{"id":72789,"date":"2015-07-17T16:36:12","date_gmt":"2015-07-17T19:36:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=72789"},"modified":"2015-07-17T16:36:12","modified_gmt":"2015-07-17T19:36:12","slug":"crises-hidricas-tendem-a-se-agravar-afirma-especialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/crises-hidricas-tendem-a-se-agravar-afirma-especialista\/72789","title":{"rendered":"Crises h\u00eddricas tendem a se agravar, afirma especialista"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson, de S\u00e3o Carlos | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A <strong><em>crise h\u00eddrica<\/em><\/strong> que algumas regi\u00f5es do Brasil est\u00e3o enfrentando atualmente n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno atual, mas j\u00e1 vem ocorrendo h\u00e1 muito tempo no mundo e \u00e9 caracterizada n\u00e3o apenas pela seca e a falta de \u00e1gua em regi\u00f5es, como o Sudeste do pa\u00eds, mas tamb\u00e9m por extremos hidrol\u00f3gicos, como as inunda\u00e7\u00f5es que est\u00e3o acontecendo na regi\u00e3o Sul.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por Jos\u00e9 Galizia Tundisi, presidente honor\u00e1rio do Instituto Internacional de Ecologia (IEE), em uma confer\u00eancia sobre gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos realizada na quinta-feira (16\/07), durante a 57\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC). <\/p>\n<p>De acordo com Tundisi, as crises h\u00eddricas, como as observadas no Brasil nos \u00faltimos anos, v\u00eam acontecendo em diferentes partes do mundo h\u00e1 s\u00e9culos e come\u00e7aram a ficar mais acentuadas a partir da metade do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>\u201cEm 2014, por exemplo, foi registrada a pior seca no Nordeste e a maior enchente em Foz do Igua\u00e7u, no Paran\u00e1. E, nesta semana, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina t\u00eam sido afetados por um volume de chuva excepcional, que tem causado enchentes e, consequentemente, a perda de propriedades e amea\u00e7ado a popula\u00e7\u00e3o\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Algumas das raz\u00f5es do agravamento das crises h\u00eddricas no pa\u00eds e no mundo nas \u00faltimas d\u00e9cadas apontadas pelo pesquisador s\u00e3o o aumento da popula\u00e7\u00e3o em \u00e1reas urbanas, que demandam grandes volumes de \u00e1gua e produzem enormes quantidades de res\u00edduos s\u00f3lidos e l\u00edquidos, al\u00e9m da competi\u00e7\u00e3o pelo uso do recurso natural.<\/p>\n<p>Os recursos h\u00eddricos continentais, que representam apenas 2,7% do volume total de \u00e1gua doce da Terra, s\u00e3o usados hoje para m\u00faltiplas atividades humanas, como para produ\u00e7\u00e3o industrial, agr\u00edcola e o abastecimento residencial.<\/p>\n<p>E as mudan\u00e7as no uso da terra, como a convers\u00e3o de \u00e1reas de floresta para a planta\u00e7\u00e3o ou pecu\u00e1ria, t\u00eam afetado a evapotranspira\u00e7\u00e3o \u2013 a transpira\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o que mant\u00e9m a \u00e1gua na atmosfera.<\/p>\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o de fatores tem causado a degrada\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua no mundo e um aumento das enchentes e secas que afetam popula\u00e7\u00f5es especialmente da periferia das grandes metr\u00f3poles, ressaltou Tundisi.<\/p>\n<p>\u201cAs popula\u00e7\u00f5es da periferia de cidades como S\u00e3o Paulo, Recife, Salvador, Fortaleza, Nair\u00f3bi, Calcut\u00e1, Nova D\u00e9lhi e Bangkok possuem uma grande vulnerabilidade aos extremos hidrol\u00f3gicos e falta de acessibilidade \u00e0 agua\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Enquanto a popula\u00e7\u00e3o moradora no centro de \u00e1reas metropolitanas grandes e m\u00e9dias gasta cerca de 1% de seus sal\u00e1rios para adquirir \u00e1gua, as popula\u00e7\u00f5es das periferias usam aproximadamente 10% de seus recursos para ter acesso \u00e0 \u00e1gua fornecida por carros-pipa, apontou um estudo realizado em Cochabamba por pesquisadores colaboradores do IIE, ilustrou Tundisi.<\/p>\n<p>\u201cAinda h\u00e1 cerca de 768 milh\u00f5es de pessoas sem acesso a fontes adequadas de \u00e1gua e 2,5 bilh\u00f5es de habitantes no planeta sem acesso a saneamento b\u00e1sico adequado. Isso representa um grande fracasso da economia mundial\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Evolu\u00e7\u00e3o do problema<\/p>\n<p>A pedido da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura (Unesco), o pesquisador realizou um estudo em que analisou a evolu\u00e7\u00e3o dos principais problemas que afetaram a qualidade da \u00e1gua nos \u00faltimos 150 anos.