{"id":79908,"date":"2016-01-19T07:27:13","date_gmt":"2016-01-19T09:27:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=79908"},"modified":"2016-01-18T19:30:00","modified_gmt":"2016-01-18T21:30:00","slug":"idosos-saudaveis-tem-maior-resistencia-ao-calor-mas-nao-a-umidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/idosos-saudaveis-tem-maior-resistencia-ao-calor-mas-nao-a-umidade\/79908","title":{"rendered":"Idosos saud\u00e1veis t\u00eam maior resist\u00eancia ao calor, mas n\u00e3o \u00e0 umidade"},"content":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Os <strong><em>idosos<\/em><\/strong> s\u00e3o mais vulner\u00e1veis aos sucessivos recordes de temperatura registrados em diferentes partes do mundo nos \u00faltimos anos, que induzem, por exemplo, a altera\u00e7\u00f5es no mecanismo de controle da temperatura corp\u00f3rea, conforme apontam especialistas da \u00e1rea de geriatria.<\/p>\n<p>Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina e do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmof\u00e9ricas (IAG), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), constatou, contudo, que idosos saud\u00e1veis s\u00e3o capazer de tolerar um calor de 32 \u00baC, por exemplo \u2013 temperatura que representa um dia quente de ver\u00e3o em S\u00e3o Paulo \u2013, mantendo um bom desempenho cognitivo.<\/p>\n<p>Resultado de um projeto realizado no \u00e2mbito do \u2013 um dos INCTs apoiados pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) no Estado de S\u00e3o Paulo \u2013, o estudo foi descrito em um artigo publicado na revista Age, da Associa\u00e7\u00e3o Americana de Envelhecimento.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que o desempenho cognitivo de idosos com boa funcionalidade n\u00e3o sofreu efeitos nocivos da exposi\u00e7\u00e3o ao calor\u201d, disse Beatriz Maria Trezza, geriatra do Hospital das Cl\u00ednicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP e primeira autora do estudo, \u00e0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Os pesquisadores avaliaram os efeitos do estresse t\u00e9rmico sobre o desempenho cognitivo de 68 idosos com idade m\u00e9dia de 73,3 anos, com bom desempenho f\u00edsico e cognitivo \u2013 caracterizado pela boa sa\u00fade mental e caminhar de modo independente, entre outros aspectos. Os idosos s\u00e3o pacientes do servi\u00e7o de geriatria do HC-FMUSP ou participantes do programa \u201cUniversidade aberta \u00e0 terceira idade\u201d, da USP.<\/p>\n<p>Para realizar o estudo, os pesquisadores fizeram um ensaio cl\u00ednico em que submeteram os idosos a uma bateria de cinco testes neuropsicol\u00f3gicos computadorizados realizados sucessivamente em salas com temperatura controlada de 24 \u00baC \u2013 considerada confort\u00e1vel para atividade leve \u2013 e de 32 \u00baC.<\/p>\n<p>Selecionados da Bateria Neuropsicol\u00f3gica Automatizada de Testes de Cambridge (Cantab, em ingl\u00eas) \u2013 um software desenvolvido pela Cambridge University, do Reino Unido \u2013, os cinco testes avaliaram diferentes aspectos do desempenho cognitivo dos idosos, como mem\u00f3ria, aten\u00e7\u00e3o, tempo de rea\u00e7\u00e3o a um est\u00edmulo visual e aprendizado.<\/p>\n<p>Os resultados dos testes indicaram que n\u00e3o houve diferen\u00e7as significativas no desempenho cognitivo dos idosos no ambiente com temperatura de 32 \u00baC em compara\u00e7\u00e3o com o de 24 \u00baC.<\/p>\n<p>\u201cAs an\u00e1lises dos testes, como um todo, mostraram que o desempenho cognitivo dos idosos foi mantido no ambiente com 32 \u00baC\u201d, afirmou Trezza. \u201cA popula\u00e7\u00e3o de idosos que avaliamos, entretanto, \u00e9 bastante espec\u00edfica e talvez por isso seja menos vulner\u00e1vel ao estresse t\u00e9rmico\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Umidade e atividade f\u00edsica<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m fizeram uma an\u00e1lise de intera\u00e7\u00e3o dos resultados dos testes: dividiram os idosos em diferentes grupos \u2013 s\u00f3 de homens, mulheres (que representaram 69% dos participantes), mais velhos e mais ativos ou sedent\u00e1rios \u2013 com o objetivo de verificar se algum deles era mais suscet\u00edvel aos efeitos do calor.<\/p>\n<p>Ao dividir os idosos em dois grupos, submetidos a uma mesma temperatura, de 32 \u00baC, mas com umidades relativas do ar diferentes \u2013 um grupo com umidade relativa menor ou igual a 57,8% (a m\u00e9dia da umidade calculada nos testes de varia\u00e7\u00e3o de calor) e outro com umidade superior a essa \u2013, os pesquisadores observaram que o grupo exposto \u00e0 temperatura de 32 \u00baC com umidade relativa do ar acima de 57,8% sofreu os efeitos delet\u00e9rios desse calor mais \u00famido em seu desempenho nos testes cognitivos.