/p>\n<p>Ao longo de seis meses, os estudantes se re\u00fanem semanalmente com seus orientadores, sempre ap\u00f3s as palestras e por cerca de 45 minutos. Quase todos os encontros ocorrem na Casa da Ci\u00eancia do Hemocentro, mas alguns grupos se deslocam pelo campus da USP conforme as exig\u00eancias do trabalho que est\u00e3o desenvolvendo. \u201cNeste ano, por exemplo, um deles foi \u00e0 radiologia e outro \u00e0 gen\u00e9tica da Faculdade de Medicina. Um terceiro, que estudava depress\u00e3o, foi ao Hospital Dia\u201d, contou Barbieri.<\/p>\n<p>\u201cA diversidade de temas \u00e9 muito rica. Como somos parte de um centro de pesquisa vinculado \u00e0 sa\u00fade, a maioria dos projetos acaba inserida nas ci\u00eancias biol\u00f3gicas. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 projetos que abordam m\u00fasica, fotografia, matem\u00e1tica, entre outros temas\u201d, disse o bi\u00f3logo Fernando Rossi Trigo, integrante da equipe da Casa da Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do , a Casa da Ci\u00eancia tamb\u00e9m conta com financiamento do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em Terapia Celular (INCTC), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e do Hemocentro de Ribeir\u00e3o Preto.<\/p>\n<p>Impacto no ensino e na aprendizagem<\/p>\n<p>O conte\u00fado discutido e investigado nas atividades do Pequeno Cientista \u00e9 considerado de grande relev\u00e2ncia para os estudantes, tanto que, para que mais alunos da regi\u00e3o possam participar, os professores promovem uma esp\u00e9cie de rod\u00edzio dentro de suas respectivas unidades. Al\u00e9m disso, atividades similares \u00e0s do programa s\u00e3o promovidas em janeiro e julho, pela mesma equipe, para quem n\u00e3o consegue frequentar a Casa da Ci\u00eancia durante os meses letivos. Mas a experi\u00eancia de Barbieri mostra que o reflexo na aprendizagem ultrapassa os limites curriculares.<\/p>\n<p>\u201cQuando perguntamos a ex-participantes qual a maior influ\u00eancia que a Casa da Ci\u00eancia exerceu em suas vidas, eles s\u00e3o un\u00e2nimes em afirmar que, aqui, aprenderam mais do que conte\u00fados: aprenderam a estudar. Como? Relacionando conceitos nas palestras e nos grupos de pesquisa, registrando as aprendizagens e principalmente fazendo perguntas\u201d, disse ela.<\/p>\n<p>Nas palavras de Olavo Caetano In\u00e1cio, 13 anos, aluno da EMEF\/T\u00e9cnico em Qu\u00edmica da cidade de Luiz Antonio, a cerca de 50 quil\u00f4metros de Ribeir\u00e3o Preto, durante as apresenta\u00e7\u00f5es do Mural: \u201cA gente come\u00e7a a ver o mundo de outro jeito, com um olhar cient\u00edfico, querendo entender como as coisas funcionam\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFica claro, para n\u00f3s, que os estudantes se percebem como construtores de conhecimento, capazes de ter ideias, relacionar conceitos e criar hip\u00f3teses, assim como fazem os cientistas\u201d, afirmou Fl\u00e1via Fulukava do Prado, veterin\u00e1ria e bolsista da Casa da Ci\u00eancia pelo INCTC. \u201cE tudo isso em grupo, com a riqueza da troca de conhecimento entre diferentes idades, escolas e repert\u00f3rios. D\u00e1 muito certo\u201d, completou.<\/p>\n<p>Barbieri, Rossi Trigo, Fulukava do Prado e os demais membros da equipe relatam que a mudan\u00e7a de atitude \u00e9 t\u00e3o grande que termina por extrapolar as aulas de Ci\u00eancias \u2013 os alunos tentam levar procedimentos e pr\u00e1ticas do Pequeno Cientista para aulas de Hist\u00f3ria e Geografia, por exemplo.<\/p>\n<p>As atividades regulares do programa muitas vezes tamb\u00e9m se estendem, por iniciativa dos pr\u00f3prios grupos, para f\u00f3runs, blogs, perfis coletivos em redes sociais e pe\u00e7as de teatro encenadas nas escolas.<\/p>\n<p>\u201cMais interesse em estudar e melhorias no desempenho escolar s\u00e3o outros ganhos que percebemos com frequ\u00eancia, assim como um amadurecimento para editar o material das investiga\u00e7\u00f5es e fazer apresenta\u00e7\u00f5es orais, habilidades exercitadas no planejamento do Mural\u201d, afirmou Barbieri. \u201cSem contar que h\u00e1 v\u00e1rios casos de alunos que chegam sem conhecer tarefas simples, como fazer medi\u00e7\u00f5es e trabalhar com tubos de ensaios, lupas e microsc\u00f3pios, e terminam por domin\u00e1-las aqui conosco.\u201d<\/p>\n<p>Os demais atores envolvidos no processo tamb\u00e9m acumulam ganhos. \u201cOs professores podem participar das palestras e demais iniciativas dos programas. J\u00e1 oferecemos cursos de especializa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o para docentes. Acreditamos que, no m\u00ednimo, a pesquisa tem uma contribui\u00e7\u00e3o enorme a fazer \u00e0queles que ensinam, que \u00e9 transmitir a cultura da documenta\u00e7\u00e3o, do registro para a cria\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria e para a avalia\u00e7\u00e3o de resultados\u201d, disse Barbieri.