{"id":84103,"date":"2016-04-11T10:43:36","date_gmt":"2016-04-11T13:43:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=84103"},"modified":"2016-04-10T16:54:29","modified_gmt":"2016-04-10T19:54:29","slug":"estudo-desvenda-comunicacao-entre-neuronios-e-celulas-de-defesa-no-intestino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/estudo-desvenda-comunicacao-entre-neuronios-e-celulas-de-defesa-no-intestino\/84103","title":{"rendered":"Estudo desvenda comunica\u00e7\u00e3o entre neur\u00f4nios e c\u00e9lulas de defesa no intestino"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um  publicado recentemente na revista Cell revelou como a comunica\u00e7\u00e3o entre neur\u00f4nios que inervam o intestino e um tipo de <em><strong>c\u00e9lula de defesa<\/strong><\/em> conhecido como macr\u00f3fago permite modular localmente a resposta imunol\u00f3gica a ant\u00edgenos potencialmente patog\u00eanicos, evitando danos ao tecido.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o foi conduzida com o  durante o doutorado de Ilana Gabanyi, atualmente p\u00f3s-doutoranda na The Rockefeller University, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cNossa linha de pesquisa busca identificar as vias bioqu\u00edmicas envolvidas nessa regula\u00e7\u00e3o neuroimune, pois acreditamos que os resultados ajudar\u00e3o a entender e a tratar as doen\u00e7as intestinais cr\u00f4nicas, como, por exemplo, a s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel\u201d, disse Gabanyi em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Conforme explicou a pesquisadora no artigo, o intestino est\u00e1 constantemente exposto a ant\u00edgenos diversos \u2013 tanto aqueles presentes nos alimentos ingeridos como nos milhares de microrganismos que comp\u00f5em a flora intestinal. O \u00f3rg\u00e3o necessita, portanto, de mecanismos capazes de equilibrar a resposta imunol\u00f3gica a esses ant\u00edgenos, pois uma inflama\u00e7\u00e3o exacerbada poderia ser lesiva ao tecido.<\/p>\n<p>\u201cDescobrimos que, dentro do intestino, ocorre uma subespecializa\u00e7\u00e3o dos macr\u00f3fagos. Aqueles que ficam pr\u00f3ximos ao l\u00famen intestinal e s\u00e3o capazes de perceber a presen\u00e7a de pat\u00f3genos t\u00eam um perfil mais pr\u00f3-inflamat\u00f3rio, enquanto os macr\u00f3fagos localizados junto \u00e0 parede intestinal \u2013 sem contato com os potenciais invasores \u2013 apresentam perfil mais anti-inflamat\u00f3rio\u201d, contou Gabanyi.<\/p>\n<p>O grupo tamb\u00e9m observou que, na presen\u00e7a de uma bact\u00e9ria potencialmente patog\u00eanica, um determinado grupo de neur\u00f4nios \u00e9 ativado e passa a liberar um neurotransmissor conhecido como noradrenalina. Ao entrar em contato com os macr\u00f3fagos situados perto da parede intestinal, a subst\u00e2ncia induz a express\u00e3o de genes anti-inflamat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Montando o quebra-cabe\u00e7a<\/p>\n<p>Para chegar a essas conclus\u00f5es, o grupo coordenado pelo professor brasileiro Daniel Mucida, do Laborat\u00f3rio de Imunologia da Mucosa da Rockefeller University, realizou diversos experimentos em modelos de camundongos. O trabalho contou tamb\u00e9m com a ajuda do professor da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia (FMVZ) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Frederico Azevedo da Costa Pinto, gra\u00e7as a uma  para est\u00e1gio no exterior.<\/p>\n<p>Aos animais, foi administrada por via oral uma quantidade massiva de bact\u00e9rias do g\u00eanero Salmonella atenuadas. Embora n\u00e3o fossem capazes de causar uma infec\u00e7\u00e3o propriamente dita, esses microrganismos eram reconhecidos e desencadeavam uma resposta imunol\u00f3gica. Duas horas depois, os pesquisadores analisavam as diversas camadas do intestino dos roedores.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s esse per\u00edodo, j\u00e1 pod\u00edamos ver claramente uma diferen\u00e7a na express\u00e3o dos genes nos dois grupos de macr\u00f3fagos. Naqueles mais distantes do l\u00famen e das bact\u00e9rias \u2013 que chamamos de macr\u00f3fagos da muscularis \u2013 estava aumentada a express\u00e3o de genes anti-inflamat\u00f3rios. J\u00e1 nos chamados macr\u00f3fagos da l\u00e2mina pr\u00f3pria (pr\u00f3ximos ao l\u00famen), que naturalmente apresentam uma regula\u00e7\u00e3o pr\u00f3-inflamat\u00f3ria, o padr\u00e3o de express\u00e3o g\u00eanica n\u00e3o havia mudado muito\u201d, contou.