{"id":81319,"date":"2016-02-22T10:27:45","date_gmt":"2016-02-22T13:27:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=81319"},"modified":"2016-02-21T20:29:49","modified_gmt":"2016-02-21T23:29:49","slug":"modelos-numericos-ampliam-compreensao-sobre-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/modelos-numericos-ampliam-compreensao-sobre-mudancas-climaticas\/81319","title":{"rendered":"Modelos num\u00e9ricos ampliam compreens\u00e3o sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p> Diego Freire \u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O impacto do <em><strong>El Ni\u00f1o<\/strong><\/em> na Amaz\u00f4nia, relacionado ao aumento da temperatura e \u00e0 seca na regi\u00e3o, pode ser abrandado ou agravado por outro fen\u00f4meno clim\u00e1tico, originado no Oceano \u00cdndico: a Oscila\u00e7\u00e3o de Madden e Julian (OMJ), que pode favorecer o aumento ou a diminui\u00e7\u00e3o das chuvas. Para compreender o padr\u00e3o das intera\u00e7\u00f5es entre os fen\u00f4menos, pesquisadores apoiados pela FAPESP t\u00eam aprimorado modelos num\u00e9ricos capazes de reproduzi-los em computador e realizar proje\u00e7\u00f5es mais precisas das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Pesquisas na \u00e1rea foram apresentadas durante a Reuni\u00e3o Anual de Projetos do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais (PFPMCG), realizada na sede da institui\u00e7\u00e3o. O evento re\u00fane pesquisadores de diferentes institui\u00e7\u00f5es do Brasil e de outros pa\u00edses para apresentar e discutir os principais trabalhos em andamento vinculados ao programa.<\/p>\n<p>As pesquisas com modelos num\u00e9ricos apresentadas na ocasi\u00e3o s\u00e3o resultado de colabora\u00e7\u00f5es entre pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e da Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos. Os modelos utilizados simulam, entre outros fen\u00f4menos, as intera\u00e7\u00f5es da superf\u00edcie com a atmosfera terrestre.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 testar e aprimorar esses modelos, complementando-os com dados obtidos em diferentes pesquisas, para que seja poss\u00edvel realizar simula\u00e7\u00f5es de longo prazo sobre como o clima est\u00e1 mudando na Amaz\u00f4nia, reproduzindo todas as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas com fidelidade\u201d, explicou Tercio Ambrizzi, do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas (IAG) da USP, respons\u00e1vel pela pesquisa , realizada com apoio da FAPESP.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as an\u00e1lises observacionais em curso, os pesquisadores trabalhar\u00e3o na modelagem num\u00e9rica dos padr\u00f5es de intera\u00e7\u00f5es entre o El Ni\u00f1o, fen\u00f4meno atmosf\u00e9rico-oce\u00e2nico caracterizado por um aquecimento anormal das \u00e1guas superficiais no Oceano Pac\u00edfico Tropical, e a Oscila\u00e7\u00e3o de Madden e Julian, resultante de um aglomerado de nuvens desenvolvido no Oceano \u00cdndico cuja propaga\u00e7\u00e3o gera ondas de nuvens convectivas que chegam \u00e0 regi\u00e3o amaz\u00f4nica e que podem afetar a precipta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA Oscila\u00e7\u00e3o de Madden e Julian se propaga ao longo da regi\u00e3o equatorial. Ela se inicia no Oceano \u00cdndico, passa pelo Pac\u00edfico oeste e, embora as nuvens diminuam e quase desapare\u00e7am no Pac\u00edfico leste por causa das \u00e1guas mais frias, a onda continua para o leste. Ao chegar \u00e0 regi\u00e3o amaz\u00f4nica, ao norte da Am\u00e9rica do Sul, desenvolve-se novamente e se propaga at\u00e9 voltar ao \u00cdndico, num ciclo que dura de 40 a 50 dias\u201d, contou o pesquisador.<\/p>\n<p>Como se trata de uma onda de nuvens convectivas, sua chegada \u00e0 Amaz\u00f4nia pode favorecer o aumento ou a diminui\u00e7\u00e3o da chuva, dependendo de suas intera\u00e7\u00f5es com outros fen\u00f4menos, como a Oscila\u00e7\u00e3o Sul El Ni\u00f1o (Enso). Dependendo da fase em que a intera\u00e7\u00e3o ocorra, as ondas podem favorecer a ocorr\u00eancia de mais chuva ou eventos de extrema seca.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o comparados aos de outras regi\u00f5es do globo, como ilhas do Oceano Pac\u00edfico.