{"id":84841,"date":"2016-04-22T10:34:45","date_gmt":"2016-04-22T13:34:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=84841"},"modified":"2016-04-21T21:36:38","modified_gmt":"2016-04-22T00:36:38","slug":"estudo-busca-aperfeicoar-o-diagnostico-por-imagem-da-esquizofrenia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/estudo-busca-aperfeicoar-o-diagnostico-por-imagem-da-esquizofrenia\/84841","title":{"rendered":"Estudo busca aperfei\u00e7oar o diagn\u00f3stico por imagem da esquizofrenia"},"content":{"rendered":"<p> Jos\u00e9 Tadeu Arantes | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Por meio de um software capaz de minerar dados fornecidos pelo exame de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional, o diagn\u00f3stico da <strong><em>esquizofrenia<\/em><\/strong> usando o mapeamento do c\u00e9rebro j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel no \u00e2mbito cient\u00edfico. Novos estudos procuram investigar com maiores detalhes as principais regi\u00f5es cerebrais envolvidas e tamb\u00e9m detectar eventuais reorganiza\u00e7\u00f5es da estrutura cortical em fun\u00e7\u00e3o do tratamento medicamentoso.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o foi comunicada \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP por , pesquisador associado do Centro de Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas Aplicadas \u00e0 Ind\u00fastria (), um dos 17 Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o () apoiados pela FAPESP.<\/p>\n<p>Professor do Instituto de Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas e de Computa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), no campus de S\u00e3o Carlos, Rodrigues coordenou um estudo sobre o tema, realizado mediante colabora\u00e7\u00e3o entre a USP e a Radboud University, de Nijmegen, nos Pa\u00edses Baixos. Artigo relatando os primeiros resultados foi publicado em 2014 na revista Clinical Neurophysiology: \u201c\u201d. O estudo foi apoiado pela FAPESP por meio do projeto \u201c\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNesse estudo, que podemos definir como uma primeira abordagem do assunto, fizemos o mapeamento global do c\u00e9rebro para detectar as diferen\u00e7as entre a organiza\u00e7\u00e3o da estrutura cortical classificada como normal e aquela que caracteriza os portadores de esquizofrenia. Agora, estamos investigando em maior profundidade diversas regi\u00f5es corticais, tal como o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal, para localizar diferencia\u00e7\u00f5es talvez mais expressivas. Al\u00e9m disso, considerando que o c\u00e9rebro \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o de grande plasticidade, em constante transforma\u00e7\u00e3o, queremos saber tamb\u00e9m se o tratamento medicamentoso \u00e9 capaz de reconfigurar estruturas de liga\u00e7\u00e3o, levando, eventualmente, a uma corre\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica definitiva\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>No mapeamento j\u00e1 realizado, as imagens foram obtidas por meio de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional e o c\u00e9rebro foi mapeado como uma rede complexa. Cada v\u00e9rtice da rede representa uma \u00e1rea cortical. As diversas \u00e1reas s\u00e3o ligadas de acordo com a ativa\u00e7\u00e3o durante o experimento. Essa rede foi analisada computacionalmente com o uso de descritores estat\u00edsticos e m\u00e9todos de minera\u00e7\u00e3o de dados. Tais an\u00e1lises evidenciaram que existem diferen\u00e7as sutis, mas bastante definidoras, entre os dois tipos de estrutura\u00e7\u00e3o cortical, ou seja, a estrutura do c\u00e9rebro das pessoas classificadas como normais e aquela dos portadores de esquizofrenia.<\/p>\n<p>\u201cDe fato, o c\u00e9rebro do indiv\u00edduo classificado como esquizofr\u00eanico tende a ser menos organizado em determinadas regi\u00f5es. E esse d\u00e9ficit de organiza\u00e7\u00e3o estaria relacionado com os transtornos visuais, auditivos ou mesmo olfativos que caracterizam a doen\u00e7a\u201d, afirmou Rodrigues.