{"id":78003,"date":"2015-11-26T16:35:18","date_gmt":"2015-11-26T18:35:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=78003"},"modified":"2015-11-26T16:35:18","modified_gmt":"2015-11-26T18:35:18","slug":"pesquisadores-e-liderancas-politicas-discutem-propostas-do-brasil-para-a-cop21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/pesquisadores-e-liderancas-politicas-discutem-propostas-do-brasil-para-a-cop21\/78003","title":{"rendered":"Pesquisadores e lideran\u00e7as pol\u00edticas discutem propostas do Brasil para a COP21"},"content":{"rendered":"<p>Diego Freire \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Ambientalistas e lideran\u00e7as pol\u00edticas participaram do Semin\u00e1rio Caminhos para o Brasil \u2013 Meio Ambiente e Sustentabilidade, realizado pelo Instituto Teot\u00f4nio Vilela (ITV). O objetivo foi discutir os desafios que os pa\u00edses participantes da 21\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (<strong><em>COP21<\/em><\/strong>), entre eles o Brasil, enfrentar\u00e3o para atingir suas metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de gases do efeito estufa, identificando oportunidades para que a proposta brasileira seja efetivamente implementada.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goldemberg, presidente da FAPESP, apresentou na ocasi\u00e3o um hist\u00f3rico das confer\u00eancias, destacando como decisivas as do Rio de Janeiro, em 1992, de Kyoto, no Jap\u00e3o, em 1997, e de Paris, na Fran\u00e7a, que ocorrer\u00e1 em dezembro.<\/p>\n<p>\u201cHouve uma evolu\u00e7\u00e3o do comprometimento dos pa\u00edses ao longo das confer\u00eancias que culmina, agora, em algo novo: na COP21 n\u00e3o ser\u00e3o apresentadas proposi\u00e7\u00f5es de cima para baixo, mas sim propostas, as INDC (Intended Nationally Determined Contributions), constru\u00eddas por cada na\u00e7\u00e3o e que poder\u00e3o levar a redu\u00e7\u00f5es efetivas das emiss\u00f5es\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para Goldemberg, as INDC se apresentam como uma alternativa eficiente ao Protocolo de Kyoto, que n\u00e3o contou com a ades\u00e3o dos Estados Unidos, por considerarem as necessidades e possibilidades de cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cA compreens\u00e3o de que era necess\u00e1rio um acordo entre todas as na\u00e7\u00f5es para conseguirmos redu\u00e7\u00f5es efetivas das emiss\u00f5es vem desde o Rio, mas em Kyoto ficamos presos a uma divis\u00e3o dos pa\u00edses entre aqueles que precisavam reduzir as emiss\u00f5es de carbono por uma suposta d\u00edvida hist\u00f3rica e os demais. Foi uma decis\u00e3o de cima para baixo e que contou apenas com a ades\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia. Agora temos a chance de, com as INDC, fazer algo de concreto e dentro da realidade de cada pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>Para Carlos Klink, secret\u00e1rio de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Qualidade Ambiental do MMA, a participa\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio no evento evidencia a preocupa\u00e7\u00e3o em \u201cfazer da constru\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o brasileira na COP21 um processo democr\u00e1tico\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA contribui\u00e7\u00e3o do Brasil foi formulada, no \u00e2mbito do governo, com a participa\u00e7\u00e3o de diferentes setores, mas tamb\u00e9m transcendeu a esfera governamental e envolveu toda a sociedade de maneira direta, inclusive com grandes contribui\u00e7\u00f5es da comunidade cient\u00edfica na formula\u00e7\u00e3o de indicadores importantes para dimensionar as possibilidades e disponibilidades do pa\u00eds\u201d, contou.<\/p>\n<p>Klink destacou algumas das metas brasileiras \u2013 entre elas, a redu\u00e7\u00e3o em 37% at\u00e9 2025 e 43% at\u00e9 2030 das emiss\u00f5es de gases do efeito estufa, tomando como base 2005.<\/p>\n<p>No que se refere ao uso da terra e \u00e0 agropecu\u00e1ria, at\u00e9 2030 o Brasil pretende promover a restaura\u00e7\u00e3o e o reflorestamento de 12 milh\u00f5es de hectares e a recupera\u00e7\u00e3o de outros 15 milh\u00f5es de pastagem degradada, al\u00e9m do fim do desmatamento ilegal.