<\/p>\n<p>No come\u00e7o da segunda metade do s\u00e9culo 19 havia uma enorme contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas de rios europeus pela falta de tratamento de esgoto, que come\u00e7ou a se agravar a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo 20 com o aumento da popula\u00e7\u00e3o urbana, contou Tundisi.<\/p>\n<p>Em 1863, por exemplo, a rainha Vit\u00f3ria (1819-1901), da Inglaterra, foi pressionada pelo Parlamento brit\u00e2nico a realizar a limpeza do rio T\u00e2misa, que banha Oxford e Londres.<\/p>\n<p>\u201cO mau cheiro das \u00e1guas do rio, que passa pr\u00f3ximo ao Parlamento brit\u00e2nico, fez com que os membros da institui\u00e7\u00e3o pressionassem a rainha a despoluir o rio. Foi o primeiro ato de limpeza de um rio feito no mundo\u201d, disse Tundisi.<\/p>\n<p>O problema da polui\u00e7\u00e3o dos rios no mundo come\u00e7ou a se agravar no s\u00e9culo 20 com o aumento da produ\u00e7\u00e3o industrial, que come\u00e7ou a produzir grandes quantidades de metais pesados, contou o pesquisador.<\/p>\n<p>J\u00e1 a partir da d\u00e9cada de 1940, com as explos\u00f5es at\u00f4micas, houve um aumento dos res\u00edduos radioativos em corpos aqu\u00e1ticos, e em 1960 os lix\u00f5es nas cidades come\u00e7aram a contaminar ainda mais as \u00e1guas superficiais subterr\u00e2neas.<\/p>\n<p>Mais recentemente, a partir das \u00faltimas d\u00e9cadas, come\u00e7ou a ocorrer um processo de degrada\u00e7\u00e3o das \u00e1guas relacionado a poluentes persistentes org\u00e2nicos, como pesticidas, herbicidas e horm\u00f4nios. E, no in\u00edcio do s\u00e9culo 21, emergiram as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais, resumiu Tundisi.<\/p>\n<p>\u201cTodos esses processos que ocorreram em, aproximadamente, 150 anos nos pa\u00edses industrializados, em pa\u00edses em desenvolvimento, como os BRICs, eles ocorreram em cerca de 70 anos\u201d, comparou.<\/p>\n<p>\u201cHouve uma industrializa\u00e7\u00e3o r\u00e1pida nos pa\u00edses em desenvolvimento. Isso causou um aumento da toxicidade da \u00e1gua, tanto superficiais como subterr\u00e2neas, al\u00e9m de ter efeitos econ\u00f4micos e na sa\u00fade humana, os quais muitos ainda s\u00e3o desconhecidos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, os medicamentos e cosm\u00e9ticos utilizados pela popula\u00e7\u00e3o mundial s\u00e3o lan\u00e7ados e dissolvidos pela \u00e1gua e n\u00e3o s\u00e3o retidos pelos sistemas de tratamento hidrol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Recentemente descobriu-se que esta\u00e7\u00f5es de esgoto est\u00e3o acumulando bact\u00e9rias resistentes aos antibi\u00f3ticos lan\u00e7ados na \u00e1gua, o que representa um problema de sa\u00fade p\u00fablica, apontou o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cHoje, para analisar todo o conjunto de subst\u00e2ncias dissolvidas na \u00e1gua \u00e9 preciso ter laborat\u00f3rios com equipamento altamente sofisticados, que s\u00e3o muito caros e n\u00e3o s\u00e3o todos os pa\u00edses que conseguiriam adquiri-los\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cTemos um projeto com a Uni\u00e3o Europeia em que sugerimos a instala\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios nas Am\u00e9ricas do Sul e Central para fazermos uma an\u00e1lise e levantamento das subst\u00e2ncias presentes nas \u00e1guas dos pa\u00edses dessas regi\u00f5es e estudarmos solu\u00e7\u00f5es para elimin\u00e1-las\u201d, contou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson, de S\u00e3o Carlos | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A crise h\u00eddrica que algumas regi\u00f5es do Brasil est\u00e3o enfrentando atualmente n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno atual, mas j\u00e1 vem ocorrendo h\u00e1 muito tempo no mundo e \u00e9 caracterizada n\u00e3o apenas pela seca e a falta de \u00e1gua em regi\u00f5es, como o Sudeste do pa\u00eds, mas tamb\u00e9m [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34905,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-72789","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72789","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72789"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72789\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}