{"id":78916,"date":"2015-12-18T15:02:04","date_gmt":"2015-12-18T17:02:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=78916"},"modified":"2015-12-18T15:02:04","modified_gmt":"2015-12-18T17:02:04","slug":"novos-alvos-para-o-tratamento-da-esquizofrenia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/novos-alvos-para-o-tratamento-da-esquizofrenia\/78916","title":{"rendered":"Novos alvos para o tratamento da esquizofrenia"},"content":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Ao avaliar amostras de sangue de portadores de esquizofrenia antes e depois do tratamento com antipsic\u00f3ticos, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificaram um conjunto de prote\u00ednas que \u00e9 modulado de forma diferente pelas drogas nos pacientes que respondem \u00e0 terapia em compara\u00e7\u00e3o aos que n\u00e3o respondem.<\/p>\n<p>Segundo os autores, essas mol\u00e9culas diferencialmente expressas nos dois grupos de pacientes representam potenciais alvos a serem explorados na busca de novos f\u00e1rmacos contra a doen\u00e7a. A rela\u00e7\u00e3o completa das prote\u00ednas foi divulgada em \u00a0publicado na revista npj Schizophrenia, pertencente ao Grupo Nature.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s validarmos estes achados em um maior n\u00famero de pacientes, poderemos pensar em criar um teste que permita prever, antes mesmo do in\u00edcio do tratamento, se o paciente vai ou n\u00e3o responder a um determinado f\u00e1rmaco\u201d, afirmou Daniel Martins-de-Souza, coordenador da pesquisa  pela FAPESP.<\/p>\n<p>De acordo com o professor da Unicamp, tanto o diagn\u00f3stico da esquizofrenia quanto seu tratamento, que \u00e9 centrado na administra\u00e7\u00e3o de antipsic\u00f3ticos, s\u00e3o atualmente baseados apenas nos dados cl\u00ednicos do paciente e na experi\u00eancia do psiquiatra. Cerca de 40% dos portadores do transtorno n\u00e3o respondem a uma primeira tentativa terap\u00eautica e 60% acabam abandonando o medicamento por causa de efeitos colaterais.<\/p>\n<p>\u201cHoje, \u00e9 preciso aguardar seis semanas para saber se o f\u00e1rmaco est\u00e1 ou n\u00e3o fazendo efeito. Quando n\u00e3o h\u00e1 melhora, o m\u00e9dico precisa decidir, somente com base em sua experi\u00eancia, se aumenta a dose ou troca a medica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 biomarcadores que possam auxiliar nesse processo de decis\u00e3o e \u00e9 nisso que estamos trabalhando\u201d, comentou.<\/p>\n<p>O estudo teve in\u00edcio quando Martins-de-Souza atuava como investigador principal no Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia da Universidade de Munique Ludwig Maximilians, na Alemanha, mas as an\u00e1lises foram feitas quando j\u00e1 estava de volta ao Brasil, como professor da Unicamp.<\/p>\n<p>Foram coletadas amostras de sangue de 58 pacientes alem\u00e3es submetidos ao tratamento com tr\u00eas diferentes antipsic\u00f3ticos: olanzapina (18 volunt\u00e1rios), quetiapina (14) e risperidona (26). Esta \u00faltima foi inclu\u00edda no rol do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) em 2014.<\/p>\n<p>\u201cEsses tr\u00eas medicamentos pertencem \u00e0 classe dos antipsic\u00f3ticos at\u00edpicos ou de segunda gera\u00e7\u00e3o, que costuma ter uma a\u00e7\u00e3o mais abrangente que as drogas t\u00edpicas ou de primeira gera\u00e7\u00e3o\u201d, disse Martins-de-Souza.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, enquanto as drogas de primeira gera\u00e7\u00e3o agem principalmente sobre os receptores do neurotransmissor dopamina e amenizam os chamados sintomas produtivos (del\u00edrios e alucina\u00e7\u00f5es) da doen\u00e7a, os medicamentos de segunda gera\u00e7\u00e3o agem tamb\u00e9m sobre outros receptores, entre eles os glutamat\u00e9rgicos, diminuindo tamb\u00e9m os sintomas negativos (apatia, des\u00e2nimo, isolamento e problemas cognitivos).<\/p>\n<p>Na amostra avaliada, metade dos pacientes nunca havia tomado nenhuma droga antipsic\u00f3tica anteriormente (drug naive). Os demais estavam pelo menos h\u00e1 seis semanas sem tomar nenhuma medica\u00e7\u00e3o (drug free).