{"id":76424,"date":"2015-10-16T15:38:36","date_gmt":"2015-10-16T18:38:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=76424"},"modified":"2015-10-16T15:38:36","modified_gmt":"2015-10-16T18:38:36","slug":"estudo-abre-caminho-para-novos-tratamentos-contra-esquizofrenia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/estudo-abre-caminho-para-novos-tratamentos-contra-esquizofrenia\/76424","title":{"rendered":"Estudo abre caminho para novos tratamentos contra esquizofrenia"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um conjunto de estudos feitos no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) indica que disfun\u00e7\u00f5es nos oligodendr\u00f3citos \u2013 um tipo de c\u00e9lula cerebral importante para a atividade dos neur\u00f4nios \u2013 podem ter papel central no desenvolvimento da <strong><em>esquizofrenia<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>O trabalho vem sendo conduzido com  da FAPESP e coordena\u00e7\u00e3o do professor Daniel Martins-de-Souza.<\/p>\n<p>Resultados recentes foram divulgados em artigos no , na \u00a0e tamb\u00e9m em uma revis\u00e3o publicada na , revista de acesso aberto vinculada \u00e0 Nature.<\/p>\n<p>\u201cSe conseguirmos entender exatamente o que acontece de diferente com os oligodendr\u00f3citos de pacientes com esquizofrenia, poderemos pensar em novas abordagens terap\u00eauticas. Os tratamentos hoje dispon\u00edveis t\u00eam como foco os neur\u00f4nios. Mas as falhas de comunica\u00e7\u00e3o entre os neur\u00f4nios podem ser uma consequ\u00eancia de disfun\u00e7\u00f5es nos oligodendr\u00f3citos\u201d, afirmou Martins-de-Souza em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, a esquizofrenia \u00e9 considerada uma doen\u00e7a de desconectividade cerebral, ou seja, por motivos ainda n\u00e3o totalmente compreendidos, as c\u00e9lulas do sistema nervoso central n\u00e3o se comunicam como deveriam. Em consequ\u00eancia disso, os portadores costumam apresentar dificuldade de distinguir entre experi\u00eancias reais e imagin\u00e1rias, confus\u00e3o mental e altera\u00e7\u00f5es de afetividade, entre outros sintomas.<\/p>\n<p>\u201cQuando se descobriu que havia um problema no padr\u00e3o de conex\u00e3o das c\u00e9lulas do c\u00e9rebro, a maior parte das pesquisas buscou compreender o que acontecia com os neur\u00f4nios. At\u00e9 o come\u00e7o dos anos 1990, as demais c\u00e9lulas cerebrais, conhecidas como c\u00e9lulas da glia, eram consideradas apenas coadjuvantes dos neur\u00f4nios, um simples tecido de sustenta\u00e7\u00e3o\u201d, contou Martins-de-Souza.<\/p>\n<p>As c\u00e9lulas da glia se dividem em astr\u00f3citos, micr\u00f3glias e oligodendr\u00f3citos. Segundo Martins-de-Souza, estudos feitos nos \u00faltimos 20 anos t\u00eam mostrado que elas tamb\u00e9m desempenham um papel biol\u00f3gico importante. Os oligodendr\u00f3citos, por exemplo, s\u00e3o os produtores da mielina, uma subst\u00e2ncia lip\u00eddica fundamental para a troca de informa\u00e7\u00e3o entre neur\u00f4nios.<\/p>\n<p>\u201cOs neur\u00f4nios possuem longos bra\u00e7os conhecidos como ax\u00f4nios, por meio dos quais trocam impulsos el\u00e9tricos e se comunicam. Para que essa transmiss\u00e3o ocorra adequadamente, esses bra\u00e7os precisam estar isolados por uma camada de mielina, assim como um fio el\u00e9trico precisa estar encapado para que n\u00e3o ocorra problemas como um curto-circuito\u201d, comparou Martins-de-Souza.<\/p>\n<p>Resultados recentes do grupo tamb\u00e9m t\u00eam sugerido que os oligodendr\u00f3citos s\u00e3o os respons\u00e1veis por fornecer energia aos ax\u00f4nios, para que estes consigam executar corretamente tarefas de grande complexidade.<\/p>\n<p>Diferen\u00e7as estruturais e funcionais<\/p>\n<p>Estudos de imagem feitos por volta dos anos 2000 mostraram que o c\u00e9rebro de portadores de esquizofrenia tem uma quantidade reduzida de oligodendr\u00f3citos quando comparado ao de pessoas sadias.<\/p>\n<p>\u201cNessa \u00e9poca foi conclu\u00eddo o mapeamento do genoma humano e surgiram diversos estudos de transcriptoma. Alguns deles mostraram que genes relacionados com a mieliniza\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios estavam diferencialmente expressos nos pacientes com esquizofrenia. Nosso grupo, por volta de 2005, foi o primeiro a mostrar que as prote\u00ednas produzidas pelos oligodendr\u00f3citos tamb\u00e9m se apresentavam com express\u00e3o diferencial nesses pacientes\u201d, contou Martins-de-Souza.