{"id":908,"date":"2009-04-27T15:03:59","date_gmt":"2009-04-27T19:03:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=908"},"modified":"2009-04-27T15:03:59","modified_gmt":"2009-04-27T19:03:59","slug":"jacares-podem-ajudar-comunidades-ribeirinhas-do-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/jacares-podem-ajudar-comunidades-ribeirinhas-do-amazonas\/908","title":{"rendered":"Jacar\u00e9s podem ajudar comunidades ribeirinhas do Amazonas"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-family: Arial;\">Apesar de ainda n\u00e3o ter sido oficialmente confirmada para 2009, a captura experimental e controlada de jacar\u00e9s no Amazonas pode trazer avan\u00e7os pr\u00e1ticos e cient\u00edficos para o estado, em compara\u00e7\u00e3o aos anos anteriores em que a atividade foi realizada.<\/p>\n<p>Segundo a gerente de apoio \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de animais silvestres do Instituto de Desenvolvimento Agropecu\u00e1rio do Estado do Amazonas (Idam), S\u00f4nia Canto, a evolu\u00e7\u00e3o da captura controlada de jacar\u00e9s depende do avan\u00e7o das pesquisas que fundamentem a explora\u00e7\u00e3o desse recurso, aliada \u00e0 supera\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos relativos \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o da carne e da pele dos animais.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia acumulada com a captura experimental, j\u00e1 realizada na Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel de Mamirau\u00e1, a cerca de 525 quil\u00f4metros a oeste de Manaus, deve contribuir e, no futuro, a atividade pode ser uma das mais importantes alternativas de renda para os moradores da reserva, avalia S\u00f4nia. Segundo ela, o objetivo do governo estadual \u00e9 ampliar a atividade, agregando valor \u00e0 cadeia produtiva, sem deixar de valorizar a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie na natureza.<\/p>\n<p>\u201cPara poder ter no Amazonas a expans\u00e3o dessa atividade, temos que avan\u00e7ar nas metodologias para monitoramento, captura e processamento da esp\u00e9cie. Isso vai garantir a obten\u00e7\u00e3o de qualidade sanit\u00e1ria necess\u00e1ria para ampliar a comercializa\u00e7\u00e3o do produto no mercado local\u201d, acrescentou S\u00f4nia.<\/p>\n<p>Uma lei federal proibiu a captura de jacar\u00e9s desde o fim da d\u00e9cada de 70 no pa\u00eds. Contudo, a atividade no Amazonas \u00e9 realizada de forma experimental desde 2004, por meio de um projeto piloto do governo estadual, na Reserva Mamirau\u00e1. O projeto tem autoriza\u00e7\u00e3o do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama).<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, tr\u00eas capturas experimentais de jacar\u00e9s j\u00e1 foram realizadas. Na primeira delas, em 2004, foram abatidos 60 animais. J\u00e1 na segunda, em 2006, 250 jacar\u00e9s foram capturados. Em 2008, entre os dias 16 e 22 de dezembro, foram abatidos 253 jacar\u00e9s da esp\u00e9cie a\u00e7u. Desse total, foram aproveitadas 226 peles e 203 carca\u00e7as. Aproximadamente 90 moradores da comunidade S\u00e3o Raimundo do Jarau\u00e1 participaram da \u00faltima captura, em Mamirau\u00e1.<\/p>\n<p>O Instituto Mamirau\u00e1 \u2013 organiza\u00e7\u00e3o social supervisionada pelo Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia e Tecnologia, que compartilha a gest\u00e3o da reserva ambiental com o governo do Amazonas \u2013 presta assessoria \u00e0s comunidades envolvidas no projeto, fornecendo dados t\u00e9cnicos e cient\u00edficos a respeito da esp\u00e9cie e das possibilidades de manejo.<\/p>\n<p>O governo estadual faze estudos e outros processos relativos \u00e0 cadeia produtiva. Na reserva de Mamirau\u00e1 existem tr\u00eas esp\u00e9cies de jacar\u00e9s: agu\u00e1,tinga e a\u00e7u. A maior esp\u00e9cie brasileira de jacar\u00e9 \u00e9 a a\u00e7u e, por isso, foi escolhida para o manejo por apresentar maior valor comercial. O jacar\u00e9-a\u00e7u \u00e9 reconhecido pelos ribeirinhos por ter a cabe\u00e7a e cumprimento maior e a pele mais escura que as outras esp\u00e9cies. Estima-se que um jacar\u00e9-a\u00e7u possa viver at\u00e9 60 anos, pesar 500 quilos e medir at\u00e9 6 metros de cumprimento.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a dos jacar\u00e9s em Mamirau\u00e1 \u00e9 marcante. Segundo o pesquisador do Programa de Manejo e Conserva\u00e7\u00e3o de Jacar\u00e9s do Instituto Mamirau\u00e1, Robinson Botero-Arias, h\u00e1 locais na reserva com concentra\u00e7\u00e3o de at\u00e9 cem jacar\u00e9s por quil\u00f4metro. Para Arias, o manejo de jacar\u00e9s pode garantir o bem-estar dos ribeirinhos e tamb\u00e9m das esp\u00e9cies, j\u00e1 que os pesquisadores que acompanham a captura estabeleceram regras diversas para n\u00e3o prejudicar a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, como n\u00e3o abater jacar\u00e9s pr\u00f3ximos aos ninhos e evitar a morte de f\u00eameas.<\/p>\n<p>\u201cOs ribeirinhos s\u00e3o os principais beneficiados pela implanta\u00e7\u00e3o do manejo, porque a atividade pode se transformar na principal alternativa econ\u00f4mica deles. A esp\u00e9cie tamb\u00e9m ganha porque, se tudo for feito da forma correta, com base nos princ\u00edpios t\u00e9cnico-cient\u00edficos adequados, o manejo de jacar\u00e9 estar\u00e1 associado a estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie\u201d, disse Arias.<\/p>\n<p>Os animais s\u00e3o capturados \u00e0 noite e com arp\u00f5es. Para localiz\u00e1-los, os pescadores usam lanternas, cujas luzes se refletem nos olhos dos animais e indicam o local onde eles est\u00e3o. Depois de imobilizados, os jacar\u00e9s s\u00e3o levados para um barco para que se possa fazer a separa\u00e7\u00e3o da carne, pele e v\u00edsceras e, posteriormente, o resfriamento do que ser\u00e1 vendido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt; font-family: Arial;\">Amanda Mota<br \/>\n<em>Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/em> <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de ainda n\u00e3o ter sido oficialmente confirmada para 2009, a captura experimental e controlada de jacar\u00e9s no Amazonas pode trazer avan\u00e7os pr\u00e1ticos e cient\u00edficos para o estado, em compara\u00e7\u00e3o aos anos anteriores em que a atividade foi realizada. 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