\u00a0\u201cO objetivo \u00e9 saber se o in\u00edcio da convec\u00e7\u00e3o que ocorre no Pac\u00edfico tem similaridades com o que acontece no meio da Floresta Amaz\u00f4nica, determinando quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre um ambiente oce\u00e2nico e de floresta. Essas similaridades s\u00e3o importantes para que sejam feitos ajustes que permitam que os modelos representem o crescimento das nuvens de forma realista, considerando o ambiente em que elas est\u00e3o se formando\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O grupo de Ambrizzi tamb\u00e9m trabalha em simula\u00e7\u00f5es das fontes poluidoras de Manaus. Um modelo qu\u00edmico simular\u00e1 quais s\u00e3o as fontes geradoras de poluentes, considerando intera\u00e7\u00f5es com os modelos num\u00e9ricos que geram nuvens e ampliando a compreens\u00e3o sobre como os aeross\u00f3is, pequenas part\u00edculas de l\u00edquido ou s\u00f3lido em suspens\u00e3o no ar na forma de g\u00e1s, e outros gases interagem com essas nuvens e podem modificar seu crescimento.<\/p>\n<p>Os modelos num\u00e9ricos testados pelos pesquisadores utilizam dados da colabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica internacional Green Ocean Amazon (GOAmazon), que estuda as intera\u00e7\u00f5es entre a Floresta Amaz\u00f4nica e a atmosfera e mede os n\u00edveis de polui\u00e7\u00e3o de Manaus e sua influ\u00eancia no ciclo de vida das nuvens e da forma\u00e7\u00e3o de chuva.<\/p>\n<p>A iniciativa conta com pesquisas apoiadas pela FAPESP, apresentadas na ocasi\u00e3o por Paulo Eduardo Artaxo Netto, professor titular e chefe do Departamento de F\u00edsica Aplicada do Instituto de F\u00edsica da USP, membro da coordena\u00e7\u00e3o do PFPMCG.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de \u00e1rea urbana com cerca de 2 milh\u00f5es de habitantes, cercada por centenas de quil\u00f4metros de florestas. O estudo dos processos atmosf\u00e9ricos que ocorrem nessa intera\u00e7\u00e3o \u00e9 importante n\u00e3o s\u00f3 para a compreens\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas regionais, mas tamb\u00e9m para as globais\u201d, disse Artaxo Netto.<\/p>\n<p>No escopo da pesquisa est\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o de medi\u00e7\u00f5es em seis diferentes s\u00edtios, seguidas de estudos detalhados sobre transporte e processamento atmosf\u00e9rico. Tr\u00eas s\u00edtios medem propriedades atmosf\u00e9ricas do vento acima da pluma de Manaus; dois, pr\u00f3ximos ao Rio Negro e ao munic\u00edpio de Manacapuru, realizam medidas de vento abaixo da pluma de Manaus; um \u00faltimo opera no centro da capital amazonense.<\/p>\n<p>Nova chamada<\/p>\n<p>Os trabalhos apresentados na Reuni\u00e3o Anual de Projetos do PFPMCG integram as 38 pesquisas em andamento apoiadas pelo programa, que conta com 71 j\u00e1 conclu\u00eddas. Uma nova chamada de propostas de pesquisa est\u00e1 aberta at\u00e9 26 de fevereiro e selecionar\u00e1 projetos em \u201cMudan\u00e7as clim\u00e1ticas e suas rela\u00e7\u00f5es com energia, \u00e1gua e agricultura\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs problemas decorrentes das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas foram identificados por cientistas h\u00e1 mais de 40 anos e se tornaram um elemento importante de pol\u00edticas p\u00fablicas no mundo todo. A ci\u00eancia foi essencial para trazer \u00e0 tona esse entendimento sobre os problemas e a FAPESP se coloca \u00e0 frente do desafio que \u00e9 apresentar as solu\u00e7\u00f5es para eles\u201d, destacou Jos\u00e9 Goldemberg, presidente da FAPESP, na abertura do evento.<\/p>\n<p>Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor cient\u00edfico da FAPESP, lembrou a participa\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica de S\u00e3o Paulo na formula\u00e7\u00e3o das metas volunt\u00e1rias de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa apresentadas pelo Brasil na 21\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP21), em Paris.<\/p>\n<p>\u201cAs pesquisas realizadas com o apoio do PFPMCG contribuem no sentido de apresentar caminhos cient\u00edficos para a viabiliza\u00e7\u00e3o dessas metas. \u00c9 preciso entender claramente que dire\u00e7\u00f5es tomar a partir do que foi proposto, e a ci\u00eancia tem papel fundamental nisso.\u201d<\/p>\n<p>As novas propostas ao PFPMCG podem ser apresentadas nas linhas de fomento Aux\u00edlio \u00e0 Pesquisa \u2013 Regular, Aux\u00edlio \u00e0 Pesquisa \u2013 Projeto Tem\u00e1tico ou Programa Jovem Pesquisador em Centros Emergentes, via  (SAGe) da FAPESP. Os projetos selecionados ser\u00e3o anunciados no dia 30 de maio.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre a chamada est\u00e3o dispon\u00edveis em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Freire \u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O impacto do El Ni\u00f1o na Amaz\u00f4nia, relacionado ao aumento da temperatura e \u00e0 seca na regi\u00e3o, pode ser abrandado ou agravado por outro fen\u00f4meno clim\u00e1tico, originado no Oceano \u00cdndico: a Oscila\u00e7\u00e3o de Madden e Julian (OMJ), que pode favorecer o aumento ou a diminui\u00e7\u00e3o das chuvas. 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