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o o grupo do IB-Unicamp vem investigando de que forma o d\u00e9ficit de aproximadamente dez diferentes prote\u00ednas produzidas por oligodendr\u00f3citos impacta o funcionamento do c\u00e9rebro \u2013 tr\u00eas delas em particular: MBP (myelin basic protein), MOG (myelin oligodendrocyte glycoprotein) e CNP (2&#8242;,3&#8242;-Cyclic-nucleotide 3&#8242;-phosphodiesterase).<\/p>\n<p>\u201cEncontramos evid\u00eancias de que elas est\u00e3o diferencialmente expressas tanto no tecido cerebral como no l\u00edquido cefalorraquidiano, que envolve o sistema nervoso central. A MBP, que \u00e9 a principal constituinte da mielina, est\u00e1 aumentada no l\u00edquor de pacientes com esquizofrenia, o que sugere que eles est\u00e3o perdendo a bainha de mielina, cujos componentes ficam sol\u00faveis nesse l\u00edquido\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>Em um estudo recente, conduzido pela aluna de mestrado Ver\u00f4nica Cereda, foi comparado o tecido cerebral post-mortem de pessoas sadias e de portadores de esquizofrenia. Os resultados mostraram que no corpo caloso \u2013 regi\u00e3o do c\u00e9rebro em que h\u00e1 maior quantidade de oligodendr\u00f3citos \u2013 havia uma s\u00e9rie de prote\u00ednas produzidas por esse tipo de c\u00e9lula que estava diferencialmente expressa nos dois grupos.<\/p>\n<p>Evid\u00eancias in vitro<\/p>\n<p>Para entender o que acontece com cada tipo de c\u00e9lula cerebral de pacientes com esquizofrenia, o grupo cultivou separadamente in vitro neur\u00f4nios, oligodendr\u00f3citos, astr\u00f3citos e micr\u00f3glias. As culturas foram tratadas com uma subst\u00e2ncia chamada MK801, que inibe a transmiss\u00e3o glutamat\u00e9rgica (a troca de informa\u00e7\u00f5es entre as c\u00e9lulas mediada pelo neurotransmissor glutamato), de maneira semelhante ao observado no c\u00e9rebro de portadores da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que as vias relacionadas com o fornecimento de energia ficaram comprometidas em astr\u00f3citos e principalmente nos oligodendr\u00f3citos. Interessantemente, n\u00e3o observamos diferen\u00e7as nos neur\u00f4nios. Esse resultado refor\u00e7a a hip\u00f3tese de que disfun\u00e7\u00f5es nos oligodendr\u00f3citos t\u00eam papel central na esquizofrenia\u201d, comentou Martins-de-Souza.<\/p>\n<p>Em uma pesquisa que vem sendo realizada com  durante o p\u00f3s-doutorado de Juliana Silva Cassoli, o grupo tenta compreender melhor como funciona o metabolismo energ\u00e9tico nos oligodendr\u00f3citos.<\/p>\n<p>Para isso, a pesquisadora vai induzir em culturas de c\u00e9lulas a superexpress\u00e3o de uma prote\u00edna chamada aldolase, relacionada com o metabolismo energ\u00e9tico. Paralelamente, em outra cultura, a express\u00e3o da mesma prote\u00edna ser\u00e1 inibida. Depois o efeito sobre os oligodendr\u00f3citos ser\u00e1 comparado nos dois casos.<\/p>\n<p>\u201cVamos avaliar como a superexpress\u00e3o ou o silenciamento dessa prote\u00edna afeta a viabilidade celular e a express\u00e3o de prote\u00ednas. Em seguida, faremos uma cocultura de oligodendr\u00f3citos com neur\u00f4nios, para ver se o processo de mieliniza\u00e7\u00e3o \u00e9 alterado com a modula\u00e7\u00e3o da aldolase\u201d, contou Martins-de-Souza.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do pesquisador, a contribui\u00e7\u00e3o mais importante do conjunto de estudos que vem sendo realizado \u00e9 mostrar que as prote\u00ednas produzidas pelos oligodendr\u00f3citos nos pacientes com esquizofrenia n\u00e3o s\u00e3o suficientes para o c\u00e9rebro funcionar de maneira correta. \u201cMostramos que os oligodendr\u00f3citos e seus marcadores tamb\u00e9m podem ser alvos terap\u00eauticos\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>O artigo Disturbed macro-connectivity in schizophrenia linked to oligodendrocyte dysfunction: from structural findings to molecules (doi: 10.1038\/npjschz.2015.34)\u00a0pode ser lido em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um conjunto de estudos feitos no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) indica que disfun\u00e7\u00f5es nos oligodendr\u00f3citos \u2013 um tipo de c\u00e9lula cerebral importante para a atividade dos neur\u00f4nios \u2013 podem ter papel central no desenvolvimento da esquizofrenia. 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