{"id":79328,"date":"2016-01-04T00:30:12","date_gmt":"2016-01-04T02:30:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=79328"},"modified":"2016-01-03T21:34:55","modified_gmt":"2016-01-03T23:34:55","slug":"pais-corre-o-risco-de-fechar-bibliotecas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/pais-corre-o-risco-de-fechar-bibliotecas\/79328","title":{"rendered":"Pa\u00eds corre o risco de fechar bibliotecas"},"content":{"rendered":"<p> Espa\u00e7o de conviv\u00eancia, estudo, produ\u00e7\u00e3o e consumo de cultura, inser\u00e7\u00e3o social e, principalmente, leitura, as <strong><em>bibliotecas<\/em><\/strong> precisam oferecer diariamente op\u00e7\u00f5es de acesso a novos bens culturais num mundo cada vez mais conectado \u00e0 internet e bombardeado por informa\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, um modelo inovador e vitorioso, o de biblioteca parque, correu o risco de fechar por falta de verba do governo estadual para manter os equipamentos. Um acordo com as prefeituras do Rio e de Niter\u00f3i reverteu provisoriamente a situa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Com projeto baseado na experi\u00eancia colombiana de Medell\u00edn, a primeira biblioteca parque do pa\u00eds foi inaugurada, em 2010, em Manguinhos, na zona norte da cidade. A da Avenida Presidente Vargas, pr\u00f3ximo \u00e0 Central do Brasil, foi reinaugurada como biblioteca parque em mar\u00e7o de 2014, depois de passar quatro anos em reforma.<\/p>\n<p>O equipamento foi criado em 1873 pelo imperador dom Pedro II e modernizado na d\u00e9cada de 1980 pelo ent\u00e3o secret\u00e1rio de Cultura do estado Darcy Ribeiro. O governo do estado tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela Biblioteca Parque da Rocinha e pela Biblioteca P\u00fablica de Niter\u00f3i.<\/p>\n<p>Para o bibliotec\u00e1rio Chico de Paula, integrante do Movimento Abre Biblioteca Rio, fechar as bibliotecas parque significaria uma perda irrepar\u00e1vel para uma parte da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem outras op\u00e7\u00f5es de acesso \u00e0 cultura.<\/p>\n<p>\u201c V\u00e1rios usu\u00e1rios da biblioteca as visitam simplesmente para usufruir do ar-condicionado, do wi-fi ou da poltrona, para tirar um cochilo ap\u00f3s o almo\u00e7o. Mas a biblioteca parque oferece muito mais. Ela disp\u00f5e de um acervo rico de livros, peri\u00f3dicos e v\u00eddeos, com cabines para que as pessoas assistam os filmes. Quem trabalha ou vive na rua tamb\u00e9m teve um porto seguro na biblioteca parque. Do ponto de vista cultural, o preju\u00edzo \u00e9 incalcul\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p> Segundo ele, at\u00e9 hoje o pa\u00eds n\u00e3o criou uma cultura de biblioteca e j\u00e1 se fala que elas est\u00e3o ultrapassadas. \u201cDa mesma forma como realizamos a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica longe dos verdadeiros republicanos, como ainda n\u00e3o abolimos a escravatura de fato, corremos um s\u00e9rio risco de superar as bibliotecas sem t\u00ea-las realizado. Isso \u00e9 muito grave. N\u00e3o realizamos uma estrutura de biblioteca e pessoas come\u00e7am a afirmar que n\u00e3o precisamos de bibliotecas porque temos internet, o Google. Mas como podemos falar em supera\u00e7\u00e3o das bibliotecas se nem tivemos o prazer de desfrutar das bibliotecas no Brasil?\u201d<\/p>\n<p>De acordo com dados do Sistema Nacional de Bibliotecas do Minist\u00e9rio da Cultura, o Brasil tem 6.701 bibliotecas cadastradas.<\/p>\n<p> Al\u00e9m do acervo, o modelo de biblioteca parque oferece outras atividades para a comunidade. A superintendente da Leitura e do Conhecimento da Secretaria de Estado de Cultura, Vera Schroeder, destaca que o ambiente \u00e9 acolhedor e democr\u00e1tico, tanto que a amea\u00e7a de fechamento foi revertida rapidamente.<\/p>\n<p>\u201c As bibliotecas ficaram fechadas por pouqu\u00edssimos dias. Tanto a sociedade civil quanto as prefeituras se sensibilizaram para que esses espa\u00e7os t\u00e3o importantes pudessem permanecer abertos. Acho que hoje as bibliotecas parque s\u00e3o um dos espa\u00e7os mais democr\u00e1ticos que podemos ver na cidade e no estado do Rio de Janeiro. Voc\u00ea v\u00ea popula\u00e7\u00e3o de rua junto com p\u00f3s-doutorados num mesmo espa\u00e7o cultural, que \u00e9 uma biblioteca. E vemos isso em qualquer uma das nossas bibliotecas\u201d.<\/p>\n<p>Moradora de Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, a artes\u00e3 Fab\u00edola Fortes Rouda Carmo vai para o centro de trem e leva a filha Laura, de 8 anos, para a biblioteca parque tr\u00eas vezes por semana. Elas pegam livros emprestados e participam de outras atividades.