{"id":82404,"date":"2016-03-15T10:39:25","date_gmt":"2016-03-15T13:39:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=82404"},"modified":"2016-03-14T18:42:08","modified_gmt":"2016-03-14T21:42:08","slug":"lesoes-hiperpigmentadas-na-boca-ou-nariz-alertam-para-tipo-agressivo-de-melanoma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/lesoes-hiperpigmentadas-na-boca-ou-nariz-alertam-para-tipo-agressivo-de-melanoma\/82404","title":{"rendered":"Les\u00f5es hiperpigmentadas na boca ou nariz alertam para tipo agressivo de melanoma"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Raro e bastante agressivo, o <em><strong>melanoma de mucosa<\/strong><\/em> \u00e9 caracterizado por les\u00f5es hiperpigmentadas que variam do castanho claro ao preto e podem aparecer na cavidade oral, nas fossas nasais ou nos seios paranasais \u2013 tamb\u00e9m conhecidos como seios da face.<\/p>\n<p>Ao avaliar dados de 51 pacientes diagnosticados com a doen\u00e7a e tratados no A.C. Camargo Cancer Center entre 1954 e 2012, pesquisadores da institui\u00e7\u00e3o observaram clara associa\u00e7\u00e3o entre diagn\u00f3stico tardio e menor sobrevida.<\/p>\n<p>De acordo com os resultados  no International Journal of Oral &amp; Maxillofacial Surgery, a maioria dos pacientes apresentava doen\u00e7a avan\u00e7ada no momento do diagn\u00f3stico e, ao final do estudo, apenas sete estavam vivos.<\/p>\n<p>A pesquisa foi coordenada pelo cirurgi\u00e3o de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o Mauro Kasuo Ikeda, no \u00e2mbito do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em Oncogen\u00f4mica () \u2013 um dos Institutos Nacionais de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCTs) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) apoiados pela FAPESP em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cO grande problema \u00e9 que, por ser raro e nem sempre vis\u00edvel, o melanoma de mucosa \u00e9 de dif\u00edcil diagn\u00f3stico. Muitos pacientes j\u00e1 est\u00e3o em est\u00e1gio avan\u00e7ado quando chegam a um servi\u00e7o especializado\u201d, contou Ikeda.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, oito entre dez casos de melanoma de mucosa s\u00e3o identificados a partir de uma pigmenta\u00e7\u00e3o em \u00e1reas como a gengiva superior e a cavidade nasal. Geralmente, os primeiros a perceber o tumor s\u00e3o dentistas ou m\u00e9dicos otorrinolaringologistas.<\/p>\n<p>No entanto, quando os pacientes s\u00e3o encaminhados para um centro especializado, mais da metade j\u00e1 apresenta les\u00f5es ulceradas, que demandam um tratamento cir\u00fargico mais agressivo e com menor possibilidade de controle da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Ikeda relatou que n\u00e3o houve ao longo dos anos uma grande evolu\u00e7\u00e3o nas taxas de sobrevida, pois o tratamento para esse tipo de c\u00e2ncer continua sendo, desde os anos 1950, essencialmente cir\u00fargico.<\/p>\n<p>\u201cEssas les\u00f5es n\u00e3o respondem bem \u00e0 qu\u00edmio ou radioterapia. A diferen\u00e7a \u00e9 que, gra\u00e7as aos avan\u00e7os nas t\u00e9cnicas de reconstru\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica, os casos graves, que antes n\u00e3o eram operados, hoje podem ser\u201d, contou o cirurgi\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, os tumores malignos, de maneira geral, s\u00e3o divididos em est\u00e1gios de agressividade que variam de 0 a 4. Mas, no caso do melanoma de mucosa, praticamente todas as les\u00f5es diagnosticadas \u2013 independentemente do tamanho ou da profundidade \u2013 s\u00e3o consideradas como grau 3 ou 4, o que significa um progn\u00f3stico ruim, com alto risco de met\u00e1stase e de morte relacionada ao tumor. T\u00e3o raro quanto a doen\u00e7a \u00e9 descobri-la em suas fases iniciais (graus 1 e 2).<\/p>\n<p>\u201cMas o diagn\u00f3stico precoce n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel de se obter. O estudo mostrou que 84,3% apresentam uma forte pigmenta\u00e7\u00e3o nas cavidades bucal e nasal e, com posse dessa informa\u00e7\u00e3o, dentistas e otorrinolaringologistas podem atentar para les\u00f5es que possam estar presentes nestas \u00e1reas, identificando-as bem no in\u00edcio e encaminhando o paciente para um centro especializado\u201d, ressalta Ikeda.<\/p>\n<p>H\u00e1 por\u00e9m um contraponto, alerta o pesquisador. Pessoas com cerca de 40 anos ou mais costumam ter em sua arcada dent\u00e1ria restaura\u00e7\u00f5es feitas com am\u00e1lgama, um derivado do merc\u00fario. \u201cMuitas vezes, quando se fazia esse tipo de procedimento, escapava um fragmento de merc\u00fario que se instalava na mucosa induzindo maior pigmenta\u00e7\u00e3o no local sem qualquer rela\u00e7\u00e3o com c\u00e2ncer. Portanto, o diagn\u00f3stico pode ser confuso e requer um profissional treinado\u201d, disse.<\/p>\n<p>No caso das les\u00f5es nos seios da face a visualiza\u00e7\u00e3o \u00e9 praticamente imposs\u00edvel, relatou Ikeda. O diagn\u00f3stico geralmente \u00e9 feito quando o paciente j\u00e1 apresenta sintomas como sangramento nasal ou quando o tumor se espalha para outras regi\u00f5es da cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Fatores de risco e marcadores de agressividade<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de outros tumores que afetam cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, o melanoma de mucosa n\u00e3o est\u00e1 relacionado ao consumo de \u00e1lcool ou tabaco. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 liga\u00e7\u00e3o com exposi\u00e7\u00e3o prolongada \u00e0 radia\u00e7\u00e3o solar, como \u00e9 o caso do melanoma de pele.<\/p>\n<p>\u201cAlguns estudos encontraram muta\u00e7\u00f5es em tumores individuais, mas s\u00e3o achados espor\u00e1dicos, n\u00e3o \u00e9 algo que possa ser reconhecido como causa. N\u00e3o h\u00e1 uma causa bem estabelecida\u201d, disse Ikeda.<\/p>\n<p>Um dos objetivos dos pesquisadores do INCITO, atualmente, tem sido identificar aspectos cl\u00ednicos e biomarcadores moleculares que sejam preditores de melhor ou pior progn\u00f3stico e possam ajudar a melhorar as taxas de sobrevida global.<\/p>\n<p>\u201cO surgimento de novos quimioter\u00e1picos e imunoter\u00e1picos tamb\u00e9m oferece boas perspectivas ao tratamento. \u00c9 poss\u00edvel que os anticorpos monoclonais possam ter alguma interfer\u00eancia na evolu\u00e7\u00e3o desses pacientes\u201d, avaliou Ikeda.<\/p>\n<p>O artigo Head and neck mucosal melanoma: clinicopathological analysis of 51 cases treated in a single cancer centre and review of the literature (doi: 10.1016\/j.ijom.2015.08.987) pode ser lido em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Raro e bastante agressivo, o melanoma de mucosa \u00e9 caracterizado por les\u00f5es hiperpigmentadas que variam do castanho claro ao preto e podem aparecer na cavidade oral, nas fossas nasais ou nos seios paranasais \u2013 tamb\u00e9m conhecidos como seios da face. 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