{"id":78918,"date":"2015-12-18T15:05:48","date_gmt":"2015-12-18T17:05:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=78918"},"modified":"2015-12-18T15:05:48","modified_gmt":"2015-12-18T17:05:48","slug":"cop21-fecha-ciclo-de-busca-por-amplo-acordo-climatico-mundial-iniciado-na-rio-92","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/cop21-fecha-ciclo-de-busca-por-amplo-acordo-climatico-mundial-iniciado-na-rio-92\/78918","title":{"rendered":"COP21 fecha ciclo de busca por amplo acordo clim\u00e1tico mundial iniciado na Rio 92"},"content":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A 21\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (<em><strong>COP21<\/strong><\/em>) fechou um ciclo, iniciado na Rio 92, quando come\u00e7aram as primeiras tentativas de se chegar a um amplo acordo mundial com o objetivo de combater os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por participantes do semin\u00e1rio \u201cCOP21 \u2013 Avalia\u00e7\u00e3o dos resultados e impactos\u201d, realizado na Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o e Contabilidade da Universidade de S\u00e3o Paulo (FEA-USP).<\/p>\n<p>\u201cA COP21 sepultou, de uma vez por todas, a divis\u00e3o do mundo nas categorias de pa\u00edses do Anexo 1 [rela\u00e7\u00e3o de 40 na\u00e7\u00f5es, mais a Uni\u00e3o Europeia, listadas na Conven\u00e7\u00e3o do Clima, aprovada durante a Rio 92, que assumiram compromissos de reduzir emiss\u00f5es de gases de efeito estufa], e os n\u00e3o-Anexo 1 [pa\u00edses em desenvolvimento, que n\u00e3o se comprometeram a assumir metas obrigat\u00f3rias de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o], que existia durante a Rio 92\u201d, disse Jos\u00e9 Goldemberg, presidente da FAPESP, durante o evento.<\/p>\n<p>\u201c[Durante a Rio 92] havia uma percep\u00e7\u00e3o de que a China n\u00e3o era um emissor importante, que os pa\u00edses em desenvolvimento contribu\u00edam pouco individualmente e que adotar uma posi\u00e7\u00e3o muito dura com eles era basicamente in\u00fatil. Agora, durante a COP21, houve uma coalition of the willing [coaliza\u00e7\u00e3o dos interessados, em tradu\u00e7\u00e3o livre] para se chegar ao Acordo de Paris [ o novo pacto clim\u00e1tico mundial adotado por 195 pa\u00edses que participaram da COP21]\u201d, disse Goldemberg, que era ministro da Ci\u00eancia e Tecnologia durante a Rio 92.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Goldemberg, um dos fatores que facilitaram o Acordo de Paris foi o fato de que os Estados Unidos, China e a Uni\u00e3o Europeia \u2013 os tr\u00eas maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa (GEE) \u2013 j\u00e1 haviam se comprometido antes da confer\u00eancia a adotar metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o unilateralmente.<\/p>\n<p>Juntas, as emiss\u00f5es de GEE dos Estados Unidos, China e Uni\u00e3o Europeia correspondem a mais de 55% das emiss\u00f5es globais. Dessa forma, a ratifica\u00e7\u00e3o das tr\u00eas pot\u00eancias mundiais ao Acordo de Paris j\u00e1 \u00e9 suficiente para que o documento entre em vigor, apontou Goldemberg.<\/p>\n<p>\u201cEssa situa\u00e7\u00e3o era muito diferente da Rio 92 e da COP 3 [realizada em 1997, no Jap\u00e3o, quando foi criado o Protocolo de Kyoto, acordo clim\u00e1tico global anterior ao Acordo de Paris ], em que t\u00ednhamos que negociar muito mais. Agora j\u00e1 n\u00e3o era preciso negociar tanto, porque os Estados Unidos, a China e a Uni\u00e3o Europeia j\u00e1 tinham dito de antem\u00e3o o que tinham decidido fazer, em boa parte por raz\u00f5es internas\u201d, comparou Goldemberg.<\/p>\n<p>No caso da China, por exemplo, a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de GEE representa para o pa\u00eds a oportunidade de modernizar sua ind\u00fastria abastecida com energia fornecida majoritariamente pela queima de carv\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto a m\u00e9dia da efici\u00eancia das usinas japonesas que geram energia el\u00e9trica queimando carv\u00e3o \u00e9 de, aproximadamente, 42%, a da China \u00e9 de 28%, comparou Goldemberg.<\/p>\n<p>\u201cBastaria a China usar tecnologia moderna, que \u00e9 um fator importante para competitividade internacional, para que o pa\u00eds reduzisse muito suas emiss\u00f5es e usasse menos carv\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, enquanto tem sido bastante estudadas medidas de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es pela queima de florestas, por exemplo, tem se pensado muito pouco sobre estrat\u00e9gias de redu\u00e7\u00e3o em outros setores emissores, como o de transporte, apontou Goldemberg.<\/p>\n<p>\u201cO grosso das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa \u2013 principalmente CO2 \u2013 vem do transporte e para reduzir as emiss\u00f5es desse setor \u00e9 preciso introduzir algumas medidas legais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A primeira dessas medidas legais, segundo ele, \u00e9 classificar o CO2 e outros GEE como poluentes, a exemplo do que foi feito nos Estados Unidos recentemente.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o ambiental do pa\u00eds (EPA, em ingl\u00eas) conseguiu na Corte Suprema norte-americana a autoriza\u00e7\u00e3o para considerar GEE como poluentes, contou Goldemberg.