<\/p>\n<p>\u201c Ela \u00e9 uma devoradora de livros. A quantidade de livros que ela l\u00ea por semana \u00e9 imposs\u00edvel de comprar. A\u00ed comecei a lev\u00e1-la duas ou tr\u00eas vezes por semana. Moramos super longe, mas ela se sentiu acolhida pelo conceito da biblioteca parque. L\u00e1, ela participa de clube de leitura e teatro. Ent\u00e3o, temos uma rela\u00e7\u00e3o muito estreita at\u00e9 com os funcion\u00e1rios da biblioteca.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 a professora Mariana Jaggi, do Liceu de Artes e Of\u00edcios, aproveita o espa\u00e7o para estudar. \u201cS\u00f3 estudo, mas pretendo assistir uns filmes. S\u00e3o salas de filme que acho geniais. Assim que tiver tempo, vou marcar para assistir um filme. Para usar aqui, n\u00e3o precisa de cadastro. S\u00f3 para pegar livro. Antes eu estudava em casa, mas procurei bibliotecas no centro e agora prefiro estudar aqui, tem ar-condicionado, internet, \u00e9 mais reservado. Eu gosto muito\u201d.<\/p>\n<p>Cursando mestrado em engenharia nuclear na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o angolano Hamilton Ruben Tavares Tumba utiliza a biblioteca parque para estudar, fazer pesquisas e aprender mais sobre o Brasil. \u201c Estou sempre aqui, desde a inaugura\u00e7\u00e3o. Trago os livros, \u00e0s vezes utilizo os daqui para pesquisas e para conhecimento geral. Sou africano e acho que esse espa\u00e7o \u00e9 o melhor para estudar. Sempre que tenho tempo passo cinco, seis horas por aqui, at\u00e9 porque sou vizinho, moro bem perto.\u201d<\/p>\n<p> A designer Andressa Lemos \u00e9 frequentadora da biblioteca parque e promoveu um projeto social com a rede Amor ao Cubo, a fim de incluir pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua que visitam o local, o Fone Cultural.<\/p>\n<p>\u201cTem um espa\u00e7o multim\u00eddia, mas para ter acesso aos v\u00eddeos a pessoa tem de levar seu fone, que os moradores de rua normalmente n\u00e3o tem. Nosso projeto levou 88 fones para serem distribu\u00eddos entre eles. No dia 20 de novembro conseguimos fechar os kits culturais, fazer o evento em parceria com a biblioteca e entregar os kits. Moradores de rua geralmente t\u00eam um fluxo muito grande. Eles aparecem e depois desaparecem, mas \u00e9 um n\u00famero bem grande de interessados no acesso \u00e0 cultura que a biblioteca disponibiliza para eles.\u201d<\/p>\n<p>Com o an\u00fancio do fechamento, Andressa abriu um abaixo-assinado virtual para manter os equipamentos funcionando. Em menos de duas semanas, conseguiu quase 12 mil apoios. Agora, ela pretende emplacar outros projetos de inclus\u00e3o com parceira da biblioteca.<\/p>\n<p>\u201cA gente pretende ajudar com quest\u00f5es de alfabetiza\u00e7\u00e3o, tecnologia, acesso \u00e0 tecnologia e produ\u00e7\u00e3o de cultura. Embora sejamos usu\u00e1rios e isso doa em n\u00f3s, doeu muito mais como parceiros da biblioteca, porque esses caras n\u00e3o t\u00eams outros lugares para ir. Estamos brigando por eles.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com Vera Schroeder, o projeto de bibliotecas parque tamb\u00e9m inclui a do Alem\u00e3o, que j\u00e1 funciona parcialmente na esta\u00e7\u00e3o Palmeira do telef\u00e9rico, \u201cmas n\u00e3o nas condi\u00e7\u00f5es que a gente gostaria\u201d. Vera disse que o local precisa de uma reforma para ajustar a infraestrutura ao projeto, ainda sem previs\u00e3o, mas que o espa\u00e7o j\u00e1 oferece acervo e cursos para a comunidade. Futuramente, a ideia \u00e9 expandir a rede de bibliotecas parque para a Baixada Fluminense e cidades do interior.<\/p>\n<p>\u201c S\u00e3o propostas, mas n\u00e3o existe nada assinado. As bibliotecas parque na Baixada e no interior depender\u00e3o da vontade pol\u00edtica das prefeituras. A ideia \u00e9 que possamos cobrir todo o territ\u00f3rio do Rio de Janeiro, de modo que as regi\u00f5es norte e noroeste tamb\u00e9m tenham espa\u00e7os como esse\u201d, concluiu.<\/p>\n<p> Akemi Nitahara \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Armando Cardoso<br \/>\n04\/01\/2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espa\u00e7o de conviv\u00eancia, estudo, produ\u00e7\u00e3o e consumo de cultura, inser\u00e7\u00e3o social e, principalmente, leitura, as bibliotecas precisam oferecer diariamente op\u00e7\u00f5es de acesso a novos bens culturais num mundo cada vez mais conectado \u00e0 internet e bombardeado por informa\u00e7\u00f5es. 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