<\/p>\n<p>Em contrapartida, n\u00e3o foram observadas diferen\u00e7as significativas no desempenho cognitivo do grupo de 33 idosos expostos a um calor mais seco, com umidade menor ou igual a 57,8%.<\/p>\n<p>\u201cDurante os testes, a temperatura de calor, de 32 \u00baC, foi muito bem controlada, mas n\u00e3o tivemos como controlar a umidade relativa do ar\u201d, explicou Trezza.<\/p>\n<p>Por meio de um , realizado com apoio da FAPESP, os pesquisadores est\u00e3o realizando uma nova bateria de testes com o mesmo perfil de idosos em que pretendem comparar o desempenho cognitivo deles sob uma temperatura de 32 \u00baC, com diferentes n\u00edveis de umidade relativa do ar.<\/p>\n<p>\u201cPretendemos certificar se a umidade relativa do ar realmente \u00e9 um fator que afeta o desempenho cognitivo dos idosos, porque s\u00f3 sob efeito do calor n\u00e3o houve diferen\u00e7a\u201d, disse F\u00e1bio Luiz Teixeira Gon\u00e7alves, professor do IAG-USP e coordenador do projeto.<\/p>\n<p>Os pesquisadores ainda n\u00e3o sabem exatamente porque o n\u00edvel de umidade relativa do ar influencia o desempenho cognitivo dos idosos.<\/p>\n<p>Uma das hip\u00f3teses \u00e9 que, quanto maior a umidade relativa do ar em altas temperaturas, maior o estresse do calor sobre o corpo humano.<\/p>\n<p>Isso porque um dos principais mecanismos do corpo humano para perder calor em um dia quente \u2013 com temperatura acima dos 30 \u00baC \u2013 \u00e9 a transpira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o n\u00edvel de umidade relativa do ar mais alto em um dia quente, menor \u00e9 a possibilidade de transpirar e \u00e9 mais dif\u00edcil regular a temperatura corp\u00f3rea, principalmente pelos idosos, explicou Trezza.<\/p>\n<p>\u201cO estresse na regula\u00e7\u00e3o da temperatura corp\u00f3rea acaba competindo com o funcionamento do c\u00e9rebro. A rede neural, que est\u00e1 tentando manter a temperatura est\u00e1vel do corpo, tem que se preocupar com outra fun\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m constataram que a frequ\u00eancia de atividade f\u00edsica influencia o efeito do calor no desempenho cognitivo dos idosos.<\/p>\n<p>Os idosos que declararam fazer atividade f\u00edsica com frequ\u00eancia menor do que quatro vezes por semana apresentaram pior desempenho cognitivo sob o calor do que aqueles que afirmaram fazer atividade f\u00edsica com frequ\u00eancia maior do que quatro dias.<\/p>\n<p>\u201cO controle t\u00e9rmico do corpo de pessoas que fazem mais atividade f\u00edsica \u00e9 melhor do que o dos sedent\u00e1rios\u201d, explicou Trezza. \u201cQuando se faz atividade f\u00edsica, a temperatura do corpo aumenta e ele vai aprendendo a dissipar calor\u201d, disse.<\/p>\n<p>Estudo pioneiro<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, o estudo sobre o efeito do calor no desempenho cognitivo de idosos \u00e9 pioneiro.<\/p>\n<p>Isso porque j\u00e1 t\u00eam sido realizados estudos nessa linha com militares, trabalhadores expostos a ambientes extremos e jovens. Mas, at\u00e9 ent\u00e3o, ainda n\u00e3o tinha sido feito nenhum estudo espec\u00edfico com idosos.<\/p>\n<p>\u201cParalelamente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais, tamb\u00e9m est\u00e1 ocorrendo um processo de envelhecimento populacional. Um dos objetivos do estudo foi tentar entender como uma popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 envelhecendo e que sofrer\u00e1 mudan\u00e7as no controle da temperatura corp\u00f3rea ir\u00e1 conviver com um clima que est\u00e1 esquentando\u201d, disse Trezza.<\/p>\n<p>Juntamente com os rec\u00e9m-nascidos, os idosos foram as maiores v\u00edtimas das ondas de calor registradas em diferentes partes do mundo nos \u00faltimos anos, como no ver\u00e3o de 2003 na Europa.<\/p>\n<p>\u201cA sensibilidade dos idosos ao calor \u00e9 menor e eles t\u00eam menor percep\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o da temperatura, desencadeando uma resposta comportamental mais tardiamente\u201d, disse Trezza.<\/p>\n<p>Ao perguntar aos idosos participantes do estudo se estavam confort\u00e1veis ou desconfort\u00e1veis sob a temperatura de 32 \u00baC, aproximadamente um ter\u00e7o respondeu que estava confort\u00e1vel.<\/p>\n<p>O artigo \u201cEnvironmental heat exposure and cognitive performance in older adults: a controlled trial\u201d (doi: 10.1007\/s11357-015-9783-z), de Trezza e outros, pode ser lido na revista Age em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Os idosos s\u00e3o mais vulner\u00e1veis aos sucessivos recordes de temperatura registrados em diferentes partes do mundo nos \u00faltimos anos, que induzem, por exemplo, a altera\u00e7\u00f5es no mecanismo de controle da temperatura corp\u00f3rea, conforme apontam especialistas da \u00e1rea de geriatria. 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