<\/p>\n<p>Segundo Gabanyi, exames de imagem haviam revelado uma grande proximidade entre os macr\u00f3fagos da muscularis e os neur\u00f4nios no tecido intestinal, o que levou os pesquisadores a suspeitar que os dois tipos de c\u00e9lula poderiam estar se comunicando.<\/p>\n<p>\u201cComo essa altera\u00e7\u00e3o na express\u00e3o dos genes ocorria de maneira muito r\u00e1pida, suspeitamos que poderia ser via neuronal\u201d, disse Gabanyi.<\/p>\n<p>Ao analisar os macr\u00f3fagos da muscularis, o grupo observou que entre as prote\u00ednas mais expressas na superf\u00edcie estavam os receptores beta2-adren\u00e9rgicos, justamente aqueles que respondem \u00e0 noradrenalina.<\/p>\n<p>\u201cVimos que os macr\u00f3fagos da muscularis expressavam uma quantidade muito maior de receptores beta2-adren\u00e9rgicos que os demais macr\u00f3fagos do intestino\u201d, contou Gabanyi.<\/p>\n<p>Ao repetir o experimento anterior usando camundongos geneticamente modificados para n\u00e3o expressar o receptor beta2-adren\u00e9rgico, os pesquisadores observaram que o aumento na express\u00e3o dos genes anti-inflamat\u00f3rios n\u00e3o ocorria, confirmando que a via n\u00e3o era ativada sem a a\u00e7\u00e3o da noradrenalina sobre os macr\u00f3fagos.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi investigar quais neur\u00f4nios estavam liberando o neurotransmissor capaz de modular a resposta imune. Segundo Gabanyi, j\u00e1 era sabido que neur\u00f4nios intr\u00ednsecos ao intestino, ou seja, aqueles cujo corpo celular fica dentro do \u00f3rg\u00e3o, n\u00e3o liberam noradrenalina.<\/p>\n<p>\u201cImaginamos ent\u00e3o que poderiam ser os neur\u00f4nios do g\u00e2nglio simp\u00e1tico, localizados pr\u00f3ximos \u00e0 coluna vertebral. \u00c9 um grande conjunto de neur\u00f4nios que faz parte do sistema nervoso perif\u00e9rico, cujos ax\u00f4nios chegam at\u00e9 o intestino&#8221;, explicou a pesquisadora.<\/p>\n<p>A suspeita foi confirmada novamente por meio de experimentos com camundongos geneticamente modificados. Nesse caso os animais expressavam prote\u00ednas fluorescentes que permitiam observar, ao microsc\u00f3pio, a ativa\u00e7\u00e3o desses neur\u00f4nios.<\/p>\n<p>Atualmente, o grupo tenta descobrir como esses neur\u00f4nios do g\u00e2nglio simp\u00e1tico conseguem perceber a presen\u00e7a de bact\u00e9rias e outros pat\u00f3genos, ou seja, qual \u00e9 o primeiro est\u00edmulo ao qual respondem liberando noradrenalina.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m estamos investigando qual o papel dos macr\u00f3fagos da muscularis durante uma resposta inflamat\u00f3ria nesse tecido. Nossa suspeita \u00e9 que uma das fun\u00e7\u00f5es dessas c\u00e9lulas de defesa \u00e9 justamente proteger os neur\u00f4nios\u201d, disse Gabanyi.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da pesquisadora, \u00e9 prov\u00e1vel que exista uma forte rela\u00e7\u00e3o entre os mecanismos de regula\u00e7\u00e3o neuroimune observados nos camundongos e o que ocorre no organismo humano.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m ainda estudou isso em humanos, mas h\u00e1 evid\u00eancias de que existe essa rela\u00e7\u00e3o. Algumas pessoas, por exemplo, desenvolvem s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel ap\u00f3s um epis\u00f3dio de infec\u00e7\u00e3o intestinal\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A pesquisadora acredita que, no futuro, ser\u00e1 poss\u00edvel pensar em meios para ativar essa via de comunica\u00e7\u00e3o entre neur\u00f4nios e macr\u00f3fagos \u2013 o que seria \u00fatil no tratamento de pacientes com doen\u00e7as intestinais cr\u00f4nicas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um publicado recentemente na revista Cell revelou como a comunica\u00e7\u00e3o entre neur\u00f4nios que inervam o intestino e um tipo de c\u00e9lula de defesa conhecido como macr\u00f3fago permite modular localmente a resposta imunol\u00f3gica a ant\u00edgenos potencialmente patog\u00eanicos, evitando danos ao tecido. 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