{"id":86109,"date":"2016-05-12T10:27:52","date_gmt":"2016-05-12T13:27:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=86109"},"modified":"2016-05-11T23:30:43","modified_gmt":"2016-05-12T02:30:43","slug":"projeto-deve-mapear-resposta-imunologica-humana-contra-o-zika","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/projeto-deve-mapear-resposta-imunologica-humana-contra-o-zika\/86109","title":{"rendered":"Projeto deve mapear resposta imunol\u00f3gica humana contra o Zika"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores brasileiros, ingleses e norte-americanos uniram for\u00e7as em um projeto que tem como objetivo mapear a resposta imunol\u00f3gica humana contra o v\u00edrus <em><strong>Zika<\/strong><\/em>. Os resultados poder\u00e3o servir de base, no futuro, para o desenvolvimento de uma vacina.<\/p>\n<p>No Brasil, o trabalho \u00e9  e coordenado pelo professor Jo\u00e3o Santana da Silva, do Departamento de Bioqu\u00edmica e Imunologia da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMRP-USP). Os parceiros internacionais s\u00e3o Daniel Altmann, do Imperial College London (Reino Unido), e William Kwok, do Benaroya Research Institute (Estados Unidos).<\/p>\n<p>A proposta foi selecionada recentemente em uma  de pesquisas lan\u00e7ada em parceria com o Medical Research Council (MRC), do Reino Unido.<\/p>\n<p>\u201cUm dos primeiros passos ser\u00e1 identificar quais pept\u00eddeos virais s\u00e3o reconhecidos pelas c\u00e9lulas humanas de defesa e induzem uma resposta imunol\u00f3gica. Em seguida, temos de descobrir quais c\u00e9lulas s\u00e3o ativadas e quais subst\u00e2ncias \u2013 citocinas e quimiocinas \u2013 s\u00e3o induzidas pelo contato com o material do v\u00edrus\u201d, contou Santana da Silva.<\/p>\n<p>A equipe sediada em Londres ficar\u00e1 respons\u00e1vel pela sele\u00e7\u00e3o e o desenho de algumas dezenas de pept\u00eddeos presentes no envelope viral que ser\u00e3o usados nos ensaios \u2013 entre eles aqueles presentes na prote\u00edna NS1, cujo papel \u00e9 modular a intera\u00e7\u00e3o entre o Zika e o sistema imunol\u00f3gico humano.<\/p>\n<p>Os pept\u00eddeos selecionados ser\u00e3o ent\u00e3o sintetizados pelo grupo norte-americano na forma de tetr\u00e2meros, ou seja, mol\u00e9culas formadas por quatro diferentes pept\u00eddeos.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma estrat\u00e9gia para agilizar os ensaios de rastreamento, pois ao colocar a c\u00e9lula de defesa em contato com um desses tetr\u00e2meros testamos quatro pept\u00eddeos ao mesmo tempo. Se houver resposta, fazemos novos ensaios com cada um dos quatro pept\u00eddeos isolados\u201d, explicou Santana da Silva.<\/p>\n<p>Os ensaios in vitro com c\u00e9lulas humanas ser\u00e3o conduzidos na FMRP-USP. Para isso, ser\u00e3o usados leuc\u00f3citos (as c\u00e9lulas brancas do sangue) isolados do sangue de pessoas que j\u00e1 tiveram Zika e se curaram e tamb\u00e9m de pacientes que est\u00e3o na fase aguda da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cO contato entre o tetr\u00e2mero e o leuc\u00f3cito \u00e9 feito sobre um papel absorvente e, se houver produ\u00e7\u00e3o de citocinas, essas subst\u00e2ncias ficam aderidas ao papel. Podemos ent\u00e3o fazer ensaios para caracterizar o que foi produzido\u201d, contou o professor da FMRP-USP.<\/p>\n<p>Os pept\u00eddeos que se mostrarem capazes de induzir a resposta imune ser\u00e3o testados em camundongos transg\u00eanicos, capazes de expressar prote\u00ednas do complexo principal de histocompatibilidade (MHC, na sigla em ingl\u00eas) humano. Essa modifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica faz com que o sistema imune do animal mimetize o humano.<\/p>\n<p>\u201cEsse modelo foi desenvolvido em Londres e, a princ\u00edpio, esses ensaios seriam feitos l\u00e1. Mas estamos tentando importar os animais porque temos todas as condi\u00e7\u00f5es de fazer os testes aqui em Ribeir\u00e3o Preto\u201d, disse Santana da Silva.<\/p>\n<p>No momento, o grupo da FMRP-USP j\u00e1 realiza testes com diferentes linhagens de camundongo para avaliar quais s\u00e3o suscet\u00edveis \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus Zika.<\/p>\n<p>\u201cTestamos na linhagem C57BL\/6 geneticamente modificada para n\u00e3o expressar os receptores paras as citocinas interferon (INF) alfa e beta, que fazem parte da resposta imune inata contra o v\u00edrus. Todos os animais ficaram doentes e acabaram morrendo\u201d, disse Santana da Silva.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 os animais da mesma linhagem sem a modifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica tamb\u00e9m ficaram doente, mas conseguiram se curar, o que \u00e9 mais interessante como modelo, pois nos permite estudar qual \u00e9 o tipo de resposta que est\u00e1 protegendo o animal \u2013 avaliar se o mais importante s\u00e3o anticorpos ou linf\u00f3citos do tipo TCD4 ou TCD8\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores brasileiros, ingleses e norte-americanos uniram for\u00e7as em um projeto que tem como objetivo mapear a resposta imunol\u00f3gica humana contra o v\u00edrus Zika. Os resultados poder\u00e3o servir de base, no futuro, para o desenvolvimento de uma vacina. 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