{"id":72904,"date":"2015-07-20T17:48:40","date_gmt":"2015-07-20T20:48:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=72904"},"modified":"2015-07-20T17:48:40","modified_gmt":"2015-07-20T20:48:40","slug":"deficit-de-chuvas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/deficit-de-chuvas-no-brasil\/72904","title":{"rendered":"D\u00e9ficit de chuvas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson, de S\u00e3o Carlos | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O <strong><em>d\u00e9ficit de chuvas<\/em><\/strong> em todo o Brasil vem aumentando nas \u00faltimas d\u00e9cadas e se tornando mais grave nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o Sudeste do pa\u00eds, por exemplo, que enfrentou em 2014 e 2015 o maior per\u00edodo de estiagem dos \u00faltimos 70 anos, entrar\u00e1 em meados de agosto \u2013 quando se inicia a esta\u00e7\u00e3o mais seca do ano \u2013 com menos \u00e1gua do que tinha em 2014.<\/p>\n<p>As constata\u00e7\u00f5es s\u00e3o de estudos realizados por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n<p>Alguns dos resultados dos estudos foram apresentados em uma confer\u00eancia sobre a problem\u00e1tica da seca no Sudeste brasileiro, realizada durante a 67\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC). O evento ocorreu at\u00e9 s\u00e1bado (18\/07) no campus na Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar).<\/p>\n<p>\u201cTemos um situa\u00e7\u00e3o de d\u00e9ficit de chuvas tremendo em todo o pa\u00eds, que representa uma situa\u00e7\u00e3o muito grave. A quantidade de chuvas que entra nos sistemas de vaz\u00e3o est\u00e1 diminuindo e contribuindo para deixar nossa conta banc\u00e1ria h\u00eddrica cada vez mais no vermelho\u201d, disse Paulo Nobre, pesquisador do Inpe.<\/p>\n<p>Os pesquisadores do Inpe realizaram um estudo em que compararam os dados de registros de chuva no pa\u00eds no per\u00edodo entre 1960 e 1990 com os deste ano para estimar qual o atual \u201csaldo da conta banc\u00e1ria de \u00e1gua\u201d do pa\u00eds.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es indicaram que a regi\u00e3o Norte possui um saldo negativo de 6 metros c\u00fabicos (m3) por metro quadrado (m2).<\/p>\n<p>A regi\u00e3o Nordeste tem um d\u00e9ficit h\u00eddrico em torno de 4 m3 por m2 e a regi\u00e3o Sul est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>J\u00e1 a regi\u00e3o Sudeste est\u00e1 no \u201ccheque especial\u201d, com um saldo negativo de 3,5 m3 por m2.<\/p>\n<p>\u201cIsso representa grandes volumes de \u00e1gua que n\u00e3o foi usada para o crescimento de plantas ou o consumo humano, mas que, simplesmente, n\u00e3o entrou no ciclo hidrol\u00f3gico\u201d, disse Nobre.<\/p>\n<p>Em outro estudo, os pesquisadores analisaram a quantidade de chuvas durante os ver\u00e3o na regi\u00e3o Sudeste a partir da d\u00e9cada de 1960 at\u00e9 os \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Algumas das constata\u00e7\u00f5es foram que, nas d\u00e9cadas entre 1960 e 1980, chegaram a ocorrer durante um m\u00eas ao menos duas chuvas de mil mil\u00edmetros.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas entre 1980 e 2000 essas chuvas se tornaram menos frequentes e raramente ultrapassaram 900 mil\u00edmetros.<\/p>\n<p>J\u00e1 ao longo da d\u00e9cada de 2000 e nos \u00faltimos anos as chuvas durante o ver\u00e3o no Sudeste mal ultrapassaram o volume de 100 mil\u00edmetros.<\/p>\n<p>\u201cDesde 2010 vem chovendo abaixo da m\u00e9dia no Sudeste do pa\u00eds. Com isso o n\u00edvel dos reservat\u00f3rios da regi\u00e3o foram diminuindo e tivemos a grande seca de 2014 e 2015\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O total de chuvas que cai sobre o reservat\u00f3rio Cantareira \u2013 um dos que abastecem S\u00e3o Paulo e que tornou-se s\u00edmbolo da seca no Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 vem diminuindo de uma d\u00e9cada para outra, afirmou o pesquisador.