<\/p>\n<p>Metodologia<\/p>\n<p>As coletas de sangue ocorreram na cl\u00ednica psiqui\u00e1trica da Universidade de Magdeburg, na Alemanha, antes do in\u00edcio da terapia (T0) e foram repetidas seis semanas depois (T6), quando j\u00e1 era poss\u00edvel saber quais pacientes respondiam (36 pacientes) e quais n\u00e3o respondiam (22).<\/p>\n<p>Os pesquisadores ent\u00e3o fizeram a an\u00e1lise do proteoma (conjunto completo de prote\u00ednas produzidas pelo organismo) presente nas amostras sangu\u00edneas, dividindo os resultados em quatro diferentes grupos: respondedores em T0; n\u00e3o respondedores em T0; respondedores em T6 e n\u00e3o respondedores em T6.<\/p>\n<p>As prote\u00ednas que apresentaram produ\u00e7\u00e3o alterada em termos de quantidade nos diferentes grupos foram divididas de acordo com as vias bioqu\u00edmicas \u00e0 qual pertencem, ou seja, os processos biol\u00f3gicos em que est\u00e3o envolvidas: sinaliza\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o celular; metabolismo de prote\u00edna; metabolismo e regula\u00e7\u00e3o de \u00e1cidos nucleicos; transporte; manuten\u00e7\u00e3o e crescimento celular; resposta imune; metabolismo energ\u00e9tico; e o \u00faltimo e maior grupo, o dos processos biol\u00f3gicos ainda desconhecidos.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que, embora os medicamentos modifiquem a express\u00e3o de prote\u00ednas nas mesmas vias bioqu\u00edmicas em respondedores e n\u00e3o respondedores, a forma como essa modula\u00e7\u00e3o ocorre \u00e9 diferente. Em duas vias, particularmente, a modula\u00e7\u00e3o [aumento ou diminui\u00e7\u00e3o da express\u00e3o proteica] \u00e9 totalmente inversa: metabolismo de prote\u00ednas e regula\u00e7\u00e3o de \u00e1cidos nucleicos. Mas se \u00e9 isso que leva \u00e0 defici\u00eancia na resposta \u00e0 medica\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que ainda precisa ser estudado\u201d, contou Martins-de-Souza.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, este \u00e9 o primeiro trabalho a investigar as prote\u00ednas circulantes envolvidas na resposta a medicamentos antipsic\u00f3ticos, tendo apontado uma s\u00e9rie de mol\u00e9culas ainda desconhecidas que s\u00e3o de potencial interesse para pesquisadores da \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cAs drogas hoje dispon\u00edveis tratam aspectos muito gen\u00e9ricos da doen\u00e7a, como regula\u00e7\u00e3o de neurotransmissores. Neste trabalho, damos pistas de outras vias bioqu\u00edmicas envolvidas e mostramos prote\u00ednas que s\u00e3o sens\u00edveis ao tratamento. S\u00e3o alvos interessant\u00edssimos\u201d, comentou.<\/p>\n<p>Ainda segundo o pesquisador, foi poss\u00edvel observar j\u00e1 no T0 diferen\u00e7as entre respondedores e n\u00e3o respondedores que permitem pensar na possibilidade de criar um teste preditivo.<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o publicamos esse resultado porque antes queremos valid\u00e1-lo em novas levas de amostras, incluindo uma de pacientes brasileiros, pois estes apresentam uma diversidade gen\u00e9tica bem maior que a dos alem\u00e3es\u201d, afirmou Martins-de-Souza.<\/p>\n<p>Este trabalho est\u00e1 sendo feito durante o doutorado de Sheila Garcia, em parceria com os pesquisadores do Instituto de Psiquiatria da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Wagner F. Gattaz e Martinus T. van de Bilt.<\/p>\n<p>O artigo Biological pathways modulated by antipsychotics in the blood plasma of schizophrenia patients and their association to a clinical response (doi: 10.1038\/npjschz.2015.50), pode ser lido em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Ao avaliar amostras de sangue de portadores de esquizofrenia antes e depois do tratamento com antipsic\u00f3ticos, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificaram um conjunto de prote\u00ednas que \u00e9 modulado de forma diferente pelas drogas nos pacientes que respondem \u00e0 terapia em compara\u00e7\u00e3o aos que n\u00e3o respondem. 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