{"id":83387,"date":"2016-03-31T10:04:39","date_gmt":"2016-03-31T13:04:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=83387"},"modified":"2016-03-30T20:05:43","modified_gmt":"2016-03-30T23:05:43","slug":"a-busca-por-genes-causadores-de-doencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/a-busca-por-genes-causadores-de-doencas\/83387","title":{"rendered":"A busca por genes causadores de doen\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo, de Michigan | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Diversos estudos voltados a encontrar genes relacionados ao desenvolvimento ou \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as como <strong><em>c\u00e2ncer e hipertens\u00e3o<\/em><\/strong> foram apresentados no dia 28 de mar\u00e7o, em Ann Arbor, nos Estados Unidos, durante a programa\u00e7\u00e3o da FAPESP Week Michigan-Ohio.<\/p>\n<p>O evento nas cidades de Ann Arbor e Columbus foi organizado pela FAPESP em parceria com a University of Michigan (UM) e a Ohio State University (OSU), com o objetivo de fomentar novas colabora\u00e7\u00f5es entre pesquisadores paulistas e norte-americanos.<\/p>\n<p>Entre os palestrantes estava o endocrinologista Ant\u00f4nio Marcondes Lerario, da University of Michigan Medical School, cujo trabalho \u00e9 voltado a identificar alvos para o tratamento do carcinoma adrenocortical (CAC), um tipo raro de c\u00e2ncer caracterizado pelo crescimento anormal da camada externa (cortical) das gl\u00e2ndulas adrenais \u2013 localizadas acima dos rins.<\/p>\n<p>O c\u00f3rtex adrenal tem um importante papel no sistema end\u00f3crino, pois produz horm\u00f4nios que regulam o metabolismo e a press\u00e3o sangu\u00ednea. Tamb\u00e9m sintetiza o cortisol e os horm\u00f4nios masculinos conhecidos como andr\u00f3genos. O CAC pode desencadear uma produ\u00e7\u00e3o excessiva desses horm\u00f4nios.<\/p>\n<p>&#8220;Do ponto de vista cl\u00ednico, \u00e9 uma doen\u00e7a bastante heterog\u00eanea. H\u00e1 casos relacionados com muta\u00e7\u00f5es herdadas, mas a maioria s\u00e3o casos espor\u00e1dicos. Alguns pacientes evoluem bem e outros, mal. Estamos identificando biomarcadores que ajudam a distinguir esses diferentes casos&#8221;, contou Lerario.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de cirurgia para a remo\u00e7\u00e3o do tumor, o tratamento da doen\u00e7a inclui quimioterapia, radioterapia e medicamentos que bloqueiam a produ\u00e7\u00e3o de cortisol quando os n\u00edveis desse horm\u00f4nio est\u00e3o muito altos.<\/p>\n<p>Segundo Lerario, n\u00e3o h\u00e1, por\u00e9m, op\u00e7\u00f5es eficientes para tratar os casos avan\u00e7ados, em que ocorreu a forma\u00e7\u00e3o de met\u00e1stase. &#8220;O que podemos fazer \u00e9 entrar com uma quimioterapia agressiva, que melhora um pouco os sintomas, mas n\u00e3o afeta a sobrevida global. Por isso nossa pesquisa est\u00e1 voltada a identificar alvos moleculares espec\u00edficos que possam ser bloqueados por meio de drogas e, assim, reduzir a progress\u00e3o da doen\u00e7a sem afetar os tecidos sadios. \u00c9 o que chamamos de terapia-alvo&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Diversos genes candidatos est\u00e3o sendo investigados na University of Michigan Medical School. Um desses alvos terap\u00eauticos \u2013 o IGF-2 (Insulin-like growth factor 2) \u2013 chegou a ser testado em ensaios com humanos, mas n\u00e3o mostrou a efic\u00e1cia esperada.<\/p>\n<p>&#8220;O IGF-2 \u00e9 um gene que se encontra hiperexpresso em 90% dos portadores de carcinoma adrenocortical e sabemos que induz a prolifera\u00e7\u00e3o e o crescimento celular. Tentamos usar drogas que bloqueiam o receptor dessa prote\u00edna. Funcionou in vitro, funcionou em modelos animais, mas nos testes com humanos apenas 5% dos pacientes responderam&#8221;, contou o pesquisador.<\/p>\n<p>Os 5% que responderam, no entanto, apresentaram melhora significativa. A doen\u00e7a parou de progredir por um tempo prolongado e, em alguns casos, chegou a regredir. Segundo Lerario, por\u00e9m, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber com anteced\u00eancia quais pacientes v\u00e3o responder a essa terapia.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma doen\u00e7a complexa. Al\u00e9m do IGF-2, h\u00e1 outras vias oncog\u00eanicas ativas e parece existir um sinergismo entre elas. Nossa meta agora \u00e9 encontrar meios de atuar em v\u00e1rias dessas vias simultaneamente ou de identificar se h\u00e1 uma via central&#8221;, disse Lerario.