<\/p>\n<p>Um estudo em fase de execu\u00e7\u00e3o realizado por Carlos Nobre, pesquisador do Inpe e colaboradores, calculou a taxa de vaz\u00e3o do sistema Cantareira no \u00faltimos 130 anos.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo indicaram que desde 1880 vem diminuindo a vaz\u00e3o das sub bacias que abastecem o Cantareira.<\/p>\n<p>\u201cA seca de 2014 e 2015 foi um evento extremo de diminui\u00e7\u00e3o de longo efeito que fez com que a vaz\u00e3o do reservat\u00f3rio fosse decaindo nos \u00faltimos 20 anos\u201d, avaliou Paulo Nobre.<\/p>\n<p>Aumento da temperatura<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, um dos fatores que contribuiu para a maior depress\u00e3o pluviom\u00e9trica registrada no Sudeste do pa\u00eds este ano desde 1945 foi o aumento da temperatura na regi\u00e3o e em outras partes do Brasil.<\/p>\n<p>Um levantamento realizado por ele e colaboradores das m\u00e9dias de temperatura em todas as regi\u00f5es do Brasil entre 1960 e 2010 apontou que a temperatura do pa\u00eds, como um todo, est\u00e1 aumentando.<\/p>\n<p>\u201cEstamos constatando que, ano ap\u00f3s ano, o Brasil est\u00e1 ficando mais quente. E isso se deve, em grande parte, ao fato de que a temperatura do planeta est\u00e1 aquecendo devido, entre outros fatores, ao aumento da concentra\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa na atmosfera\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O aumento da temperatura da atmosfera induz rapidamente a ocorr\u00eancia de eventos extremos, como secas e inunda\u00e7\u00f5es, no ciclo hidrol\u00f3gico, explicou Nobre.<\/p>\n<p>Isso porque, quando o ar est\u00e1 mais quente, ele dissolve mais rapidamente o vapor d\u2019\u00e1gua capturado da superf\u00edcie e consegue gerar nuvens maiores, causando chuvas mais intensas.<\/p>\n<p>\u201cAs chuvas intensas afetam toda a circula\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, ocasionando chuvas em um determinado local e seca em outros\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>O aumento das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, como o CO2 na atmosfera, combinado com a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura tende a agravar, ainda mais as crises h\u00eddricas, ressaltou o pesquisador.<\/p>\n<p>Utilizando o Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre (BESM, na sigla ingl\u00eas), desenvolvido com aux\u00edlio da FAPESP, os pesquisadores fizeram uma simula\u00e7\u00e3o em que quadruplicam a quantidade atual de CO2 encontrado na atmosfera no pa\u00eds \u2013 de 300 partes por milh\u00e3o (ppms) \u2013 para estimar o que aconteceria na din\u00e2mica da atmosfera.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises das simula\u00e7\u00f5es indicaram que a presen\u00e7a de 1,2 mil ppms de CO2 na atmosfera induziria a um aumento do n\u00famero de dias consecutivamente secos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A seca que aconteceu na regi\u00e3o Sudeste do pa\u00eds poderia tornar-se mais frequente e haveria um aumento da ocorr\u00eancia de per\u00edodos longos e estiagem no Nordeste e na Amaz\u00f4nia e na Am\u00e9rica do Sul, de um modo geral.<\/p>\n<p>Em contrapartida, tamb\u00e9m haveria um aumento na frequ\u00eancia de dias com precipita\u00e7\u00e3o intensa, distribu\u00eddas em per\u00edodos de estiagem mais longos.<\/p>\n<p>\u201cAs proje\u00e7\u00f5es apontam que o clima do Brasil no futuro ter\u00e1 mais condi\u00e7\u00f5es como as que estamos vivendo agora, com enchentes no vale dos rios Itaja\u00ed e Tubar\u00e3o, em Santa Catarina, e do rio Madeira, na Amaz\u00f4nia, e secas mais frequentes no Nordeste e Sudeste\u201d, afirmou Nobre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson, de S\u00e3o Carlos | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O d\u00e9ficit de chuvas em todo o Brasil vem aumentando nas \u00faltimas d\u00e9cadas e se tornando mais grave nos \u00faltimos anos. 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