{"id":87884,"date":"2016-06-10T10:02:58","date_gmt":"2016-06-10T13:02:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=87884"},"modified":"2016-06-09T16:54:11","modified_gmt":"2016-06-09T19:54:11","slug":"confirmado-bebe-sem-microcefalia-com-lesao-cerebral-e-ocular-causada-por-zika","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/confirmado-bebe-sem-microcefalia-com-lesao-cerebral-e-ocular-causada-por-zika\/87884","title":{"rendered":"Confirmado beb\u00ea sem microcefalia com les\u00e3o cerebral e ocular causada por Zika"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em  na (07\/06) na revista The Lancet, pesquisadores brasileiros descreveram o caso de um beb\u00ea nascido sem microcefalia, mas com les\u00f5es severas no c\u00e9rebro e na retina causadas pelo v\u00edrus <strong><em>Zika<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada por cientistas da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e da Funda\u00e7\u00e3o Altino Ventura, de Pernambuco \u2013 entidade filantr\u00f3pica que presta assist\u00eancia oftalmol\u00f3gica \u00e0 popula\u00e7\u00e3o carente do Estado considerado como o epicentro da epidemia de Zika.<\/p>\n<p>O grupo avaliou o caso de uma crian\u00e7a que nasceu com 38 semanas de gesta\u00e7\u00e3o, 3,5 quilos e per\u00edmetro cef\u00e1lico medindo 33 cent\u00edmetros \u2013 valor considerado normal para a idade. No momento do exame, o beb\u00ea tinha 57 dias.<\/p>\n<p>\u201cO menino nasceu aparentemente normal e, como n\u00e3o tinha microcefalia, os pais o levaram para casa. Ap\u00f3s alguns dias, come\u00e7ou a ter convuls\u00e3o. Voltou para o hospital e foi detectada calcifica\u00e7\u00e3o cerebral, al\u00e9m de aumento dos ventr\u00edculos e les\u00e3o grave na retina, semelhante aquelas encontradas em beb\u00eas com microcefalia\u201d, contou , professor da Escola Paulista de Medicina, da Unifesp, e coautor do estudo.<\/p>\n<p>A m\u00e3e n\u00e3o apresentou sintomas da doen\u00e7a durante a gravidez, mas, ap\u00f3s serem descartadas outras infec\u00e7\u00f5es associadas a malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas, um exame do l\u00edquor da crian\u00e7a mostrou a exist\u00eancia de anticorpos contra o Zika.<\/p>\n<p>Segundo Belfort, as manifesta\u00e7\u00f5es observadas nesse caso se enquadram no que vem sendo chamado de S\u00edndrome Cong\u00eanita do Zika, que tem um amplo espectro e diferentes manifesta\u00e7\u00f5es. Pode ou n\u00e3o incluir microcefalia, bem como les\u00f5es cerebrais, oculares, auditivas, espasmos e convuls\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 para excluir a infec\u00e7\u00e3o pelo Zika s\u00f3 porque a microcefalia n\u00e3o est\u00e1 presente. A microcefalia \u00e9 um fator de risco para a presen\u00e7a de les\u00f5es cerebrais e oculares, mas n\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o absoluta. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio testar as m\u00e3es para o Zika durante o pr\u00e9-natal e, quando der positivo, acompanhar as crian\u00e7as ap\u00f3s o nascimento e fazer a oftalmoscopia\u201d, disse Belfort.<\/p>\n<p>Considerada um exame simples de ser feito, a oftalmoscopia permite visualizar as estruturas do fundo de olho, como o nervo \u00f3ptico, os vasos retinianos, e a regi\u00e3o central da retina denominada m\u00e1cula.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, h\u00e1 outros casos semelhantes sendo avaliados e devem ser confirmados em breve. \u201cResolvemos j\u00e1 divulgar este primeiro para a informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica circular mais r\u00e1pido\u201d, contou.<\/p>\n<p>Fatores de risco<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2016, o mesmo grupo de pesquisadores mostrou pela primeira vez, em  publicado na revista The Lancet, que, al\u00e9m de microcefalia, a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus Zika durante a gesta\u00e7\u00e3o pode causar atrofia na retina e at\u00e9 mesmo cegueira nos rec\u00e9m-nascidos.