{"id":77625,"date":"2015-11-17T15:11:26","date_gmt":"2015-11-17T17:11:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=77625"},"modified":"2015-11-17T15:11:26","modified_gmt":"2015-11-17T17:11:26","slug":"cientistas-do-ipbes-preparam-diagnostico-sobre-biodiversidade-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/cientistas-do-ipbes-preparam-diagnostico-sobre-biodiversidade-brasileira\/77625","title":{"rendered":"Cientistas do IPBES preparam diagn\u00f3stico sobre biodiversidade brasileira"},"content":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um <em><strong>diagn\u00f3stico sobre a biodiversidade do Brasil<\/strong> <\/em>e os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos a ela atrelados deve ser divulgado em 2018 por cientistas brasileiros que integram a Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (IPBES), entidade internacional criada em 2012 para atuar na interface entre a ci\u00eancia e a tomada de decis\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Com o intuito de orientar o trabalho de produ\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio, engajar a comunidade acad\u00eamica nacional na empreitada e iniciar um di\u00e1logo com outros setores da sociedade, esse grupo de pesquisadores de diversas institui\u00e7\u00f5es pretende publicar no pr\u00f3ximo m\u00eas de mar\u00e7o um informe t\u00e9cnico (white paper) elencando as raz\u00f5es pelas quais esse diagn\u00f3stico \u00e9 essencial para o desenvolvimento sustent\u00e1vel do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o foi tomada em um evento, realizado nos dias 5 e 6 de novembro na cidade de Indaiatuba (SP), no qual estiveram presentes os cerca de 25 brasileiros que integram os quadros do IPBES.<\/p>\n<p>O encontro foi organizado pela equipe do Programa FAPESP de Pesquisas em Caracteriza\u00e7\u00e3o, Conserva\u00e7\u00e3o, Restaura\u00e7\u00e3o e Uso Sustent\u00e1vel da Biodiversidade (), em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC) e a Funda\u00e7\u00e3o Brasileira para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (FBDS).<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo ao lan\u00e7ar esse informe t\u00e9cnico \u00e9 mobilizar um conjunto grande de pesquisadores para de fato darmos in\u00edcio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico brasileiro. Vamos sintetizar em poucas p\u00e1ginas, e com uma linguagem compreens\u00edvel aos diversos setores sociais, o que entendemos como as principais amea\u00e7as \u00e0 biodiversidade e aos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do pa\u00eds. E tamb\u00e9m elencar as consequ\u00eancias da perda parcial ou integral desses recursos para a qualidade de vida, bem como a import\u00e2ncia de conservar e, em alguns casos, restaurar essa biodiversidade\u201d, explicou Carlos Alfredo Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador do BIOTA e co-chair do Painel Multidisciplinar de Especialistas (MEP) do IPBES.<\/p>\n<p>\u201cForam dois intensos dias de trabalho para construirmos a estrutura das equipes e a abordagem de um diagn\u00f3stico brasileiro com base na avalia\u00e7\u00e3o regional das Am\u00e9ricas que o IPBES prop\u00f5e\u201d, contou a urbanista Tatiana Gadda, da Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1 (UTFPR).<\/p>\n<p>Segundo Gadda, o grupo para o diagn\u00f3stico brasileiro se formou inicialmente com os membros que integram a avalia\u00e7\u00e3o regional das Am\u00e9ricas e as for\u00e7as-tarefas do IBPES. \u201cEste grupo inicial deve se expandir e est\u00e1 fortemente engajado em procurar equidade de participa\u00e7\u00e3o relacionada \u00e0 regi\u00e3o do Brasil e g\u00eanero. Al\u00e9m disso, a interdisciplinaridade \u00e9 outro fator-chave para o desenvolvimento do diagn\u00f3stico\u201d, disse Gadda.<\/p>\n<p>Conforme explicou Joly, o relat\u00f3rio brasileiro deve ficar pronto quase ao mesmo tempo que o diagn\u00f3stico regional \u2013 que vai abordar a biodiversidade de todo continente americano e est\u00e1 sendo elaborado por cientistas de diversos pa\u00edses. Outros diagn\u00f3sticos regionais ser\u00e3o feitos na mesma \u00e9poca para \u00c1frica; \u00c1sia e Pac\u00edfico; Europa e \u00c1sia Central.<\/p>\n<p>Todos esses relat\u00f3rios v\u00e3o alimentar o primeiro diagn\u00f3stico global sobre a biodiversidade e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, previsto para ser publicado no in\u00edcio de 2019 nos mesmo moldes dos relat\u00f3rios lan\u00e7ados a cada cinco anos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma iniciativa voltada a aproximar a comunidade cient\u00edfica dos tomadores de decis\u00e3o. Essa aproxima\u00e7\u00e3o\u00a0n\u00e3o se faz por meios dos artigos cient\u00edficos que publicamos, pois estes possuem uma linguagem muito herm\u00e9tica e as informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o muito espalhadas. Os diagn\u00f3sticos s\u00e3o uma oportunidade de traduzir a ci\u00eancia, selecionar o que h\u00e1 de mais importante, fazer uma an\u00e1lise cr\u00edtica dessa quantidade grande de informa\u00e7\u00f5es e coloc\u00e1-la em uma linguagem acess\u00edvel e resumida para ser usada pelo decisor pol\u00edtico\u201d, comentou Jean Paul Metzger, professor do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP) e membro da equipe do IPBES que est\u00e1 elaborando o diagn\u00f3stico regional para as Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Metzger tamb\u00e9m participou da elabora\u00e7\u00e3o do Diagn\u00f3stico Metodol\u00f3gico de Modelos e Cen\u00e1rios de Biodiversidade, j\u00e1 conclu\u00eddo e que ser\u00e1 submetido \u00e0 4\u00aa Plen\u00e1ria do IPBES em fevereiro de 2016, na Mal\u00e1sia. Atualmente integra o grupo de especialistas de v\u00e1rios pa\u00edses que est\u00e1 desenvolvendo o Diagn\u00f3stico de Degrada\u00e7\u00e3o e Restaura\u00e7\u00e3o de Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos.