{"id":84680,"date":"2016-04-20T10:26:14","date_gmt":"2016-04-20T13:26:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=84680"},"modified":"2016-04-19T19:28:06","modified_gmt":"2016-04-19T22:28:06","slug":"dispensador-automatico-de-larvicida-vence-premio-de-inovacao-contra-o-zika","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/dispensador-automatico-de-larvicida-vence-premio-de-inovacao-contra-o-zika\/84680","title":{"rendered":"Dispensador autom\u00e1tico de larvicida vence pr\u00eamio de inova\u00e7\u00e3o contra o Zika"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um dispositivo capaz de dispensar automaticamente quantidades suficientes de larvicida para manter caixas d\u2019\u00e1gua livres de larvas de mosquito por at\u00e9 um ano foi escolhido como a \u201csolu\u00e7\u00e3o mais implement\u00e1vel\u201d em um concurso de inova\u00e7\u00e3o realizado nos Estados Unidos, no in\u00edcio de abril, com o objetivo de criar novas ferramentas para combater o <strong><em>v\u00edrus Zika<\/em><\/strong> e demais pat\u00f3genos transmitidos pelo Aedes aegypti.<\/p>\n<p>Tr\u00eas brasileiros integram o grupo respons\u00e1vel pelo desenvolvimento do LAD (Dispensador Autom\u00e1tico de Larvicida, na sigla em ingl\u00eas): o engenheiro Marcelo de Castro, fundador da empresa Linpix Software LLC, e os alunos de doutorado da Universidade da Carolina do Norte (UNC) em Charlotte Adriano Schneider e Denis Jacob Machado \u2013 este \u00faltimo \u00a0da FAPESP.<\/p>\n<p>A equipe conta ainda com Gregorio Linchangco, tamb\u00e9m aluno de doutorado da UNC Charlotte, o m\u00e9dico M. Ihsan Kaadan (Massachusetts General Hospital), a estudante secundarista Kara Luo (Lexington High School), a estudante de medicina Karen Cheng (Boston University School of Medicine) e o engenheiro Paul Chang (Cornell University).<\/p>\n<p>\u201cCastro teve a ideia de criar o dispensador autom\u00e1tico depois de ver reportagens veiculadas na imprensa brasileira que mostravam equipes de sa\u00fade do governo visitando mensalmente bairros com grande incid\u00eancia de Aedes para aplicar larvicida manualmente nas caixas d\u2019\u00e1gua\u201d, contou Machado.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, tal medida n\u00e3o \u00e9 eficaz no combate ao mosquito, pois, como h\u00e1 muita circula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no interior das caixas, o larvicida rapidamente se dispersa. \u201cComo a larva do mosquito leva entre 7 e 10 dias para se desenvolver, os reservat\u00f3rios estariam protegidos somente na primeira semana ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o do produto\u201d, acrescentou Machado.<\/p>\n<p>Em apenas 48 horas, com aux\u00edlio de uma impressora 3D, o grupo criou um prot\u00f3tipo do LAD, que no Brasil dever\u00e1 ser lan\u00e7ado com outro nome. Trata-se de um dispositivo port\u00e1til de pl\u00e1stico que fica sob a superf\u00edcie da \u00e1gua e garante uma concentra\u00e7\u00e3o segura de larvicida nos reservat\u00f3rios mesmo ap\u00f3s v\u00e1rios ciclos (esvaziar e encher a caixa v\u00e1rias vezes). A equipe estima que a manuten\u00e7\u00e3o s\u00f3 seja necess\u00e1ria uma vez por ano.<\/p>\n<p>\u201cDessa forma, o n\u00famero de visitas pode ser reduzido drasticamente e a efici\u00eancia da medida aumentada. Uma de nossas preocupa\u00e7\u00f5es era encontrar meios de usar a menor quantidade poss\u00edvel de produto qu\u00edmico para elimina\u00e7\u00e3o das larvas. Levando em considera\u00e7\u00e3o seu ciclo de vida, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de adicionar larvicida diariamente. Cerca de uma vez por semana \u00e9 suficiente\u201d, disse Machado.<\/p>\n<p>Formado em Biologia Marinha, Machado cursa o doutorado na \u00e1rea de bioinform\u00e1tica, com o objetivo de desenvolver estrat\u00e9gias computacionais que podem ser usadas para entender a evolu\u00e7\u00e3o de toxinas em anf\u00edbios. No Brasil, ele est\u00e1 vinculado ao Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP), sob orienta\u00e7\u00e3o do professor Taran Grant.<\/p>\n<p>\u201cTenho grande interesse em toxicidade e, quando me convidaram para participar da equipe, minha principal preocupa\u00e7\u00e3o foi garantir que a quantidade de larvicida liberada pelo dispositivo n\u00e3o fosse danosa nem para o meio ambiente, nem para os moradores da casa\u201d, disse.