<\/p>\n<p>Em maio, em  publicado na revista JAMA Ophthalmology, revelaram que a probabilidade de ocorrer les\u00f5es oftalmol\u00f3gicas graves \u00e9 maior em filhos de m\u00e3es que relataram sintomas da doen\u00e7a no primeiro trimestre de gesta\u00e7\u00e3o. Ainda segundo o estudo, quanto menor for o per\u00edmetro cef\u00e1lico do rec\u00e9m-nascido, maiores as chances de problemas na retina.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 comum a ocorr\u00eancia de cegueira entre beb\u00eas com microcefalia, mas as les\u00f5es encontradas nos filhos de mulheres que relataram sintomas de Zika durante a gesta\u00e7\u00e3o s\u00e3o diferentes e bem espec\u00edficas. Mas ainda havia d\u00favida se, de fato, o problema teria sido causado pelo v\u00edrus. Neste estudo, n\u00f3s exclu\u00edmos as outras poss\u00edveis causas de cegueira\u201d, contou Belfort.<\/p>\n<p>A pesquisa foi feita com 40 crian\u00e7as microcef\u00e1licas nascidas de m\u00e3es que contra\u00edram Zika durante a gravidez. Os beb\u00eas tinham entre um e sete meses de idade na \u00e9poca da avalia\u00e7\u00e3o e foram divididos em dois grupos: com e sem altera\u00e7\u00f5es detectadas na oftalmoscopia.<\/p>\n<p>Todos os beb\u00eas passaram por exames para descartar doen\u00e7as causadoras de cegueira cong\u00eanita, como rub\u00e9ola, herpes, toxoplasmose, s\u00edfilis, citomegalov\u00edrus e HIV\/Aids.<\/p>\n<p>O teste capaz de detectar a presen\u00e7a de anticorpos contra o v\u00edrus Zika no l\u00edquor foi aplicado em 24 dos 40 beb\u00eas inclu\u00eddos na pesquisa e todos apresentaram resultado positivo. Belfort explicou que o m\u00e9todo diagn\u00f3stico n\u00e3o foi aplicado em todos os participantes porque ainda n\u00e3o estava dispon\u00edvel quando a avalia\u00e7\u00e3o come\u00e7ou.<\/p>\n<p>O \u00edndice de positivo para o Zika foi de 63,6% no grupo com altera\u00e7\u00f5es na retina e de 55% no grupo sem altera\u00e7\u00e3o oftalmol\u00f3gica (o \u00edndice provavelmente seria maior se todas tivessem feito o teste sorol\u00f3gico). \u201cOs dados deixam claro que a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus Zika leva \u00e0 microcefalia e \u00e0 cegueira em grande parte das crian\u00e7as\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>Todas as m\u00e3es dos beb\u00eas participantes responderam a um question\u00e1rio em que relataram os principais sintomas vivenciados na gesta\u00e7\u00e3o. O mais frequente nos dois grupos foi erup\u00e7\u00e3o cut\u00e2nea (65%), seguido por febre (22,5%), dor de cabe\u00e7a (22,5%) e dor nas articula\u00e7\u00f5es (20%). Nenhuma delas relatou conjuntivite ou outros sintomas oculares.<\/p>\n<p>Mais de 70% das m\u00e3es de crian\u00e7as com problemas oftalmol\u00f3gicos afirmaram ter apresentado os sintomas no primeiro trimestre de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que as les\u00f5es na retina eram mais graves nos filhos de m\u00e3es que se infectaram no primeiro trimestre \u2013 grande parte da retina era inexistente nesses casos. Nossa hip\u00f3tese \u00e9 que, assim como ocorre no c\u00e9rebro, o v\u00edrus n\u00e3o deixa parte da retina se desenvolver\u201d, disse Belfort.<\/p>\n<p>Com o intuito de ampliar o entendimento sobre os danos causados pela infec\u00e7\u00e3o, os pesquisadores continuam acompanhando as crian\u00e7as de Pernambuco e tamb\u00e9m um grupo de beb\u00eas da Bahia. Al\u00e9m disso, est\u00e3o sendo estudadas as placentas das m\u00e3es que deram \u00e0 luz filhos com microcefalia.<\/p>\n<p>O artigo Ocular Findings in Infants With Microcephaly Associated With Presumed Zika Virus Congenital Infection in Salvador, Brazil (doi: 10.1001\/jamaophthalmol.2016.0267) pode ser lido em .<\/p>\n<p>O artigo Zika: neurological and ocular findings in infant without microcephaly (doi: 10.1016\/S0140-6736(16)30776-0) pode ser lido em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em na (07\/06) na revista The Lancet, pesquisadores brasileiros descreveram o caso de um beb\u00ea nascido sem microcefalia, mas com les\u00f5es severas no c\u00e9rebro e na retina causadas pelo v\u00edrus Zika. 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