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de energia, o objetivo \u00e9 garantir 45% de fontes renov\u00e1veis no total da matriz energ\u00e9tica, sendo que a m\u00e9dia mundial \u00e9 de 13%; a participa\u00e7\u00e3o de 66% da fonte h\u00eddrica na gera\u00e7\u00e3o de eletricidade e de 23% das fontes renov\u00e1veis, como e\u00f3lica, solar e biomassa, na gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica; o aumento de cerca de 10% da efici\u00eancia el\u00e9trica; e a participa\u00e7\u00e3o de 16% de etanol carburante e das demais biomassas derivadas da cana no total da matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Gylvan Meira, do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados (IEA) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), chamou a aten\u00e7\u00e3o para a urg\u00eancia do problema.<\/p>\n<p>\u201cPara limitar o aumento de temperatura em qualquer n\u00edvel, \u00e9 necess\u00e1rio que a concentra\u00e7\u00e3o pare de aumentar. Como sabemos qual o fluxo de carbono da atmosfera para o oceano, sabemos qual \u00e9 o n\u00edvel m\u00e1ximo de emiss\u00f5es. J\u00e1 o primeiro relat\u00f3rio do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), em 1990, indicava a necessidade de se reduzir em 60% as emiss\u00f5es globais de di\u00f3xido de carbono. Hoje, haver\u00e1 que se reduzir mais do que 70% em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis atuais\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Para Meira, um aspecto importante do problema \u00e9 quando as redu\u00e7\u00f5es precisam ocorrer.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um atraso de 40 ou 50 anos entre as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono e a mudan\u00e7a do clima. H\u00e1 o mesmo atraso entre a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es e o seu efeito. Portanto, para estabilizar a temperatura em 2100, h\u00e1 que se estabilizar as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono em 2050. Considerando os prazos entre as decis\u00f5es de investimento e as emiss\u00f5es, \u00e9 preciso come\u00e7ar hoje.\u201d<\/p>\n<p>O pesquisador alertou, ainda, que tais considera\u00e7\u00f5es est\u00e3o baseadas somente em aspectos muito fundamentais da f\u00edsica, como a conserva\u00e7\u00e3o de massa e de energia, independendo de aspectos da din\u00e2mica do clima e de suas varia\u00e7\u00f5es regionais.<\/p>\n<p>\u201cAs perdas devidas \u00e0 mudan\u00e7a do clima dependem das mudan\u00e7as locais e regionais, que ser\u00e3o tanto maiores quanto mais aumentar a temperatura m\u00e9dia global. Estudos indicam que um aumento de temperatura acima de 2\u00b0 Celsius causar\u00e1 perdas intoler\u00e1veis.\u201d<\/p>\n<p>As INDC brasileiras foram tratadas na palestra do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para quem o sucesso das propostas depende de um trabalho interministerial.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de propostas e metas ousadas e, em certa medida, bastante razo\u00e1veis, mas que para serem alcan\u00e7adas precisam transcender o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA), envolvendo todos os demais minist\u00e9rios. Toda pol\u00edtica p\u00fablica tem impacto no meio ambiente e suas decis\u00f5es n\u00e3o podem desconsider\u00e1-lo. Estamos ansiosos para ver os resultados da reuni\u00e3o em Paris, num momento dram\u00e1tico para a Fran\u00e7a e para o mundo, mas uma coisa \u00e9 o compromisso no papel \u2013 outra, na pr\u00e1tica. \u00c9 preciso incorporar a agenda da COP21 como uma agenda nacional e a reponsabilidade direta \u00e9 dos l\u00edderes pol\u00edticos. Meio ambiente n\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea especializada do governo, mas todo o governo\u201d, afirmou o ex-presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<div class=\"wrap-content\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Freire \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Ambientalistas e lideran\u00e7as pol\u00edticas participaram do Semin\u00e1rio Caminhos para o Brasil \u2013 Meio Ambiente e Sustentabilidade, realizado pelo Instituto Teot\u00f4nio Vilela (ITV). 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