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, Machado, Schneider e Linchangco s\u00e3o orientados pelo professor da UNC Charlotte Daniel Janies, coordenador do Departamento de Bioinform\u00e1tica e Gen\u00f4mica.<\/p>\n<p>Schneider, originalmente, iniciou um projeto de doutorado voltado ao uso de ferramentas de bioinform\u00e1tica para o estudo do v\u00edrus HIV, causador da Aids. Quando emergiu a epidemia associada ao v\u00edrus Zika, por\u00e9m, seu foco mudou. \u201cDesde janeiro tenho estudado a evolu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus Zika e, por meio de parcerias com especialistas em imunologia, tento entender quais altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas o v\u00edrus sofreu para alcan\u00e7ar a atual patogenicidade\u201d, contou.<\/p>\n<p>Hackeando o Zika<\/p>\n<p>Realizado no Massachusetts General Hospital (MGH), em Boston, o evento Zika Innovation Hack-a-thon 2016 reuniu nos dias 2 e 3 de abril cerca de 150 interessados em sa\u00fade global e em inova\u00e7\u00e3o. A iniciativa foi organizada pelo The Consortium for Affordable Medical Technologies (CAMTech) e pelo Global Disaster Response, um dos centros sediados no MGH. O desafio proposto aos participantes era criar, em apenas 48 horas, solu\u00e7\u00f5es inovadoras para combater as doen\u00e7as transmitidas pelo Aedes, bem como o mosquito vetor.<\/p>\n<p>O Hack-a-thon \u2013 tamb\u00e9m conhecido como hack day ou hackfest \u2013 \u00e9 um modelo de evento que surgiu no fim do s\u00e9culo passado, nos Estados Unidos, visando reunir programadores, desenvolvedores de software e de hardware e promover colabora\u00e7\u00e3o intensa em um projeto espec\u00edfico.<\/p>\n<p>\u201cMais recentemente surgiu uma vers\u00e3o de hack-a-thon voltada para inova\u00e7\u00e3o. De maneira geral, s\u00e3o organizados quando se sente a necessidade de encontrar solu\u00e7\u00f5es para um problema espec\u00edfico, neste caso, o combate ao Zika\u201d, contou Machado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do LAD, premiado na categoria \u201cSolu\u00e7\u00e3o mais Implement\u00e1vel\u201d, outros projetos foram selecionados nas categorias \u201cSolu\u00e7\u00e3o mais Inovadora\u201d e \u201cInova\u00e7\u00e3o que Promete o Maior Impacto em Sa\u00fade P\u00fablica\u201d. No primeiro caso, venceu um aplicativo para celular capaz de detectar a presen\u00e7a e a localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de larvas de mosquito. No segundo caso, houve empate entre dois projetos: um aplicativo que permite ao usu\u00e1rio reportar \u00e1reas prop\u00edcias para reprodu\u00e7\u00e3o do mosquito e um jogo voltado a ensinar crian\u00e7as sobre os riscos associados ao Aedes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de um pr\u00eamio simb\u00f3lico em dinheiro, os vencedores receber\u00e3o apoio log\u00edstico da CAMTech para transformar a ideia em um produto. \u201cEles t\u00eam uma plataforma de inova\u00e7\u00e3o e assessoram os grupos na aquisi\u00e7\u00e3o de patente, no processo de desenvolvimento de produtos e na obten\u00e7\u00e3o de financiamento\u201d, contou Machado. \u201cO Hack-a-thon \u00e9 um modelo interessante porque re\u00fane pessoas de diversas \u00e1reas. Algumas ideias que originalmente n\u00e3o seriam vi\u00e1veis, quando trabalhadas em time, tornam-se poss\u00edveis de implementar\u201d, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um dispositivo capaz de dispensar automaticamente quantidades suficientes de larvicida para manter caixas d\u2019\u00e1gua livres de larvas de mosquito por at\u00e9 um ano foi escolhido como a \u201csolu\u00e7\u00e3o mais implement\u00e1vel\u201d em um concurso de inova\u00e7\u00e3o realizado nos Estados Unidos, no in\u00edcio de abril, com o objetivo de criar novas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40847,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-84680","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84680","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84680"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84680\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40847"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}