<\/p>\n<p>\u201cIsso permite que as autoridades locais possam atuar melhor, implementando medidas para redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa no n\u00edvel local\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Avalia\u00e7\u00e3o do acordo<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos participantes do encontro, apesar do Acordo de Paris dar a indica\u00e7\u00e3o de que o mundo avan\u00e7ou em termos de compreens\u00e3o da necessidade de se implementar medidas globais para enfrentar os impactos das mudan\u00e7as globais, o documento apresenta algumas fragilidades.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 o fato de n\u00e3o prever mecanismos de puni\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses que n\u00e3o cumprirem suas metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de GEE (INDCs, na sigla em ingl\u00eas), al\u00e9m de n\u00e3o dar detalhes sobre como ser\u00e3o feitas as revis\u00f5es dessas metas e n\u00e3o apresentar m\u00e9tricas para atingir seu objetivo de manter o aquecimento global neste s\u00e9culo \u201cmuito abaixo\u201d de 2\u00ba C e conduzir os esfor\u00e7os para limitar o aumento de temperatura a 1,5 \u00baC acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 no acordo m\u00e9tricas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa globalmente de forma a assegurar que a trajet\u00f3ria de aumento da temperatura do planeta, que hoje est\u00e1 caminhado para um patamar acima de 3 \u00baC, possa ser alterada para uma trajet\u00f3ria de, no m\u00e1ximo, 1,5 \u00baC\u201d, apontou Jacques Marcovitch, professor da FEA-USP.<\/p>\n<p>Outra fragilidade do documento, de acordo com os participantes do evento, \u00e9 sua dificuldade de implementa\u00e7\u00e3o, uma vez que ser\u00e1 dif\u00edcil a coordena\u00e7\u00e3o das INDCs dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cA implementa\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris ser\u00e1 muito dif\u00edcil e requerer\u00e1 um esfor\u00e7o muito grande\u201d, avaliou Oswaldo dos Santos Lucon, assessor para mudan\u00e7as clim\u00e1ticas do gabinete da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cEstamos implementando o Protocolo Clim\u00e1tico do Estado de S\u00e3o Paulo e percebendo que muitos acham que s\u00e3o os outros que t\u00eam que mitigar, confundem estoque com fluxo de carbono e n\u00e3o t\u00eam sequer 12 contas de luz para quantificar suas emiss\u00f5es ou quanto gastaram de combust\u00edvel durante um determinado per\u00edodo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Em contrapartida, uma das virtudes do Acordo de Paris \u00e9 a \u00eanfase na necessidade de transpar\u00eancia na presta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de GEE pelos pa\u00edses que ratificarem o documento, ponderaram.<\/p>\n<p>\u201cA transpar\u00eancia no fornecimento dos dados \u00e9 indispens\u00e1vel inclusive porque qualquer m\u00e9trica que se queira adotar adiante tem que partir de informa\u00e7\u00f5es abrangentes e com qualidade\u201d, avaliou Celso Lafer, ex-presidente da FAPESP e que, juntamente com Goldemberg, esteve \u00e0 frente da Rio 92, na condi\u00e7\u00e3o de ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores.<\/p>\n<p>O Brasil, por exemplo, deu um enorme salto nesse quesito da transpar\u00eancia nos \u00faltimos anos, o que possibilitou levar \u00e0 COP21 uma das INDCs mais ambiciosas, avaliou Gilberto C\u00e2mara, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n<p>\u201cO Brasil sempre teve um sistema de monitoramento bom [de emiss\u00f5es por desmatamento], mas que n\u00e3o era transparente\u201d, avaliou. \u201cA coloca\u00e7\u00e3o de todos os dados desse sistema de forma aberta, na internet, a partir de 2003, gerou credibilidade internacional para o pa\u00eds e uma amplia\u00e7\u00e3o de sua governan\u00e7a ambiental\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Um dos desafios do Brasil na \u00e1rea de monitoramento de emiss\u00f5es, agora, para que o pa\u00eds atenda o princ\u00edpio da transpar\u00eancia fixado no Acordo de Paris, ser\u00e1 na \u00e1rea agropecu\u00e1ria, em que n\u00e3o bastam imagens de sat\u00e9lite, porque a fixa\u00e7\u00e3o de carbono e nitrog\u00eanio no solo demora um determinado tempo, apontou Sandro Mar\u00f3stica, diretor do Verified Carbon Standard para o Brasil.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o do monitoramento de emiss\u00f5es por desmatamento no Brasil j\u00e1 est\u00e1 quase equacionada, dado que j\u00e1 temos uma estrutura para obten\u00e7\u00e3o de imagens por sat\u00e9lite. Mas \u00e9 preciso avan\u00e7ar no monitoramento da agropecu\u00e1ria\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participou do encontro a jornalista N\u00e1dia Pontes, correspondente da Deutsche Welle no Brasil, que falou sobre os bastidores da COP21 e do processo de negocia\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A 21\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP21) fechou um ciclo, iniciado na Rio 92, quando come\u00e7aram as primeiras tentativas de se chegar a um amplo acordo mundial com o objetivo de combater os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais. 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