<\/p>\n<p>J\u00e1 entre os p\u00f3s-graduandos, a coordenadora lembrou que h\u00e1 um bom treino de orienta\u00e7\u00e3o, importante tanto no presente, ao compartilharem conhecimentos com os estudantes do ensino b\u00e1sico, quanto no futuro, se vierem, em suas carreiras acad\u00eamicas, a orientar mestrandos e doutorandos.<\/p>\n<p>O n\u00famero de pessoas interessadas em atuar como orientadores de alunos e avaliadores do Mural vem aumentando. No dia do evento, quem avaliava observava se os projetos tinham uma pergunta inicial, se ela tinha sido respondida, se novas hip\u00f3teses surgiram ao longo do processo e se o desenvolvimento da investiga\u00e7\u00e3o e de seus resultados estavam sendo bem comunicados, entre outros aspectos.<\/p>\n<p>\u201cO ciclo virtuoso que tem se formado em torno dos programas da Casa da Ci\u00eancia faz com que cada vez mais gente conhe\u00e7a a iniciativa. Sempre fomos \u00e0s escolas e secretarias de educa\u00e7\u00e3o de Ribeir\u00e3o Preto e regi\u00e3o convidar alunos e professores. Desde o ano passado, temos mais procura do que vagas \u2013 embora persistam obst\u00e1culos como a necessidade de se conseguir transporte junto \u00e0s prefeituras\u201d, contou Barbieri.<\/p>\n<p>Outras iniciativas<\/p>\n<p>Desdobramentos que nascem de atividades presenciais enriquecem o conte\u00fado disponibilizado no , que recebe, em m\u00e9dia, 36 mil acessos mensais e j\u00e1 contabiliza quase 1,6 milh\u00e3o de acessos desde que a atual plataforma foi criada, em 2009.<\/p>\n<p>A se\u00e7\u00e3o Adote em Pauta, por exemplo, re\u00fane textos produzidos pela equipe da Casa a partir das filmagens dos encontros semanais do Adote um Cientista.<\/p>\n<p>\u201cOs registros s\u00e3o baseados nas palestras, na intera\u00e7\u00e3o entre os profissionais que as ministram e os alunos, e est\u00e3o se transformando, conforme podemos notar pelos coment\u00e1rios e e-mails que recebemos, em artigos de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, utilizados em aulas de escolas e faculdades\u201d, disse Gisele Oliveira, jornalista da Casa da Ci\u00eancia. Para ilustrar o alcance da repercuss\u00e3o, ela cita um texto sobre teratomas, assunto de uma palestra de 2013, que j\u00e1 recebeu quase 30 mil cliques.<\/p>\n<p>Adote uma Experi\u00eancia \u00e9 outro caso semelhante. Trata-se de uma se\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos organizada por \u00c1damo Siena enquanto era integrante fixo da equipe. \u201cV\u00edamos que muitos alunos tinham pouco contato com a pr\u00e1tica de realizar experimentos e gostar\u00edamos de trazer mais grupos ao nosso laborat\u00f3rio. Como isso n\u00e3o era poss\u00edvel, decidimos investir em filmagens de tr\u00eas a quatro minutos, com perguntas, procedimentos e um desafio, utilizando instrumentos simples, como sementes, folhas e bexigas, para que a proposta pudesse ser replicada\u201d, contou.<\/p>\n<p>Se no passado a Casa da Ci\u00eancia produzia um jornal impresso e reservava ao site apenas complementos, hoje a din\u00e2mica se inverteu e h\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado exclusivo e completo para a plataforma on-line. \u201cA p\u00e1gina \u00e9 um instrumento fundamental. N\u00e3o imaginava o papel que ela teria \u2013 \u00e9 mais barata de produzir, propicia intera\u00e7\u00e3o, por meio dos coment\u00e1rios e dos links para as nossas redes sociais, e amplia o alcance do Pequeno Cientista\u201d, disse Barbieri. A equipe tem inten\u00e7\u00e3o de reformular a p\u00e1gina, aprimorando o apelo visual e a organiza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o do conhecimento<\/p>\n<p>Os 17 CEPIDs mantidos atualmente pela FAPESP t\u00eam como miss\u00e3o desenvolver investiga\u00e7\u00e3o fundamental ou aplicada, com impacto comercial e social relevante, contribuir para a inova\u00e7\u00e3o por meio de transfer\u00eancia de tecnologia e oferecer atividades de extens\u00e3o para professores e alunos dos Ensinos Fundamental e M\u00e9dio e para o p\u00fablico em geral.<\/p>\n<p>Nesta semana, representantes dos centros de pesquisa est\u00e3o presentes na 67\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), que ocorre na Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), para apresentar projetos e resultados.<\/p>\n<p>Para saber mais, acesse: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No\u00eamia Lopes, de Ribeir\u00e3o Preto, Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em 2001, \u00c1damo Davi Di\u00f3genes Siena tinha 12 anos e queria ser goleiro de futebol. 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