{"id":82184,"date":"2016-03-11T10:18:57","date_gmt":"2016-03-11T13:18:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=82184"},"modified":"2016-03-10T18:20:23","modified_gmt":"2016-03-10T21:20:23","slug":"deficiencia-de-hormonio-tireoidiano-compromete-o-funcionamento-renal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/deficiencia-de-hormonio-tireoidiano-compromete-o-funcionamento-renal\/82184","title":{"rendered":"Defici\u00eancia de horm\u00f4nio tireoidiano compromete o funcionamento renal"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um estudo publicado por cientistas brasileiros na revista Thyroid apresentou, pela primeira vez, evid\u00eancias diretas de que a defici\u00eancia de <strong><em>horm\u00f4nios tireoidianos<\/em><\/strong> prejudica o funcionamento renal.<\/p>\n<p>Ao suspender temporariamente a terapia de reposi\u00e7\u00e3o hormonal de pacientes que tiveram a gl\u00e2ndula retirada em decorr\u00eancia de um c\u00e2ncer, os pesquisadores observaram preju\u00edzo m\u00e9dio de 18% no ritmo de filtra\u00e7\u00e3o glomerular \u2013 primeira etapa do processo de forma\u00e7\u00e3o da urina nos rins.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada com \u00a0da FAPESP durante o doutorado de George Barberio Coura Filho, sob orienta\u00e7\u00e3o do professor da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP) Marcelo Sapienza, vinculado ao Instituto de Radiologia (InRad-USP).<\/p>\n<p>\u201cEvid\u00eancias da literatura cient\u00edfica indicavam que alguns portadores de disfun\u00e7\u00e3o tireoidiana apresentavam disfun\u00e7\u00e3o renal associada. Mas eram poucos os trabalhos sobre o tema e eles avaliaram a fun\u00e7\u00e3o renal de maneira indireta\u201d, comentou Coura Filho, que tamb\u00e9m \u00e9 diretor da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN).<\/p>\n<p>O grupo ent\u00e3o decidiu investigar se o ritmo de filtra\u00e7\u00e3o glomerular \u2013 par\u00e2metro comumente utilizado na avalia\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o renal \u2013 era ou n\u00e3o dependente dos n\u00edveis de horm\u00f4nios tireoidianos.<\/p>\n<p>O estudo foi feito com 28 pacientes submetidos a cirurgia para retirada da tireoide ap\u00f3s o diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer. Nenhum deles tinha hist\u00f3rico de disfun\u00e7\u00e3o renal e todos teriam de passar por um tratamento complementar com iodo-131, subst\u00e2ncia radioativa, para reduzir o risco de recidiva e de met\u00e1stase.<\/p>\n<p>\u201cPara aumentar a efici\u00eancia do tratamento com radioiodo, \u00e9 preciso aumentar os n\u00edveis do horm\u00f4nio estimulante da tireoide (TSH, na sigla em ingl\u00eas), que \u00e9 produzido pela hip\u00f3fise e facilita a entrada do iodo nas c\u00e9lulas\u201d, explicou Coura Filho.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, h\u00e1 duas maneiras de se alcan\u00e7ar esse objetivo: administrando ao paciente uma vers\u00e3o sint\u00e9tica do horm\u00f4nio TSH ou suspendendo a terapia de reposi\u00e7\u00e3o tireoidiana, o que faz com que a hip\u00f3fise passe a produzir o horm\u00f4nio estimulante da tireoide na tentativa de corrigir o d\u00e9ficit.<\/p>\n<p>Antes de iniciar a radioiodo terapia, portanto, os 28 pacientes foram divididos em dois grupos. Metade recebeu TSH sint\u00e9tico e, os demais, tiveram a reposi\u00e7\u00e3o hormonal suspensa, entrando em estado cl\u00ednico de hipotireoidismo.<\/p>\n<p>Com aux\u00edlio de uma t\u00e9cnica de medicina nuclear, os pesquisadores avaliaram nos dois grupos a evolu\u00e7\u00e3o do ritmo de filtra\u00e7\u00e3o glomerular. Para isso, foi injetado nos pacientes um radiof\u00e1rmaco chamado Cr51-EDTA.<\/p>\n<p>\u201cO Cr51-EDTA \u00e9 um marcador filtrado exclusivamente pelos glom\u00e9rulos, sem que haja secre\u00e7\u00e3o ou absor\u00e7\u00e3o significativa nos t\u00fabulos renais (onde ocorre a segunda etapa de forma\u00e7\u00e3o da urina). Portanto, quanto maior for o ritmo de filtra\u00e7\u00e3o glomerular, mais rapidamente o marcador radioativo \u00e9 excretado do organismo\u201d, explicou Coura Filho.