<\/p>\n<p>Hipertens\u00e3o resistente<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre os casos de hipertens\u00e3o resistente ao tratamento e a ativa\u00e7\u00e3o excessiva dos receptores celulares para o horm\u00f4nio aldosterona (conhecido como receptor mineralocorticoide) foi o tema da palestra apresentada pelo professor Bryan Byrd, da Divis\u00e3o de Medicina Cardiovascular da University of Michigan Medical School.<\/p>\n<p>Segundo Byrd, s\u00e3o considerados resistentes ao tratamento aqueles pacientes cuja press\u00e3o arterial n\u00e3o fica sob controle mesmo tomando simultaneamente, em doses ideais, tr\u00eas medicamentos de diferentes classes, sendo um deles, necessariamente, um diur\u00e9tico.<\/p>\n<p>&#8220;As melhores estat\u00edsticas que temos sobre esses casos s\u00e3o brasileiras, levantadas por pesquisadores do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (InCor) da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP), e indicam que o problema acomete aproximadamente 10% dos hipertensos&#8221;, contou Byrd.<\/p>\n<p>Entre esses casos de resist\u00eancia real \u00e0 terapia, contou o pesquisador, 20% dos pacientes apresentam ativa\u00e7\u00e3o excessiva do sistema relacionado ao horm\u00f4nio aldosterona, o que faz com que o rim retenha maior quantidade de \u00e1gua e de s\u00f3dio.<\/p>\n<p>&#8220;No processo evolutivo, o receptor mineralocorticoide surgiu quando os mam\u00edferos deixaram o meio aqu\u00e1tico, com a miss\u00e3o de impedir a morte por desidrata\u00e7\u00e3o. A ativa\u00e7\u00e3o desse receptor indica para o rim que ele deve reter \u00e1gua e s\u00f3dio em situa\u00e7\u00f5es em que h\u00e1 dificuldade para encontrar \u00e1gua. Mas algumas pessoas parecem produzir muito horm\u00f4nio aldosterona mesmo quando est\u00e3o bebendo quantidades suficientes de \u00e1gua e ingerindo muito sal em suas dietas&#8221;, contou Byrd.<\/p>\n<p>No entanto, acrescentou o pesquisador, estudos recentes t\u00eam mostrado que mesmo alguns hipertensos com n\u00edveis sangu\u00edneos normais de aldosterona respondem bem a drogas que bloqueiam a a\u00e7\u00e3o do receptor mineralocorticoide.<\/p>\n<p>&#8220;Isso nos sugere que pode haver outros meios de ativar esse receptor, mol\u00e9culas com a\u00e7\u00e3o similar \u00e0 da aldosterona que precisam ser identificadas. Outra poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que esses pacientes tenham uma superexpress\u00e3o do receptor mineralocorticoide. Nossos estudos tentam identificar qual \u00e9 a causa precisa dessa ativa\u00e7\u00e3o exagerada do sistema&#8221;, afirmou Byrd.<\/p>\n<p>Ainda na mesma sess\u00e3o, a pesquisadora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) Gisele Colleoni apresentou uma linha de pesquisa dedicada a encontrar alvos terap\u00eauticos e biomarcadores de progn\u00f3stico para o mieloma m\u00faltiplo \u2013 um tipo de c\u00e2ncer que afeta as c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico conhecidas como linf\u00f3citos.<\/p>\n<p>Nils Walter, professor de Qu\u00edmica da University of Michigan, falou sobre o uso de microscopia de fluoresc\u00eancia como ferramenta n\u00e3o invasiva para dissecar, em c\u00e9lulas vivas, o papel de mol\u00e9culas de RNA que n\u00e3o codificam prote\u00ednas, mas t\u00eam papel regulador na express\u00e3o dos genes e podem estar envolvidas no desenvolvimento de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>J\u00e1 o pesquisador da USP  apresentou iniciativas voltadas a mapear a estrutura gen\u00e9tica da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u2013 altamente heterog\u00eanea em decorr\u00eancia de cruzamentos entre diversas etnias \u2013 e comentou como o conhecimento de variantes gen\u00e9ticas pode ajudar a identificar suscetibilidade para o desenvolvimento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre a FAPESP Week Michigan-Ohio: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo, de Michigan | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Diversos estudos voltados a encontrar genes relacionados ao desenvolvimento ou \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as como c\u00e2ncer e hipertens\u00e3o foram apresentados no dia 28 de mar\u00e7o, em Ann Arbor, nos Estados Unidos, durante a programa\u00e7\u00e3o da FAPESP Week Michigan-Ohio. 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