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a diferencia\u00e7\u00e3o das redes corticais n\u00e3o poderia ter sido realizada por observadores humanos, mesmo que fossem especialistas na \u00e1rea, porque, visualmente, as redes s\u00e3o muito parecidas, apresentando diferen\u00e7as de estrutura\u00e7\u00e3o m\u00ednimas. \u201cPor meio da minera\u00e7\u00e3o computacional de dados, a separa\u00e7\u00e3o das imagens em dois conjuntos distintos p\u00f4de ser feita em minutos, por computadores pessoais comuns. Extra\u00edmos 54 medidas das redes corticais e apenas quatro se mostraram relevantes para realizar a classifica\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos\u201d, complementou.<\/p>\n<p>Uma vez diferenciados os dois conjuntos, o passo seguinte, segundo o pesquisador, foi empregar o aprendizado de m\u00e1quina para ensinar ao computador as caracter\u00edsticas rotuladas como \u201cnormais\u201d e aquelas atribu\u00eddas aos portadores de esquizofrenia. \u201cA partir disso, a m\u00e1quina aprendeu a classificar os novos exames, alocando-os em um dos dois conjuntos, com uma margem de 80% de acerto\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Esquizofrenia pedi\u00e1trica<\/p>\n<p>O estudo enfocou uma modalidade espec\u00edfica de esquizofrenia denominada \u201cesquizofrenia pedi\u00e1trica\u201d [\u201cchild-onset schizophrenia\u201d, em ingl\u00eas], especialmente dif\u00edcil de diagnosticar por meio da abordagem cl\u00ednica convencional, baseada em entrevista, apresenta\u00e7\u00e3o de question\u00e1rio e avalia\u00e7\u00e3o subjetiva do entrevistador. \u201cEsse tipo de diagn\u00f3stico \u00e9 o mais dif\u00edcil de ser realizado clinicamente, pois a doen\u00e7a se manifesta em jovens e crian\u00e7as, nos quais os sintomas comuns ainda n\u00e3o s\u00e3o evidentes. No entanto, o diagn\u00f3stico desse tipo de esquizofrenia \u00e9 extremamente importante, pois permite uma interven\u00e7\u00e3o com medicamentos que sejam capazes de frear o avan\u00e7o da doen\u00e7a\u201d, afirmou Rodrigues.<\/p>\n<p>Esse trabalho resultou em um software acad\u00eamico, que poder\u00e1 ser aperfei\u00e7oado e disponibilizado para uso m\u00e9dico no futuro.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 temos o software capaz de classificar os dados. Ele pode ser utilizado para o diagn\u00f3stico da esquizofrenia em geral. Os fatores limitantes do procedimento s\u00e3o o custo ainda muito alto da resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional e o fato de esse exame exigir a colabora\u00e7\u00e3o ativa da pessoa que est\u00e1 sendo examinada. Ela n\u00e3o fica na m\u00e1quina sob seda\u00e7\u00e3o. Precisa estar acordada e realizar determinadas a\u00e7\u00f5es, de modo que o exame detecte as regi\u00f5es cerebrais ativadas durante essas atividades\u201d, ponderou Rodrigues.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), a incid\u00eancia da esquizofrenia na popula\u00e7\u00e3o \u00e9 da ordem de uma para cada 100 pessoas. A enfermidade atinge em igual propor\u00e7\u00e3o homens e mulheres, mas, em geral, manifesta-se mais cedo no homem, por volta dos 20 aos 25 anos de idade, enquanto que, na mulher, a manifesta\u00e7\u00e3o ocorre com maior frequ\u00eancia entre os 25 e os 30 anos.<\/p>\n<p>O software desenvolvido pode ser utilizado tamb\u00e9m no diagn\u00f3stico de outras doen\u00e7as que possuam contrapartidas neuronais. \u201cJ\u00e1 estamos pesquisando o emprego no diagn\u00f3stico do autismo. E existe tamb\u00e9m a possibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o no diagn\u00f3stico precoce do Alzheimer\u201d, informou o pesquisador. \u201cEssa ser\u00e1 a medicina do futuro, com o uso de m\u00e9todos de intelig\u00eancia computacional para diagnosticar doen\u00e7as de dif\u00edcil identifica\u00e7\u00e3o pelos m\u00e9todos tradicionais. O diagn\u00f3stico preciso, r\u00e1pido e menos invasivo poss\u00edvel \u00e9 um dos grandes desafios da medicina moderna\u201d, completou o pesquisador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tadeu Arantes | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Por meio de um software capaz de minerar dados fornecidos pelo exame de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional, o diagn\u00f3stico da esquizofrenia usando o mapeamento do c\u00e9rebro j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel no \u00e2mbito cient\u00edfico. 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