<\/p>\n<p>Fabio Scarano, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor da FBDS, ressalta que, ao contr\u00e1rio do trabalho feito pelo IPCC, os diagn\u00f3sticos do IPBES n\u00e3o ser\u00e3o baseados apenas em artigos publicados em revistas cient\u00edficas. Tamb\u00e9m v\u00e3o levar em considera\u00e7\u00e3o o conhecimento tradicional de comunidades locais e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cNossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 trazer esse conhecimento tradicional \u00e0 tona de maneira sistematizada e criar um di\u00e1logo entre os saberes tradicionais e cient\u00edficos\u201d, disse Scarano.<\/p>\n<p>Nesse sentido, participaram do grupo reunido em Indaiatuba o diretor do Instituto de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Mamirau\u00e1, Helder Queiros, e a professora da Universidade de Chicago Manuela Carneiro, autoridade em conhecimentos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Metodologia<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico brasileiro dever\u00e1 seguir a mesma metodologia, o mesmo sistema de m\u00e9tricas e a mesma estrutura dos diagn\u00f3sticos regionais do IPBES (dispon\u00edvel em http:\/\/www.ipbes.net\/index.php\/2-b-regional-subregional-assessments).<\/p>\n<p>O documento ser\u00e1, portanto, dividido em seis cap\u00edtulos com os temas: \u201cDefinindo o cen\u00e1rio\u201d; \u201cA import\u00e2ncia dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos para a qualidade de vida\u201d; \u201cStatus e tend\u00eancias da biodiversidade e fun\u00e7\u00f5es dos ecossistemas que d\u00e3o suporte aos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos\u201d; \u201cVetores diretos e indiretos de mudan\u00e7as nos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, considerando os diversos contextos socioculturais da qualidade de vida\u201d; \u201cAn\u00e1lise integrada das diferentes escalas das intera\u00e7\u00f5es entre o mundo natural e a sociedade humana\u201d; \u201cOp\u00e7\u00f5es de governan\u00e7a e arranjos institucionais para a tomada de decis\u00e3o em diferentes escalas e setores, tanto p\u00fablicos como privados, incluindo as li\u00e7\u00f5es aprendidas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEsperamos mostrar as melhores formas de lidar com os recursos naturais e colocar a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos como preocupa\u00e7\u00e3o central no processo de desenvolvimento do Brasil. Gostar\u00edamos que esse componente \u2013 atualmente chamado de pol\u00edtica ambiental \u2013 fosse parte de uma pol\u00edtica maior de desenvolvimento e n\u00e3o seja mais percebido como uma esp\u00e9cie de ap\u00eandice\u201d, disse Scarano.<\/p>\n<p>Ainda segundo o diretor da FBDS, o grupo n\u00e3o pretende esperar a conclus\u00e3o do diagn\u00f3stico em 2018 para iniciar o di\u00e1logo com os setores pol\u00edtico, privado, terceiro setor e a academia. \u201cQueremos come\u00e7ar j\u00e1 e por isso vamos lan\u00e7ar esse informe t\u00e9cnico em mar\u00e7o\u201d, disse.<\/p>\n<p>De acordo com Joly, o diagn\u00f3stico brasileiro dever\u00e1 dialogar n\u00e3o s\u00f3 com a Pol\u00edtica Nacional de Biodiversidade, mas tamb\u00e9m com as pol\u00edticas de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, de desenvolvimento sustent\u00e1vel dos povos e comunidades tradicionais, de recursos h\u00eddricos, de cidades sustent\u00e1veis, e contribuir para a mudan\u00e7a do modelo de desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cDever\u00e1 ter como par\u00e2metro as Metas de Aichi para a Biodiversidade da Conven\u00e7\u00e3o sobre a Diversidade Biol\u00f3gica (dispon\u00edvel em\u00a0, cujo prazo \u00e9 2020, e os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel aprovados recentemente pela ONU (17 grandes metas que guiar\u00e3o os pr\u00f3ximos 15 anos na luta global contra a pobreza e as desigualdades, em substitui\u00e7\u00e3o aos Objetivos do Mil\u00eanio), com prazo at\u00e9 2030\u201d, contou Joly.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wrap-content\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um diagn\u00f3stico sobre a biodiversidade do Brasil e os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos a ela atrelados deve ser divulgado em 2018 por cientistas brasileiros que integram a Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (IPBES), entidade internacional criada em 2012 para atuar na interface entre a ci\u00eancia e a tomada de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34905,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-77625","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77625","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77625"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77625\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77625"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77625"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77625"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}