<\/p>\n<p>Duas e quatro horas ap\u00f3s a inje\u00e7\u00e3o do is\u00f3topo, amostras de sangue dos volunt\u00e1rios de ambos os grupos foram colhidas e colocadas em um contador de radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs an\u00e1lises mostraram que, no grupo que teve a reposi\u00e7\u00e3o hormonal suspensa, o ritmo de filtra\u00e7\u00e3o glomerular caiu em m\u00e9dia 18% em compara\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel inicial. J\u00e1 no grupo que recebeu TSH sint\u00e9tico, observamos aumento de 4% na filtra\u00e7\u00e3o, mas o n\u00famero n\u00e3o foi estatisticamente significativo e podemos dizer que, nesse caso, a fun\u00e7\u00e3o renal ficou est\u00e1vel\u201d, disse Coura Filho.<\/p>\n<p>Res\u00edduos represados<\/p>\n<p>Quando a taxa de filtra\u00e7\u00e3o glomerular cai, menor quantidade de urina \u00e9 formada, o que significa que toxinas e metab\u00f3litos indesejados ficam represados no organismo. Uma das formas mais usadas de investigar se isso est\u00e1 acontecendo \u00e9 dosar na urina ou no sangue do paciente uma subst\u00e2ncia chamada creatinina \u2013 formada a partir da quebra da prote\u00edna creatina fosfato, necess\u00e1ria para o funcionamento dos m\u00fasculos.<\/p>\n<p>Dados do artigo mostram que, nos pacientes que tiveram a reposi\u00e7\u00e3o hormonal suspensa, a taxa de excre\u00e7\u00e3o de creatinina na urina caiu 22%. Tamb\u00e9m foi observado aumento das concentra\u00e7\u00f5es de creatinina no sangue.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Sapienza, o estudo deixa claro que o hipotireoidismo, mesmo em uma apresenta\u00e7\u00e3o aguda, leva a significativa redu\u00e7\u00e3o da filtra\u00e7\u00e3o glomerular, o que pode ter implica\u00e7\u00e3o na farmacocin\u00e9tica de outras drogas e agravar a situa\u00e7\u00e3o de pacientes que j\u00e1 tenham doen\u00e7a renal pr\u00e9via.<\/p>\n<p>\u201cO hipotireoidismo associa-se a redu\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o renal provavelmente por levar a altera\u00e7\u00f5es do sistema cardiocirculat\u00f3rio, talvez associadas a modifica\u00e7\u00f5es de transporte hidroeletrol\u00edtico renal. Apesar de essa rela\u00e7\u00e3o ser bem conhecida em outras situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 ainda claro o grau e intervalo em que ocorre essa disfun\u00e7\u00e3o no hipotireoidismo agudo e como quantific\u00e1-la na pr\u00e1tica cl\u00ednica. Neste trabalho, al\u00e9m de determinar o impacto do hipotireoidismo agudo na filtra\u00e7\u00e3o glomerular, medida pelo clareamento plasm\u00e1tico [excre\u00e7\u00e3o pela urina]\u00a0do 51Cr-EDTA, foi poss\u00edvel estabelecer par\u00e2metros baseados na dosagem s\u00e9rica de creatinina, que permitem fazer esse monitoramento de forma mais acess\u00edvel clinicamente\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Para Coura Filho, os resultados refor\u00e7am a necessidade de uma reposi\u00e7\u00e3o tireoidiana eficiente. \u201cAgora que conhecemos como os horm\u00f4nios tireoidianos interagem com o funcionamento dos rins, podemos evitar que pacientes com hipotireoidismo prim\u00e1rio \u2013 aqueles que t\u00eam a gl\u00e2ndula, mas ela n\u00e3o funciona adequadamente \u2013 venham a sofrer preju\u00edzos renais futuramente. Devemos adotar medidas preventivas\u201d, opinou.<\/p>\n<p>O artigo Effects of Thyroid Hormone Withdrawal and Recombinant Human Thyrotropin on Glomerular Filtration Rate During Radioiodine Therapy for Well-Differentiated Thyroid Cancer (doi: 10.1089\/thy.2015.0173), pode ser lido em.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um estudo publicado por cientistas brasileiros na revista Thyroid apresentou, pela primeira vez, evid\u00eancias diretas de que a defici\u00eancia de horm\u00f4nios tireoidianos prejudica o funcionamento renal. Ao suspender temporariamente a terapia de reposi\u00e7\u00e3o hormonal de pacientes que tiveram a gl\u00e2ndula retirada em decorr\u00eancia de um c\u00e2ncer, os pesquisadores observaram [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37376,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-82184","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82184","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82184"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82184\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82184"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82184"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82184"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}